• Sonuç bulunamadı

III. BÖLÜM: DÜNYADA VE TÜRKiYE’DE KATILIM BANKACILIĞI

3.1. DÜNYADA FAİZSİZ FİNANS

3.1.1. KATILIM BANKACILIĞINDA EN BÜYÜK PAYA SAHİP

3.1.1.2. Malezya

Para o desenvolvimento e progresso de uma nação, há a necessidade de formar indivíduos capazes e com habilidades de apreender os conhecimentos da Humanidade, aplicá-los e ampliá-los. A escolarização é a maneira para atingir esse objetivo, além de moldar o indivíduo conforme as expectativas da sociedade.

Para Sacristán (2001), a Educação é um meio para conseguir o progresso, considerando que possibilita a aquisição de cultura e conhecimento, como “motores” para formar indivíduos melhores, capazes de entender e participar do mundo. Para atingir esse objetivo, o processo de escolarização é guiado por projetos e utopias de um mundo pretendido, que deverão passar para o mundo real, através de ações humanas e de condições concretas (SACRISTÁN, 1999). Os projetos que fundamentam a elaboração do currículo mostram-se impregnados das ideias e ideais daqueles que o elaboram, numa relação de poder.

A escola é a instituição onde, tradicionalmente, ocorre o processo de escolarização de um povo. Nela se encontram as diversidades que formam a sociedade. Especialmente na escola pública, a pretensão de que todos aprendam de modo e em tempos semelhantes, chegando ao modelo esperado, preconiza a

educação para todos. Ao equalizar a escolarização, a sociedade espera “modelar” seus indivíduos de modo homogêneo. Com o domínio da cultura preestabelecida no currículo, esses indivíduos podem contribuir para o desenvolvimento em vários aspectos, chegando ao progresso tão almejado.

Na verdade, a escola é vista, segundo Sacristán (2001), como um “para-raios” e uma “caixa mágica”, capaz de resolver vários problemas. Sobre a escola recaem diversas expectativas, entre elas: dar oportunidade para que todos tenham acesso à cultura objetiva (conhecimento, habilidade, métodos e valores); combater marcas sociais, possibilitando a universalização e a igualdade; garantir a educação de cidadãos (com comportamentos de membros da sociedade); preparar para o mundo do trabalho, efetivando sua atuação nas atividades produtivas da sociedade; suprir algumas das funções, tradicionalmente, atribuídas à família e garantir o desenvolvimento pessoal e completo do aluno (desenvolvimento da personalidade global do sujeito), possibilitando sua autonomia e bem-estar pessoal (SACRISTÁN, 1999, 2001).

Esse papel de instituição salvadora pode ser observado nos currículos escolares, que tendem a concentrar todas as “urgências” nas diferentes áreas de interesse, através da seleção de disciplinas e seus conteúdos. A educação escolarizada é mais que a “transmissão da cultura”, trata-se de uma resposta prática, que determina o modelo de vida e a hierarquia de valores que a sociedade pretende (SACRISTÁN, 1999). Através da escola as diferenças serão equiparadas.

Chegamos a um ponto contraditório, na escola para todos, numa perspectiva pós-moderna: embora, pela globalização e pela urbanização, tenhamos uma aproximação das diferentes culturas, a sociedade mantém-se complexa, plural, com diversidade de valores e aspirações, não sendo possível impor a todos um modelo unilateral (SACRISTÁN, 2001). Se o progresso de uma nação depende da escolarização de seu povo, espera-se que todos consigam atingir o mesmo grau de conhecimento e desenvolvam as mesmas habilidades esperadas, de modo igual. Mas como isso é possível diante de diferenças individuais? Como chegar a uma escola que pretenda uma cultura única a todos?

A proposta de unidade é feita, mas nem todos estão aptos para apreendê-la. Em função de características pessoais, especificidades e formas próprias de lidar

com o conhecimento, muitos ficam pelo caminho. Fator que acaba contribuindo para o fracasso parcial das aspirações da escola: muitos dos analfabetos funcionais tiveram uma escolarização prolongada, permanecendo muitos anos dentro da instituição escolar sem alcançar os objetivos, ou sem construir as competências preestabelecidas pelo modelo social. Esse fato, na perspectiva que reconhece que a escolarização facilita o progresso, é um obstáculo a ser superado.

Desse modo, a escola adquire ideais e funções que, quando assumidas pelo Estado, legitimam o poder, influenciando no desenvolvimento pessoal, social e econômico. O Estado tem que garantir as oportunidades de educação para todos e de modo equivalente. Mas o acesso maciço à educação não garante o êxito escolar, fato que pode ser observado nas estatísticas das escolas públicas, quanto ao desempenho de alunos em avaliações externas ou nos números da evasão escolar (SACRISTÁN, 2001).

Sacristán (2001) indica como grande desafio a necessidade de reinventar o currículo comum, integrador das diferenças através de uma escola que supere as desigualdades. Vivemos na sociedade do conhecimento, na qual a educação é a atividade decisiva para que os indivíduos possam participar de maneira efetiva, sem serem excluídos. As desigualdades são colocadas no terreno da inteligência e da cultura (SACRISTÁN, 1999). Nessa sociedade, os diferentes conhecimentos e componentes culturais circulam rapidamente pelos caminhos da comunicação. Encontramos de um lado a escolarização “universal e igualitária” e, de outro, “a ideia de cultura como algo valioso e digno de ser possuído por todos” (SACRISTÁN, 1999, p.13). O desafio persiste na igualdade, superando a diversidade cultural, numa concepção de indivíduo único, que a sociedade quer, independente de sua subjetividade.

O sistema educativo na sociedade industrial trazia mecanismos disciplinadores e servia para se atingirem níveis mais qualificados, tendo como base o conhecimento tecnológico. Na sociedade da informação e do conhecimento, além de alta qualificação, busca-se a autonomia e a criatividade através da educação. O indivíduo produzido pelo sistema educativo, nessa sociedade, deve: ser culto, ser bom cidadão, com personalidade adequadamente formada, segundo as orientações

sociais e, ser bom trabalhador para garantir a manutenção da produção econômica (SACRISTÁN, 1999).

A educação, vinculada ao progresso na dimensão intelectual e suas aplicações, entende que o avanço do conhecimento e o desenvolvimento material permitem o bem-estar, a autonomia e a liberdade social. Um indivíduo escolarizado tem maiores possibilidades, alcançando progresso pessoal em termos econômicos e sociais. Por outro lado, aqueles que são marginalizados por esse processo têm motivos para duvidar dessa força progressiva. (SACRISTÁN, 1999).

Ao formar um ser humano novo para um mundo melhor, diminuem-se as desigualdades. A escolarização universal em sua lógica e conteúdos é uma alavanca para o progresso individual e da sociedade. No contexto do progresso, a reprodução cultural (que acontece através da cultura escolar) é entendida como “(...) capacitação para continuar a produzindo cultura, o que representa valorizar o papel de cada geração e de cada indivíduo nessa missão” (SACRISTÁN, 1999, p.151). Em outras palavras, ao passar-se a cultura herdada, projeta-se o futuro e a perspectiva de progresso.

Sacristán (1989) afirma que a sobrevivência da espécie humana está na capacidade de produzir conhecimento e instrumentos, que garantam a adaptação e transmissão desses entre gerações. A escola mostra-se como instituição especializada. Nessa missão, além de desenvolver estratégias para o pensamento e a resolução de problemas.

Esses aspectos refletem na organização do currículo escolar. Diante disso, a escolarização e o currículo têm desafios importantes, como encontrar critérios adequados para selecionar os conteúdos, que garantam tudo aquilo que se pretende atingir (SACRISTÁN, 2001): preparar o indivíduo para atuar na sociedade e contribuir para seu progresso.

O currículo mostra-se como o elemento que pretende priorizar os interesses da sociedade, deixando de lado o componente humano na ação educativa. É ele que determina o indivíduo que a sociedade quer de um modo natural (SACRISTÁN, 1999) e que contribua para o progresso da nação em todos os aspectos, através do processo de aprendizagem.

A escolarização é a maneira para se obter avanços tecnológicos e econômicos. Entretanto, a compreensão do significado de avanços, ou a compreensão do que caracteriza uma nação desenvolvida, varia ao longo do tempo e traz as marcas ideológicas do poder constituído em um dado tempo e lugar. Independente dos agentes responsáveis pela educação escolar de uma nação, no momento que se propõem à elaboração de orientações curriculares, essas devem chegar às escolas através de documentos oficiais, implantados através de políticas públicas para a Educação.