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O Projeto Pescar é uma rede que possui unidades em diversas organizações, franquias da Fundação Projeto Pescar, que têm como objetivo o desenvolvimento profissional e humano de jovens de baixa renda e que oferecem a seus participantes mais do que o encaminhamento ao mercado de trabalho, mas a oportunidade de desenvolvimento da cidadania e de comportamentos para o convívio social.

De acordo com as informações disponíveis na homepage da Fundação Projeto Pescar (2007), o maior objetivo deste projeto é “oferecer uma solução para o Brasil de hoje, para o Brasil que tem pressa para resolver seus problemas sociais. Se toda a comunidade participar, resolveremos os problemas do país em pouco tempo".

Com sua sede em Porto Alegre, a Fundação Projeto Pescar existe desde 1995 e é por onde já passaram mais de 9 mil jovens. Frente ao exposto e através da necessidade encontrada pela empresa estudada de apoiar, auxiliar e desenvolver uma ação mais focada no que concerne à responsabilidade social, integra a rede do Projeto Pescar com o intuito de realizar um trabalho para a comunidade capaz de deixar um legado.

Quando da escolha por uma ação social, a empresa questionou “o porquê não utilizar um projeto vitorioso, consolidado,” (entrevistada DRH), em que já se havia aprendido com os erros iniciais e melhorado. A partir desta reflexão, a empresa optou por receber do Projeto Pescar o conhecimento que não possuía, acreditando devolver à sociedade a possibilidade de mudança de percepção de mundo e de inclusão no mercado de trabalho e, em conseqüência, na sociedade dos jovens do Projeto. Para os entrevistados, formato e objetivo também são muito ligados à identidade da empresa, afinal não é apenas uma contribuição financeira, mas o recurso que se tem maior facilidade em dar: o recurso humano.

Desta maneira, fica claro o fato de o Projeto Pescar não ser uma invenção da empresa, mas uma franquia, e que por meio do lema aprender a pescar oportuniza-se emprego e, principalmente, resgate “para as pessoas viverem” (entrevistado DTI) através da solidariedade de pessoas voluntárias, não somente da organização que adere à Rede do Projeto Pescar.

Para DELORS (2006), os sistemas educativos devem incidir de forma a reduzir a vulnerabilidade social dos jovens e possibilitar maneiras de reinserção dos que chegam ao mercado de trabalho sem qualificação. Assim, é apontado pelo autor o reexame dos sistemas de certificação na e da educação, o envolvimento dos atores sociais na tomada de decisões, bem como as parcerias entre público e privado como formas de se pensar a educação por toda a vida.

Tendo em vista que opções educativas são opções sociais, o Projeto Pescar realizado pela Empresa ‘Estar e Bela’ apresenta-se com objetivos bastante alinhados e concisos, refletindo em um belo envolvimento com a comunidade interna e externa à empresa.

Para participar do Projeto é preciso estar estudando. Priorizam-se estudantes do Ensino Médio em virtude de sua colocação no mercado de trabalho ser mais simples e da meta de empregabilidade ser de 100%.

O Projeto possui duração de oito meses através da realização de “um curso profissionalizante de atendimento ao cliente para adolescentes de 16 a 19 anos em situação de vulnerabilidade social” (entrevistada OPP), e, após o aluno ser empregado, é realizado um acompanhamento por dois anos mediante o envio trimestral de carta de avaliação, ao supervisor do jovem, contendo tópicos como responsabilidade e comprometimento. No retorno da carta, já assinalada, analisa-se e caso haja algo divergente dos princípios ensinados, é proposta uma conversa com o jovem, porque não é objetivo do Projeto Pescar que o jovem “entre na empresa, fique um, dois meses e saia” (Entrevistada OPP).

No momento de encaminhar os jovens às empresas, a entrevistada OPP conta que o contato é feito por ela própria com o departamento de Recursos Humanos (RH) das empresas, mas que também é responsabilidade dos jovens a procura por oportunidades. No contato, envia o Projeto, explica como é realizado e, assim, “busca a empregabilidade dos jovens” (entrevistada OPP). O fato de a empresa ser muito conhecida, com foco em atendimento ao cliente, é um ponto positivo na hora da contratação.

A Entrevistada OPP ressalta que 90% dos voluntários comprometidos com o Projeto Pescar são colaboradores da própria empresa e enfatiza o caráter especializado

de seus voluntários quando aborda: “são os próprios gerentes de loja que dão aulas sobre técnicas de vendas e atendimento ao cliente, enquanto os colaboradores do departamento de RH trabalham a orientação para o trabalho e o acompanhamento interpessoal”. Corrobora o fato de todas as Gerentes de Loja entrevistadas apontarem já terem atuado no Projeto Pescar como voluntárias, dando treinamento, ressaltando momentos como a participação desde a primeira turma do Projeto e a oportunidade de terem podido acompanhar em momentos diferentes as turmas e sua conseqüente evolução e o fato de haver jovens mais ligados à proposta do Projeto e sedentos pela oportunidade em contraposição a outros menos motivados. Além disso, a entrevistada GL1 demonstrou orgulho em ter sido “a primeira gerente a ter colaboradoras do Projeto Pescar”.

O fato de gostar muito e perceber o projeto como uma oportunidade também foi assinalado. Neste sentido, adjetivos como bárbaro, fantástico, maravilhoso, foram utilizados para identificá-lo. Unanimemente os colaboradores destacaram que era o momento de a empresa investir em um programa de responsabilidade social, apesar de possuírem sentidos próximos, a oportunidade foi vista de diferentes ângulos: ocasião de a empresa trabalhar sua condição humana e social para com a sociedade; auxílio às pessoas para se desenvolverem para o mercado de trabalho; possibilidade de trocas e enriquecimento mútuo entre os jovens do Projeto Pescar e os colaboradores da organização. As falas a seguir comprovam estas imagens:

“Este foi o primeiro passo que a empresa deu para uma coisa mais estruturada em relação à responsabilidade social” (entrevistada GL3).

“A empresa está num bom caminho e deve fazer cada vez mais, ir além, acho que a empresa pode avançar ainda mais” (entrevistada GL1).

“A empresa entendeu que estava na hora de fazer sua parte junto à sociedade, apesar de estar fazendo pouco perto do que tem a fazer, afinal de contas, esses são os nossos clientes, é uma troca” (entrevistada GL2).

“Assim como os jovens saem da empresa com uma vivência, também ensinam à organização simplicidade e humildade” (entrevistado DTI).

“Entendemos que era uma parceria, que ao receber um know-how7 que não tínhamos poderíamos devolver para a sociedade o que tínhamos de melhor: a possibilidade de inclusão destes meninos e meninas” (entrevistada DRH).

“Eu acho que para uma empresa que está se desenvolvendo tanto, crescendo, era o que faltava para mostrar a todos que pessoas diferentes podem trabalhar no mesmo lugar sem haver diferença de classes” (entrevistada FVE).

“Dar oportunidade a todos que entram na empresa de seguir carreira é importante” (entrevistada FCO).

“Possibilitar aos jovens serem cidadãos” (entrevistado FFL).

Destarte, o crescimento do projeto se faz sentir pela inauguração, neste ano, de uma unidade em São Paulo, dois anos após a inauguração da primeira unidade do Projeto em Porto Alegre. As apostas são que conjuntamente ao crescimento da empresa haja a expansão do Projeto Pescar.

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