GAZELLERİN REDİF TABLOSU
4. Dil Özellikleri
O art. 68, §2º, da Lei Complementar nº 109/01, que vem em consonância com o caput do art. 202 da Constituição Federal, com redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, segundo o qual a “concessão de benefício pela previdência privada não depende da concessão de benefício pelo regime geral de previdência social”, tem levado a doutrina a entender que a subsidiariedade da previdência privada em relação à previdência social foi eliminada, conforme ensina Wladimir Novaes Martinez138:
“Inovando em relação à Lei nº 6.435/77 e consagrando a não subsidiariedade, o texto firma a independência do benefício complementar em relação à prestação básica.
Diante da complementariedade que se manteve (de certa forma esmaecida, porque a LC fala em autonomia), essa liberdade diz respeito ao direito oficial não ser exigência para o deferimento do direito complementar, ainda que deixando incólume a relação pertinente ao
quantum dos benefícios.
Não só dispensa a concessão do benefício como é irrelevante haver a observância dos requisitos legais pelo RGPS para ser deferida a complementação.” (destacamos)
Arthur Bragança de Vasconcellos Weintraub139 também defende que a previdência privada não possui mais o caráter subsidiário de outrora, pois, em muitos momentos, a previdência privada assume um status de principal, diante da possibilidade de o benefício da previdência privada ser concedido independentemente do benefício da Previdência Social. Vejamos:
“Subsidiário tem o sentido de elemento secundário, que reforça outro de maior importância. Complementar, outrossim nos traz a idéia de complemento a algo principal. Ora, se estamos vendo que a Previdência Privada adquire um status principal, é errôneo denominá-la subsidiária. Mesmo a complementariedade ainda incute a visão secundária de algo que suplantou a Previdência Social no campo do oferecimento de benefícios condizentes com a realidade.”
Ainda o mesmo autor, em outra obra140, ensina que dessa desvinculação de previdência privada em relação aos benefícios concedidos pela Previdência Social, “a subsidiariedade da instituição gestora está ligada ao poder da instituição de Previdência Privada de criar um plano de benefícios, onde são previstos pagamentos sem qualquer relação com a prestação básica, entre os quais serviços assistenciais, rendas ou empréstimos.”
Ensina Jorge Rodríguez Guerra141 que nas prestações estatais, a “racionalidade se liga à eficiência das prestações estatais, que devem obter o máximo de resultado com o mínimo de custo, mas com a garantia a todos de um mínimo vital; acima
139
“Não subsidiariedade e complementariedade”, p. 26.
140 “Previdência Privada: atual Conjuntura e sua Função Complementar ao Regime Geral da Previdência
Social”, p. 9 e 10.
desse patamar, o valor das prestações pode ser complementado através de previdência complementar, em regra privada, sendo que cada indivíduo pode escolher o melhor plano (é a flexibilidade). E, como conseqüência dessas duas linhas de atuação, o Estado passa a atuar seletivamente na escolha dos programas de proteção, geralmente assistenciais, e dos destinatários deles, os mais necessitados, por pobreza ou incapacidade involuntárias. É o Estado de Bem-estar residual e não mais institucional”.
Com efeito, a seletividade e distributividade impõe ao Estado escolher as prestações e serviços que atinjam o maior número possível de indivíduos da melhor forma para se atingir uma real distribuição de rendimentos e assegurar a todos um mínimo vital, o que não acontece na previdência privada, em que impera a liberdade contratual142.
Assim, como a previdência social não consegue atingir a totalidade dos riscos sociais (campo de proteção da previdência), que variam conforme as diversas necessidades individuais, deixa para a previdência privada o campo por ela não alcançado, conforme ensina Manoel Soares Póvoas143:
“As necessidades previdenciárias estão, há muito tempo, devidamente especificadas e decorrem, exclusivamente, ao nível de cada indivíduo, da materialização dos riscos sociais, só que o primado do social não conseguiu a sua satisfação integral através da organização estatal, pois esta só pode proporcioná-la nos limites das suas possibilidades econômicas.
Se assim não fosse, há muito que o problema da segurança integral teria sido resolvida pelos Estados, só que a redistribuição dos rendimentos através da solidariedade social obedece a parâmetros inexoráveis, sendo os mais importantes a expressão do rendimento nacional e a relação entre população ativa e população inativa.
É a enumeração e extensão das necessidades previdenciárias que cada membro da sociedade sente que delimita o domínio previdenciário, isto é, o domínio institucional de satisfação dessas necessidades. Parte desse domínio é preenchido pela organização e mecanismos da previdência e assistência social; a parte restante é o subdomínio da previdência
142 Tal como a idéia do Plano Beveridge, o Brasil optou por um sistema de previdência social numa base
nivelada de concessão de benefícios, isto é, independentemente dos salários perdidos ou auferidos, com exceção dos trabalhadores públicos admitidos antes da reforma da Emenda Constitucional nº 41/03, que continuam recebendo aposentadoria em valor equivalente ao da última remuneração.
supletiva, de caráter voluntário. Estes dois subdomínios não têm fronteiras rígidas, pois será sempre a abrangência do sistema compulsório que determinará o campo deixado à previdência voluntária que pode ou não ocupá-lo, na totalidade. É neste aspecto que se pode dizer que a instituição da previdência supletiva é complementar da instituição da previdência e assistência social, em relação à satisfação das necessidades previdenciárias sentidas pelos membros da sociedade.”
Definido, assim, o domínio previdenciário, não há mais dificuldades para a compreensão do seu campo de atuação. O seu domínio é, em cada momento, a parte do domínio previdenciário não coberto pela Previdência Social.
Com efeito, a despeito dos baixos valores dos benefícios concedidos pela Previdência Social, é certo que a previdência privada não tem o objetivo de substituir o regime público, mas, reitere-se, o de satisfazer as necessidades individuais não alcançadas pela previdência social. Isso porque a previdência pública possui um campo de importância que jamais será preenchido pela previdência privada, conforme bem observa Ilídio das Neves144:
“(...) os regimes públicos, pelo facto de provocarem uma vasta redistribuição de rendimentos, comportam em si elementos positivos, que têm grande influência na vida colectiva e na actividade económica. Esta circunstância, frequentemente silenciada em muitas das análises críticas, tem que ver com as conseqüências benéficas que a segurança social tem tido e continua a ter nas sociedades modernas. Esses efeitos são de dois tipos. Por um lado, salienta-se o efeito de paz social, traduzindo na garantia de uma certa dignidade e bem-estar das pessoas que são flageladas pela dureza dos efeitos dos riscos sociais e na garantia às empresas da estabilidade interna indispensável para o aumento da produtividade. Por outro lado, sublinha-se o efeito especificamente
económico, que evita a pauperização de muitos grupos sociais e assegura determinados níveis de consumo e de bem estar a pessoas que de outro modo os teriam perdido por força da redução drástica dos seus rendimentos.” (destacamos)
No mesmo sentido, são de fundamental relevância os ensinamentos proferidos pelo ilustre Professor da Universidade Autônoma de Madri, Borja Suárez
Coruja145, com relação ao caráter complementar, que apresenta dupla dimensão: (1) implica dizer que a previdência privada não pode invadir o espaço que ocupa a previdência pública; pelo contrário, tem que se compatibilizar com a proteção social e; (2) proíbe que a participação na previdência privada exima a filiação obrigatória ao sistema público. Assim, a complementariedade da previdência privada tem a primordial função de aperfeiçoar o
sistema público, ou bem concedendo proteção quando não exista a proteção pública, ou apenas melhorando-a quando já exista.
A respeito dessa complementariedade da previdência privada, trataremos especificamente mais adiante, o que nos interessa deter, especificamente, a respeito da não-subsidiariedade é: i) a irrelevância para a concessão do benefício da previdência privada da observância dos requisitos legais da previdência social e, sobretudo, ii) a impossibilidade de a previdência privada substituir o campo obrigatório de proteção da previdência social – o mínimo vital.