3.2. Yeni Medyanın Prensipleri
3.2.1. Dijitallik
Local: Sala Multimeios do Instituto Metodista Izabela Hendrix Data: dia 19/03/2005
Participantes: aproximadamente 120 Adquirentes; 4 Agentes Comunitárias; Equipe Técnica de Arquitetura; Equipe Técnica Social; Assessoria Jurídica; representantes da UEMP e da SMAHAB
O conteúdo dessa assembléia foi muito semelhante ao da reunião junto aos representantes, sendo a principal diferença o número de presentes e a votação para aprovação das soluções arquitetônicas apresentadas. Os Adquirentes foram divididos em grupos de 30 pessoas durante as assembléias. Sabe-se da enorme dificuldade em mobilizar as famílias e do pequeno número de técnicos em relação ao número de participantes, porém considera-se que deve-se procurar trabalhar com grupos ainda menores, pois esse número de pessoas, no caso de um projeto que busca a participação, ainda é extenso e pode criar uma platéia de muitos ouvintes e poucos participantes.
A apresentação dos modelos digitais das unidades foi acompanhada de plantas cotadas, tendo a equipe de arquitetura ressaltado também que as dimensões contidas nessas plantas foram sempre demonstradas na escala 1:1, de modo a facilitar a compreensão por parte dos futuros moradores.
Imagem 55: Planta cotada do estudo unidade de 02 quartos Fonte: equipe técnica projeto Castelo 01, 2006
Dentre as questões postas em votação uma delas referiu-se à possibilidade de serem construídas unidades com programas e áreas diferenciadas. Tal proposta seria aceita sob a condição de que a família adquirente de uma unidade maior pagaria um valor igualmente mais alto. Ficou então acordado que se o valor financiado fosse equivalente para todas as famílias as unidades deveriam ter a mesma área útil.
No que diz respeito à presença da varanda, que poderia ser posteriormente transformada em quarto, houve uma votação no sentido desta ser inserida no programa ou não. Os participantes levantaram a possibilidade de se ter mais um quarto ou ampliar a área dos quartos existentes em detrimento da varanda, opção inviabilizada, em um primeiro momento, pelo fato do projeto já aproveitar ao máximo os parâmetros urbanísticos vigentes, o que inviabilizava o aumento da área construída.
Outro tema posto em discussão foi a possibilidade de integrar ou separar os ambientes da sala e da copa. Havia pessoas que preferiam a solução integrada, enquanto outras, a divisão entre os dois espaços.
Após votação optou-se pela solução da sala integrada à copa, sendo considerado que, caso a família optasse posteriormente pela subdivisão deste espaço, ela poderia fazê-la sem maiores transtornos.
Essa lógica também prevaleceu na divisão entre a área de serviço e a cozinha, feita com meia parede. Considerou-se que a opção de se executar o restante da parede e inserir uma porta em um momento posterior, de modo a separar, integralmente, a cozinha da área de serviço, seria a solução mais apropriada para o caso.
A adoção ou não do cobogó na vedação da área de serviço constituiu-se em uma discussão interna entre as equipes de arquitetura, que se posicionava a favor dessa solução, e técnica social, que se posicionava de modo contrário. A equipe de projeto alegava que o cobogó era tecnicamente adequado, pois seria capaz de melhorar a ventilação e a iluminação do ambiente proposto. A posição contrária da equipe técnica social, como posteriormente admitido, estava relacionada a um pré- conceito destes técnicos com relação ao uso do cobogó. Ao final das discussões optou-se pela especificação do cobogó no projeto. Cabe também ressaltar que a única obra análoga apresentada aos participantes constituiu-se em um exemplo de aplicação do cobogó em habitações de interesse social.
A equipe técnica colocou em pauta uma discussão decorrente de pesquisa feita em conjuntos já implantados (Villaregia, Urucuia e Serrano), segundo a qual os moradores reclamavam dos conflitos de se viver em apartamentos térreos, em função principalmente do barulho e da perda da privacidade. De modo a compensar esses incômodos foi proposto pela equipe que os apartamentos do térreo tivessem quintal, solução aprovada pelos participantes.
As discussões sobre os problemas existentes em habitações térreas conflitam com a preferência dos futuros moradores por habitações unifamiliares horizontais, uma vez que os conflitos identificados (barulho e perda de privacidade) também ocorreriam nesse tipo de solução. Dois dos três conjuntos pesquisados pela equipe (o Villaregia e o Urucuia), inclusive, são compostos por unidades de dois pavimentos com acessos independentes, cujas soluções seriam compatíveis com a preferência inicial das famílias participantes.
Outra questão colocada em votação pela equipe técnica foi a possibilidade de se construir um terraço coletivo coberto, também aprovada pelos presentes.
Com base nas questões postas em votação nesta assembléia pôde-se verificar novamente quão limitadas são as possibilidades de participação dos futuros moradores nesses processos, que, nesse caso, resumiram-se basicamente na opção de se dividir ou não determinado ambiente ou se adotar ou não determinado componente. Considera-se que as informações chegaram muito consolidadas no caso do Projeto Castelo 01 e, nesse processo, em função do conceito de se abrir a participação somente sobre as informações de projeto, não foi utilizado o recurso de se buscarem subsídios para a elaboração dos projetos com base em um contato prévio junto aos participantes. Desse modo, considera-se que um dos diferenciais da participação, que seria a capacidade de se produzir unidades condizentes com as demandas identificadas, foi pouco explorado nos projetos Castelo 01 e 02.
Após a apresentação e votação das soluções arquitetônicas os participantes foram convidados a visitar uma maquete da unidade habitacional, mobiliada e produzida na escala 1:1.
Imagem 56: Maquete da unidade habitacional básica, na escala 1:1, visitada pelos participantes Fonte: equipe técnica projeto Castelo 01, 2006
A proposta de se construir uma maquete na escala 1:1 é de fato relevante nesse tipo de processo, pois tem o potencial de auxiliar na compreensão quanto ao espaço proposto. Para outros projetos é recomendável pensar a possibilidade de se
trazer para essa forma de representação as discussões de projeto, como a hipotética discussão sobre um determinado ambiente ser menor ou maior que outro, sendo adotadas divisórias móveis (embora estas costumem ser de papelão e, por isso, possuem pouca estabilidade) e, desse modo, trazer as possibilidades de discussão para o espaço físico e complementar as discussões feitas a partir de projeções ou mídias digitais interativas. O prazo exíguo desses processos tem mostrado que quanto mais essas discussões forem apresentadas em diferentes ambientes (mídias, maquetes digitais, maquetes físicas, em diferentes escalas), maior será a possibilidade dos participantes compreenderem o material posto em discussão.
Após a assembléia do dia 19/03/2005 a equipe técnica se reuniu com representantes da SMAHAB e da CAIXA, agente operador do Programa Crédito Solidário. Nesse momento do processo ficou claro para a equipe como seriam os procedimentos e a dinâmica dos recursos a serem disponibilizados. Nesse contexto o apartamento de 03 quartos foi descartado, uma vez que seu custo final certamente ultrapassaria o valor máximo de R$25.000,00 por unidade (R$20.000,00 financiado através do PCS e R$5.000,00 como contrapartida da PBH).
4.3.4.5 Reunião com os representantes dos adquirentes
Local: Instituto Metodista Izabela Hendrix Data: dia 29/03/2005
Participantes: aproximadamente 25 representantes dos adquirentes, agentes comunitárias, equipe de arquitetura e equipe técnica social
Nessa reunião a equipe informou aos representantes a necessidade de mudanças no projeto arquitetônico, decorrentes do limite máximo de financiamento. Foi ressaltada a responsabilidade dos representantes em repassar essas informações para os demais membros de cada núcleo.