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Figura 9 - Mito de Touro. Disponível em: <http://www.fietreca.com.pt/horoscopotouro.htm>. Acesso em 9 mar. 2011.

A figura bovina está presente em muitos mitos, como representação da fertilidade. No Egito antigo, por exemplo, o boi Ápis era tido como o grande responsável pela fertilidade das terras egípcias, filho de Rá, o deus-sol, que fecundou a terra do fundo do rio Nilo. Na mitologia grega, Zeus apaixona-se por Europa e, para seduzi-la e sequestrá-la, transformou-se em um touro branco. Hera, esposa de Zeus, sentido ciúmes de Io, outra das muitas conquistas extraconjugais de Zeus, transformou-a em uma vaca.

Apesar da existência dessas representações simbólicas em torno da imagem do touro/boi/vaca, o núcleo mítico do signo de touro parece sustentar-se muito na figura mitológica do Minotauro, monstro meio homem e meio touro, trancado num labirinto da ilha de Creta, que era governada pelo rei Minos.

Além dessa, Minos conquistou outras ilhas e regiões do continente, mas, para isso, contava com a ajuda do deus Possêidon. Certa vez, por exemplo, reivindicou a ajuda do deus para combater os próprios irmãos na defesa do trono, pedindo-lhe que enviasse do fundo do oceano um touro sagrado como sinal divino de seu direito ao trono, prometendo que ao obter êxito no embate político, o animal seria entregue sacrificado no altar do deus. Vale ressaltar que a imagem do touro e do cavalo era uma das formas animais sagradas de Possêidon. Entretanto, Pasífae, a esposa de Minos, se encanta pela beleza do animal, e influencia o rei a sacrificar outro animal, levando-o a esquecer da promessa.

Possêidon, sustentado pela ira diante do comportamento desonesto e injusto de Minos, pede que Afrodite lance um encantamento em Pasífae, fazendo-a apaixonar-se enlouquecidamente pelo touro sagrado. Tal desejo físico resulta no nascimento do Minotauro, uma espécie com corpo de homem e cabeça de touro, que simboliza a perversão e corrupção de Minos. Transtornado com a criatura gerada por sua própria esposa, Minos encomenda ao artesão Dédalo a construção de um labirinto a fim de aprisionar o Minotauro e esconder tamanha aberração dos homens.

Figura 10 – Minotauro. Disponível em: <portaldomisterio.blogspot.com/2008/09/minotauro>. Acesso em 9 mar. 2011.

Com sua sabedoria e com a ajuda de Zeus, Minos conseguira vitória sobre Atenas. Entretanto, após o castigo de Possêidon perde sua sabedoria e mais uma vez cede aos conselhos de sua mulher, que impôs, como condição de rendição a Atenas, que essa cidade todo ano lhe enviasse catorze jovens para serem devorados pelo Minotauro.

Contudo, em certo ano, entre os jovens, estava Teseu, herói ateniense e tido como filho do rei Egeu. Seu pai, na verdade, era Possêidon, que em certa noite, numa ilha deserta, possuíra Etra, mulher de Egeu, resultando no nascimento desse filho que sempre fora tido como de Egeu, a quem coube o papel de pai físico. Mas, por outro lado, Teseu herda muito mais as características de seu pai divino, Possêidon. Esse jovem estava destinado a travar combate com o Minotauro, a fim de resgatar a liberdade de Atenas.

Para obter êxito na empreitada, Teseu precisava tanto enfrentar o Minotauro como conseguir sair do labirinto, pois, do contrário, permaneceria prisioneiro de Minos. Além disso, o jovem se arma das únicas possibilidades de vitória: franqueza e pureza, e, com isso, recebe o auxílio de Afrodite, a qual faz com que Ariadne, filha de Minos, apaixonando-se por ele, lhe entregue um novelo de fios para guiá-lo no retorno à saída do labirinto.

Figura 11 - Teseu e Minotauro. Disponível em: <www.samamultimidia.com.br/artigo-detalhes.asp>. Acesso em 9 mar. 2011.

O que vemos nesse mito é que Minos comete o pecado da cobiça, apropriando-se do touro sagrado, ao invés de ofertá-lo em sacrifício a Possêidon como houvera prometido. Sob influência do pecado de incitação à cobiça de sua mulher, a qual o leva a abandonar sua sabedoria e seu senso de justiça, o mesmo desvirtua um assunto de cunho político pelo interesse pessoal, pelo ganho material, pela fome de poder, revelando o mito do poder.

É possível comparar o mito de Minotauro com as seguintes características apresentadas por Klim (2006) acerca do signo de Touro e do horóscopo da Revista Cláudia (2009):

Inteligente e decidido o nativo de Touro revela em seu caráter a estabilidade do seu próprio elemento – a Terra. Valoriza a permanência de quem sempre tem os pés no chão e se faz muito determinado, até teimoso, por vezes. Em seu modo de ser e comportar-se, mostra-se o mais racional, firme e resoluto dos nativos de quaisquer dos signos do zodíaco. Pensativo e muito exigente,

é bastante rigoroso com tudo e com todos. [...]. É o signo que representa o domínio, o poder produtivo, a renda e o trabalho. Irredutível em seus conceitos, não há como enfrentá-lo abertamente (KLIM, 2006, p. 39).

(CLÁUDIA, 2009, p. 22). Assim, observa-se que inteligência e atitude são características peculiares do nativo de Touro, que as utiliza para alcançar o poder de maneira determinada e com teimosia, nem que para isso ele tenha que descumprir promessas, como faz o rei Minos, ao recusar sacrificar o touro a Possêidon. Isso o assemelha a característica de Touro, citada por Klim: ―Valoriza a permanência de quem sempre tem os pés no chão [...] e Sua agilidade mental aguçada no período propicia estudos e negociação de melhores recursos no trabalho‖ e pela Revista Cláudia, pois ―os pés no chão‖ representa o apego às coisas materiais, a busca do poder terreno, o que confirma mais um dizer de autor ―É o signo que representa o domínio, o poder produtivo, a renda e o trabalho‖ (KLIM, 2006, p. 39).

O mito do poder leva os indivíduos a buscarem incessantemente seus próprios interesses, e o que interessa nos dias atuais é o poder ter, poder comprar, poder usar, etc. Assim, observamos que os sujeitos estão cada vez mais preocupados em servir a si próprios, ao seu ego e não mais a um deus, o que gera uma inversão de valores, a exemplo do que aconteceu com Minos, que deixou de servir ao deus que o apoiava, para atender aos seus desejos e de sua mulher. Portanto, o Minotauro é a representação da cobiça, do desejo de ter, e o labirinto é símbolo da inconsciência, do desejo oculto do coração da própria terra de Minos. Enquanto Minos comete o pecado contra o deus, motivado por interesses próprios, Teseu deverá redimi-lo, motivado por interesses de outrem (a libertação de Atenas e dos jovens que o acompanhavam). Esse é o papel do herói: combater não por interesses próprios, mas sim, sociais. Contudo, se não fosse o fio condutor dado por Ariadne, Teseu provavelmente não teria saído do labirinto após matar o Minotauro. Este fio condutor é a representação da Anima, ou seja, a relação entre o Eu e a alma, a energia vital, que serve de guia para a razão e os sentidos ao atravessar conflitos.

O mito vê reconfirmada a liberdade do homem, a saída do labirinto do terror inconsciente, graças à consciente e preciosa relação com a Alma. Teseu, como o Eu inconsciente, sacrifica e subjuga a instintividade animalesca no símbolo do Minotauro e do próprio Minos [...] para obter a continuidade da vida no símbolo dos jovens atenienses que haviam sido poupados (SICURETI, 1978, p. 43).

Mas o que se verifica na vida real dos taurinos?

Conforme Freitas (1990, p. 280), o taurino, seja menino ou menina, desde cedo, teme enfrentar sua mãe todo-poderosa e ambiciosa, e acaba acatando suas imposições, ―[...] deixando que a imagem feminina se agigante dentro de si mesmo e vendo sua imagem masculina inconsciente manter-se passiva frente a qualquer mulher‖. É o que ocorre com Minos, que cede às imposições sedutoras de sua mulher (cheia de ―amor materno‖).

As principais características do signo de Touro são: fertilidade, estabilidade, posse, paciência, reações emocionais violentas frente à perda de suas posses, jogos de sedução, consciência material, impulso sexual profundo, a experiência do aqui e agora. Busca a experiência arquetípica do amor e teimosia. Tais características são representativas nos personagens do mito do Minotauro. Assim, o taurino é capaz de resgatar a si mesmo, por meio da conquista de uma causa coletiva, como fez Teseu, enquanto herói do mito.