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V.1. Hat Güzergâhı Boyunca Arazinin Hazırlanması, İnşaat ve Tesis

V.1.18. Diğer Faaliyetler

Nesta subseção, trataremos do conceito de aprendizagem dialógica e sua fundamentação teórica. A aprendizagem dialógica é um conceito elaborado por Ramón Flecha, e base teórica e metodológica de Comunidades de Aprendizagem, que foi elaborada pelo Community Of Researchers On Excellence For All (CREA)1, da Universidade de

Barcelona, na Espanha.

Aubert et al (2008) argumenta que a quarenta anos atrás as relações eram de poder, havia o homem provedor que decidia tudo relacionado à casa e à família, sem diálogo e sem ser questionado. Entretanto, essas relações de poder baseadas na autoridade imposta pela sociedade patriarcal, começaram a perder espaço para relações mais dialógicas ao se buscar resolver as situações pelo diálogo, consensuando a solução, ou a vivência de conflitos por não chegar a nenhum acordo.

Flecha, Gómez e Puigvert (2001) afirmam que a sociedade atual está cada vez mais dialógica, consequentemente, as análises sociológicas demonstram que o diálogo está mais presente nas relações atuais em comparação às relações estabelecidas na sociedade industrial.

Para Aubert et al (2008), esta mudança consiste no giro dialógico que ocorreu nos âmbitos em que vivemos. Cada vez mais as pessoas ou grupos se organizam para chegar a algum consenso e encontrar soluções por meio das interações, nas quais a linguagem tem um papel central. Beck (1998, apud Aubert et al ,2008) indica que a revolução tecnológica da sociedade da informação é um fenômeno social da globalização e aumenta as opções e

1 O CREA é um grupo de pesquisa, localizado no Parque Científico de Barcelona, fundado por Ramón Flecha,

também os riscos. Então, uma das características principais é a necessidade de se comunicar, ter mais diálogos para tomar decisões, criando novos valores, normas sociais e mudanças culturais.

Diante do atual contexto, teóricos e teóricas comprometidos com a superação das desigualdades sociais analisam a conexão entre os processos dialógicos e a mudança social ao criar teorias sobre as emergentes propostas transformadoras dos movimentos sociais e outros diferentes agentes. A aprendizagem dialógica surge não como uma tendência, mas sim diante do protagonismo das próprias pessoas em seus âmbitos sociais.

A aprendizagem dialógica é um conceito baseado em teorias e práticas da atualidade, que buscam dar respostas às necessidades e caminhos da sociedade da informação. Segundo Aubert et al (2008), a aprendizagem dialógica é uma concepção comunicativa de educação, dando um passo à frente das outras concepções educacionais criadas para a sociedade industrial. Sua base teórica é fundamentada em diferentes áreas como pedagogia, psicologia, filosofia, economia, sociologia e política. Nesta base teórica, contamos com os fundamentos teóricos de Chomsky, Freire, Mead, Vygotsky, Habermas, Cummins, Bruner entre outros que demonstram uma maior presença do diálogo nas relações interpessoais e no âmbito da vida social.

Essa é a principal característica da aprendizagem dialógica, a interação e a comunicação como fatores chaves da aprendizagem. As observações e pesquisas sobre as quais o conceito se baseia tem demonstrado como, por meio de um diálogo dirigido a alcançar acordos em torno de âmbitos da realidade, experiência ou sentimento, as pessoas resolvem situações problemáticas e aprendem profundamente porque alcançam uma compreensão mais complexa do mundo (AUBERT et al 2008, p. 24)

Com base em Flecha (1997), podemos compreender que a aprendizagem dialógica nasce a partir da Teoria da Ação Dialógica de Paulo Freire, da Teoria da Ação Comunicativa elaborada por Habermas, a Teoria Sociocultural de Vygotsky, entre outras, composta pela educação, o diálogo igualitário e a comunicação como princípios para superação das desigualdades sociais. Mello, Braga e Gabassa (2012, p.43) argumentam que “a aprendizagem dialógica é um conceito que diz respeito a uma maneira de conceber a aprendizagem e as interações. É formada por princípios que se articulam nas formulações teóricas para permitir descrever o que, na prática, se dá como uma unidade. ”

A aprendizagem dialógica garante às pessoas conhecimento científico, social e educativo para sua transformação como sujeito no mundo e do próprio mundo da vida. Aubert

et al (2008) afirmam que a inovação nem sempre significa melhora na qualidade e igualdade na área educacional, pois existem práticas que por mais que inovem não têm a capacidade de diminuir o fracasso escolar, e ainda podem reproduzi-lo ou aumentá-lo. Assim, a aprendizagem dialógica não se apresenta como uma inovação simplesmente por ser uma formulação mais recente e distinta das anteriores; ela é uma inovação compromissada com a transformação educacional e social para superação de desigualdades de direitos.

É através do diálogo igualitário, selecionando prioridades e chegando a um consenso, que podemos superar as desigualdades educativas e sociais, de forma que todos e todas poderão alcançar compreensão e ação mais amplas do mundo.

Não há aprendizagem dialógica sem a prática dos seus sete princípios que podem ser encontrados nas obras de Flecha (1997), Aubert et al (2008) e Mello, Braga e Gabassa (2012). São eles:

1) Diálogo igualitário: é baseado na Teoria da Ação Comunicativa de Habermas, com as contribuições voltadas para a organização das relações humanas na base do diálogo, e na Teoria da Ação Dialógica de Paulo Freire que indica como lutar por um diálogo igualitário em situações de desigualdades. Sendo assim, o diálogo entre pessoas diferentes é permeado pelo respeito e pela verdade ao considerar a validade dos argumentos, e não a posição de poder de quem os profere.

2) Inteligência cultural: parte da evidência de que toda pessoa é capaz de linguagem e ação, consequentemente, toda pessoa possui um conhecimento acumulado ao longo de sua vida devido às suas interações dentro da cultura ou grupos em que estão inseridas. Assim, são capazes de aprender ao longo de toda a vida, transferindo conhecimentos de um âmbito a outro por meio das interações e dos diálogos.

3) Transformação: em coerência com os outros princípios e seguindo o pensamento de Paulo Freire, que afirma que somos seres capazes de transformar a realidade e não apenas de adaptarmo-nos a ela, este princípio parte do pressuposto que a transformação das relações entre as pessoas e seu entorno só pode ser realizada por meio do diálogo igualitário, a fim de não reproduzir as desigualdades e sim superá- las.

4) Dimensão instrumental: envolve o conhecimento científico e as ferramentas fundamentais que permitem adquirir as demais aprendizagens necessárias para se mover com consciência e autodeterminação no atual contexto, como, por exemplo, a leitura, a matemática, manejo de informática e idiomas.

5) Criação de sentido: é a capacidade que todas as pessoas têm de sonhar e dar sentido à vida dentro de suas escolhas e do contexto em que estão inseridos. O sentido é gerado entre as pessoas em interações de solidariedade e apoio de aprendizagem.

6) Solidariedade: estar juntos diante das dificuldades para a superação das desigualdades sociais. A solidariedade só é possível no âmbito onde exista diálogo, confiança, apoio mutuo, e não exista competitividade e imposição.

7) Igualdade de diferenças: este princípio afirma que a verdadeira igualdade é permitir que todas as pessoas possam viver de forma diferente, independente de raça, etnia, idade, gênero, sexualidade, grau de escolaridade, classe social etc., mas que seus direitos sejam respeitados e que ninguém se sobreponha sobre outros. Por fim, Aubert et al (2008), explicita que a aprendizagem dialógica é base teórica de pesquisas com mais relevância internacional sobre educação ao incluir a principais teorias e as melhores práticas. Vale adiantar, que essas melhores práticas são denominadas como atuações educativas de êxito, das quais, neste trabalho, daremos atenção a uma, ou seja, o modelo dialógico de prevenção de conflitos.