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A formação de professores é mencionada nesta tese doutoral como um aspecto relevante para o trabalho com as tecnologias digitais, uma vez que somente o uso das máquinas não garante a aprendizagem. Assim, vamos a seguir ampliar o conhecimento acerca da formação continuada de professores, expressando sua importância.

Formar professores constitui sempre um desafio, pois o conhecimento é uma fonte em elaboração e o que hoje prevalece como atual após um tempo pode ser considerado obsoleto. A prática do professor diante das tecnologias requer um repensar o papel do seu papel. Portanto, cabe aos educadores assumirem esse desafio e vivenciarem novas experiências, pois não existe um modelo universal para a utilização da informática educativa.

O mercado de trabalho exige cada vez mais de todos os profissionais o conhecimento tecnológico básico. O professor não pode ser excluído dessa lista, já que os estudantes vivenciam essa realidade e esperam que as escolas os capacitem ainda mais. O computador pode ser um aliado do professor no sentido de estimular seus estudantes, oportunizando distintas possibilidades para a conquista da aprendizagem, mas para isso ele tem que primeiramente sentir segurança para utilizar esses recursos. Tajra (2007, p. 22), ao falar sobre o perfil do homem na sociedade para o século XXI, nos diz que “[...] O importante é saber lidar com diferentes situações, resolver problemas imprevistos, ser flexível e multifuncional e estar sempre aprendendo”.

Com a entrada dos computadores e da internet na sociedade, iniciamos uma Era de Inteligência Coletiva, um tipo de inteligência compartilhada surgente da colaboração entre as pessoas em suas diversidades, potencializadas com os adventos das tecnologias digitais.

Lévy (2003) nos diz que é uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta uma mobilização efetiva das competências. Essa revolução vivenciada atingiu também positivamente a educação que, em algumas situações, está obsoleta e estas podem ser mudadas com a ação de professores reflexivos e agentes ativos do processo educacional.

Com suporte na capacitação do professor quanto à utilização de recursos digitais, ele estará apto a planejar as atividades com maior segurança, utilizando esses recursos desde o momento do planejamento até a execução. Para que os professores se apropriem dos softwares como recursos didáticos, é necessário que estejam capacitados para utilizar o computador como instrumento pedagógico, adequando seu uso às necessidades educacionais (TAJRA, 2007, p. 74).

O professor, então, precisa estar capacitado para que saiba efetuar a integração da tecnologia com sua proposta de ensino. Ele deve estar disposto a aprender e aberto para mudanças, ser flexível e assumir a atitude de facilitador e orientador dos processos de ensino e de aprendizagem, não mais o detentor do conhecimento. Para que sinta segurança, deve iniciar utilizando as ferramentas mais simples e que domina. Para isso, também precisa do apoio e incentivo da gestão da escola, de momentos de planejamentos e troca de experiências com os demais docentes da escola.

Os estudantes já possuem muitos conhecimentos relacionados ao uso da informática, pois já vivenciam em seu cotidiano, às vezes até mais do que os professores. Esse fato não deve inibir o docente, muito pelo contrário, permite que este assuma o papel de orientador da aprendizagem, pois o importante é a aprendizagem coletiva e colaborativa. Tajra (2007) revela que o ciclo de aprendizagem em informática educativa perpassa três etapas: capacitação (momento de aprendizagem e troca de informações), exercitação (vivência) e planejamento de novas ações (momento de vencer as inseguranças e ter um olhar crítico para as vivências). A incorporação das tecnologias no ensino provoca uma mudança contínua, pois a informática é objeto de inovações constantes e não é fácil acompanhar. A transformação é a ação do resultado de um aprendizado em que o professor está em contínua aprendizagem, por isso precisa estar aberto às mudanças.

A escola, mais do que nunca, precisa se atualizar e se apropriar das novas tecnologias para atender as demandas da sociedade contemporânea. Para isso, é evidente a necessidade de formação continuada ao professor, que precisa dar sentido ao conhecimento na Era da Informação. Não é apenas o ensino com o computador que estabelece o diverso, o que

faz isso é a linguagem como esse instrumento é mostrado, ocasionando novo significado a aprendizagem, uma vez que a escola é o principal agente de transformação.

A ideia é promover uma prática reflexiva, criando oportunidades para que os estudantes produzam e realizem seu conhecimento, melhorando a qualidade de vida e abertos à formação em serviço, pois nela recebemos atualização contínua, daí a necessidade das capacitações para que os professores conheçam os vários recursos à disposição, adequando-os as necessidades educacionais.

Demo (2001) apud Bettega (2010, p. 30) ensina que “Precisamos tomar cuidado

para não propagar o uso do computador como a solução para todos os problemas do ensino”.

O que devemos fazer é buscar a humanização no mundo de tecnologias. Não basta utilizá-las, seguindo roteiros e obedecendo a programas; isso não causa mudanças. Essas ferramentas também possuem limitações e só funcionam para abrir perspectivas quando trabalhadas junto aos alunos em um plano criativo que promova o ato de investigar e a ação de refletir sobre o conhecimento.

A formação contínua é fundamental para corrigir distorções de sua formação inicial, contribuindo para novas reflexões acerca de sua prática. Esse é um dos caminhos para obter qualidade na educação. O ser professor exige flexibilidade para as mudanças e transformações. A prova disso é que atualmente os cursos de licenciatura, bem como o de Pedagogia, estão ampliando em seu currículo a oferta das disciplinas obrigatórias que envolvem tecnologia educacional e/ou educação a distância, visando preparar o professor para a realidade escolar que o espera.

Incentivos financeiros e planos de carreira contribuem para a busca pela formação contínua, além de elevar a qualidade do ensino. As horas destinadas ao planejamento também são essenciais para a formação continuada e trocas de experiência. Todo ciclo de formação abrange experiências e a responsabilidade pela aprendizagem contínua faz parte da profissão professor.

Almeida (2000) ensina que a formação dos professores para o uso pedagógico do computador envolve a ideia da formação contínua durante toda a vida profissional do docente, atentando para a reflexão sobre a prática. Não precisa ser por meio de cursos longos, mas que ofereçam a oportunidade de analisar as dificuldades, desenvolver potencialidades e realizar reflexões sobre a prática. Para isso a formação deve estar relacionada à realidade e interesses do professor, promovendo as condições necessárias que acrescentem em sua prática.

O professor deve ter uma posição reflexiva, observando e revendo suas ações pedagógicas. A reflexão é uma ação que deve fazer parte da prática docente, pois enseja a ele

voltar no tempo e rever suas práticas de ensino. Essa atitude reflexiva dar ensejo a momentos de críticas acerca do pensar educativo, condições de trabalho e identidade profissional.

Nesse sentido, Santana (2011) explica que é importante ter consciência dos seus atos durante a ação, refletindo constantemente sobre estas, a fim de identificar as dificuldades e buscar soluções para resolvê-las, por meio da reflexão, que é a capacidade de pensar sobre o próprio pensamento, e da metareflexão, a habilidade de refletir, situando-se no lugar do outro. A metacognição está relacionada à capacidade de refletir sobre como se fazem as coisas, como se aprende. Significa ir além da cognição, conhecer o próprio ato de conhecer, ter consciência sobre como se conhece; ou seja, o erro, desde que percebido ainda durante a ação, pode ser consertado, pois, mediante a reflexão, é possível encontrar ou traçar novas estratégias utilizando os erros para avançar na aprendizagem, ou até mesmo ser capaz de se antecipar durante o processo. Por meio do uso das TDIC, o erro pode se tornar apenas uma mudança de estratégia, indicando que se deve seguir por um caminho diferente, fazendo com que os professores e estudantes percam o “medo” de errar e fazendo-os refletir sobre as ações, tentativas e avanços.

A sala de informática é também um ambiente educativo dentro da escola. Os profissionais que possuem formação e conhecimentos na área conseguem aproveitar melhor esse espaço na escola, o que dá oportunidade aos estudantes, que aprendem de modo diferenciado, e aos professores, que enriquecem os conhecimentos de informática a cada aula. Para Bettega (2010) apud Almeida (2000), “O computador deve auxiliar o trabalho do professor, não significando que todas as outras técnicas de ensino até então utilizadas devam

ser deixadas de lado”, isto é, o espaço do laboratório de informática pode ser utilizado como

complemento aos assuntos estudados em sala de aula.

As formações oferecidas nunca serão suficientes para responder a todas as expectativas e atender a cada professor de acordo com suas necessidades, mas assumem importância na medida em que introduzem conceitos, suprem a insegurança e despertam curiosidade para o professor buscar mais conhecimentos e ir além do que é ensinado nas formações. A metodologia é essencial para o bom resultado, pois ao trabalhar com projetos, o docente desenvolve a colaboração, atendendo as demandas de seus estudantes e assumindo o seu papel de orientador dos processos de ensino e de aprendizagem. Valente (1993, p. 6) propõe a ideia acerca da função da informática quando inserida na educação:

A mudança da função do computador como meio educacional acontece juntamente com um questionamento da função da escola e do papel do professor. A verdadeira função do aparato educacional não deve ser a de ensinar, mas sim a de criar condições de aprendizagem. Isso significa que o professor precisa deixar de ser o

repassador de conhecimento – o computador pode fazer isso e o faz tão eficiente quanto professor – e passar a ser o criador de ambientes de aprendizagem e o facilitador do processo de desenvolvimento intelectual do aluno.

Muitas das dificuldades encontradas decorreu da falta de formação inicial durante a graduação, pois muitos professores não vivenciaram a Era Digital durante a vida estudantil como as crianças de hoje. Mesmo com as formações ainda existem muitas dificuldades a serem sanadas, como, por exemplo, o estado dos computadores que dificilmente são atualizados e não recebem a manutenção adequada; o acesso precário à internet e as condições estruturais dos laboratórios das escolas. Seja por questões estruturais ou particulares dos professores, o importante é o caminhar, a aprendizagem e a experiência que se adquire com a incorporação das tecnologias digitais no ambiente escolar.

Precisamos atender cada vez melhor as novas demandas educacionais que já não são mais as mesmas de dez anos atrás e o estudante também já não é mais o mesmo. O professor precisa ser flexível e estar apto às mudanças. A mudança precisa ser consciente e, para isso, as escolas e professores devem receber o suporte necessário, pois queremos utilizar essas tecnologias para melhorar o ensino e seus resultados, por isso o domínio das técnicas inovadoras e a atualização contínua de conhecimentos devem fazer parte da rotina do professor.

Nascimento (2007) exprime a ideia de que para a escola é evidente a necessidade da capacitação do professor a fim de trabalhar a informática como recurso pedagógico. A incorporação das TDIC na escola resulta em um motor contínuo de mudança, daí ser necessária uma elaboração gradativa das competências específicas para o uso de recursos tecnológicos e que todos os profissionais que trabalham no ambiente escolar têm um papel importante nesse processo e são responsáveis pelos resultados, portanto, devem contribuir para a construção da escola como espaço que estimula a aprendizagem.

O uso das TDIC para propiciar novas práticas pedagógicas e aprendizagens exige a mobilização de recursos e estratégias que objetivem favorecer uma aprendizagem dinâmica, contextualizada e significativa. Para algumas escolas, a inclusão da informática educativa se caracteriza apenas pela inserção do laboratório de informática, não havendo integração entre os professores e o currículo escolar. Essa realidade dificilmente dará ocasião ao bom uso desses recursos, com a interação e formulação do conhecimento.

Com o advento tecnológico, a educação reclama habilidades do professor cada vez mais complexas, sendo necessárias a qualificação e a constância do aprender a aprender. Em razão dessa realidade, a escola se torna via de comunicação entre a tecnologia e a

sociedade, possibilitando a formulação do conhecimento prático, contendo conexões sociais e coletivas. Tornar a informática educativa uma prática sistemática nas escolas não é uma tarefa simples, pois o computador não substitui a importância do professor e é necessário o envolvimento deste para que exista possibilidade de uma aprendizagem inovadora. Assim, o professor pode assumir múltiplos papéis, sendo mediador, autor e aprendiz. Não cabe mais aquele método de ensino em que o instrutor repete e o aluno memoriza. O momento solicita o diálogo, a troca de experiências e aprendizagem colaborativa.

É papel da escola democratizar o acesso as TDIC e promover a inclusão digital. O desafio consiste em trazer essa realidade para a sala de aula, o que implica uma mudança significativa nas práticas educativas e no processo educacional com um todo. Não é possível manter um sistema educativo atualizado e dinâmico, sem que os professores sejam verdadeiros agentes de mudança e de inovação. Para isso, precisam de atualização permanente em sua trajetória profissional. Quando nos reportamos a democratizar o acesso as TDIC, isso inclui o acesso à internet e também outros recursos educacionais, como os softwares. Vejamos a seguir a explanação acerca do uso de softwares na educação, conhecendo um pouco mais sobre a política de software livre.

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Benzer Belgeler