3. GENEL BĐLGĐLER
3.3. Dış Faktörlere Karşı Ağaç Malzemenin Korunması…
3.3.2. Derine nüfuz eden muamele maddeleri
O Senador José Sarney nasceu José Ribamar de Araújo Costa. O Sarney foi herdado do primeiro nome de seu pai, o Sr. Sarney de Araújo Costa, que recebera esse nome por ter nascido na fazenda de um senhor conhecido como Sir Ney, de origem britânica, onde o avô de José Sarney trabalhava. Assim, a partir de 1958 Ribamar passou a utilizar o nome de José Sarney. Formado em Direito não chegou a exercer a advocacia de forma relevante.
Sua primeira experiência foi na política estudantil logo que concluiu o curso de direito. Seu pai, que era desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão foi quem lhe arranjara o primeiro emprego de secretário no Tribunal de Justiça. Cursou também a faculdade de Jornalismo o que o levou para o caminho da literatura.
Foi colunista de um jornal denominado “O Imparcial” de São Luís do Maranhão como repórter de setor. Em 1954, Sarney torna-se um dos editores de “A Ilha”, revista que anima o modernismo (de 1922), ao lado de poetas como Ferreira Gullar e Bandeira Tibuzzi que tiveram influência em sua caminhada literária. Também foi redator e diretor de outros cadernos como os jornais: O Imparcial, Combate, Jornal do Dia, Jornal do Povo, O Estado do Maranhão, Diário de Pernambuco, Correio do Ceará, Jornal do Brasil, O Globo. Escreveu vários
livros de poesias. Como pequena amostra, segue um trecho do poema retirado do seu livro “Os Marimbondos de Fogo”:
Carta do Anti-Santo José aos seus tristes
EU, de nome José, rasguei os olhos da vida em cinza manhã de abril. Chorei e o campo chovia onde a cidade pedia
tempos, clemência e amor. BENDITO sejais chão Pinheiro com o canto dos bois
e os patos selvagens que deixam as nuvens e os ventos gigantes que lhe guiaram as asas cruzando oceano
e pousaram
à beira dos Defuntos onde sacodem a viagem e fazem ninho
na folha das plantas aquáticas que flutuam como anjos deitados na mansidão dos lagos.
IRMÃOS:
NÃO me julgueis pelo abandono dessa sombra que prometeu entregar-me o corpo
de pelúcias de carne para que eu o amasse com a força de todas as tempestades e eu nunca o amei.
NÃO me julgueis por haver começado o meu caminho naquela canoa de toldos e ramos que cantavam, "bendito é o santo nome".
EU fui ferido pelos vampiros gigantes que esmagaram a sunga de chita colegial feita de flores pequenas e alças de rendas onde ficou sepultado para sempre
o seu sexo pequenino e o meu primeiro olhar que eu carregava nas mãos como o cálice
daquele vinho
do corpo de Deus que eu não bebi para embriagar-me
na fome de amar a pronta carne, o pão, o fruto, a vida e
os peixes que habitavam os lagos desse campo que me abriu os olhos numa manhã de abril.
Sarney também colaborou em vários jornais e, há mais de trinta anos, mantém uma coluna no jornal “Folha de São Paulo”, onde escreve sobre temas do cotidiano. Em suas crônicas publicadas em jornais de circulação nacional, fica evidenciado seu ethos de religioso, humilde, e até ingênuo:
Lembro nesta semana o Deus da minha infância que me guardou das assombrações, o Deus da minha juventude que me salvou das dúvidas da fé, o Deus da minha maturidade que colocou a sua mão no meu destino, o Deus da minha velhice que um dia me receberá.” (Folha de São Paulo, 05/04/1996 – Semana do bom mistério). Ethos de religioso.
“A poesia galaico-portuguesa é plena dexemplos de cantigas de bem-querer que exaltam essa melhor criação de Deus, a mulher.” (Folha de São Paulo, 14/06/1996 – O velho e o novo amor dos namorados). Ethos de romântico e intelectual:
Quando se fala na discriminação do negro, do mulato, do antigo “crente” omite-se esta grande discriminação que existe no país: a discriminação regional, discriminação do povo sofrido do Nordeste.” (Correio Braziliense,31/10/1996 – Pau-de-arara, cabeça-chata). Ethos de humano.
Escreveu também ensaios, contos, romances e crônicas. Toda essa bibliografia fizeram de José Sarney membro da Academia Brasileira de Letras desde 1980, onde ocupa a cadeira de número 38, cujo patrono é Tobias Barreto. Pertence também a outras agremiações como o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, Academia Maranhanhense de Letras e Academia das Ciências de Lisboa.
Ingressou na política no ano de 1954, quando se elegeu quarto suplente de deputado federal, pelo PSD com 3271 votos. Naquele ano, possivelmente em uma jogada política, alguns deputados foram empossados como secretários de Estado, o que fez com que Sarney assumisse o cargo de deputado e a bancada governista do PSD. Exerceu o mandato de Deputado Federal, sendo reeleito para as legislaturas de 1958-62 e 1962-66.
Em 1965, com 35 anos de idade, foi eleito governador do Maranhão com expressiva votação. Nessa ocasião, o cineasta Glauber Rocha fez um trabalho cinematográfico sobre a vida e a trajetória de Sarney. No vídeo fica evidente a exaltação do ethos de salvador da pátria, defensor dos pobres
do Nordeste. Sarney é carregado nos braços do povo após vencer uma eleição emque prometera acabar com as injustiças no Maranhão. O povo sofrido, viu nele a imagem de tudo que queria para si.
No domínio político, a construção das imagens só tem razão de ser se for voltada para o público, pois elas devem funcionar como suporte de identificação, via valores comuns desejados. O ethos político deve, portanto, mergulhar nos imaginários populares mais amplamente partilhados, uma vez que deve atingir o maior número, em nome de uma espécie de contrato de reconhecimento implícito. O ethos é como um espelho no qual se refletem os desejos uns dos outros (CHARAUDEAU, 2005, p. 87).
Na eleição de 1971, Sarney trocou o Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, pelo Senado Federal. Cumpriu dois mandatos de senador pelo Maranhão. O mandato como presidente da República, ocorreu por uma fatalidade do destino, após ser eleito vice-presidente da Republica juntamente com Trancredo Neves em 1985. Com a doença de Tancredo, manifestada antes de tomar posse, Sarney assume provisoriamente a presidência.
No exercício da Presidência da República, enquanto o titular Tancredo seguia internado, ao dar posse aos ministros de Estado escolhidos pelo titular do cargo, assim se manifestou:
Eu estou com os olhos de ontem. E ainda prisioneiro de uma emoção que não se esgota. O Deus da minha fé, que me guardou a vida, quis que eu presidisse a esta solenidade. Ele não me teria trazido de tão longe, se não me desse também, na sua bondade, as virtudes da paciência, do equilíbrio, da coragem, do idealismo, da firmeza e da visão maior das nossas responsabilidades perante esta Nação e sua História (trecho do discurso proferido em 15/03/85 – Posse do Ministério).
Em 21 de abril daquele ano, ao comunicar o falecimento do presidente Tancredo, Sarney fez o seguinte pronunciamento:
Deus é testemunha de que eu lhe entregaria o melhor dos meus dias para não enfrentar a fatalidade desta hora: Tancredo Neves morreu. Eterniza-se com ele a legenda do idealismo que comoveu, num movimento sem precedente em nossa História, as praças e as ruas do Brasil com a bandeira da Nova República. Ninguém o excedeu no amor do povo, que acompanhou o seu longo e santificado martírio, que teve fim neste dia simbólico da Pátria, 21 de abril, com a evocação do Herói da Inconfidência, Tiradentes[...]
Efetivado no cargo de presidente da República, o mandato de Sarney caracterizou-se pela consolidação da democracia brasileira. Convocou a Assembleia Nacional Constituinte. Uma grave crise econômica, que evoluiu para um quadro de hiperinflação histórica e moratória também deixou marcas no governo de Sarney.
Nepomuceno (1990) ao descrever o clima político e econômico vivido pelo governo Sarney naquele momento, prescreve:
Novembro começou sacudindo a falsa calmaria de outubro. Já na primeira semana foi registrada uma inflação de 5%. Todos os alarmes dispararam ao mesmo tempo. O presidente Sarney, que dias antes tinha comparecido à televisão para, através de uma cadeia nacional, transmitir boas novas ao país, sentia-se em palpos de aranha. Afinal fora enfático ao anunciar que o crescimento previsto para a economia era de entre 5 e 7% para 1985, que os juros em outubro tinham caído de 22 para 15%, que as reservas em divisa estrangeira eram de 9 bilhões de dólares, que a indústria tinha crescido 7% só em outubro e que a inflação tinha caído.
Segue sua descrição do momento econômico vivido, e mostra a tensão que o povo e o governo vivia:
Novembro desmentia, e rapidamente, outubro. E além do mais, o mês começava com os rumores clássicos: ministros seriam afastados, cabeças rolariam. Para piorar, havia eleições municipais naquele dia 15 – e eleição, como se sabe, sempre provoca agitação nos meios políticos e empresariais (NEPOMUCENO, 1990, p. 62).
Marco principal de Sarney à frente da Presidência da República o chamado Plano Cruzado fez com que, ao menos por um período, o país vivesse uma certa tranquilidade.
No discurso de apresentação do plano, Sarney improvisou várias vezes, fugindo do texto elaborado dias antes. Em um desses improvisos, lançou uma figura que se tornaria muito popular nos dias seguintes: o “fiscal do Sarney”.
Na obra “O outro lado da moeda”, Eric Nepomuceno narra fato pitoresco do início do plano cruzado. Naquele momento, a euforia tomava conta do país etodos achavam que o Brasil, enfim, teria uma segurança, uma moeda forte, um controle da inflação.
Nesse momento, ele descreve:
No sábado, quando o país já estava mergulhado na euforia do cruzado, esperando com ansiedade febril o início da semana para ver a magia de um Brasil sem aumento de preços, um jornalista ligou do Rio de Janeiro para um dos mais íntimos e influentes assessores do presidente Sarney. O Jornalista fez uma pergunta franca:
- Diga uma coisa: exatamente por que vocês fizeram isso?
A resposta veio igualmente franca, mas nem por isso deixou de ser surpreendente:
- Para ganhar as eleições. Ou você acha que a gente ia continuar correndo riscos?
Nos dias que se seguiram, ocorreu a mais impressionante campanha publicitária da história do país. O país estava tomado pela onda de euforia desatada pelo plano cruzado. De todos os lados surgiam “fiscais do Sarney”, que eram cidadãos anônimos que denunciavam os violadores do congelamento de preços.
Por certo tempo o plano cruzado rendeu ao presidente Sarney a maior popularidade de sua carreira. Todavia, uma quantidade de fatores fizeram com que o sonho do cruzado sucumbisse. Surgiu então o Cruzado II que não repetiu a popularidade do primeiro. Também no governo Sarney foi decretada uma moratória descrita por Nepomuceno da seguinte forma:
O presidente Sarney adiou, em várias ocasiões, a decisão de decretar a moratória. Adotou-a, enfim, quando amargava o abandono por parte do PMDB. Os interesses dos poderosos aliados internos dos bancos credores saltaram para a arena, e a moratória e seus artífices viram-se subitamente transformados em cristãos daquele circo romano (NEPOMUCENO, 1990, p. 62).
Terminado o mandato, depois de transmitir a faixa presidencial a Collor de Mello, Sarney trocou de domicílio eleitoral, e candidatou-se ao Senado pelo recém-criado estado do Amapá. E assim o fez em razão de uma disputa dentro do PMDB do Maranhão que lhe negara legenda para disputar o Senado.
Percebi que era preciso voltar. A situação no Maranhão já tinha degringolado e a nacional também merecia atenção. Além disso, eu havia criado um círculo de amigos na presidência que ficaram órfãos. Como o Amapá pertencera ao Maranhão, eu não me senti um estranho la (SARNEY, 2015).
Assim Sarney descreve seu primeiro dia no Amapá, como morador:
Foi uma noite difícil, mas, quando abrimos a porta pela manhã, havia umas cem mulheres com os filhos nos braços dizendo: Queremos ver o presidente Sarney, e lembrando o Programa do Leite. Aquela gente pobre, paupérrima, estava ali para me abençoar. Decidi fazer caminhadas pela cidade,e aí vinham multidões para me ver. Assim começou a saga do Amapá (SARNEY, 2015).
Desde então, Sarney venceu todas as eleições para o Senado nas quais concorreu (1990, 1998 e 2006). Conquistada a cadeira de Senador, Sarney passou a disputar o poder dentro do parlamento. Foi presidente do Senado por quatro oportunidades: de 1995 a 1997, de 2003 a 2005, de 2009 a 2011 e de 2011 até 2013. Ao referir-se ao Amapá em seu discurso de despedida, Sarney pontuou sua ação política naquele estado:
Hoje, o Amapá, que era um Estado que racionava energia, é exportador de energia elétrica; a Usina de Santo Antônio já está exportando, ligada ao sistema elétrico nacional; a ponte sobre o Rio Oiapoque, que liga o Estado do Amapá à Guiana Francesa; iniciei a BR-156, quando era Presidente, do Oiapoque a Macapá, com quase 900km, hoje em fase final; instalei o Porto de Contêineres e promovi sua independência de Belém com a criação da Companhia Docas de Santana. Criei a Universidade Federal do Amapá; levei um Hospital da Rede Sarah; consegui a transferência das terras da União para o Estado, que não tinha terras, falha que vem da Constituição de 1988 – acho que o mesmo acontece com Roraima (trecho do discurso de despedida proferido em 12/2014).