5. BULGULAR
5.1. Fiziksel Özellikler
5.1.3. Boyutsal değişim (şişme)
2. O DIREITO
O Homem vive em sociedade e, dessa forma, tem o dever de assegurar tanto sua subsistência quanto a de sua família. Para que esse convívio aconteça de forma pacífica entre os indivíduos de uma sociedade, criou-se um conjunto de princípios e regras que viabilizam a convivência em sociedade e que visam à ordem, à segurança e à justiça para todos os envolvidos. Assim surgiram as leis que regulam a vida em sociedade até os dias de hoje.
O primeiro livro, ou código, que apresentava regras normativas foi criado na Mesopotâmia, aproximadamente em 1.700 a.C.; era o Código de Hamurabi que determinava as leis e as punições. Nele, não se toleravam erros ou falhas praticados pelos indivíduos daquela sociedade, tampouco eram admitidas desculpas ou explicações. As punições ocorriam de acordo com a posição que a pessoa criminosa ocupava na hierarquia social.
Com a evolução da sociedade, o senso de justiça se aperfeiçoou para que existisse a igualdade entre os homens, independentemente da posição ocupada por eles.
Ocorre que cada indivíduo tem um anseio diferente e, por muitas vezes, esse anseio vai de encontro aos anseios da sociedade. Resta estabelecido o conflito entre o particular e o público, ou seja, em determinadas circunstâncias, o homem não consegue seguir as regras previamente determinadas pela sociedade e comete infrações a estas regras, que, por conseguinte, o levarão a um julgamento por parte do Estado, que poderá imputar-lhe as penas devidas por violar as normas vigentes.
O conjunto de regras existentes na sociedade que disciplina diversas dimensões da vida humana é denominado Direito, que se subdivide em várias áreas, como Direito Civil, Direito de Família, Direito Penal etc. Entretanto, para a nossa pesquisa, interessa-nos somente o Direito Penal, que é o ramo do Direito Público que se dedica às normas emanadas pelo Poder Legislativo para reprimir os delitos cometidos por um indivíduo, ou seja, no crime de furto, o delito é representado pela ofensa ao bem jurídico “patrimônio”; no homicídio, a ofensa é a lesão ao valor jurídico “vida humana”.
37 Cabe ao Poder Judiciário interpretar e aplicar as leis emanadas do Legislativo, bem como fazer com que os indivíduos as cumpram.
Quando um indivíduo infringe as leis penais, um processo criminal é instaurado, pois ele é o instrumento legítimo que tem a finalidade de solucionar a controvérsia, ou seja, o conflito entre as partes. A Constituição Federal Brasileira afirma que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal” (art. 5º, LIV). No direito penal, o processo é denominado processo criminal. Por meio desse instrumento, podemos verificar se a ação ou a omissão descritas na lei penal são proibidas.
2.1 – O PROCESSO CRIMINAL
O processo criminal se compõe de quatro fases: o Boletim de Ocorrência, que traz a noticia criminis; o Inquérito Policial; o Processo Crime; e, finalmente, a Execução Criminal.
Boletim de Ocorrência: é o documento elaborado pela autoridade policial com base nos testemunhos das partes envolvidas que darão sua versão do fato ocorrido, colhidos pelos policiais; é um breve relato da ocorrência, e traz ainda em seu bojo as qualificações do suposto contraventor, da vítima e das testemunhas.
Inquérito Policial: é um procedimento policial administrativo usado na investigação de determinado crime, composto também de provas de autoria e materialidade do crime. Nessa fase, testemunhas são ouvidas e exames periciais são realizados. Averiguados os fatos passíveis de punição, é feita a denúncia pelo promotor de justiça, peça acusatória que dará início à ação penal. Consiste na exposição por escrito dos fatos que, em tese, constituem o ilícito penal e deve conter: o autor da infração, a indicação de provas em que se fundamenta a pretensão punitiva e os artigos infringidos pelo indiciado, que agora passará a ser acusado.
Processo Crime: as testemunhas de defesa e de acusação serão arroladas pela promotoria e pela defesa, a fim de serem esclarecidos os fatos narrados. As testemunhas que já prestaram depoimento nas duas outras fases do processo podem ser inqueridas novamente pelo juízo,
38 para esclarecer pontos obscuros ou confirmar a veracidade do depoimento prestado na fase do Inquérito Policial. Novas provas também serão apresentadas por ambas as partes.
Execução Criminal: se o réu for julgado culpado, a pena será aplicada nessa fase do processo.
2.2 – O PLENÁRIO DO JÚRI
Prosseguiremos agora com um panorama sobre o Plenário do Júri, pois os discursos a serem estudados por nós neste trabalho passaram por ele.
Os crimes dolosos contra a vida, na sua forma tentada ou consumada, são levados a julgamento pelo Plenário do Júri. Lá, os acusados de homicídio, infanticídios, incentivo ao suicídio e aborto serão julgados. Os sujeitos envolvidos são: o juiz de direito, o promotor de justiça, o advogado, o réu, os jurados e os espectadores.
A função do juiz de direito é o de levar a efeito o sorteio dos jurados que são reduzidos a um número de sete entre vinte e um convocados, e apresentar ao final do debate entre o MP e a defesa os quesitos que servirão de sustento à sentença que será lavrada pelo magistrado. Cabe também a ele a condução do plenário.
Ao corpo de jurados que compõem o conselho de sentença caberá a incumbência de julgar o acusado.
A acusação cabe ao Promotor de Justiça, que é o representante do Ministério Público, mas também cabe a ele a função de pedir a absolvição do acusado caso haja evidências de que não foi o acusado quem praticou o crime.
A defesa é feita pelo advogado que pode ser constituído pelo réu ou nomeado pelo Estado, caso o acusado não tenha condições de arcar com os honorários advocatícios.
Após a escolha do corpo de jurados, os trabalhos são abertos pelo juiz de direito que fará a leitura de excertos dos autos. Logo após, procederá ao interrogatório do acusado acerca do delito supostamente praticado e em seguida o depoimento das testemunhas arroladas por ambas as partes que ficarão incomunicáveis assim como os jurados a partir do início dos trabalhos. Se percebidas divergências entre os depoimentos das testemunhas, procede-
39 se à acareação, ou seja, no próprio Plenário os depoimentos serão confrontados.
Ouvido acusado e testemunhas dar-se-á início aos debates. O MP fará a leitura do libelo crime acusatório que é o pedido de condenação do réu com os dispositivos legais infringidos.
Em seguida, a defesa expõe sua argumentação em prol do réu que poderá ser questionada pelo promotor em réplica. A defesa poderá ainda se manifestar em tréplica se julgar necessário.
Findo os debates, o juiz fará a apresentação dos quesitos aos jurados que os responderão por meio dos votos em uma sala secreta.
A sentença será então prolatada pelo juiz de direito conforme a votação dos jurados acerca dos quesitos apresentados e deverá ser fundamentada nos termos da lei.
2.3 – O DIREITO COMO LINGUAGEM
Estabelecido o confronto entre o indivíduo que transgrediu a lei e o Estado, surge à necessidade de se discutir a violação atribuída ao acusado. Inegável desta forma, a utilidade da linguagem, pois todas as relações humanas são por ela mediadas e é por meio de diversos sistemas linguísticos que o homem consegue interagir.
Entretanto, para que a linguagem se concretize necessário se faz que o mesmo sistema de signos linguísticos seja compartilhado pelos integrantes da comunicação.
Jakobson (1991) descreve o processo constitutivo da interação comunicacional como
O REMETENTE envia uma MENSAGEM ao DESTINATÁRIO. Para ser eficaz, a mensagem requer um CONTEXTO a que se refere (ou “referente”, em outra nomenclatura algo ambígua), apreensível pelo destinatário, e que seja verbal ou suscetível de verbalização; um CÓDIGO total ou parcialmente comum ao remetente e ao destinatário (ou, em outras palavras, ao codificador e ao decodificador da mensagem); e, finalmente, um CONTACTO, um canal físico e uma conexão psicológica entre o remetente e o destinatário, que os capacite a ambos a entrarem e permanecerem em comunicação. (1991:38)
40 Assim, a linguagem é uma importante ferramenta utilizada pelo orador que permite a externalização de ideias e pensamentos e ainda permite que o auditório a compreenda, interprete-a e se posicione face ao discurso a ele apresentado. Desta forma, no Plenário do Júri, orador e auditório compartilham o mesmo código, o mesmo sistema de signos linguísticos. Trubilhano (2013:18) corrobora com essa ideia: “Por essa razão, orador e auditório devem partilhar de um mesmo sistema de signos linguísticos, ou seja, de uma mesma língua, capaz de permitir-lhes a transmissão e recepção da informação.”
Entretanto, por muitas vezes, o homem se vale da linguagem de maneira argumentativa, com a finalidade de persuadir o outro, é o que ocorre no Júri.
Valendo-se desse pano de fundo, temos o direito como sistema de comunicação, pois o discurso jurídico elaborado pela defesa e pela acusação com o fim específico de persuadir o corpo de jurados deverá fazer uso da linguagem.
Carvalho (2013:162) afirma “ser temerário tratar do jurídico sem atinar a seu meio exclusivo de manifestação: a linguagem.”
Resta clara a noção de direito como linguagem, pois permite a comunicação e a interação entre orador e auditório.
Com base na concepção retórica e na breve explanação sobre o universo jurídico expostas neste trabalho, apresentaremos, no próximo capítulo, o corpus que deu origem a esta dissertação e sua análise.
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