4. MATERYAL VE METOD
4.3. Ahşap Tutkallar
As paixões para Aristóteles refletem as representações que fazemos dos outros e considera o que elas são para nós. Sabemos que a adesão do público envolve não somente a razão, mas os aspectos emotivos do poder da palavra.
Aristóteles define a paixão (pathos) como aquilo que move o homem para a ação (práxis). Na lista das paixões por ele desenvolvida, aparecem sensações que podem provocar dor ou prazer e estão ligadas diretamente ao agir humano, que, por sua vez, está relacionado à moralidade, à virtude (areté) ou ao vício (kakia).
As paixões classificadas por Aristóteles no livro As retóricas das paixões (2000) são: cólera, calma, amor, ódio, temor, confiança, vergonha, impudência, favor, compaixão, inveja e emulação.
a) Da cólera
A cólera é o desejo de desprezar e vingar-se de determinada pessoa, sentimento este acompanhado da tristeza. O colérico se irrita sempre com um indivíduo em particular. Em toda cólera há certo prazer, que vem da esperança de vingar-se. O colérico passa o tempo vingando-se em pensamento,
32 imaginando o prazer da vingança como num sonho; despreza como forma de desconsideração; usa do desdém, da difamação e do ultraje. A cólera é proveniente do desgosto.
b) Da calma
Estar calmo é o contrário de estar encolerizado, e a cólera se contrapõe à calma. Portanto a calma é a inibição e o apaziguamento da cólera.
Somos calmos diante dos que reconhecem seus erros e se arrependem, dos que se humilham diante de nós e dos que parecem ser inferiores, dos que se comportam seriamente com quem é sério, dos que fizeram favores, dos humildes, dos não insolentes. As pessoas são calmas no riso, na festa, num dia feliz, na ausência da dor, com pessoas dignas de respeito e benfeitoras, com quem não age contra sua vontade ou com os arrependidos. Somos calmos com quem é justo.
c) Do amor e do ódio
Amar é querer para alguém o que se julga bom. Quando acontece o que queremos, ficamos satisfeitos; se acontece algo contrário, angustiamo-nos por essas não fazerem as nossas vontades.
Amamos os que têm os mesmos desejos que nós, os que nos fizeram algum favor, os que cremos que nos amam, os dispostos a fazer benefícios, os sensatos, os que louvam as qualidades que possuímos, os limpos de aparência, os que não censuram nossos erros, os que não guardam rancor. O ódio é o rancor, ao contrário do amor; suas causas são ultraje, calúnia; surge sem nenhuma ligação pessoal e se diferencia da cólera, pois o ódio quer fazer o mal, não sente compaixão, quer que o outro desapareça.
d) Do temor e da confiança
Temor: desgosto, preocupação com um mal eminente, danoso ou penoso. Não tememos o que está distante, como a morte. São temíveis coisas
33 que podem causar danos e desgostoso temível parece estar próximo. Tememos aqueles que cometeram uma injustiça e os nossos rivais; os que atacam os mais fracos são temíveis. Não tememos aqueles que não têm poder nem quem julgamos que não causaria algum mal.
A confiança é o contrário do temível. São confiantes os que tiveram resultados felizes, os que escaparam de situações perigosas. Sentimos confiança quando não tememos nossos semelhantes.
e) Da vergonha e da impudência
Sentimos vergonha diante das faltas que parecem vergonhosas, seja conosco seja com quem nos preocupamos. Também sentimos vergonha de tirar proveito de pessoas indefesas, da cobiça e da avareza. E não só de atos, mas também de sinais vergonhosos; quando devemos ser vistos pelo público, somos mais sujeitos às vergonhas. Mas existem pessoas que não se envergonham: os impudentes; a impudência é contrária à vergonha, porque nos expomos e agimos por precipitação.
f) Do favor
É o serviço pelo qual se concede ao que tem necessidade. Só é visto como favor se for algo de grande importância. Ninguém reconhece ter necessidade de coisas sem valor.
g) Da compaixão
A compaixão é um certo pesar por um mal que se mostra destrutivo ou penoso e atinge quem não o merece. É evidentemente necessário que aquele que sente compaixão esteja em tal situação que creia poder sofrer algum mal, seja ele próprio, seja um dos seus parentes. Os que sentem grande temor não têm compaixão. As seguintes coisas são dignas de compaixão: os males graves e/ou dolorosos, mortes, ultrajes corporais, maus tratos, velhice, doenças, fome e outros. Temos compaixão de pessoas semelhantes a nós pelo fato de poder acontecer o mesmo conosco.
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h) Da inveja e da emulação
As pessoas sentem inveja por causa dos interesses pessoais de cada um. Invejamos os que estão próximos, pelo tempo, pelo lugar, pela idade, pela fama e pelo nascimento; não invejamos mortos nem quem consideramos inferiores ou muito superiores, ou quem está em condições análogas.
A emulação é o desejo de obter as mesmas virtudes que o outro. Diferentemente de quem sente inveja, as pessoas que agem pela emulação se sentem dignas de bens que não possuem. Geralmente se emulam a coragem, a amizade, as virtudes, a sabedoria e a autoridade.
Por meio das provas técnicas e artísticas, o discurso judiciário se tece. A elas são acrescidas as habilidades do orador de movimentar as paixões e, desse modo, obter uma sentença favorável aos seus interesses.
Em Plenário, as emoções – paixões, para Aristóteles – são de relevância. Quando pensamos nos crimes julgados pelo Plenário do Júri (os crimes dolosos contra a vida), somos tomados pela compaixão ou pela cólera, que são paixões descritas por Aristóteles.
Cientes da complexidade entre paixão e razão – que, até mesmo para a retórica, segundo Reboul (2004:XVII) “razão e sentimentos são inseparáveis”–, é que podemos afirmar que não basta apenas que os atuantes do Tribunal do Júri sejam dotados de conhecimentos jurídicos, mas também de paixão. É por meio da emoção, leia-se, movimentar das paixões, que tanto o PJ como o advogado de defesa tentarão persuadir o corpo de jurados, que por não possuírem os conhecimentos técnicos utilizados na esfera jurídica, serão movidos pelo sentimento da cólera.
(...) é que as paixões constituem um teclado no qual o bom orador toca para convencer. Um crime horrível deverá suscitar indignação, ao passo que o delito menor, absolutamente perdoável, deverá ser julgado com compaixão. (ARISTÓTELES, 2000:XLI)
Para Perelman; Olbrechts-Tyteca (2005:52), “excitar as paixões, emocionar seus ouvintes, de modo que se determine uma adesão suficientemente intensa”, faz parte do efeito almejado pelo orador em seu
35 auditório, uma vez que a adesão é peça primordial do acordo estabelecido entre ambos.
Persuadir: mover pelo coração, pela exploração do lado emocional, coordenar o discurso por meio de apelos às paixões do outro.
Convencer: mover pela razão, pela exposição de provas lógicas, coordenar o discurso por meio de apelos ligados ao campo da racionalidade. (FERREIRA, 2010:15)
A persuasão se valerá das faculdades humanas ligadas aos sentimentos para convencer e respeitará três ordens de finalidade, como já foi dito, segundo Reboul (2004): docere (instruir, ensinar) é o lado argumentativo do discurso;
delectare (agradar) é o lado agradável; e movere (comover) é aquilo que abala,
que impressiona o auditório.
A fim de colaborar com a análise do nosso corpus, apresentaremos no capítulo II alguns conhecimentos básicos sobre o direito, as peças processuais utilizadas no Plenário do Júri e o Direito como linguagem.
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