YENİ TÜRK MECMUASI
III. DERGİNİN ÇIKIŞ AMACI
Se escrever exige cuidado com as palavras, ao adentrarmos o caminho do pensamento faz-se ainda mais necessário cuidar da escritura, pois cada uma delas pode significar um modo de pensar o mundo.
No âmbito da filosofia, as palavras têm história, e mediante essa história é possível compreender que a mudança do vocabulário é indício das modificações nos modos de formular as indagações e respondê-las (CHAUÍ, 1996, p.206). Porém, não se pretende abordar aqui toda a história da filosofia, mas de alguma maneira situar a complexa teia em que se insere e evolui o modo metafísico de pensar.
A palavra metafísica apareceu pela primeira vez com Andrônico de Rodes, por volta do ano 50 a.C., quando organizou os tratados das ciências de Aristóteles.18 Ao recolher e classificar o conjunto de escritos de Aristóteles, Rodes deparou-se com as especulações abstratas a respeito do Ser e do Mundo. Tais especulações
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Esta é mais uma palavra no campo da filosofia que tem história. Como a interlocução desse trabalho se dá na área da Educação, não cabe aqui remontar a complexa historicidade do termo no campo da Filosofia. Vale, todavia, apresentar a explicação de Severino (1993) para o conceito de essência: “É o núcleo básico, conjunto de características que fazem com que uma coisa seja o que ela é. É o que define e especifica a natureza dessa coisa. A essência de um ser é aquilo que é fundamental e imprescindível para que ele seja o que é, em sua especificidade e identidade, distinto de outros seres.” Como se verá a seguir, Aristóteles foi o fundador da teoria da essência, bem como o fundador da teoria da substância. É em Platão que Aristóteles encontra elementos para sua teoria, como discípulo que foi daquele mestre que, por sua vez, partiu do pensamento de Sócrates (ABBAGNANO, 2007, p.418). Como se pode observar, a palavra do mestre, no tempo e na história, faz discípulos, mas, como diria com Ricoeur (2002), o essencial é falar de maneira a ser compreendido por todos, e nessa relação não se trata de fazer discípulos, mas de fazer amigos.
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Rodes classificou as ciências em produtivas, práticas e teoréticas, estas também conhecidas como contemplativas ou teóricas, definindo-as da seguinte forma: ciências produtivas - produto da ação humana (arquitetura, economia, pintura, etc.); ciências práticas - estudam as práticas humanas consumadas no próprio ato realizado (ética e política); e ciências teoréticas, contemplativas ou teóricas - estudam o que o homem só pode contemplar porque existe independente de sua ação.
localizavam-se após os tratados sobre a física, o que o levou a empregar a palavra meta, que em grego significa depois de, após (CHAUÍ, 1996; TELES, 1976), e, por conseguinte, a palavra physika, hoje física, para designá-las, fazendo emergir o vocábulo em comento. Aristóteles referiu-se a esses escritos como Filosofia Primeira, aquela que estuda o que passou a denominar-se metafísica, estudo do ser enquanto ser.
Vale destacar, ainda, a observação de Severino (1993, p.57) sobre a metafísica: “Sócrates, Platão e Aristóteles são os pensadores clássicos da Grécia dos séculos V e IV a.C e que constituíram a filosofia como metafísica, fornecendo os alicerces de toda a tradição filosófica do Ocidente.”
A história da Metafísica, segundo Chauí (1996, p.207), pode ser assim dividida:
1. Primeiro período: de Platão e Aristóteles (séculos IV e III a.C.) até David Hume (século XVIII d.C.). Investigava-se a realidade em si.
2. Segundo período: de Kant (século XVIII) até a fenomenologia de Husserl (século XX). A partir de Kant o conceito de metafísica mudou, passando a referir-se não ao que existe em si e por si, mas ao que é organizado por nossa razão. Nesse sentido, o homem é o sujeito do conhecimento.
3. Terceiro período: metafísica ou ontologia contemporânea, dos anos 20 aos anos 70 (séc. XX). Vale lembrar que foi no século XVII que a palavra ontologia foi considerada pelo filósofo alemão Jacobus Thomasius a mais adequada para se referir aos estudos da metafísica. Ontologia passou a significar “o estudo ou conhecimento do Ser, dos entes ou das coisas tais como são em si mesmas, real e verdadeiramente” (CHAUÍ, 1996, p.210).
É a metafísica do primeiro período que nos instiga a pensar o Ser professor19, o que dá a palavra e mediante a palavra e o silêncio revela o Ser. Desde o “conhece-te a ti mesmo” de Sócrates, passando pela metafísica de Platão com a
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teoria das Idéias20, até Aristóteles, o pensamento grego tem sido revisitado como fundamento de novas e diferentes maneiras de pensar o mundo.
Reale (1990, p.179) destaca que são quatro as definições dadas por Aristóteles sobre Metafísica:
a) a metafísica “indaga as causas e os princípios primeiros, supremos”; b) a metafísica “indaga o ser enquanto ser”;
c) a metafísica “indaga a substância”;
d) a metafísica “indaga Deus e a substância supra-sensível”.
As indagações metafísicas, em Platão ou em Aristóteles, reconhecem um mundo supra-sensível, para além da phisys ou materialidade, e, ao tentar explicá-lo, chegam à questão do criador desse mundo.
1.1.1 Deus nesse caminho
Na teologia platônica é importante compreender a distinção entre o divino impessoal e os deuses pessoais. Conforme explica Reale (1990, p.145):
Divino é o mundo das Idéias em todos os seus planos. Divina é a Idéia do Bem, mas não é Deus-pessoa. Assim, no ponto mais alto da hierarquia do inteligível encontra-se um Ente divino (impessoal) e não um Deus (pessoal), assim como as Idéias são Entes divinos impessoais e não Deuses pessoais.
Em Platão encontra-se a figura do Demiurgo, divindade que, utilizando uma matriz resistente e informe, criou o mundo à semelhança da realidade ideal.21 Para
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Para Platão existem dois mundos distintos: o mundo sensível, o mundo das coisas concretas, aquelas da nossa experiência comum, e o mundo inteligível, o mundo das idéias ou das essências verdadeiras. Ao tratar do mundo das Idéias (ou hiperurânio), Platão não se referia a simples conceitos ou representações puramente mentais (só mais tarde o termo assumiria esse significado); na verdade, para ele representavam “entidades”, “substâncias, ou seja, “não são simples pensamentos, mas aquilo que o pensamento pensa liberto do sensível: constituem o ‘verdadeiro ser’, ‘o ser por excelência’”.(REALE, 1990, p.137)
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Conforme Severino (1993), os filósofos metafísicos eram às vezes idealistas, às vezes naturalistas. Ao tratar das coisas em si, independentemente da consciência que as pensam, é do ponto de vista ontológico assumir uma posição realista. Por realismo entende-se no plano ontológico a existência de uma realidade exterior à mente humana, não importando o conhecimento que o homem tenha dela. Nesse sentido, é preciso destacar o realismo naturalista (Aristóteles e Santo Tomás de Aquino) e o
Platão o Demiurgo é também o criador das outras divindades, que gerariam os seres vivos. (ABBAGNANO, 2007)
No modo metafísico de pensar, na tradição filosófica, “quem busca as causas e os princípios primeiros necessariamente deve encontrar Deus, porque Deus é a causa e o princípio primeiro por excelência” (REALE, 1990, p.179). E Aristóteles, ao apresentar as definições de metafísica, o faz em harmonia com a tradição e as articula de forma a se perceber a unidade entre elas: indagar o princípio primeiro, indagar o ser, a substância, indagar Deus. Assim, essas indagações levam ao encontro de Deus, porque Deus é a causa e o princípio primeiro por excelência, o que já se insere na teologia.
Aristóteles classifica as ciências teoréticas, contemplativas ou teóricas em diversos graus, indo da mais inferior para a superior. Nesse sentido, a metafísica para ele é a “ciência teórica22 das coisas divinas que são a causa e a finalidade de tudo o que existe na Natureza e no homem”, explica Chauí (1996, p.42), e as coisas divinas são chamadas de theion, sendo por isso que na classificação de Aristóteles a filosofia encontra seu ponto mais alto na metafísica e na teologia.
Da tradição aos dias atuais, as questões filosóficas acerca do Ser constituem um tecido denso e complexo, representando um longo período de afirmações e negações a respeito desse modo metafísico de pensar, ora se aproximando da tradição, ora se distanciando dela, ora negando-a totalmente. Obviamente, o modo de pensar o mundo é também afetado por questões sociais, históricas e políticas; porém, como não se tem a pretensão de abordar o modo metafísico de pensar sob esses aspectos, o presente estudo continuará transitando pela linha do tempo na busca pelo Ser.
realismo idealista (Platão e Santo Agostinho). Para o realismo naturalista a essência existe independentemente do mundo real e concreto, no mundo natural. Já para o realismo idealista, as essências são autônomas, porém ideais, não se identificando com as coisas da natureza. Assim, quando se fala em Platão e em realidade ideal está-se referindo ao caráter espiritual da própria realidade (ABBAGNANO, 2007).
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Na classificação das ciências teoréticas, a metafísica e a teologia ocupam o lugar superior, e as demais são a física, a biologia, a meteorologia, a psicologia – ciências das coisas naturais submetidas à mudança, ao devir – , as matemáticas e a astronomia – ciências das coisas naturais, que não estão submetidas à mudança ou ao devir (os gregos julgavam que os astros eram eternos e imutáveis). (CHAUÍ, 1996)
1.2 PALAVRA E SILÊNCIO COMO CAMINHO: UM ENCONTRO COM O