3. MATERYAL VE YÖNTEM
3.7 Deneyin Yapılışı
O primeiro determinante observado no processo de internacionalização da Companhia Siderúrgica Nacional foi a saturação do mercado brasileiro em conjunto com a difícil situação econômica no final dos anos 70 e o conseqüente excesso de produção do aço. Este cenário obrigou as siderúrgicas brasileiras a venderem seus produtos aos intermediários para que estes re-vendessem para o exterior. A situação ambiental determinou o inicio do processo, não foi uma prioridade estratégica.
O cenário começou a se modificar em meados da década de 90, após a privatização e re-estruturação da organização. A empresa inicia a busca por melhores opções de negócio e procura opções para aumentar sua produtividade e competir com qualquer concorrente mundial. Podemos citar as iniciativas de verticalização como parte deste processo. A partir de 1995 inicia vendas diretas para outros mercados como estratégia de iniciar um contato com outros mercados e superar a fase dos intermediários para garantir o escoamento de sua produção, já que o Brasil se tornava superavitário na produção de aço.
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Como discutido no capítulo 4 e 5, não cabe no setor siderúrgico uma estratégia voltada para o mercado interno. As usinas precisam alcançar escalas em suas produções para competir com concorrentes globais. A internacionalização diminui a dependência ao mercado interno e atenua riscos associados à determinado país.
Porém, apenas em 2001 a CSN adotou a estratégia de comprar usinas pequenas no exterior para beneficiar aço fora do Brasil e fugir das cotas de importação. A CSN começou tarde a investir no exterior e não foi no ritmo que deveria ter sido, na opinião de um ex- diretor: “A CSN perdeu o timing pra ter crescido lá fora”. Mesmo apesar de todas vantagens do processo de internacionalização e comprometimento com outros mercados, como o ganho de escala e a proximidade do consumidor final, a CSN aumentou seu comprometimento apenas quando foram impostas as cotas de importação nos seus dois principais mercados externos: Europa e Estados Unidos.
O principal determinante da expansão externa foi a imposição de barreiras americanas e o fato do Brasil ser superavitário na produção de aço. Ou seja, o Brasil precisa exportar aço para suas usinas serem produtivas e lucrativas e o mercado local não absorve toda oferta. Portanto, devemos exportar. Entretanto esta estratégia foi interrompida quando apareceram as cotas de importação de aço nos mercados americano e europeu. A compra de usinas no exterior ocorreu como uma reação ao ambiente, uma imposição para continuar exportando para aqueles mercados.
A CSN se posicionou como um produtor local de aço nestes mercados para conseguir manter suas exportações de aço para estes mercados. O risco de criarem novas barreiras é atenuado porque a empresa local está produzindo os bens finais e importando as placas de aço para serem trabalhadas. A mão de obra local garante a importação e o acesso ao mercado externo.
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Nas palavras de um diretor:
“Se houver cota [de importação ao aço brasileiro], ameaça fechar a fábrica americana e colocar todo mundo na rua. Despede 500 a 600 caras lá. Isso faz um movimento político forte. Vai ter senador do teu lado e tudo.”
“A CSN se torna um produtor local. Imagina se tiver fazendo 3 ou 4 milhões de tonelada na Europa. Teu poder de barganha é diferente. Vira uma usina local. Na hora que o cara levar um pleito para te proibir de vender uma BQ [Bobina Quente], vai chegar lá na frente na comissão européia e falar que ta trazendo para tua fabrica lá. É uma coisa que te da maior poder de barganha.”
A principal barreira para aumentar o comprometimento externo é a vontade interna, conforme a resposta de um diretor:
“Vontade. Esse projeto [instalar um armazém em outro mercado] se pagava em um ano, conservadoramente. Feito pela turma do planejamento estratégico. Se quiser minha opinião sincera, e isso eu vi no estudo que eu fiz quando tava lendo os artigos. Internacionalização só acontece quando o dono da empresa quer fazer. Pode botar no papel todas as razões estruturais e estratégicas, mas se o dono da empresa não tiver convencido que é um movimento interessante que vale a pela ele não vai fazer. Não adianta o Sergio querer, o outro querer, não vai. É dos acionistas, se tiver uma empresa pulverizada é do presidente com o corpo diretivo. Mas uma empresa como a CSN, na minha opinião, o Benjamim não está convencido da internacionalização.”
Percebemos que o processo de internacionalização ocorre somente quando a direção da empresa está convencida e empenhada na idéia, apesar de todas as vantagens analisadas nesta pesquisa. O discurso é sempre a favor da internacionalização, já que é uma tendência dos negócios e do setor atualmente. Não tem como negar.
Os teóricos da escola de Uppsala previam que o comprometimento de recursos em
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outro mercado estimularia o aprendizado sobre a forma de agir e sobre o funcionamento deste mercado externo. Este conhecimento adquirido serviria como motivação para investir maiores recursos neste mesmo mercado. Este modelo não foi observado no caso da CSN.
O aprendizado obtido através das vendas diretas a outros mercados, a partir de 95, deveria incentivar o aumento de recursos comprometidos no exterior, na forma, por exemplo, da instalação de armazéns ou escritórios de venda no exterior, para desenvolver e aprender mais sobre o funcionamento do mercado. Este fato não foi observado no caso da CSN. A empresa permanece investindo e se comprometendo através de vendas diretas à clientes externos e não deseja investir recursos em outros países. O aprendizado não é um determinante para aumentar seu comprometimento com o exterior no caso desta organização.
O determinante central foi a imposição de cotas à importação do produto da CSN no mercado europeu e americano. Esta barreira ambiental pressionou a siderúrgica à investir em outros mercados e aumentar seu comprometimento através do investimento na compra de duas siderúrgicas nestes mercados externos. A CSN passou de exportador à produtor local, saltando os estágios de comprometimento de recursos em outros mercados, como previa o modelo da escola de Uppsala.
Outra importante constatação da análise sobre a adequação dos modelos econômicos ao processo de internacionalização da CSN é a limitação destes modelos para explicar o fenômeno observado.
O modelo do ciclo de vida do produto, sugerido por Vernon em 1966, explica parte do processo ao basear seu modelo no potencial consumidor de um mercado. A CSN busca outros mercados ao perceber a saturação do mercado consumidor de aço no Brasil. Exporta o excesso da produção local, como sugere Vernon, para buscar o ciclo de lucratividade em outro mercado. Porém, a análise deste autor foi baseada em países desenvolvidos que exportam produtos em mercados saturados para mercados que ainda não possuem tal produto, para iniciar o ciclo de vida do produto novamente. Não percebemos, no caso da CSN, estas idéias, já que ela exporta, principalmente, para os mercados americano e europeu, onde já estão instaladas grandes siderúrgicas.
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A teoria do Paradigma Eclético, por outro lado, também é limitada para explicar o fenômeno da internacionalização da empresa em análise. Não percebemos no caso da CSN uma análise dos custos de transação envolvidos no processo. Não foi realizada uma escolha entre a hierarquia ou o mercado, ou seja, entre a hipótese de montar uma fábrica no exterior ou exportar com as bases no Brasil. A decisão foi imposta pelo ambiente quando surgiram as cotas à importação do produto. Não foram observadas vantagens de internalização (Internalization Specific Advantages).
Esta teoria oferece um esquema mais holístico para entender os determinantes do processo de internacionalização. No caso da CSN, não podemos observar a presença de vantagens de Propriedade (Ownership) como determinante para a empresa investir em outros mercados. Pelo contrário, a empresa não estava interessada em manter sob seu domínio o recurso utilizado em outro mercado. A CSN estava disposta a exportar e tercerizar as atividades em outros mercados. Porém, esta estratégia foi revista após a implementação das cotas de importação.
Outra vantagem sugerida pela teoria do Paradigma Eclético é a Comparativa (Location Specific Advantages) como determinante do processo de internacionalização. No caso da CSN não percebemos estas vantagens. Como analisado, o Brasil apresenta o menor custo para produção do aço e a CSN possui uma estrutura verticalizada que garante uma vantagem competitiva caso ela mantenha sua produção no Brasil. Segundo estas constatações, não haveria interesse em investir em produção em outros mercados.