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4.2. Çalışma Gruplarının Son Test Analizi

5.1.2. Deney ve Kontrol Gruplarının Tutum Ölçeği Son Test Puanlarına Yönelik

Ainda que a fuga a um padrão lingüístico extrapole o âmbito da norma padrão e se inscreva também no âmbito das variantes estigmatizadas, conforme discutido anteriormente, o desacordo com a regularidade de usos destas variantes comumente não é rotulado de erro. Nesse sentido, Perini (2002, p. 25) afirma que “ainda aqui [em situação de fala informal], trata-se de simples convenção social; mas convenções sociais são coisas muito poderosas. Todos nós sabemos disso muito bem – tanto assim que estamos sempre ajustando nossa linguagem a cada situação.” Em outras palavras, se a norma padrão é uma exigência social, a norma coloquial também o é em certos momentos, e o não-seguimento desta também pode resultar em exclusão, mesmo que, neste caso, o desacordo com a norma em questão não seja rotulado de erro. As variações lingüísticas são condicionadas, portanto, por fatores internos da língua e por fatores sociais (POSSENTI, 2002b). Para Fiorin (2004, p. 208), a variedade de circunstâncias de comunicação e a respectiva variedade de normas “é inerente à diversidade de fazeres práticos e simbólicos em que os homens se engajam”.

a atividade normativa dos usos de uma língua e a atividade normativa das formas lingüísticas são, em certa dimensão, constitutivas das comunidades de falantes, independente de seu letramento, relação entre seus membros ou forma de organização econômico-social, articulando-se ao esforço coletivo para garantir a eficiência comunicativa e a identidade dos membros, assim como sentimentos estáticos, usos especializados [...]. É através dela que os sujeitos [...] avaliam comportamentos [...] (BRITTO, 1997, p. 49, grifo nosso).

Chama-nos à atenção a fala do autor, uma vez que, ao mesmo tempo em que entende a normatividade como “constitutiva da comunidade de falantes” e que ela seria um processo valorizado já em crianças de “dois ou três anos”, critica o normativismo na escola. O normativismo ocorre na escola e no convívio social. Britto (1997, p. 50) entende que a regulação que as crianças fazem umas em relação às falas das outras seria um “processo de construção de identidade e de valor lingüístico”.

Entendendo a língua como elemento social, Preti (2004, p. 15) sustenta que “nossa linguagem é o cartão de visita que nos permite o acesso ao grupo social em que desejamos entrar”. Atravessando e extrapolando a noção de erro lingüístico, mas retomando o fato social que é a língua e, portanto, à mercê de hierarquias, destacamos aqui as palavras de Agustini (2004, p. 151):

obedecer a uma regra gramatical [...] não significa falar e escrever corretamente, obedecer as [sic] regras gramaticais ou [sic] um subconjunto delas caracteriza a relação dos falantes da língua (nacional), produzindo hierarquização entre falantes. Por conseguinte, da alternativa ‘obedecer ou desobedecer’ que o caráter político e jurídico da gramática instala, decorrem sanções de valoração negativa ou positiva que, no imaginário, aparecem como gradações do saber ou não a língua [...].

A questão do erro inscreve-se, portanto, na avaliação social do indivíduo pela sociedade. A noção de erro transcende, assim, a avaliação como elemento lingüístico89, não devendo, por isso, ser tomada apenas como um fato lingüístico. A explicação científica de todos os fenômenos da língua e a comprovação de que grande parte daqueles usos prescritos pelas

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gramáticas normativas nada tem de científico90 corroboram a idéia da não-existência do erro, por um lado; o entendimento de que a língua é um fenômeno social e, como tal, sua avaliação é motivada por questões culturais e subjetivas levam ao reconhecimento da existência do erro, por outro. Ou seja, existe uma definição social de erro. Além disso, cabe lembrar que o chancelamento de uma norma oficial por parte do Estado91 instancia o erro no que se refere à norma oficial.

Nesse sentido também fala Nascimento (2004). O autor entende que a língua é um dos elementos simbólicos do homem. Esses elementos são a base da interação na vida social. Assim, argumenta o autor (2004, p. 30), “a sociedade se organiza segundo princípios e regras e a regulamentação social impõe regras e normas de comportamento, justificadas pela existência de uma cultura ou de uma sociedade”. A norma, portanto, não é somente “um conjunto de formas lingüísticas; ela é também [...] um agregado de valores socioculturais articulados com aquelas formas” (FARACO, 2002, p. 39).

É entendendo a língua como um elemento social que Gullar (2006, p. 12), em resposta à crítica feita a sua “ortodoxia”, pergunta: “No mundo ao redor existe certo e errado; é só na lingüística que não?”

Terra (1997, p. 68), citando Descartes, resume a importância social de determinados conhecimentos. Dentre eles gostaríamos de incluir a da norma padrão: “‘o erro não é uma negação, isto é, não é simples carência ou falta de alguma perfeição que não me é devida, mas antes é uma privação de algum conhecimento que parece que eu deveria possuir’”. Parafraseando Descartes, o desvio – empregando um termo simpático à discussão – não é uma “falta de perfeição”, porque toda variante dispõe de todos os recursos lingüísticos necessários

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Essa visão é contestada por FLORES et al. (2004), cujo trabalho demonstra que a gramática normativa integra elementos da Lingüística Moderna. Os autores entendem que afirmar “o que se diz” implica um conceito da Lingüística Moderna, pois envolve o trabalho com fatos reais da língua.

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para a comunicação desejada, mas constitui uma “privação do conhecimento” de um recurso lingüístico socialmente desejado e socialmente esperado em determinadas situações de uso da língua.

Assim, ainda que entendamos que a não-obediência a determinada norma em certo contexto de emprego da língua não seja visto como erro pela Lingüística, ele é visto como erro pela sociedade falante da língua, uma vez que a língua é um fato social. É como fato social que os sujeitos vivem a língua. Desse modo, ela não pode ser vista apenas como um simples meio de comunicação, como afirma Castilho (1978), em que o ditado popular “quem não se comunica se trumbica” encontra lugar. Ela é também um instrumento através do qual o falante é avaliado pelo outro e através do qual avalia o outro. Em razão disso, estendendo as palavras proferidas por Descartes sobre erro, pode-se afirmar que a norma socialmente valorizada é um “conhecimento que parece que eu deveria possuir”, pois também através dela que vou ser avaliado pela sociedade. Daí é possível afirmar que o fato lingüístico considerado um desvio pela Ciência é um erro aos olhos da sociedade, pois somente não há erro quando não há categoria social (SCHERRE, 2002, p. 225); somente não há erro, quando não há norma.

Sobre o emprego da língua, porém, não gostaríamos de ser tão pessimistas quanto Bagno (2002b, p. 133), ao entender como “um mito ingênuo” a afirmativa de que “a linguagem humana tem a finalidade de ‘comunicar’, de ‘transmitir idéias’”. O autor argumenta que correntes da Lingüística Moderna vêm tentando demolir esse mito, provando que a linguagem é, muitas vezes, um “poderoso instrumento de ocultação da verdade, de dominação, de

controle, de intimidação, de opressão, de emudecimento”. Entendemos que uma das funções

da língua é comunicar, e isso nos parece um fato, não um mito; por outro lado, é verdadeiro que ela pode ser usada com as finalidades acima referidas, mas ela pode também ser um instrumento de libertação e de esclarecimento da verdade. Isso dependerá, também, de nós professores de Português.

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Afirmativas generalizadoras, como “simplesmente não existe erro de português” (BAGNO, 2001c, p. 65), são bastante perigosas, principalmente quando advindas do meio acadêmico- científico. Proposições desse tipo podem facilmente ser desacreditadas pela sociedade, em que o sujeito é avaliado também através de seus usos lingüísticos. Por isso, parece-nos melhor a explicação de Bagno, em nota introdutória de obra de Bortoni-Ricardo (2004, p.8):

a noção de ‘erro’ nada tem de lingüística – é um (pseudo)conceito estritamente sociocultural, decorrente de critérios de avaliação (isto é, dos preconceitos) que os cidadãos pertencentes à minoria privilegiada lançam sobre todas as outras classes sociais. Do ponto de vista estritamente lingüístico, o erro não existe, o que existe são formas diferentes de usar os recursos potencialmente presentes na nossa língua.

Vale lembrar que a língua é vista como um objeto de estudo de uma ciência apenas pela academia. Onde ela ocorre de fato, na sociedade e pela sociedade, ela é tomada e analisada apenas como fato social e, como tal, passiva e passível de avaliação. Avaliações, aliás, subjetivas e não-livres de (pré)conceitos.

É lógico que a essência dessa gramática que se aprende na vivência do dia-a- dia como falante nativo, é o que basta para um mínimo necessário à comunicação em uma sociedade. Entretanto, não há como negar que, nessa mesma sociedade, há situações em que só comunicar não basta: é preciso fazê-lo de acordo com certas convenções consideradas mais ‘corretas’, obedecendo a certas normas que são consideradas ‘padrão’ (PRESTES, 2007, p. 2).

A primazia do ensino de norma padrão sobre as demais normas intrínsecas ao nosso sistema lingüístico como objetivo das aulas de Língua Portuguesa92 não somente estabelece uma hierarquização das normas, mas seu postulado parte também do entendimento de que há uma hierarquia entre elas. Tal primazia coloca a norma padrão no topo da hierarquização, ainda que se defenda a igualdade de todas as normas inerentes a uma língua específica. Não há como negar que o discurso que perpassa os documentos acadêmicos e oficiais de ensino é

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O ensino de norma padrão é enfatizado pelos documentos oficiais de ensino e pelos textos que formam nosso

hierarquizante nas questões da língua. O discurso não deixa entrever outra realidade, ainda que as palavras profiram outro entendimento.

A escolha ou a imposição, como preferem os mais céticos, de uma norma para o ensino de língua por si só estabelece e reflete uma hierarquia de valores no tratamento das questões da língua, pois “não há lugar fora da ideologia e não há conhecimento desinteressado” (LOPES, 2006, p. 103). A existência do erro e a necessidade de correção estão alicerçadas no entendimento de que uma norma é mais válida que outra, e o padrão de correção é uma representação ideológica. Querendo ou não, a língua é um elemento de avaliação, porque é um elemento social. O erro somente existe na aceitação da existência de hierarquia de normas ou na mistura de normas.

Nesse sentido, Lopes (2006, p. 103), em sua crítica ao relativismo, posiciona-se muito enfaticamente contra o “vale-tudo”, que, segundo o autor, “algumas versões céticas pós- modernas querem nos fazer acreditar”. Lopes entende legítima a hierarquia de valores e de normas, pois “normas e valores refletem posições discursivas específicas, o que, de modo algum, implica relativismo ético”.

Entendemos válidas todas as formas de lidar com a questão do erro e do acerto em língua na escola, desde que não sirvam para ocultar a verdade e ignorar os fatos e, para o ensino de língua, os eufemismos também podem ser bem-vindos. Não há mais quem duvide que “é pedagogicamente incorreto usar a incidência do erro do educando como uma oportunidade de humilhá-lo” (BORTONI-RICARDO, 2004, p. 38). Porém é necessário e nada pernicioso afirmar ao aluno que, quando se trata de adequar o texto a alguma norma, o erro existe e ele é cometido. Como bem lembra Gullar, em trecho transcrito anteriormente, erros são um fato em todas as áreas, inclusive em língua. Como ser social, o homem é passível de cometê-lo. Nisso

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não há nenhum erro. A divisão do certo e do errado tem um valor social, daí corrigir é uma atividade fundamental (POSSENTI, 2002a, p. 328)93.

Talvez se tenha esquecido de que a hierarquia de conhecimentos entre professor e aluno é constitutiva da escola. Essa hierarquia e o entendimento de que aquele conhecimento que o professor detém é necessário ao exercício pleno da cidadania justificam a existência das instituições de ensino. Nesse sentido, Castro94 (2005) afirma que “a universidade é construída na desigualdade de conhecimento” e que “é rigorosamente a desigualdade que cria o espaço no qual ela pode operar”. Ainda que o autor se reporte exclusivamente à instituição de ensino superior, a assertiva não é menos válida para a escola.95

Se a escola é um instrumento para a socialização do indivíduo e a escrita e a leitura são fundamentais no desenvolvimento das formas de comunicação nesse processo de socialização, [...], alguma “gramática” deverá ser ensinada, a partir do momento em que se considerar necessário regular a fala e a escrita do aluno aos padrões de uso que a instituição-escola define como a ideal para aqueles que a ela estão submetidos. Romper com esse tipo de ensino que prestigia certas normas de uso em detrimento de outras – ideal teórico da lingüística e meta da pedagogia que entende a escola não como lugar de reprodução social, mas de transformação – parece incompatível com as sociedades em que se inserem as escolas como um dos instrumentos de adaptação e reprodução da sociedade estabelecida (SILVA, 2004, p. 81). Dentro dessa realidade, o erro é intrínseco à razão de ser da escola, uma vez que esta é um espaço de aprendizado e de transmissão de conhecimento e de valores. Daí pode-se afirmar que a correção também é constitutiva da escola. A correção se justifica na existência do erro. Talvez as palavras de Franchi (2006), transcritas abaixo, descrevam o “espontaneísmo” decorrente da (des)hierarquização96 do papel do professor:

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Sobre a análise do erro lingüístico pela escola, sugerimos a leitura de Possenti (1996).

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Em análise de manifesto da União Nacional dos Estudantes, que defende a desierarquização entre professores, funcionários e alunos.

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“Quando um Estado impõe uma escolaridade obrigatória, é porque entende que existe um conjunto de conhecimentos básicos imprescindíveis ao cidadão para atingir a sua plena cidadania. No caso português, nesse conjunto básico encontram-se também conhecimentos relativos ao uso e ao funcionamento da língua materna, isto é, da língua portuguesa” (CORREA, 2008).

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Não estamos, com isso, defendendo um ensino autoritário em que somente o professor tem “voz”. Referimo- nos ao fato de a escola e o professor serem porta-vozes de conhecimentos socialmente valorizados.

Embarcando em uma duvidosa pedagogia, que apregoa a anulação do papel do professor e desconfia de todo método e de toda interferência, alguns acreditaram (e acreditam) em um ‘espontaneísmo’ radical. Como se a linguagem só fosse possível numa brotação em campo virgem e não tocado, cada um consigo mesmo, ‘expressando-se livremente’ (FRANCHI, 2006, p. 36).

As palavras de Franchi traduzem e resumem as discussões sobre o novo conceito de erro lingüístico advindo de um contexto bastante específico. Ironizadamente, Franchi evoca o discurso presente – às vezes veladamente, outras não – nas falas de lingüistas por nós referidos acima (ROCHA, 2002a; BECHARA, 2002; PERINI, 2002; DECAT, 2002; POSSENTI, 2002a, FARACO, 2002), e também pelo poeta Gullar (2006) e pelo filósofo Descartes. Ou seja, o que antes era considerado erro, e o professor tinha autoridade e respaldo para considerá-lo como tal, pautado em conhecimentos dados como certos, passou a ser o acerto em outro contexto para o qual o professor deve transportar-se e, a partir dele, começar a construção do conhecimento com o aluno. De um modo geral, pode-se afirmar que, o que antes era considerado erro, agora deve ser visto como um ponto sobre o qual se deveria construir o conhecimento.

Esse novo ponto de vista, porém, não retira de cena a existência do erro, apenas o transforma em um ponto de partida para o trabalho do professor. Importante frisar aqui que, “se o lingüista não fala mais em correção, mas em saber científico, não é menos modelar sua produção, não é menos eficiente na estandarização da língua. [...] O preconceito se realiza não pelo indivíduo, mas pelas relações sociais” (ORLANDI, 2002, p. 197).

Talvez valham aqui as palavras de Rajagopalan (2004b, p. 175), que afirma não estar convencido de que o discurso da ciência e o do leigo sejam distintos, quando este se refere à ‘decadência’ de uma língua, aquele se refere a ‘línguas vivas/mortas’. O discurso do leigo, porém, seria repleto de preconceitos e o da ciência livre de todos eles. Não estamos convencidos de que os discursos sobre erro lingüístico, desvio à norma lingüística, tentativa

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de acerto, inadequação à norma lingüística – ou quaisquer termos que se venham adotar e

defender – se pautem em conceitos distintos daqueles milenarmente conhecidos pelo mundo leigo dos conhecimentos da Lingüística quanto os daqueles que a realizam. Isso nos leva a crer, também, que a adoção de nova terminologia – erro lingüístico, desvio à norma

lingüística, tentativa de acerto, inadequação à norma lingüística – para o mesmo fenômeno

não conduz à nova prática, livre de preconceitos, uma vez que o princípio fundador dos novos discursos assumidos permanece o mesmo e os constitui.

O fato de esta ou aquela norma dever ser empregada em circunstâncias oficiais e formais de uso da língua sustenta a superioridade da respectiva variante, na medida em que a noção de erro se constrói sobre aquilo que é valorizado naquela sociedade e por ela. É pelo fato de a exigência da norma padrão se assentar em um critério social, não científico, portanto, que a igualdade entre todas as variantes não encontra sustentação.