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2.1.3. DEMOKRATİK TUTUMLAR

2.1.3.1. Demokrasi

2.1.3.1.1. Demokrasi Kavramı

Estudos sobre o canal de empréstimos bancários, contrariamente ao canal do crédito amplo, não surgiram devido às análises da grande depressão, mas com o intuito de explicar se os empréstimos são importantes para a transmissão de política monetária. Isso se originou, principalmente, em decorrência do desenvolvimento dos bancos e sua participação como um intermediador financeiro levando em conta a imperfeição dos mercados de crédito e capitais, sendo que os bancos têm como sua característica, saber lidar com a assimetria de informação. Passaram a analisar a existência do canal de crédito via empréstimos bancários como um canal auxiliar ao canal tradicional da moeda e se tornou cada vez mais influente em decorrência da crescente ligação financeira e das imperfeições do mercado financeiro fazendo-se o uso de vários métodos com o objetivo de verificar a importância e relevância do canal dos empréstimos.

Com relação ao mecanismo de empréstimo como um canal de transmissão monetária, destaca-se o estudo de Bernanke (1986), como o pioneiro. Nesse estudo, o autor faz o uso da metodologia de Vetores Auto-regressivo Estrutural (SVAR) para a economia americana no período de 1953 a 1984 e a sua análise recai sobre dois mecanismos para verificar a correlação entre moeda e produção. A primeira é sobre a visão do crédito, em decorrência das imperfeições do mercado financeiro, sendo que choques no crédito tem efeitos na produção real, indicando uma correlação. A segunda é sobre o “ciclo real de negócio” assumindo uma passividade na moeda, correlacionada também com a produção. Concluiu favorável a visão do crédito, auxiliando o canal da moeda.

Alfaro, Franken, Garcia e Jara (2003), analisaram para o período de 1990 a 2002, para o Chile. Utilizaram o método de dados em painéis para testar as características dos bancos e o método do SVAR para verificar choques de política monetária. A partir de um painel de dados mostrou-se uma interação das características do banco com a política monetária, que a liquidez é sempre significativa e positiva, e com relação ao tamanho dos bancos concluíram positivamente a correlação com o total de empréstimos. O SVAR, conclui que a função impulso resposta o PIB diminui após a contração monetária e o mesmo ocorre para produção industrial ou taxa de desemprego. O efeito é mais persistente com relação ao desemprego sendo favorável a visão do crédito operando com força máxima entre 1998-99.

Bernanke e Blinder (1988) utilizaram uma metodologia diferente para analisar a economia americana entre os anos de 1974-1985, fazendo o uso da estimação da curva de demanda por moeda e crédito. Antes de estimar o modelo fez-se uma comparação da proporção dos agregados em relação ao PNB real. No período de 1953-1973, teve predominância a moeda; por sua vez entre 1974-1979 moeda e crédito apresentaram a mesma proporção. No período entre 1979:4 – 1985, o crédito predominou sobre a moeda. Conclui-se que a moeda e crédito têm importâncias simétricas para a determinação da transmissão da política monetária, sendo o crédito um canal adicional ao da moeda.

O estudo de Bernanke e Blinder (1992) analisou a economia americana no período de 1957 a 1989 usando a método de Vetores Auto-regressivo (VAR) e considerou como instrumento de política monetária a taxa dos fundos federais. Concluíram que os empréstimos respondem lentamente a choques na taxa de juros, em contrapartida os títulos têm resposta imediata, isso em virtude da presença dos contratos de longo prazo nos empréstimos. E com queda no nível de empréstimos, o produto também cai mostrando que crise de crédito leva a recessão econômica e que uma crise de empréstimos leva a crise de desemprego e produção.

Em outro estudo, Bernanke e Gertler (1995) também usaram a metodologia do VAR para os EUA, no período de 1965 a 2003. Eles fizeram uma análise dos dois meios de transmissão de política monetária do canal do crédito, isto é, dos empréstimos bancários e dos balanços patrimoniais. Concluíram que esse canal é relevante mesmo que exista alguma deficiência, pois a viabilidade dos canais tradicionais diminuiu por causa da desregulamentação financeira e da inovação.

Janeiro e Aubyn (2004) analisam para duas economias pertencentes à União Monetária Europeia (UEM), sendo Portugal e Alemanha, em dois contextos. O primeiro, quando se tem uma política monetária independente e o segundo, depois da unificação da política monetária a partir da terceira fase da UEM que teve início em janeiro de 1999. Para isso, os autores estimaram um VAR para um período de 1991-2002 para Alemanha e 1992-2002 para Portugal. Concluíram que o período pré-UEM para a economia portuguesa foi marcado pela presença de três mecanismos de transmissão monetária, ou seja, o canal dos juros, do câmbio e o do crédito, e em ambos o produto tem comportamento semelhante, mas com maior intensidade no canal do crédito. Já a Alemanha, apresenta um mecanismo mais forte, isto é, o canal dos juros é o mais importante pelo fato de o modelo com crédito obter resultado contrário do esperado. Assim, canal de crédito foi relevante para Portugal e não para a Alemanha. Com a unificação monetária europeia, os mecanismos de transmissão monetária são semelhantes entre os dois países, com o canal do câmbio não significativo, mas, o canal

do crédito com um papel relevante nesses países. O canal dos juros é o responsável pela transmissão da política monetária na Alemanha e em Portugal. Constataram na pesquisa que Portugal tem um mecanismo mais forte que na Alemanha.

Fuinhas (2006) também faz o uso do VAR, mas sua análise é para a economia portuguesa no período de 1989 a 2005 e separa a economia em setores: pessoas físicas e jurídicas. A transmissão da política monetária depende do grau de substituição entre as fontes não bancárias e os bancos variando entre os setores. O autor conclui a existência do canal de crédito para a economia portuguesa e que existia uma preferência pelo crédito em relação à moeda, porque a atividade real está relacionada com a disponibilidade de crédito.

Navarro (2010) também usando a metodologia do VAR, para a economia argentina no período de 1980 a 2008, considerando a presença de várias crises que ocorreram nesse período analisado. Observou que o grau de monetização esta diretamente direcionada ao nível de desenvolvimento e negativamente relacionada com a inflação. De modo que o grau de monetização está diretamente direcionado ao volume de crédito, pois o banco possui reservas para emprestar. O autor conclui que durante esse período, choques na inflação reduziram o volume de moeda, que por sua vez, geraram queda no volume de crédito e fez com que aumentasse a taxa de juros nominal, levando a uma queda no nível de atividade. Assim, choques no nível de atividade conduzem a um aumento da moeda e crédito, mas o crédito tem um poder explicativo bem maior que a moeda, que é relevante para explicar o câmbio e o nível de atividade, estando de acordo com o canal do crédito na Argentina.

Há estudos que mostram que existem relações controvérsias ao canal de empréstimos para a transmissão de política monetária. Romer e Romer (1990) fazem um estudo para os EUA no período de 1941 a 1984. Utilizam uma metodologia diferente: estimação por OLS, dois estágios e variáveis instrumentais. Concluíram que o estoque de moeda cai mais rapidamente que o crédito em uma contração monetária, estando de acordo com a visão da moeda porque o crédito é mais sensível a fatores direcionados da demanda agregada e não direcionados de oscilações da política monetária., sendo a moeda mais importante para a transmissão da política monetária.

A tabela 4 descreve os principais estudos que relatam o mecanismo de transmissão da política monetária pelo canal dos empréstimos bancários.

Tabela 4: Síntese das evidências empíricas sobre o canal de empréstimos bancários

Autor Pais Dados Método Resultado

Bem Bernanke (1986) EUA (1953:1 – 1984:4)

Dados trimestrais e em termos reais do: produto(Y), preços(P), gastos(G). M1, base monetária (B), credito (C) - empréstimos mantidos em bancos -, taxa de juros nominal (r) – taxa dos títulos do tesouro de 3 meses.

Var estrutural (SVAR), na forma reduzida

Está de acordo com o canal do crédito (empréstimos), esse mecanismo é um canal adicional, porque choques no crédito são importantes para a produção. Não exclui a canal da moeda porque existe correlação entre moeda e produto.

Moeda e crédito tem importâncias equivalentes para a determinação da produção. Rodrigo Alfaro, Helmet Frankem, Carlos Garcia e Alejandro Jara (2003) Chile (1990- 2002) Em log e ajustada sazonalmente.

Crescimento anual do PIB real para captar mudanças na renda, no câmbio e nos movimentos dos preços relativos, o índice de preços ao consumidor, a taxa de cambio real e seis Proxy para a atividade econômica: PIB real, produção industrial, investimento empresarial e residencial, consumo de bens duráveis, e a taxa de desemprego.

Análise das

características dos bancos com o uso de painéis e o modelo SVAR

O canal de empréstimos opera através dos bancos menos capitalizados pelo fato dos empréstimos ao consumidor serem afetados pela liquidez e pela capitalização o que não ocorre com os empréstimos comerciais que são afetados apenas pela liquidez. Com isso, mostram que o canal de empréstimos é significativo e funciona como mecanismo de transmissão de política monetária operando com força máxima em 1998-99.

Bem S. Bernanke e Alan S. Blinder (1988) EUA (1974- 1985)

Demanda por dinheiro, demanda por credito, demanda por títulos, oferta de crédito, oferta de moeda, reservas bancárias, taxa de juros e taxa de juros sobre empréstimos, PNB real.

Derivação da curva de demanda por

moeda e por

credito

Análise das equações: Primeiro: 1953:1- 1985:5 – período total, houve rejeição do canal de credito em virtude do período 1973:4-1974:1. Mas em 1974 a 1985, não foi rejeitado o canal de crédito. A pesquisa demonstrando que choques por demanda por moeda foi mais importante que demanda por crédito na década de 80. Assim, o crédito é um canal adicional para a transmissão da política monetária, não rejeitando o canal da moeda e dando um tratamento simétrico para crédito e moeda. Ben Bernanke e Alan S. Blinder (1992) EUA (1957:7 – 1989:12)

Dados mensais ajustados

sazonalmente: taxa de

desemprego, log CPI, log M1, log M2, taxa dos fundos federais (FUNDS), depósitos (BOND), títulos (BILL) e empréstimos.

VAR A taxa dos findos federais representa uma variável de política por não ser afetado pela taxa de crescimento da moeda (inovações contemporâneas), com isso, o crédito bancário responde lentamente as inovações monetárias, gerando queda no crédito e produto e aumento do desemprego. A taxa dos fundos é um bom indicador da política monetária e os resultados são consistentes, indicando que a política monetária afeta a composição de ativo dos bancos tornando operacional esse canal de crédito para transmissão da política monetária.

Ben S. Bernanke e Mark Gertler (1995) EUA (janeiro de 1965 a dezembro de 2003)

Log PIB real, preço das commodities, taxa dos fundos, investimento e demanda final como proporção do PIB (Proxy dos 6 anos de média móveis), investimento residencial (bens de

consumo duráveis e não

duráveis) e investimentos fixos empresariais. Pequenas e grandes empresas.

VAR Conclui que existe um canal de crédito

(balanço patrimonial e empréstimos), mas com algumas deficiências, como: limita o controle das taxas de juros de longo prazo por permitir movimentos no prêmio de financiamento externo.

Os investimentos têm uma resposta rápida com alterações da política monetária. Grandes empresas têm maior facilidade em contração monetária (outras fontes de financiamentos). As pequenas têm uma maior queda de produção e emprego (juros altos diminui lucro, renda e salário e o crédito se torna mais caro).

CONTINUAÇÃO DA TABELA

Autor Pais Dados Método Resultado

Eva Isabel Janeiro e Miguel Aubyn. (2004) Portugal (1992- 2002) Alemanha (1991-2002) Ano da UEM: janeiro de 1999.

Produto, nível de preços, taxa de juros de curto prazo, taxa de câmbio e o crédito

VAR Pré-UEM: o canal de crédito não é

consistente na Alemanha (significativo o canal dos juros), mas é significativo em Portugal (mesmo tendo os três canais significativos – juros, câmbio e o crédito). Pós-UEM: em ambos os países o canal de crédito é significativo, mas é o canal dos juros o responsável pelo mecanismo de transmissão da política monetária sendo mais forte em Portugal do que na Alemanha. Já o canal do câmbio não é consistente em nenhum dos dois países com a unificação monetária. José A. Fuinhas (2006) Portugal (1989:01 - 2005:06)

PIB (trimestral), índice de preço ao consumidor, taxa de câmbio, moeda (M3), índice de preço das ações no mercado secundário, taxa de juros overnight e variáveis de crédito: indivíduos, indivíduos e corporações não financeiras. Análise setorial do crédito utilizando o VAR, análise de cointegração e função impulso- resposta do VAR em nível.

O canal de crédito bancário está presente na economia portuguesa. Onde a atividade real está relacionada com a disponibilidade de crédito e existe diferença entre credito pessoal e jurídico, isto é choques na taxa de juros leva a uma resposta mais rápida do crédito empresarial do que o credito pessoal devido a maior imperfeição do crédito pessoa física. Alfredo Martin Navarro (2010) Argentina (1980-2008)

log e dados trimestrais: inflação, câmbio, M3 (moeda), crédito setor privado real, tipo de câmbio, índice de produção industrial (setor privado)

VAR Crédito tem um maior poder explicativo

que a moeda, com relevância para explicar o câmbio e o nível de atividade.

E que o crédito e o câmbio têm efeito importante no nível de desenvolvimento dos países, neste caso, Argentina, influenciando no nível de atividade. Assim, está de acordo com o canal de crédito.

Cristina D. Romer e David H. Romer (1990) EUA (1941-1984)

Empréstimos, estoque de moeda, taxa de juros do tesouro de 3 meses, índice de produção industrial e dummies para os períodos anti-inflacionários (1947:10; 1955:9; 1968:12;1974:4 e 1979:10) MQO, estimação em dois estágios e variáveis instrumentais.

Rejeita o canal de crédito, sendo esse dependente das flutuações da demanda agregada e não da política monetária. Assim, está de acordo com a visão da moeda porque ela responde mais rapidamente do que o crédito numa contração monetária.

Sendo a moeda mais importante para a transmissão da política monetária.

Fonte: elaborada pela autora