O atendimento a idosos da Prefeitura Municipal de Porto Alegre iniciou no ano de 1976 (Século XX), a partir da Fundação de Educação Social e Comunitária (FESC)41, com a criação do primeiro Grupo de Convivência nucleado no Centro Comunitário da Vila Floresta (CECOFLOR), cujo objetivo principal era oferecer ações de recreação e de lazer. No ano de 1984, a SMED incentivou a criação de outros grupos de convivência nos 9 Centros Comunitários existentes, através do Programa de Promoção ao Idoso Pró-Idoso, ampliando o trabalho destinado aos idosos do município através de atividades de educação permanente, recreação, lazer, atividades físicas, ações comunitárias, entre outros (FASC, 2010).
No ano de 2000, quando a Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC) assumiu a gestão da Política de Assistência Social do município de Porto Alegre, houve uma ampliação para 21 grupos de convivência de idosos da rede própria e para 15 grupos da rede conveniada, criou-se um Centro de Convivência na Região Noroeste, e se estabeleceu um convênio com 5 Casas de Longa Permanência para abrigagem de idosos sem vínculos familiares. Hoje (2011), existem 22 Grupos de Convivência de Idosos e existe a previsão de criação de mais 8, totalizando 33 grupos42.
Com a implementação do SUAS, a atenção à população idosa da FASC privilegia ações de promoção do envelhecimento digno e saudável, a conquista da
41 Subordinada à Secretaria Municipal de Educação.
42 Em alguns locais há mais de um grupo, como o Centro-Sul, que, hoje (2011), possui 5 grupos. Está
previsto que em cada CRAS haja uma pessoa referência para o trabalho com o idoso, independente de sua área, conforme ressaltado pela Referência da Proteção Social Básica da FASC, em entrevista concedida no dia 02/12/2010.
autonomia individual e coletiva, o convívio familiar, o fortalecimento de vínculos comunitários e a prevenção de situações de risco social, através de uma intervenção que considere demandas, características e interesses desse grupo etário, e promova atividades culturais, artísticas, esportivas, de vivências de grupos, entre outros. Com essa premissa, o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos direcionado à população idosa de Porto Alegre tem por objetivo geral:
Viabilizar ações de convivência, de socialização, de integração e organização social com vistas ao processo de um envelhecimento saudável, ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, à prevenção de situações de risco e à conquista de direitos da pessoa idosa (FASC, 2010).
Os objetivos específicos consistem na viabilização de espaços de convivência e organização que promovam a conquista de direitos individuais e coletivos; a prevenção da segregação e da institucionalização; o acesso a serviços socioassistenciais e setoriais (políticas de educação, cultura, saúde, esportes, lazer, entre outros); o acesso a informações sobre direitos e participação cidadã; a participação em atividades artísticas, culturais, esportivas, de lazer, etc; o desenvolvimento de atividades intergeracionais; a reflexão sobre a dinâmica familiar e comunitária; a promoção de espaços de discussão sobre o tema do envelhecimento; o estímulo à participação do idoso em espaços comunitários e conselhos de direitos; a valorização de experiências que estimulem o poder de decisões, o desenvolvimento da autonomia e do protagonismo social; a acolhida e o monitoramento de idosos identificados e referenciados através da busca ativa; a identificação de idosos beneficiários do BPC, tendo em vista sua inclusão em espaços de convivência social (FASC, 2010).
O público-alvo deste Serviço inclui integrantes de famílias beneficiárias de programas de transferência de renda, idosos com fragilidade nos vínculos familiares e comunitários, ou com vivências de isolamento em função da ausência do acesso a serviços ou da oportunidade de convívio familiar e comunitário, e beneficiários do BPC. A inserção dos usuários nos grupos pode ocorrer através de demanda espontânea, deles ou de suas famílias, de encaminhamento através da rede socioassistencial, ou de outros serviços.
A oferta do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos ocorre a partir dos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), promovendo o convívio
entre os idosos, a integração intergeracional, o reforço do vínculo familiar, o reconhecimento da identidade e do papel do idoso no meio familiar, comunitário e social, e, em especial, contribuindo para a prevenção de situações de isolamento através do fortalecimento da auto-estima, da independência e da autonomia dos idosos. Este serviço pode ser desenvolvido privilegiando diferentes abordagens, como a busca ativa, a acolhida, o atendimento individual, familiar, grupal e ações coletivas de caráter socioeducativo (oficinas culturais, de atividade física, esportivas, de recreação, atividades sociais e comunitárias, entre outros).
Os Grupos de Convivência de Idosos devem estar localizados próximos ao local de residência dos usuários. Os encontros podem ser realizados nos CRAS ou através de parcerias com entidades não governamentais, registradas no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) ou no Conselho Municipal do Idoso (COMUI). A responsabilidade pela indicação do usuário para centros da rede própria ou conveniados está a cargo da equipe do PAIF. O desligamento do idoso no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos pode ocorrer por sua decisão ou da família, devido à sua ausência em três encontros consecutivos sem justificativa (depois da realização de visita domiciliar para avaliar a situação), por falecimento, por mudança de endereço para outra região, entre outras regras que podem ser construídas pela equipe do PAIF em conjunto com os idosos participantes (FASC, 2010).
As atividades desenvolvidas nos Grupos de Convivência podem ser variadas (atividades criativas, lúdicas e reflexivas), levando-se em conta as seguintes etapas metodológicas: acolhimento, momento de espiritualidade (espaço para manifestação de sentimentos através da leitura de uma mensagem, de um canto ou de uma oração), dinâmica de integração (em caráter lúdico), espaço para informes e planejamento e espaço de reflexão temática, considerada o momento principal da dinâmica grupal (reflexão e expressão verbal, debate, dinâmicas que facilitem a reflexão e expressão, etc), que poderá contar com a participação de palestrantes. A coordenação do grupo é realizada por um profissional de nível superior (com a contribuição de educadores), os encontros são sistemáticos (com dias e horários fixados previamente com os integrantes), com periodicidade semanal ou quinzenal, duração mínima de 60 e máxima de 90 minutos, e deve haver uma média de até 30 participantes (FASC, 2010).
5.4 PROGRAMAS UNIVERSITÁRIOS DE ATENÇÃO AO IDOSO DE PORTO