BÖLÜM IV. ÜNİVERSİTE YÖNETİMİ VE ÜST YÖNETİMİ 4 1 Üniversitelerin Yönetim
4.4. Başka Ülkelerde Üniversite Üst Yönetim
Para a realização desta investigação, foram entrevistados 60 idosos e 16 profissionais de um total de 12 grupos da FASC, e 60 idosos e 16 profissionais de 12 grupos Universitários, totalizando uma amostra de 120 idosos e de 32 profissionais, pertencentes a 24 grupos de Porto Alegre61. Neste item serão apresentados os dados relacionados com os idosos entrevistados. Os dados referentes aos profissionais serão elucidados no item seguinte. Ressalta-se que os nomes dos idosos entrevistados foram trocados pela letra “S” (de sujeito), seguida de um número (S1, S2, S3...), como forma de preservar o sigilo ético da pesquisa.
a) Características gerais
Identifica-se um predomínio das mulheres no total de idosos que participam dos grupos analisados, o que representa um total de 95% (324) dos integrantes dos grupos da FASC e 88% (429) nos grupos universitários. Constata-se que as mulheres brasileiras representam 55,8% da população idosa como um todo (IBGE, 2010), percentual que aumenta, se analisado o sub-grupo de 80 anos e mais, o que reafirma a expressão de Camarano (2004, p. 29) de que “o mundo dos muito idosos é o mundo das mulheres”.
Esse fenômeno de “feminilização da velhice” ocorre devido a fatores como a maior probabilidade das mulheres ficarem viúvas, o que também se comprova através desta pesquisa, que revela um total de 32 (53%) mulheres viúvas entre as entrevistadas dos grupos da FASC e 17 (28%) nos grupos universitários, totalizando 49 (81%) pessoas entre os 120 idosos analisados. Geralmente, a viuvez se soma à desvantagem socioeconômica, o que pode evidenciar, também, a grande quantidade de idosos analisados pertencentes aos grupos da FASC que não possuem renda,
61 Ressalta-se que nos quadros 5 e 6, considerou-se o número total de idosos que participam dos
grupos da FASC (342 idosos) e dos grupos universitários (429 idosos) analisados. Entretanto, para efeitos de análise, serão considerados os 60 idosos entrevistados que pertencem aos grupos da FASC, e os 60 idosos entrevistados que pertencem aos grupos universitários.
que corresponde a 9 (15%) idosos, ou que recebem até um salário mínimo, o que corresponde a 33 (55%) dos idosos entrevistados. Através deste estudo, constata-se que o número de idosos separados ou desquitados corresponde a 21 (36%) sujeitos, e os casados correspondem a 33 (55%) dos idosos analisados, o que comprova o aumento do número de idosos brasileiros separados, desquitados e divorciados, e a existência de uma maior frequência de novos casamentos entre os homens (CAMARANO, 2004).
Conforme os dados do Censo 2010 (IBGE, 2010), Porto Alegre apresenta, entre as capitais brasileiras, o maior número de pessoas que vivem sozinhas (com uma média inferior a duas pessoas por domicilio), e lidera o ranking nacional de casais sem filhos. Identifica-se que os idosos analisados possuem uma característica diferenciada neste quesito, pois, 86 (72%) residem com outros familiares e 112 (93%) deles possuem filhos. Salienta-se que não foi evidenciada nesse estudo a posição de chefia ocupada pelo idoso na família, embora se constate que, em nível nacional, 64,1% dos idosos brasileiros ocupam posição de chefia nos núcleos familiares. Camarano (2004) endatiza a importância de se dividir em dois grupos as famílias com idosos, que podem ser caracterizadas como família com idosos ou famílias de idosos. A família de idosos consiste naquela em que o idoso é o cônjuge ou ocupa uma posição de chefia, sendo que, a família com idosos é considerada como aquela em que os idosos encontram-se na posição de cônjuges ou parentes do chefe familiar.
Entre os idosos analisados, identifica-se que a existência de co-residência pode representar uma estratégia familiar (CAMARANO, 2004), que tanto tem beneficiado as gerações mais novas, devido à sua dificuldade de inserção no mundo laboral e a possibilidade de contar com o rendimento do idoso na renda do grupo familiar, como as mais velhas, que, em muitos casos, contam com a companhia e o cuidado de membros do grupo familiar. A família representa uma das instituições mais importantes e eficientes, tanto para o bem-estar dos indivíduos como na redistribuição de recursos, em que é considerada como uma mediadora da relação entre o mercado e os indivíduos e entre o Estado e os indivíduos, na medida em que redistribui, de forma direta ou indiretamente, os recursos recebidos (CAMARANO, 2004).
Constata-se, também, que 101 (84%) dos idosos entrevistados possuem residência própria. Esse dado evidencia a posição privilegiada da região Sul no
ranking nacional, pois a mesma se encontra em segundo lugar (62%), no que se refere à existência de domicílios urbanos permanentes, depois da região Sudeste (85%) (IBGE, 2010).
b) Idade
No que se refere às idades dos idosos que participam dos grupos da FASC, observa-se que a grande maioria, 57 idosos (95%), possuem idades entre 50 e 80 anos, com uma concentração de 27 idosos (45%) nas faixas etárias entre 71 e 80 anos, conforme o gráfico que segue. Ressalta-se que do total de idosos que possuem entre 50 e 80 anos, apenas 3 deles (5%) possuem menos de 60 anos, e foram considerados nesse estudo porque estão prestes a completar os 60 anos e fizerem questão de contribuir com a pesquisa.
Gráfico 2: Faixa etária dos idosos Integrantes de grupos de convivência da FASC (n=60)
Fonte: A autora (2011)
No que se refere aos idosos que participam dos grupos universitários, observa- se que a grande maioria, 43 (71%) idosos, tem até 70 anos, sendo que, a maior concentração está na faixa etária entre 50 a 65 anos, com um total de 26 idosos (43%), conforme se observa no gráfico seguinte. Entretanto, destes, somente 7 idosos (23%) ainda não completaram 60 anos, mas foram entrevistados porque manifestaram grande interesse em contribuir com a investigação. Este dado revela que, assim como ocorre com os grupos da FASC, as pessoas estão buscando novas formas de relação e de socialização cada vez mais jovens, o que pode se ocasionado pela existência de uma “nova geração” de idosos, mais dinâmica e
18 idosos (30%) 12 idosos (20%) 27 idosos (45%) 2 idosos (3%) 1 idoso (2%) 50 - 65 anos 66 - 70 anos 71 - 80 anos 81 - 90 anos Acima de 90 anos
inovadora, e pela própria mudança do significado social desses espaços sócio- ocupacionais.
Gráfico 3: Faixa etária dos Idosos integrantes de grupos ligados a Universidades (n=60)
Fonte: A autora (2011).
Conforme apresentado pelo IBGE (2008), verifica-se um aumento acelerado da população idosa brasileira, em especial daquela que tem 80 anos e mais, que no período de 1997 a 2007 teve um crescimento relativo da ordem de 65%, enquanto que o crescimento verificado nas pessoas que têm 60 anos e mais chegou a 47,8%. Em 2008, a população brasileira octagenária correspondia a 3 milhões de pessoas, o que representa um percentual de 69,4% da população idosa total do País (BRASIL, 2009).
Ressalta-se a importância das Teorias do Envelhecimento, particularmente a Teoria Psicossocial (ERIKSON, 1998) e a Teoria do Ciclo Vital (BALTES, 1987), que apresentam elementos para a compreensão do desenvolvimento humano baseado no “ciclo vital”, concepção difundida pela OMS (1998). Essas Teorias possibilitam uma compreensão sobre a abrangência da heterogeneidade presente no grupo etário dos idosos, que está diretamente relacionada com as atitudes e as escolhas feitas pelos sujeitos durante as distintas etapas da vida, que refletirão na fase da velhice.
A Teoria Psicosocial (ERIKSON, 1998) contribui para a compreensão do contexto cultural e histórico do idoso, ao se analisar seu papel e sua concepção pessoal assumida na atualidade, pois, salienta que a identidade dos sujeitos é construída e
0 5 10 15 20 25 30 50 - 65 anos 66 - 70 anos 71 - 80 anos 81 - 90 anos 26 idosos (43%) 17 idosos (28%) 12 idosos (20%) 5 idosos (9%) Percentual idosos
mantida pela sociedade a partir de um “ego grupal”, o que exige a integração entre o social e o individual ao se estudar qualquer tema que se refira à subjetividade. Para Triadó e Villar (2007), as propostas de Erikson (1998) são importantes para a compreensão dos temas e das tarefas que cada indivíduo deve resolver nas diferentes fases ou momentos de sua vida, de acordo com as exigências sociais que também sofrem constantes mudanças.
Salienta-se, também, a importância da Teoria Sociológica da Atividade (SIQUEIRA, 2002), para a constituição de politicas sociais e para a estimulação da atividade física na velhice, também difundida pela OMS (1998) a partir do Programa sobre envelhecimento e saúde. As Teorias Psicológicas referidas, associadas à Teoria da Atividade (SIQUEIRA, 2002; FERÁNDEZ-BALLESTEROS, 2009b), permitem a compreensão de que as pessoas envelhecem de forma diferente porque se comportam de formas distintas. Está comprovado, a partir das Teorias Biológicas do (FERÁNDEZ-BALLESTEROS, 2009b), que os indivíduos apresentam mudanças morfofuncionais (JECKEL-NETO; CUNHA, 2002) decorrentes do processo de envelhecimento, que podem comprometer sua capacidade funcional.
Nesse sentido, a compreensão sobre a forma com que cada indivíduo vivencia a fase da velhice, seus comportamentos pessoais, seus cuidados com a saúde, suas relações familiares e sociais, suas formas de participação na sociedade, entre outros elementos, associados com a oferta de políticas e de programas específicos de atenção ao idoso, se convertem em importantes indicadores para comprovar se estão sendo garantidos os seus direitos e a sua autonomia. As Teorias Biológicas, Psicológicas e Sociais são fundamentais, também, para a compreensão de que existem diferenças importantes relacionados com o gênero, que tornam distintas as formas do homem e da mulher envelhecer. A mulher possui muitas variáveis de análise possíveis em seu ciclo vital, como aspectos relacionados com o “ninho vazio” (ausência dos filhos), a reprodução, o sexo, a maternidade, o climatério e a menopausa62, entre outros, que os homens não apresentam (FREIXAS, 1997). O homem, por sua vez, pode demonstrar maior resistência às mudanças de papeis sociais decorrentes do processo de envelhecimento e da aposentadoria, que
62 Como explicam De Lorenzi et al (2007, p. 65), embora existam confusões entre os dois termos, é
importante que se compreenda que o “climatério é um fenômeno fisiológico decorrente do esgotamento folicular ovariano que ocorre com todas as mulheres de meia-idade” que, em geral, inicia entre 30 e 40 anos e se estabelece até os 65 anos, e é caracterizado como um “declínio progressivo da secreção ovariana de estradiol”. A menopausa, por sua vez, se constitui somente no último fluxo menstrual, seguido de um “estado de amenorreia definitivo” (DE LORENZI et al, 2007).
acarretam modificações em seu comportamento pessoal, em suas relações familiares e sociais (AMARÓS, P., et al., 2006).
Especialmente, observam-se mudanças importantes no status ocupado pela mulher e pelo homem dentro da própria casa. Constata-se que, em especial as mulheres de gerações mais antigas dedicaram grande parte de sua vida a trabalhos tradicionalmente considerados como femininos, em uma época matrimonial em que o marido possuía um papel de “autoridade”, pelo fato de ser o provedor da prole. Entretanto, com a aposentadoria, observa-se que o homem perde seu “poder” e grande parte de seus referenciais sociais, convertendo-se em um “ajudante” da esposa em algumas tarefas da casa, enquanto que, a mulher passa a assumir o comando do lar e a gestão financeira dos recursos do grupo familiar. Essa condição torna o homem mais suscetível à doenças senis, à situações de depressão e, consequentemente, de dependência da mulher. Dessa forma, a mulher passa a assumir um protagonismo dentro do âmbito familiar, que também se evidencia fora de casa, na medida em que ela passa a integrar-se e participar de grupos de idosos (AMARÓS, P., et al., 2006). Essas constatações serão explicitadas nos resultados da pesquisa realizada com grupos de idosos de Porto Alegre, apresentados no decorrer deste capitulo.
c) Escolaridade e renda
A pesquisa realizada aponta uma grande desigualdade entre o nível de escolaridade dos idosos pertencentes aos grupos da FASC, com relação àqueles que frequentam os grupos universitários. Como é possível observar na tabela 1, a maioria, 40 idosos (67%) dos grupos da FASC têm apenas o ensino fundamental incompleto, sendo que, destes, 10 idosos (17%) são analfabetos, diferente dos grupos universitários, onde a maioria, 40 idosos (66%), têm ensino médio ou ensino superior completo, e não existem analfabetos.
Esses dados revelam que a necessidade de convívio social independe da renda e do nível de escolaridade. Evidenciam, também, que a população idosa, de um modo geral, representa uma parcela significativa da população total do Brasil com baixa escolaridade. Conforme os dados demográficos do IBGE (2010), 30,7% da população brasileira possuem menos de um ano de instrução e, apenas 17,4%, têm nove ou mais anos de estudo. Mesmo com a existência de avanços importantes nos níveis de escolaridade da população brasileira, observam-se diferenças significativas
entre as regiões e os grupos etários. Considerando-se o período de 1940 a 2000, se observa um aumento de 59% do número de homens alfabetizados e de 146% no grupo das mulheres. Mesmo com o aumento importante do nível de escolaridade das mulheres, constata-se que elas ainda se encontram em desvantagem (63%), se comparadas ao homem, que apresenta um percentual de 68,9% na melhora de suas condições de alfabetização (CAMARANO, 2004).
Tabela 1: Nível de escolaridade dos idosos que frequentam os grupos da FASC e grupos Universitários (PUCRS e UFRGS)
Grupos da FASC Grupos Universitários
Nível de Escolaridade Sujeitos (%) Nível de Escolaridade Sujeitos (%)
Analfabeto
Ens. Fundam. Incompleto Ens. Fundam. Completo Ens. Médio Incompleto Ens. Médio Completo Ens. Superior Incompleto Ens. Superior Completo Mínimos 10 30 14 3 3 - - 17% 50% 23% 5% 5% - - Analfabeto
Ens. Fundam. Incompleto Ens. Fundam. Completo Ens. Médio Incompleto Ens. Médio Completo Ens. Superior Incompleto Ens. Superior Completo Mínimos - 7 9 - 17 4 23 - 12% 15% - 28% 7% 38% Total 60 100% 60 100% Fonte: A autora (2011)
No Estado do Rio Grande do Sul, identifica-se que a população com 60 anos e mais representa a faixa etária mais afetada pelo índice de analfabetismo, correspondendo a 13,5% do total da população gaúcha analfabeta (IBGE, 2010). A baixa escolaridade desse grupo etário evidencia um grande desafio para os profissionais que atuam junto aos grupos de idosos, no sentido de fazer valer o direito de participação desses sujeitos independente de sua escolaridade, de seu nível cultural e/ou principalmente social, pois conforme enfatizado pelo IBGE (2007, p. 42)
A alfabetização é pré-requisito para a maioria das formas de aprendizado independentemente do grupo etário. É uma ferramenta crucial para qualquer criança, jovem ou adulto adquirir habilidades essenciais que lhes proporcionará chances e oportunidades para vencer os desafios do cotidiano.
Constata-se que a renda significa um importante indicador do nível socioeconômico da população analisada, e está diretamente relacionada com o nível de escolaridade da população. Assim como identificado no indicador escolaridade, observa-se uma distância muito elevada entre a condição de renda dos idosos pertencentes aos grupos da FASC e das Universidades. Dos 60 idosos que integram
os grupos universitários analisados, identifica-se que a maioria, 31 (52%), possui renda mensal superior a 4 salários mínimos, 13 (21%) recebem menos de um salário mínimo ou não possuem renda, conforme pode ser observado na tabela seguinte.
Tabela 2: Renda mensal dos idosos que frequentam os grupos da FASC e grupos Universitários (PUCRS e UFRGS)
Grupos da FASC Grupos Universitários
Renda Mensal Sujeitos (%) Renda Mensal Sujeitos (%)
Não possui renda 0 - 1 Salário Mínimo 1 - 2 Salários Mínimos 2 - 3 Salários Mínimos 4 - 5 Salários Mínimos Mais de 5 Salários Mínimos 9 33 2 15 1 - 15% 55% 3% 25% 2% -
Não possui renda 0 – 1 Salário Mínimo 1 - 2 Salários Mínimos 2 - 3 Salários Mínimos 4 - 5 Salários Mínimos Mais de 5 Salários Mínimos 5 8 4 12 9 22 8% 13% 7% 20% 15% 37% Total 60 100% 60 100% Fonte: A autora (2011)
Nos grupos da FASC, constata-se que a maioria, 42 idosos (70%) possui renda de até um salário mínimo, e 18 idosos (30%) recebem de 2 a 5 salários mínimos, com uma concentração de 15 idosos (25%) com renda entre 2 a 3 salários mínimos. Constata-se que a maior concentração de renda dos 120 idosos analisados, 41 (68%), recebe até um salário mínimo, o que comprova que a maioria dos sujeitos analisados compõe o grupo de idosos brasileiros que recebem até um salário mínimo, o que corresponde a 43,2% deste grupo etário (IBGE, 2010).
Verifica-se que os idosos que frequentam os grupos universitários analisados possuem menos chances de sofrer incapacidades/deficiências com o aumento da idade, pois seu nível mais elevado de renda pode lhes possibilitar a aquisição de melhores serviços de acompanhamento, equipes de apoio, além de uma inserção social de forma mais ativa (IBGE, 2010).
Ressalta-se a importância dos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) nos distintos bairros de Porto Alegre63, que integram a Rede de Proteção Social Básica da FASC e prestam atenção ao idoso através da oferta do Programa de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF) e do Serviço de Convivência e
63 Em consonância com a LOAS (BRASIL, 1993a), com a Política Nacional de Assistência Social
Fortalecimento de Vínculos. Reforça-se o caráter específico da assistência social, considerada uma politica de garantias e de direitos, de prevenção e de proteção social, que se materializa a partir do trabalho social e do monitoramento, de programas, de projetos, de serviços e de benefícios, tendo em vista a prevenção e redução de riscos pessoais e sociais; a proteção de pessoas e de famílias vulneráveis; a criação de medidas e de possibilidades de reinserção, ressocialização e inclusão social; o monitoramento de vulnerabilidades, exclusões e riscos sociais da população (SPOSATI, 2004a).
Ressalta-se a importância da utilização de abordagens individuais e grupais no contexto das ações socioeducativas, pois, compreende-se que o indivíduo que participa de encontros individuais com o Assistente Social, provavelmente esteja referenciado numa familia ou em um grupo. Da mesma forma, os indivíduos que participam de grupos especificos, como os de idosos, também possuem relação com seus pares e estão vinculados à diferentes familias. Assim, se pressupõe que exista uma condição de co-referencialidade que permite um efeito multiplicador das ações socioeducativas, pois, na medida em que os indivíduos se transformam, provocam mudanças também nos grupos e nos ambientes em que estão vinculados (MIOTO, 2009).
Salienta-se, também, a importante estratégia do “busca ativa”, que prevê a identificação e a inserção de pessoas com deficiência e de idosos em situação de risco e de vulnerabilidade na rede socioassistencial, e o recebimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Embora considerado como um mínimo social (SPOSATI, 2004), identifica-se uma crescente incorporação da população idosa ao recebimento do BPC, o que evidencia uma maior abrangência das politicas de transferência de renda, resultante do esforço do governo brasileiro no sentido de combater a pobreza.
Góis, J.B.H., et al. (2008), a partir de um estudo de avaliação do BPC, salientam alguns aspectos identificados sobre os efeitos desse benefício na vida dos beneficiários, tais como: a existência de um sentimento de utilidade, a melhora da auto-estima e da qualidade de vida, possibilitados pelo suprimento das necessidades materiais e da oportunidade de contribuir financeiramente na manutenção do grupo familiar; um aumento das possibilidades de participação em associações comunitárias, sindicatos e partidos, que promovem a autonomia e a obtenção de direitos sociais.
Conforme enfatizado por Fleury (2010), o Brasil apresenta uma posição bastante favorável com relação ao trato dos idosos, em que os benefícios de transferência de renda, como o Benefício de Prestação Continuada e o Programa Bolsa Família, contribuíram significativamente para alterar a posição deste segmento social e das mulheres (considerados como os principais beneficiários dessas politicas), tanto na sociedade, como dentro dos núcleos familiares. Pochmann (2010) ressalta que o sistema previdenciário brasileiro tem sofrido importantes obstáculos, tanto no que se refere a efetivação do orçamento da seguridade social, como no financiamento do custeio da população beneficiária atendida, devido a elevação da concessão de aposentadorias decorrente do envelhecimento populacional e da inclusão, a partir de 1988, de novos beneficiários sem previa contribuição.
Esses fatores têm provocado uma restrição de valores dos benefícios sociais e o aumento de uma parcela significativa de idosos beneficiários de pensões e de aposentadorias que se manteve ativa no mercado de trabalho. Camarano (2004), ressalta que as perspectivas futuras evidenciam que existe uma tendência de aumento da participação dos idosos na População Economicamente Ativa (PEA), pois
[...] projeta-se que, em duas décadas, a proporção de homens idosos na PEA masculina estará perto de 10% (quase o dobro dos 5,9% atuais) e a de mulheres idosas em torno de 6% (atualmente são 3,4%). Mais importante ainda é considerar que, a essa altura, a PEA idosa estará crescendo a uma taxa anual estimada em 3,6% a.a. e, para o mesmo período, estima-se que a PEA total terá crescimento muito próximo do nível de reposição, ou seja, em torno de zero. Assim, em termos de perspectivas de necessidades de geração de empregos, esse será o grupo a pressionar o mercado de trabalho, com um incremento da ordem de aproximadamente 300 mil idosos sendo somados cada ano à PEA de 60 anos e mais (CAMARANO, 2004, p. 456).
Constata-se que a origem dos ganhos das famílias brasileiras com rendimento familiar per capta de até um salário mínimo é proveniente, em sua maioria, 66,2%, do trabalho, seguida de 28% advinda de outras fontes e, somente 5,8% proveniente de pensões e aposentadorias (IBGE, 2010). Mesmo não tendo sido questionada a procedência da renda dos idosos analisados nesse estudo, constata-se que 11 (18%) idosos dos grupos da FASC e 11 (18%) idosos que frequentam os grupos universitários, evidenciam desenvolver algum tipo de atividade fora do grupo.
Identifica-se a existência de uma grande diferença quanto ao tipo de atividade desenvolvida, pois, aquelas apontadas pelos idosos dos grupos da FASC se