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Localidade: Pituba

A comunidade está situada na zona rural do município de Baía Formosa-RN (Figura 3.22), sendo todas as entrevistadas proprietárias das casas e com uma média etária de 53 anos. O tempo médio de residência é aproximadamente de 30 anos, sendo apenas uma entrevistada nascida na Pituba, enquanto que a maioria é natural de cidades do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Foi possível constatar o baixo nível de instrução das entrevistadas (analfabetas ou com primeiro grau incompleto), constituindo-se um dos fatores para o baixo rendimento familiar, que na média é de um salário mínimo. Problemas como ausência de esgotamento sanitário e queima de lixo nos quintais foram apontados como os maiores problemas resultantes da inexistência ou deficiência de serviços públicos básicos.

O abastecimento de água é feito por poço, sendo a água de boa qualidade e com regular disponibilidade. O esgotamento sanitário é feito por meio de fossa. Porém, os esgotos da cozinha são despejados em canaletas nos quintais das casas. De acordo com uma entrevistada, essa prática provoca a proliferação de insetos (muriçocas).

Para os resíduos sólidos não existe coleta. Os moradores reclamam que precisam queimar o lixo nos quintais de casa, gerando incômodos entre vizinhos. Para todas as entrevistadas, a forma de solucionar o problema do lixo na comunidade seria a “Prefeitura levar o lixo. Seria melhor” (Entrevistada 01). A poluição do ar não é um problema: “O ar aqui é tudo do mar. Sente até a brisa do mar à noite” (Entrevistada 01).

Figura 3.22 – Entrada da Vila da Pituba e trecho calçado da rua principal (Foto: Autor/2011).

Localidade: Mataraca (sede municipal)

Na cidade de Mataraca, a média etária das entrevistadas foi de 31 anos e há 22 anos, em média, residem na localidade. A condição de residência própria foi declarada por duas donas-de-casa, enquanto que as outras disseram “morar de aluguel” ou por cessão de terceiros. Nenhuma das entrevistadas nasceu em Mataraca, sendo provenientes de cidades do interior da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

O nível de instrução ficou compreendido entre o ensino fundamental incompleto, ensino médio incompleto e duas entrevistadas disseram ter o ensino médio completo. Todas estão empregadas no funcionalismo público municipal de Mataraca, com um rendimento mensal familiar médio de um salário mínimo e meio.

Diferentemente da comunidade da Pituba, os problemas ambientais apontados foram numerosos. Todas elencaram a poluição do ar, a ausência de esgotamento sanitário e a presença de insetos como os principais problemas das áreas em que residem.

O abastecimento d’água é através de poço e a qualidade da água é considerada ruim, contudo confirmam a regularidade do fornecimento.

Sobre a ausência do serviço de esgoto e os transtornos devido ao lançamento nas ruas, as entrevistadas opinaram como possíveis soluções para esse problema: “Basta o prefeito resolver” (Entrevistada 05); “Culpa da Prefeitura. Deveria fazer fossa seca” (Entrevistada 07) e “Fazer uma rede de esgoto” (Entrevistada 08).

Os resíduos sólidos são coletados mais de três vezes na semana pelos caminhões da Prefeitura, tendo os recipientes abertos como forma de armazenamento nas calçadas para recolhimento, o que gera mau cheiro e atração de animais e insetos (cães, ratos e baratas). Na opinião das donas-de-casa, as soluções para esse serviço seriam educar as pessoas e melhorar a periodicidade da coleta.

A poluição do ar é uma reclamação entre as entrevistadas, que responsabilizam a Usina Agicam Agroindústria Camaratuba S/A, situada na zona rural do município, como a principal fonte de poluição atmosférica para aqueles que residem na cidade. Para a entrevistada 06: “o problema diminuiu de três anos pra cá, mas continua ruim”. As principais consequências apontadas foram: roupas manchadas no varal, casa suja, problemas de saúde (irritação nos olhos, dor de garganta e doenças respiratórias). A solução unanimemente lembrada pelas entrevistadas é a instalação de um filtro na Usina, contudo comentam a dependência da comunidade em relação à empresa: “O dono acha que pra cada benefício tem um malefício, porque gera empregos” (Entrevistada 05). A entrevistada 07 enfatiza que “Muita gente reclama, mas muita gente trabalha lá. E se denunciar, ele demite”. Essa situação se confirma pela própria ocupação dos chefes de família dos domicílios das entrevistadas, exceto um que está desempregado, enquanto que os demais trabalham na usina citada.

A poluição sonora apresentou diversidade de respostas (não existe o problema; som alto dos vizinhos; trânsito de motos; Usina), de acordo com a área de residência das entrevistadas.

Localidade: Distrito de Barra de Camaratuba

No distrito de Barra de Camaratuba, a média etária das entrevistadas foi de 39 anos e o tempo médio aproximado de 33 anos de residência na localidade, sendo todas naturais do município de Mataraca. As moradias são todas próprias e as famílias têm em média 4,5 pessoas. O rendimento médio mensal das entrevistadas é de 2,5 salários

mínimos, sendo uma entrevistada alfabetizada, duas com ensino fundamental incompleto e uma com ensino médio completo.

A ausência de esgotamento sanitário e a presença de insetos foram apontados por todas as entrevistadas como os principais problemas ambientais na área. A existência de campanhas de educação ambiental foi confirmada por três entrevistadas, que ressaltaram as ações da ONG Caranguejo-Uçá (Figura 3.23), e uma destacou também as ações da empresa Millennium Mineração. Dentre as ações realizadas, as campanhas de limpeza da praia, limpeza do mangue e ações educativas de como não poluir o meio ambiente foram lembradas: “Aqui é um lugar bom de se morar, o problema é que não tem emprego” (Entrevistada 04).

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Figura 3.23 – Foto A: rua onde se localiza a Secretaria de Turismo e Meio Ambiente da Prefeitura em Barra de Camaratuba (Foto: Autor/2011); Foto B: Sede da ONG

Caranguejo-Uçá (Foto: Autor/2010).

Devido à área reduzida do distrito, as respostas no tocante aos serviços básicos essenciais tiveram respostas harmoniosas. O abastecimento d’água é realizado por meio de poço, sendo considerada de boa qualidade e de regularidade contínua, contudo para as entrevistadas deveria haver a melhoria da qualidade por meio de tratamento.

Metade das entrevistadas lançam os esgotos no quintal de casa, enquanto que outras lançam em fossa. Para as que possuem fossa, não existem consequências negativas por conta do esgoto, enquanto que as que lançam no quintal disseram sofrer com o mau cheiro e a proliferação de insetos. Segundo pode-se constatar, a principal solução seria a expansão da rede de esgoto, que segundo a entrevistada 02, “Fizeram a tubulação de esgoto, mas não ligaram as casas”.

A coleta de resíduos sólidos é realizada por mais de três vezes por semana pela Prefeitura Municipal de Mataraca, sendo deixado em recipientes abertos nas calçadas, gerando mau cheiro e atraindo animais (cachorros, cavalos). Apenas uma entrevistada opina que deveria melhorar a periodicidade da coleta, enquanto que as demais declaram estar satisfeitas com o serviço.

Enquanto isso, a poluição atmosférica não é uma queixa, tendo apenas uma entrevistada reclamado do tráfego de veículos no período de veraneio, mas que a solução seria o calçamento das ruas. Contudo, declarou sobre o gestor municipal que: “Ele não faz muita coisa por Barra, só por Mataraca, mesmo tendo casa de veraneio” (Entrevistada 04). Por fim, a poluição sonora restringe-se ao barulho resultante do som alto dos vizinhos durante o dia.