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5. YENİ PARA POLİTİKASI YAKLAŞIMLARININ FİYAT İSTİKRARINA

5.5. Değerlendirme

Mesmo considerando a semelhança estrutural e a inteligibilidade entre caboverdeano e guineense, não é possível afirmar que sejam a mesma língua, embora existam defensores para esta idéia. Lopes, referindo-se ao MLN (Movimento para Libertação Nacional) na época da Guerra da libertação, registra o seguinte:

“vai basear a unidade Guiné/Cabo Verde não nos princípios de coesão pequeno-burgueses, m as na sem elhança história e cultural dos dois povos. Cham am os, por exem plo, a atenção para a existência

de uma língua comum, o Kriol, assinalado desde o séc.

XVI” (Lopes,1987, p.31- negritos nossos)

Para Couto, o “fluxo e refluxo” em ambas as direções, a colonização com escravos advindos do continente, enfim, a história conjunta dos povos e a própria história da formação do povo caboverdeano devem ser cuidadosamente consideradas na formação do crioulo. Estes fatos são relevante para a semelhança entre eles. Contudo, conforme caboverdeano e guineense foram se estabilizando em diferentes territórios e com diferentes povos (com a “gente” caboverdeana consolidada) foram criando traços particulares.

Diante das semelhanças histórico-sociais e gramaticais do caboverdeano e do guineense, cujas evidências levam estudiosos, com autoridade de falantes nativos, como é o caso de Lopes, a falar em termos de unidade lingüística, uma questão se faz presente: se forem realmente

uma língua comum, de quem estamos falando, do caboverdeano ou do guineense ou de ambas?

Uma distinção bastante interessante para esta discussão está na divisão entre língua e dialeto. Esta diferenciação, bastante complicada, tem sido objeto de pesquisa e fomentado discussões, uma vez que a descrição é fortemente prejudicada diante da ambigüidade na utilização dos termos, ou, plagiando Haugen (1972), trata-se de uma dicotomia muito simples representando uma situação muito complexa, uma vez que

“Nação e língua se tornaram indissoluvelm ente entrelaçados. Toda nação que se respeite tem

que ter uma língua. Não só um meio de comunicação, uma ‘v ernácula ' ou um ‘dialeto ',

m as um a língua com pletam ente desenvolvida. Qualquer coisa m enos que isso é um a m arca de subdesenvolvim ento.”

(Haugen,1972, p. 244 – negritos nossos) Em Cabo Verde, diferentemente da Guiné, não há a existência de multilingüismo, tampouco de multietnia. As questões referentes à nacionalização de cada um dos países são marcadas de forma diferente. Em termos bastante simplistas, mas apenas para apontar a disparidade entre as condições sociológicas na Guiné e em Cabo Verde, podemos falar em uma unidade social, do ponto de vista étnico em Cabo verde. Na Guiné, por sua vez, o que há é uma complexa situação de multiplicidade étnico-lingüística. Assim como na Guiné, em relação ao guineense, a língua de união nacional nas ilhas é o próprio caboverdeano. Não é objeto de estudos deste trabalho afirmar sobre a nacionalização, a estandardização ou mesmo a oficialização do caboverdeano, porém, cabe à discussão apontar as diferenças (sócio)lingüísticas entre o crioulo em Cabo verde e o crioulo na Guiné.

Em Cabo Verde, o crioulo é a primeira língua da nação. Na Guiné, na maioria dos casos, o crioulo é a L2, ou até mesmo a L3 dos mandingas, dos balantas, dos fulas etc, enfim, do povo guineense. Por outro lado, se a idéia da unidade lingüística entre Guiné e Cabo Verde fosse contemplada neste trabalho, teríamos ainda que decidir qual seria dialeto de qual, ou seja, seria o caboverdeano dialeto do guineense ou seria o guineense o dialeto do

caboverdeano? Qual seria o critério a utilizar para se apontar para a língua e para o dialeto dessa língua? Ainda segundo Haugen (2002, p. 97) “o termo ‘língua’ é superordenado a ‘dialeto’, mas a natureza dessa relação pode ser tanto lingüística quanto social” o que significa que, apesar da complexidade na distinção entre os termos, fica fácil compreender que embora nem toda língua seja um dialeto, todo dialeto tem uma língua, ou melhor, um dialeto sempre pertence a uma dada língua.

Mesmo com a existência de fatos históricos e afinidade gramatical entre caboverdeano e guineense, eles percorrem apenas parte da história de cada povo, ou melhor dizendo, parte da história da nação caboverdeana e da nação guineense. É certo que, “as línguas que participaram na formação dos dois crioulos são as mesmas” e “estas foram as línguas maternas dos primeiros falantes do que seria o crioulo” (Rougé, s.d.). Por outro lado, estão radicados em territórios distintos e o curso histórico de cada um, mesmo com muitos pontos comuns, teve sua própria deriva, o que permite afirmar que não são o mesmo povo, nem são sujeitos da mesma história, tampouco da mesma nação. Rougé (ibidem), enumera dados que marcam a diferença na formação histórica dos dois crioulos:

No Continente – Guiné-Bissau Nas Ilhas – Cabo-Verde

N ã o h o u v e r u p t u r a c o m a s l í n g u a s a f r i c a n a s , t a m p o u c o c o m o p o r t u g u ê s . N a f o r m a ç ã o d a s o c i e d a d e , h o u v e u m a r u p t u r a c o m o p o r t u g u ê s e c o m a s l í n g u a s a f r i c a n a s . N o i n t e r i o r a s l í n g u a s é t n i c a s s e m a n t i v e r a m f o r t e s e e m p l e n a u t i l i z a ç ã o p e l o s f a l a n t e s , a s s i m c o m a s c o m u n i d a d e s s o c i a i s d e s s e s f a l a n t e s . A q u e l e s q u e a p o r t a v a m n a s i l h a s e s t a r i a m i m e r s o s e m u m a s o c i e d a d e e m f o r m a ç ã o . I s t o g e r o u c o n t a t o s e n t r e o s f a l a n t e s d a s o c i e d a d e c r i o u l a q u e s e f o r m a v a e o s f a l a n t e s d a s s o c i e d a d e s é t n i c a s q u e j á e r a m e s t a b i l i z a d a A e s t a b i l i z a ç ã o s e d e u s e m o c o n t a t o e n t r e a s l í n g u a s a f r i c a n a s e o c r i o u l o q u e s e f o r m a v a C o m o r e s u l t a d o , o c r i o u l o a t é h o j e é a L 2 d a m a i o r i a d a p o p u l a ç ã o , c u j a l í n g u a m a t e r n a s ã o l í n g u a s a f r i c a n a s . N a s i l h a s , o c r i o u l o é a L 1 ( l í n g u a m a t e r n a ) d a g r a n d e m a i o r i a d o s c a b o v e r d e a n o s . N o c o n t i n e n t e , a c r i o u l i z a ç ã o r e p r e s e n t o u o a p a r e c i m e n t o d e m a i s u m g r u p o é t n i c o q u e a c o n t e c i a n a s p r a ç a s , u m g r u p o c r i o u l i z a d o c o m a s u a r e s p e c t i v a l í n g u a . N a s i l h a s , a f o r m a ç ã o d a n a ç ã o c a b o v e r d e a n a s e d e u m e d i a n t e a c r i o u l i z a ç ã o d a s o c i e d a d e e d a l í n g u a

Há ainda um terceiro elemento a fazer parte da discussão. Caso se considerasse a unificação lingüística e a atenção estivesse voltada apenas para a história, uma solução à discussão entre língua e dialeto estaria em descartar o “caboverdeano”, e o “guineense” e levar a discussão para o

Cr io u lo P o rt ug u ê s d a Co s ta Oc id e nt a l, c o ns id e ra d o um a l ín g u a f ra n c a. De a c o rd o c om a h is t ór ia d a s n a veg a ç õ e s e d o c om ér cio it in e r an t e n a c o st a , o pr o ce s s o de p id g in iza ç ã o t er ia a li e n c o n tr a d o um t er r en o f ért il e t om a d o f ô leg o a p ar t ir d o c o nt at o o c orr id o e nt r e o s p o vo s d if e r en t es n a c o st a . E st a h ip ót ese e n c o ntr a n a te o r ia d a m o n og ê n e s e do s cr io u lo s um a rg um e nt o b a st a nt e f ort e . s eg u n do a m o n og ê n e se , a lín g u a q u e r es u lt o u d o c o n t at o n a c os ta o c id e n t a l d a Áf r ic a , o u me lh o r, o Cr io u lo d a Co s ta O c id en t a l d a Áf r ic a a c a b o u s e es p a lh an d o e s e n d o o pr e cu r s or d e t o d o s o u o ut ro s c r io u los , p o is, “ s a b em os q ue um a lín g u a d e co n t at o d e ba s e p o rt ug u es a – s ob a f or ma d e p idg in o u c r io u lo – es ta va e m c ur so n a r eg iã o d e s de pe lo m e n os os co me ç o s d o s é c u lo X VI ” ( Co u t o, 1 9 9 6, p. 1 5 6 ). A s s im, s er ia e st e pr ot oc r io u lo , na s c id o d o c o nt at o n a c os ta af r ic a n a e d e b a s e p o rt ug u es a, o p r og e n it or d e t o d os o s ou tr o s, in c lu s ive o s d e b as e ing le sa e e s p a n ho la . Es te p e n s am e nt o t em d ef e n so r es c om o T ho mp s o n e W h in no m. E st e f o i pr im e iro a p e ns a r n e st a idé ia . V a lk h of f é o u tr o d ef e n so r d a t e o r ia d a m o n ogê n e s e p ar a o s cr io u lo s d e b a s e p o rt ug u es a. P a ra G er ma n d e Gr a n da ( a p ud Co ut o , 19 9 6 ), o cr io u lo p o rt ug u ês d a Cost a O c id e nt a l Af r ica n a tr a nsf orm o u- se e m ou tr o s c r io u lo s de b a s e in g le sa , f ra n c es a e t c. m e d ia nt e um p r o c es s o d e r e le xif ic a ç ão . As s e m e lha n ç as e ntr e o s cr io u lo s s e e xp lic a m p e la p e rm a n ên c ia d o s t ra ç o s m o rf os s int á t ico s d e st e a n c es tr a l c o m um a t o d o s o s c r io u los .