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Aqui há sociólogos, psicólogos, cientistas políticos, financistas, professores de produção, de informática, de economia, todos convivendo no mesmo lugar. Isso gera uma pluralidade de interesses, e esse amálgama é, na verdade, o ponto forte da escola.

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Como o senhor se aproximou dos responsáveis pela montagem do curso de administração de empresas da Fundação Getulio Vargas em São Paulo?

Geraldo Lins — Eu era oficial de Marinha e tinha terminado o curso

de mestrado em engenharia naval no MIT. Depois, em vez de tirar um PhD em área tecnológica, escolhi o curso de administração industrial, com o ob- jetivo de melhorar a eficiência do nosso Arsenal de Marinha, com o qual eu já tinha tido uma experiência. No meio do curso, no início de 1952, precisei voltar, porque minha esposa, que estava no Brasil, ficou doente. Como minha tese tratava da adaptação das técnicas de administração industrial americanas às condições nacionais, resolvi visitar as instituições que cuida- vam de administração no Brasil. Fui ao Instituto de Organização Racional do Trabalho, o Idort, de São Paulo — do qual fui mais tarde diretor aqui no Rio, entre 1958 e 1961 —, e visitei também o BNDE, onde encontrei Ro- berto Campos. Outro lugar que visitei foi a Fundação Getulio Vargas.

Existia, na Fundação, o Instituto Brasileiro de Administração, o IBRA, do qual era diretor Luiz Alves de Mattos, também conhecido como dom Xavier de Mattos, porque havia sido monge beneditino — era um homem muito bonito, as meninas o achavam o máximo. Começamos a conversar, ele disse que estavam cogitando criar uma escola de adminis- tração de empresas em São Paulo e comentou que uma comissão ia se reu- nir dali a pouco para tratar do assunto. Olhou para o relógio: “Por que o senhor não vem à reunião? Vai assistir, em primeira mão, ao que se está fazendo aqui em matéria de administração de empresas”. Senti que ele me olhava com segundas intenções. Fui, e lá chegando havia uma mesa gran- de, com professores de administração de várias faculdades: César Canta- nhede, da Faculdade de Engenharia, o professor Porto Moitinho, da Fa- culdade de Economia. Estava presente também o diretor de ensino superior do MEC, Jurandir Lódi. Havia ainda vários representantes do Sin- dicato dos Economistas, um representante do Sesi, outro da Associação Comercial. Além desses, havia um americano representando a Usaid.

Iniciada a reunião, foi distribuída a última versão do currículo da escola, que achei muito acadêmico, muito teórico, pois falava-se em “ciên- cia da administração”, “filosofia da administração” etc. O professor Mat- tos me apresentou, dizendo que eu estava fazendo um curso de adminis- tração no MIT, e perguntou o que eu achava do currículo. Respondi que, como não tinha acompanhado as discussões, não podia fazer uma crítica. A única coisa que podia fazer era dizer o que eu estava estudando lá. Co- mecei a citar: finanças, contabilidade, produção, marketing, administra- ção de pessoal, organização de empresas... Enquanto dizia isso, o ameri-

cano, que estava quase dormindo, acordou: “Dr. Mattos, se os senhores me apresentarem um currículo com as disciplinas que o comandante Lins mencionou, poderemos fornecer professores americanos, treinar professo- res brasileiros nas nossas escolas, oferecer material de aula. Agora, com esse currículo que estou vendo aqui, eu sugeriria até que os senhores en- trassem em contato com a Sorbonne”...

Depois desse encontro, o professor Mattos me pediu: “Será que po- deríamos fazer uma nova reunião, quando o senhor me traria uma proposta de currículo incluindo os temas que citou, mas também os assuntos que têm preocupado a comissão até agora? São assuntos ligados à nossa tradição cul- tural”. Aceitei e, na reunião seguinte, levei uma proposta de currículo que foi aprovada. Eu já não estava mais com vontade de voltar para os Estados Unidos e o Mattos me disse que ia propor ao Simões Lopes que eu ficasse encarregado do projeto. Aceitei. O dr. Simões então foi ao Getúlio, que es- creveu ao ministro da Marinha, almirante Guilhobel, sobre a importância do projeto. Fez também, ele próprio, um ofício pedindo ao Guilhobel que eu fi- casse à disposição da Fundação durante um ano. Por fim, Simões, Mattos e eu fomos ao gabinete do ministro, e Simões lhe entregou o papel do Getúlio e o seu próprio ofício. Guilhobel leu, reagiu, mas depois concordou.

Quem mais, além do senhor, trabalhou no projeto da EAESP?

Geraldo Lins — Levy Simões e Aluysio Guimarães. Posteriormente,

quando começamos a ter mais trabalho, veio Ruy Xavier. Fizemos um pai- nel de debates, primeiro aqui no Rio, depois em São Paulo. Convocamos re- presentantes da Federação das Indústrias e de várias instituições educacio- nais, além de industriais e professores que queríamos conquistar para o projeto. Estabelecemos uma espécie de agenda de problemas, e todos se manifestaram. No final distribuímos um questionário. Com isso, estávamos querendo configurar um currículo e um tipo de curso que atendesse real- mente às necessidades das empresas de São Paulo. Nessa época, o dr. Si- mões imaginava ter a colaboração financeira do Matarazzo. Começamos também a ter entendimentos com os americanos, entramos em contato com a Michigan State University. O deão da universidade veio ao Brasil, discu- timos com ele o projeto, e eles forneceram uma missão de professores.95

95 As origens da EAESP, sua trajetória organizacional e didática, os acordos entre os go- vernos brasileiro e americano para sua criação em junho de 1953, os 12 anos de intercâmbio entre a FGV e a Michigan State University são detalhadamente analisados por Donald A. Taylor, Institution building in business administration (MSU, 1968). Outro trabalho indis- pensável é o de Jorge Gustavo da Costa, Fundação Getulio Vargas, pioneirismo a serviço do de-

Consta que o conde Francisco Matarazzo tinha a idéia de fazer uma escola inspirada no Instituto Bocconi, de Milão. Como o senhor compararia os dois estilos, o europeu e o americano?

Geraldo Lins — O modelo europeu era uma coisa um pouco mais

atrasada, muito mais orientada para a parte financeira, contábil. No fundo, era uma escola de contabilidade. A parte de eficiência e marketing, a que os americanos davam tanta importância, não tinha um desenvolvimento muito grande. Como já estávamos em contato com os americanos, houve um choque, e o conde não cedia. Tivemos uma reunião no edifício Mata- razzo: Simões Lopes, Rafael Xavier, que era então o diretor executivo da Fundação, e eu. Conversamos, tentando convencer o conde a concentrar sua contribuição numa doação em dinheiro, mas ele não quis. Insistia em criar a sua escola.

Quais foram as primeiras providências práticas tomadas junto ao governo bra- sileiro?

Geraldo Lins — Fui à Capes procurar Anísio Teixeira, que estava um

pouco cético. Mas quando dissemos que seria uma escola para gerentes, ele respondeu que era disso que o Brasil estava precisando. Contou que sua família tinha uma mineradora na Bahia, que todos tinham outras pro- fissões, inclusive ele, queriam entregar aquela mineração a gerentes mas não encontravam ninguém. Resolveu nos dar acho que 2 mil contos, que seriam a contrapartida do governo brasileiro à participação dos ame- ricanos.96

Vieram afinal os professores americanos,97 e chegou-se ao currícu- lo de um primeiro curso, que seria de extensão, uma espécie de curso para empresários. Precisávamos também de um diretor para a escola e veio Dardeau Vieira, que estava nas Nações Unidas. Meu ano fora da Marinha já estava acabando e me propus arranjar um substituto. Estava saindo da Marinha um oficial de primeira ordem chamado Newton Tornaghi, pes- soa muito organizada, um professor nato. Conversamos sobre o programa e ele aceitou ficar no meu lugar. Tornaghi acompanhou esse planejamen- to inicial e depois veio para a Fundação no Rio, onde criou o CATA, Cen-

96 O acordo da Capes com a FGV foi assinado em outubro de 1953. Donald A. Taylor, op. cit. 97 A primeira missão americana que chegou em 1954 era assim constituída: Karl A. Boe- decker, chefe administrativo, que deu nome à biblioteca da EAESP; Leonard H. Rall, eco- nomista; Ole Johnson, professor de marketing, e Fritz Harry, engenheiro. O primeiro con- trato foi feito por quatro anos e foi renovado duas vezes, isto é, vigorou por 12 anos, de 1954 a 1966. Donald A. Taylor, op. cit.

tro de Assessoria Técnica Administrativa, e uma série de cursos de ad- ministração de empresas independentes da EBAP.

Como foi feito o recrutamento dos primeiros assistentes?

Geraldo Lins — Tornaghi e eu fizemos juntos o programa de sele-

ção e treinamento dos assistentes: dos selecionados, Gustavo de Sá e Sil- va, por exemplo, era economista da GM; Ivan de Sá Mota era da área de planejamento e controle de produção. Em geral, ou eram engenheiros, ou homens da área de marketing das empresas. Primeiro eles ficavam como assistentes ou instrutores dos professores americanos. Quando já estavam familiarizados, começavam a ir para os Estados Unidos, e um outro as- sistente era admitido.

Acompanhei o projeto até quando foi dado o primeiro curso de aperfeiçoamento, em 1954, para o pessoal de empresas. Dei a aula inau- gural. Nessa palestra falei sobre a importância da organização. Disse que, do ponto de vista tecnológico, estávamos nos desenvolvendo, mas não do ponto de vista da administração. Feito esse primeiro trabalho, voltei para a Marinha e fiz a reorganização do Arsenal, junto com o almirante Ma- toso Maia. Mais tarde criei, no Grupo Montréal, uma empresa de consul- toria em administração empresarial.

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Como o senhor foi chamado para fazer parte da comissão organizadora da EAESP?

Levy Simões — Quando a Fundação pensou em formar um núcleo

para estudar a criação de uma escola de administração de empresas em São Paulo, fui chamado pelo Geraldo José Lins. Ele sabia da minha pai- xão por administração de empresas e me chamou para participar do pro- jeto. Na minha carteira profissional inclusive está escrito: “Chefe da mis- são americana universitária para a criação da Escola de Administração de Empresas”. Naquele tempo havia um organismo chamado Foreign Oper- ation Administration, FOA, um programa do Ponto IV que patrocinou o acordo entre a Michigan State University e a Fundação Getulio Vargas. Eles deram bolsas e pagaram os professores.

Naquele tempo eu era solteiro, transferi-me para São Paulo e ajudei até no trabalho braçal. A Delegacia Regional do Trabalho, no centro, atra- vés do Roberto Gusmão, do PTB, nos cedeu instalações, e montamos uma sala para receber os professores americanos e em seguida fazer a seleção

dos assistentes. Como eu já era da Fundação, fiz parte dessa primeira banca junto com Geraldo Lins, Newton Tornaghi e Luiz Alves de Mattos. Entre os primeiros selecionados estava Gustavo de Sá e Silva, economista, que ter- minou diretor da escola. Fui, no início, uma espécie de adviser dos instru- tores, porque fui o primeiro a ir para Michigan. Passei dois anos lá e fiz o mestrado em administração de empresas, enquanto minha mulher, Ruth Scheeffer, fazia o doutorado em psicologia. Ela já tinha feito o mestrado na Columbia University e acabou como assistente do professor Carl Rogers, um dos maiores psicólogos do mundo. Quando voltei para o Brasil, não vol- tei para a EAESP: tinha apartamento montado no Rio e minha mulher já era psicóloga do ISOP. Passei a dar aulas na EBAP, onde fiquei até por volta de 1970. Fui então para o CICOM, onde fiquei até o fim.

Qual a origem do CICOM?

Levy Simões — A Fundação tinha um acordo com a OEA, que es-

colheu o Brasil para fazer um centro de treinamento de especialistas em comercialização. Foi montado aqui um órgão chamado Centro Interame- ricano de Comercialização, que só cuidava de marketing internacional. Participavam todos os países-membros da OEA, com exceção do Canadá e dos Estados Unidos. Não eram alunos que vinham, eram autoridades, fun- cionários importantes do Estado. Se um diplomata queria ser adido co- mercial, por exemplo, tinha que ter noções de comercialização internacio- nal, acordos, negociações. Era um excelente curso.

Entre os professores havia poucos brasileiros e muitos estrangeiros. Havia duas diretorias, uma nacional e outra internacional. O diretor inter- nacional era sempre um argentino, porque duas vezes o secretário da OEA foi argentino. O primeiro diretor nacional foi Flávio Penteado Sampaio, con- siderado o primeiro diretor da EAESP. Foi diretor do CICOM durante mui- tos anos, e com sua morte assumiu Genival Santos, escolhido pelo dr. Flôres, mas já no final. Um ano e pouco depois, como a Fundação não tinha di- nheiro e a OEA também não, o órgão acabou, e acabei saindo com ele.

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O senhor foi um dos primeiros professores brasileiros da EAESP. Como foi sua entrada na Fundação Getulio Vargas?

Angarita — Vim para a Fundação Getulio Vargas depois de dois

anos e meio de exercício profissional bem-sucedido na advocacia. Eu tinha sido, em Minas Gerais, um estudante de direito muito preocupado com

política, e comecei a sentir a advocacia sem muita alma. Através de ami- gos fiquei então sabendo que a Fundação ia instalar em São Paulo a Es- cola de Administração de Empresas. Fui até lá e Dardeau Vieira me en- trevistou. Foi uma entrevista longa, tecnicamente minuciosa. Depois ele me pediu para organizar um programa de trabalho para o curso que se inauguraria em pouco tempo, o CIA, Curso Intensivo de Administradores. Fiz um programa laborioso, cheio de minúcias, Dardeau viu e disse: “Esse programa é para 10 anos, e o nosso curso dura três meses!”

Comecei a trabalhar efetivamente no dia 8 de agosto de 1954, como professor de tempo parcial, embora minha contratação date do dia 1º. Logo depois a escola começou a se expandir, ainda sob a gestão do Dar- deau, que era o coordenador — naquela época não havia ainda o cargo de diretor. Conversando com as autoridades da Fundação, no Rio de Janeiro, ele começou a planejar um curso de bacharelado. Esse foi o segundo pro- jeto da escola. Comecei a me envolver também nesse curso, o que me exi- gia uma dedicação cada vez maior, e fui verificando que aquilo era mais ou menos o que eu queria como destino. Mas eu era de tempo parcial. Apenas os instrutores eram de tempo integral. Professor de tempo parcial, a rigor, não era uma carreira: eram profissionais trazidos do mercado de trabalho para ajudar a escola a se implantar.

Em 1955 Dardeau deixou a coordenação da escola e o dr. Simões Lopes nomeou para o seu lugar o Flávio Penteado Sampaio, já com a de- signação de diretor. Essa foi uma fase em que se completaram os ensaios de institucionalização da escola: criaram-se departamentos reunindo dis- ciplinas afins, instituíram-se os cursos semestrais e puseram-se em prática outras idéias pioneiras. Criou-se também o conselho de administração da escola e um regimento. Começamos a buscar nossa cidadania junto ao Conselho Federal de Educação.98

Se eu tivesse que definir a escola dessa época em uma nota de ro- dapé, diria que ela passou a ser socialmente respeitada em São Paulo, seja pelo prestígio do dr. Simões, seja pelo caráter novo trazido pelos america- nos. As famílias mais tradicionais, os clãs industriais, começaram a mandar seus gerentes e diretores para o curso intensivo, e seus jovens para o curso universitário. Como a escola tinha esse prestígio e fazia um bom trabalho, as demais começaram a vê-la como adversária na captação de clientela, e isso se tornou um outro ativo importante para nós. O jovem paulista começou a nos colocar na lista das suas opções, ao lado de medicina, direito, engenha- ria, sociologia etc. Passamos a ser uma espécie de grife. Aliás, a marca “GV”

98 O curso de administração de empresas da EAESP foi reconhecido pelo Conselho Federal de Educação em 1962.

foi inventada pelos próprios jovens, que a estamparam em camisas, bonés etc. Ficamos conhecidos como “GV”, e não como Fundação Getulio Vargas.

Desde o começo — e talvez esse seja o seu grande encanto — nós vimos na escola um projeto em que se podia apostar: nenhum de nós ima- ginava que pudesse não dar certo, e cada um ali se articulava com enor- me grau de liberdade. Isso gerou um clima extremamente adequado para a prosperidade da instituição, mas também para a emergência de confli- tos, porque não havia a figura do chefão. Mas as dissensões eram abso- lutamente toleráveis. Uma delas, em 1963, esbarrou na direção do Flávio Sampaio, não me lembro por quais razões.

Foi nesse momento que o senhor se tornou diretor da EAESP, não? Angarita — Sim. Flávio sabia que eu tinha trânsito livre e fácil com

todos os colegas e, para resolver a questão, me convidou para ser seu vice. Argumentei que era professor de tempo parcial, tinha a minha banca de advocacia, meus compromissos profissionais. Ele me perguntou se eu o au- torizava a conversar sobre o assunto no Rio de Janeiro, e respondi que sim. Àquela altura estava cada vez mais claro para mim que a coisa que me dava mais prazer era a escola. Meu escritório começou a ter menos peso na minha emoção pessoal. Flávio falou com o dr. Simões Lopes e com o dr. Alim Pedro, que na época era diretor executivo da Fundação, e eles aceitaram me passar para tempo integral, para eu poder ser vice-diretor. Aquilo foi previsto para acomodar uma situação embaraçosa, mas não deu certo. O mal-estar do corpo docente em relação ao Flávio já havia contami- nado um pouco a missão americana. Acabou-se encontrando uma solução: Flávio aceitou o convite de uma universidade na Bélgica para continuar seus estudos de sociologia industrial e eu assumi a diretoria da escola. Apesar dis- so, continuamos bons amigos até ele morrer, velhinho.

Fui portanto colocado na direção da escola em 1963 para acomodar uma crise de convivência, e tínhamos que pensar em saídas. Contávamos no Rio com o professor Luiz Alves de Mattos, compreensivo e experiente, com o qual conversávamos de mente aberta. Começamos então, um pouco por idéia minha, a pensar em implantar o princípio da lista tríplice para a escolha do diretor da escola, o que era tradição na universidade brasileira, mas uma enorme novidade para a Fundação no Rio. O dr. Simões, por seu temperamento e por sua história, acreditava em tudo menos em lista trí- plice. Foi uma boa guerra de argumentos. O dr. Luiz Alves de Mattos foi um aliado corretíssimo e, no fim, o dr. Simões aceitou. Graças a isso Gus- tavo de Sá e Silva tornou-se o primeiro diretor eleito.

Gustavo era um homem muito ligado aos americanos, no bom sen- tido, e sua liderança começou a surgir impetuosamente. Foi diretor por

seis anos, eleito duas vezes. Quase todo o tempo em que Gustavo foi di- retor, fui chefe do Departamento de Ciências Sociais, que aglutinava as disciplinas de direito, ciência política, psicologia, sociologia e economia. Tivemos professores muito bons, como Wilmar Farias, Maria Victoria Be- nevides e Celso Lafer, que voltava de Cornell com seu doutoramento sobre o Plano de Metas do Juscelino e sua Hanna Arendt na cabeça e no co- ração. Depois deu-se a cisão do Departamento de Economia, por iniciativa do Bresser Pereira e do Ary Bouzan, que morreu precocemente.

O senhor ainda era diretor da EAESP em 31 de março de 1964. Como foi esse dia na escola?

Angarita — Foi um dia atrapalhado, houve uma comoção muito

grande. O presidente do diretório dos estudantes era Eduardo Suplicy. Houve assembléia, correria pelos corredores, discursos, manifestações. Mas a revolução só entrou lá posteriormente, em 1979, quando a escola se tornou o quartel-general da UNE.

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Instituir e manter cursos de administração stricto sensu na Fundação Ge- tulio Vargas criou problemas com os economistas?

Gustavo Silva — Sou bacharel em ciências econômicas, de maneira

que me sinto muito à vontade para falar dos economistas. Desde o começo a Fundação e a Escola de Administração de Empresas de São Paulo enfren- taram dificuldades com os economistas. No Rio de Janeiro, segundo o dr. Si-

Benzer Belgeler