A análise tomará por base as propostas referentes ao vetor Amazônico do PNLT, em função de ter sido a principal peça de planejamento do período, e por contemplar todas as obras constantes nos PPA 2004-2007 e 2008 – 2011.
QUADRO 7.1: Indicadores de entrada e saída do planejamento
Fonte: PNLT/2007
Nesta primeira análise verifica-se que há uma previsão de manutenção do PIB regional em proporção ao nacional, saindo de 3,45% em 2002 para 3,46% em 2023, o que não aponta para a propagada idéia de combater as desigualdades regionais. O aumento populacional, embora moderado, de 4,24% para 5,62% em relação à população brasileira, eleva a densidade de 2,19 hab./Km para 3,65, indicando um aumento de 60% na densidade populacional o que pode representar o avanço da ocupação humana na região, elevando a necessidade de maior fluidez dos transportes e, por conseguinte, uma melhoria na infraestrutura.
Para analisar os incrementos e melhorias na infraestrutura exigidos pela análise anterior, faz-se observando o Quadro 7.2 apresentado a seguir, que mostra de que forma serão realizados os investimentos nos quatro períodos considerados pelo plano e as distribuições dentro dos vetores logísticos e nos diversos modais.
Quadro 7.2: Indicadores de investimentos totais e resultados na matriz de transporte
Uma primeira análise é apresentada quando se verifica os indicadores levantados para fins do planejamento e os resultados prospectados em 2003, considerando a aplicação dos investimentos sugeridos em todos os períodos, conforme demonstra o Quadro 7.1 ao lado.
Fonte: PNLT/2007.
Há um acréscimo nos investimentos no período de 2008 a 2011, porém, há uma redução drástica a partir de 2012, acompanhada de um retorno aos patamares anteriores a partir de 2015, quando sugere um investimento de 72.700 milhões para os primeiros quatro anos, reduzido para 28.573 milhões para os quatro seguintes e de 71.141 para os últimos oito anos. Os números apresentados não permitem entender a busca de equilíbrio da matriz de transporte, dado que o modal hidroviário contempla apenas 7,4 dos investimentos, contra 43,0% do modal rodoviário e 29,4% do ferroviário, ou seja, é muito mais provável a modificação sugerida na atual matriz de transportes não se efetive.
Neste caso, a proposta inicial de alcançar os níveis de 33% rodoviário, 32% ferroviário, 29% Aquaviário, 5% dutoviário e 1% aéreo em 2023, como está explícito no PNLT, só se explicaria com investimentos diferenciados a partir de 2016.
Quadro 7.3: Indicadores de investimentos no Vetor Amazônico de 2008 a 2011.
Fonte: PNLT/2007
Neste quadro verifica-se que os investimentos previstos para o vetor amazônico estão ainda mais centrados no modal rodoviário, com 56,3% e de 35% no modal hidroviário, adicionado de 5,2% na infraestrutura portuária. Também é possível verificar que o investimento total para o vetor amazônico representa apenas 9,9% dos investimentos nacionais.
O quadro acima indica que, embora em percentuais muito menores que os rodoviários, os investimentos totais no setor hidroviário atingiriam um percentual de 40,6 considerados os 35,4% de hidrovias adicionadas aos 5,2% em infraestrutura portuária, o que seria um avanço significativo em termos de investimentos neste modal.
7.4.2 Análise das Políticas de transportes e de seus resultados no período
Ao se analisar o detalhamento dos investimentos para o período de 2008-2011, no vetor amazônico encontra-se:
Quadro 7.4: Detalhamento dos investimentos no vetor amazônico de 2008 a 2011.
Fonte: PNLT/2007
Através deste detalhamento percebe-se que os investimentos em hidrovias no período restringem-se à construção das eclusas do Rio Madeira em Rondônia, e que os investimentos correspondem a apenas 13,9% dos investimentos totais previstos para o vetor, ficando o modal rodoviário com 78,2% dos investimentos. Não bastasse essa disparidade, as obras das hidroelétricas encontram-se em fase inicial, sem qualquer previsão de construção das referidas eclusas.
Os investimentos previstos para o período de 2012 – 2015 foram assim detalhados:
Quadro 7.5: Detalhamento dos investimentos no Vetor Amazônico de 2012 a 2015
No detalhamento deste período constam os investimentos em hidrovias também destinando, em sua quase totalidade, para as eclusas do Rio Madeira, com 1.8000.000 (mil R$), sendo destinando 115.000 (mil R$) para navegabilidade do sistema fluvial Solimões/Amazonas o que significa que pouco será feito em função do valor alocado.
Os investimentos previstos para o período de 2015 – 2023 estão assim detalhados:
Quadro 7.6: Detalhamento dos investimentos no Vetor Amazônico de 2015 a 2023
Fonte: PNLT/2007
Neste detalhamento os investimentos no período dos últimos oito anos do plano serão maiores no vetor hidroviário, correspondendo a 55% dos investimentos total do vetor. Porém, quando se analisa o valor destinado para as diversas ações, percebe-se que só a hidrovia Teles Pires – Juruena – Tapajós receberá recursos em valores significativos 1.428.750 (mil R$), o que significa mais de 60% de todos os recursos destinados no período.
Ao se considerar apenas o que está no detalhamento das ações, em função dos investimentos previstos no modal hidroviário, percebe-se que as ações propostas para modal no vetor Amazônico não atenderá à Amazônia como um todo, pelo contrário, há evidências claras de que as ações atende ao interesses do sistema IISA, aos interesses do setor agroindustrial e aos interesses do sistema elétrico brasileiro.
Nesta análise anteriormente apresentada, trata-se apenas do planejamento, porém já é o bastante para se perceber distorções entre as diversas fases do próprio planejamento, como os prospectos do planejamento inicial e os delineamentos das ações que deveriam levar ao atingimento dos resultados prospectados. Embora se elogie o fato de se ter um
planejamento de médio e longo prazo, suas informações ainda apresentam inconsistências em relação aos resultados esperados.
Na análise das obras efetivamente executadas, percebe-se que o setor rodoviário continua privilegiado, houve obras nas seguintes rodovias: BR – 156/AP; BR – 158, 163, 242 e 364/MT; BR – 230/PA; BR – 319/AM e BR – 317 e 364 – AC. Embora não tenham sido realizadas todas as obras previstas, o investimento na malha rodoviária da Amazônia foi significativo, gerando benefícios para as operações logísticas na Região. Na área dos portos, foram executadas obras de melhoria nos portos de Vila do Conde (PA) e Itaqui (MA) no Maranhão.
7.5 A análise dos efeitos das Políticas de transportes nas operações logísticas e no