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3. BULGARİSTAN'IN BAĞIMSIZLIĞI SONRASI YAŞANANLAR

3.2. I. Dünya Savaşı Dönemi

O aumento exponencial da necessidade de vigilância nos teatros de operações modernos torna óbvia a dependência, e desde logo a proliferação de UAS. Os comandantes no terreno desejam imagens em tempo real com resolução suficiente que permitam antecipar as ações inimigas, em particular na prevenção contra os IED, que constituem a maior fonte de baixas no Afeganistão. Por outro lado, o número de baixas nas guerras entre Estados tem diminuído desde a criação das Convenções de Genebra. Tal indicador poderá ser atribuído, em parte, à crescente letalidade de precisão, típica do modo americano de fazer a Guerra. Contudo, essa melhoria na discriminação e proporcionalidade do instrumento militar tem custos cada vez mais elevados, em particular quando consideramos os conflitos limitados. Assim, a procura ocidental por soluções tecnológicas mais avançadas introduziu aumentos de complexidade e de custo no desenvolvimento dos sistemas de armas modernos.

76 As funções não afetadas são: navegação e posicionamento; transporte espacial; serviços

O míssil Tomahawk tem-se tornado uma arma de eleição nos conflitos modernos. Apenas na Líbia, a Marinha americana disparou mais de 200 Tomahawk de 19 março a 5 de agosto, data em que perfez o disparo do míssil número 2.000 desde a sua introdução em combate. Tomando como exemplo a Líbia, e o preço estimado de 607.000 USD cada, verificamos que Marinha disparou, nesse curto período, mísseis no valor de 121 mUSD (Defense Tech, 2011a). Se considerarmos os custos dos sistemas de armas tripulados, podemos compreender esse efeito financeiro avassalador. Por exemplo, o programa F-35 Joint Strike Fighter, certamente o programa militar- industrial mais dispendioso da história, continua a derrapar perigosamente nas metas estabelecidas (US GAO, 2012a). Com um atraso superior a seis anos, e com um custo de aquisição de quase 400 bUSD, para um número total previsto superior a 3.000 aeronaves (2.457 apenas para os EUA). O custo atual estimado por aeronave duplicou os valores estimados em 2001, ultrapassando já 161 mUSD. Para além disso, o custo de operação e manutenção ao longo do ciclo de vida (50 anos) ultrapassa 1 tUSD. Caso o número de aeronaves encomendadas seja reduzido, isso fará aumentar os preços unitários, à semelhança do que aconteceu com o sistema mais avançado em serviço, o F- 22, onde a redução da encomenda inicial de 750 F-22 para 183 fez disparar os preços por unidade de 149 mUSD para 342 mUSD (The Economist, 2011). Tendo em consideração os custos astronómicos dos programas tripulados existentes e as ameaças previstas para o combate futuro, vislumbra-se que o F-35 seja provavelmente a última aeronave de ataque tripulada construída pelos EUA. Estamos por isso num ponto de transição para o futuro da aviação, em que se terá de decidir quais as funções desempenhadas por aeronaves tripuladas ou UAS.

A noção de que a operação de UAS poupa recursos terá de ser colocada em perspetiva, uma vez que as poupanças associadas com os UAS dependem do tipo de sistema, da missão para o qual é empregue, configuração e tipo de efeitos desejados. Os sistemas portáteis, táticos, têm custos de aquisição e operação bastante inferiores a aeronaves ligeiras. À medida que vamos subindo nas capacidades disponibilizadas, sensores, armamento e operação BLOS, também o custo sobe exponencialmente. Não podemos esquecer que um UAS é algo mais do que a simples plataforma (UAV). Ou seja, comparar o custo de uma aeronave tripulada com um UAV é enganador, na medida em que o UAV apenas é capaz de desempenhar a sua função operacional como parte de um sistema mais abrangente, nomeadamente, do elemento humano e de sistemas de

comunicações e de C2. Ao contrário de uma aeronave tripulada, os elementos de apoio são pré-requisito essencial para a operação do UAS.

Os preços variam dos 50.000 USD do sistema portátil Wasp III, aos 20 mUSD do sistema Predator, aos 26 mUSD do Reaper, até aos mais de 100 mUSD por unidade do sistema Global Hawk (Foust et al., 2012:4). Se considerarmos os custos de desenvolvimento e o número de plataformas produzidas, obtemos um valor por unidade de 28 mUSD para o Reaper e 218 mUSD para o Global Hawk.77 Em suma, podemos estabelecer uma relação direta entre os tipos de missões desempenhadas por um UAS e os requisitos implícitos de endurance, velocidade, altitude e carga (sensores/armamento). Isto porque, o aumento de capacidades e relevância operacional está normalmente associado a maior peso, tamanho e potência da plataforma aérea, o que na prática se traduz na dilatação do custo global do sistema.

É possível compreender que a visão sedutora de uma plataforma descartável parece não refletir o panorama atual e perspetivas futuras, pelo menos no que diz respeito aos UAS de Classe 2 e 3. O emprego de plataformas descartáveis, cuja destruição é suportável ao nível dos custos financeiros, e acima de tudo humanos, rapidamente as tornou recursos de elevada procura/baixa disponibilidade, obrigando à priorização do seu emprego. A par do valor operacional acrescentado, fruto de uma gama mais abrangente de missões, também o valor financeiro aumenta ao ponto de se arriscarem vidas humanas para recuperar UAV danificados, demasiado valiosos, ou cuja tecnologia importa manter secreta (Geete, 2009). O caso recente da perda de um RQ- 170 Sentinel, por causas ainda não divulgadas oficialmente, e a sua captura pelo Irão, acrescenta desafios importantes na transferência de tecnologia de ponta.

Apesar dos esforços do Pentágono, ainda não existe um equilíbrio entre a procura e a oferta. Esta procura ultrapassa a resposta do processo tradicional de desenvolvimento e aquisição de capacidades militares, obrigando ao emprego operacional de sistemas que não foram sujeitos ao processo normal de maturação tecnológica. Este pensamento, refletido nas indicações do Secretário de Defesa Robert Gates, de que seriam preferíveis soluções de 75% ao longo dos anos do que esperar por soluções ótimas, deu o mote para proliferação de UAS (Drew, 2009). De igual modo, o

77 Desde 2001 que os custos com o programa Global Hawk mais do que duplicaram, atingindo os 218

mUSD por cada um dos 55 sistemas produzidos (inclui sensores e custos de desenvolvimento) (Drew, 2011).

Congresso alterou o pressuposto de aquisição de novos sistemas. Em vez de fomentar a aquisição de UAS para executarem as mesmas atividades das aeronaves tripuladas, apoiou o seu desenvolvimento para emprego nas tarefas militares que não obriguem a presença de tripulação (Gertler, 2012:10).

Este princípio político orientador aponta para o desenvolvimento de tecnologias e introdução de sistemas de armas que sejam acessíveis, versáteis e relevantes tanto para o combate atual, como para as ameaças futuras mais prováveis (Gates, 2011). Seguindo esta racional, foram cancelados ou revistos programas que ultrapassavam de forma flagrante o orçamento previsto, sofriam atrasos excessivos, estavam dependentes de tecnologia não comprovada, forneciam capacidades nicho que poderiam ser satisfeitas por outros meios, ou que simplesmente não passavam no teste de senso comum, permitindo a poupança estimada de mais de 300 bUSD.78

Para além disso, desafios como a comunalidade dos sistemas dos vários utilizadores e a obtenção de eficiências no desenvolvimento, produção, operações e apoio, são críticos para o controlo dos custos e emprego de meios interoperáveis e fiáveis. De modo geral, os vários utilizadores militares do DoD estabelecem requisitos únicos para a sua área de atuação, esquecendo oportunidades para alcançar maiores eficiências. A comunalidade tem apenas existido ao nível das plataformas de voo, esquecendo a carga ou estações de controlo, levantando preocupações acerca da duplicação e ineficiências. Igualmente, os custos de desenvolvimento têm derrapado mais de 3 bUSD das estimativas iniciais (mais de 37%). Desta forma, muitos dos programas ultrapassaram custos, tiveram atrasos e falhas de desempenho (Sullivan, 2010). Como esperado, a austeridade está também a chegar ao orçamento de defesa americano, obrigando a uma reconsideração dos investimentos, mesmo nos UAS. Por exemplo, a decisão de cancelar a aquisição de 18 Global Hawk em favor da operação da aeronave tripulada U-2 com mais de 50 anos, permite alcançar uma poupança de 2,5 bUSD durante a vigência do programa (Schwartz, 2012).79

Em suma, a utilidade dos UAS tem um preço associado à sua aquisição, sustentação e operação, que em certos casos pode ultrapassar um sistema de armas

78 Desde o Future Combat System do Exército orçado em 200 bUSD, até um sistema de defesa antimíssil

com recurso a aeronaves 747 equipadas com laser (Gates, 2011).

79 No entanto, à data deste estudo ainda não existe uma decisão clara acerca do cancelamento da produção

da versão Block 30 do Global Hawk. Até porque existe interesse de alguns países, como a Austrália, em adquirirem esta capacidade.

tripulado de última geração. Caso esta tendência de aumento de custo se mantenha, os UAS tornar-se-ão demasiado dispendiosos para serem expostos a riscos elevados, negando a principal vantagem tática que levou à proliferação destes sistemas. Apesar disso, considerando os preços dos UAS atuais e o contexto de crise financeira, as operações com UAS oferecem uma oportunidade relativamente acessível de emprego do Poder Aéreo, mesmo a nações com recursos mais escassos, em alternativa à aquisição de sistemas tripulados de última geração com custos unitários proibitivos. Adicionalmente, o emprego de UAS em substituição do uso de aeronaves tripuladas (caças)80 em tarefas que não requerem velocidade e manobrabilidade, como por exemplo CAP em conflitos irregulares, pode contribuir para preservar a vida útil destes sistemas.

2.3.2 Atrição operacional