2.6. Ahiret İnancı
2.6.1. Dünya Hayatı
A análise dos dados do segundo encontro ocorreu a partir da aplicação da terceira etapa do método deliberativo (deliberação sobre os deveres). Ou seja, foram analisados os discursos dos participantes do encontro, em relação aos passos apresentado no procedimento deliberativo, referente à identificação dos diferentes cursos de ação intermédios, propostos pelo enfermeiro sobre o caso.
Conforme proposto no estudo de Zoboli (2010), a partir dos valores em conflito delineados no “caso-conflito”, foram dispostos os dois cursos de ação extremos, previamente determinados pela pesquisadora na elaboração do caso fictício, que são: por um lado, denominado como “X” referente a “elaborar a listagem considerando os 10% de desligamentos de pessoal” e por outro lado o nomeado com a letra “Y” referente à “aumentar a supervisão a fim de garantir uma assistência de enfermagem segura” (Figura 11).
Curso de ação é entendido como cada uma das alternativas de solução para o caso. De modo que, na identificação dos cursos de ação extremos os valores em conflito devem estar dispostos em dois polos oposto e cada um corresponde a um curso de ação extremo. Ao optar por um dos valores em conflito e realizá-lo, ocorrerá o aniquilamento do outro (Zoboli, 2010). Assim, por meio dos dados empíricos dos discursos se buscou as alternativas que os participantes argumentaram como justas, perante a situação, com base na ótica da metodologia da Teoria de Deliberação Moral de Diego Gracia, frente à problemática ético- gerencial de enfermagem na área hospitalar, apresentada no “caso-conflito”.
Figura 11. Apresentação dos cursos de ação extremos a partir dos valores em conflito no caso.
Após a análise foram realizados os agrupamentos temáticos e dos outros discursos isolados, que constituíram os cursos intermédios de ação. Foram identificados neste caminho 17 cursos de ação intermédios diferentes, através das unidades de registro recortadas dos relatos dos enfermeiros, que foram codificados com letras maiúsculas, em ordem alfabética, conforme dispostos no Quadro 3. (Apêndice G).
Prestar assistência de enfermagem segura.
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Atender ordem institucional de redução de quadro de pessoal para viabilizar a sobrevivência financeira do hospital. VALORES EM CONFLITO Elaborar a lista de desligamentos de pessoal de10% do quadro. Aumentar a supervisão nos aspectos que envolvem a qualidade da assistência.
Quadro 3: Apresentação dos cursos de ação indicados pelos enfermeiros referente à situação do caso-conflito.
CURSO DE AÇÃO ENFERMEIROS
A Negociar, dialogar e explicar à Diretoria do Hospital os riscos relacionados ao corte de pessoal de enfermagem.
Violeta.1 Azaléia 1 Girassol 1 Hortênsia. 3
B Planejar, documentar e mostrar à Diretoria do Hospital a importância de manter o quadro de enfermagem adequado.
Hortênsia 1
C Negociar com a Diretoria do Hospital. Tulipa 1 D Desativar leitos hospitalares, no caso de corte de
pessoal de enfermagem.
Violeta 2 E Buscar amparo legal para manter o
dimensionamento adequado da equipe de enfermagem, acionando Coren, Defesa Civil e Ministério Público.
Tulipa 2 Girassol 2 Orquídea 1
F Documentar para a Diretoria do Hospital qual seria o dimensionamento da equipe de enfermagem, a fim de justificar porque não deve assumir os riscos.
Orquídea 2
G Documentar os fatos relativos à assistência de enfermagem e intercorrências para ciência da Diretoria do Hospital.
Violeta 4, Dália 3 Tulipa 3 H Documentar que a manutenção do quadro de
pessoal acarreta menor custo e maior qualidade da assistência de enfermagem.
Azaléia 2 Hortênsia 2 I Propor reuniões periódicas com a Diretoria do
Hospital a fim de apresentar indicadores de enfermagem que justifiquem a necessidade de manutenção do quadro de pessoal.
Girassol 3
J Ressaltar junto à equipe sobre a importância da documentação atualizada com o objetivo de defender o serviço.
Girassol 4
K Avaliar o rendimento e a motivação da equipe de enfermagem quanto à produtividade, no caso da redução de pessoal.
Tulipa 6 Girassol 5 L Informar-se sobre os problemas de pagamento ao
hospital por parte das operadoras de saúde
Orquídea 6 M Investigar as falhas de enfermagem, pois os erros
podem aumentar com a diminuição do quadro de pessoal.
Orquídea 7
N Apresentar a Diretoria do Hospital outras formas de redução de custos.
Girassol 6, Dália 7 Azaléia 4, Orquídea 9 O Compartilhar a tomada de decisão com a equipe de
enfermagem.
Violeta 10, Tulipa 8 Orquídea 8 P Evidenciar para a Diretoria do Hospital a
importância do trabalho da enfermagem na assistência.
Girassol 8
Q Solicitar desligamento do hospital e comunicar o COREN para futuras providências, no caso da saída Responsável Técnica.
Tulipa 5 Violeta 11 Copo de leite 2.
Com o propósito de identificar as tendências dos cursos de ação indicados pelos enfermeiros apresentados no quadro 3, esses cursos de ação intermediários, (codificados por letras do alfabeto), foram dispostos visualmente em uma escala linear. Os cursos de ação extremos do “caso-conflito” foram posicionados nas duas extremidades opostas dessa escala linear (X e Y) e o curso intermédio foi posicionado no centro da escala. Assim, após da análise interpretativa do ato proposto, em cada curso de ação intermédio, os mesmos foram distribuídos nessa escala linear conforme o suas tendências. Dessa forma, (gráfica) foi possível visualizar se as alternativas intermédias propostas pelos enfermeiros apresentaram tendências para pontos extremos (X e Y) do caso-conflito ou se aproximaram do curso médio, isto é, ações que se encaminhavam para a prudência (Figura 12).
Através dessa escala linear (Figura 12) foi possível verificar que a maioria dos cursos de ação (um total de 11) concentrou-se entre o extremo “Y” e o curso médio, portanto as ações tendenciaram para a “manter a segurança na assistência de enfermagem, através da supervisão e vigilância no cuidado ao paciente”, ou seja, direcionados para o valor do cuidado. Nota-se, desse modo, que os depoentes relataram como prioridade em seu processo de trabalho que as alternativas para a tomada de decisão envolvem a prestação do cuidado seguro na enfermagem, mesmo quando esse se apresenta coibido de alguma forma, devido a questões oriundas da realidade da organização, como a preocupação com os custos hospitalares.
Nesta tendência (lado “Y”) percebe-se que alguns cursos de ação tenderam a aproximar-se mais do curso médio, como: compartilhar as alternativas com a equipe e encorajar a diretoria do hospital a utilizar outros recursos para conseguir a redução de custos na instituição, por meio, por exemplo, de economia na gestão de recursos materiais, conforme se verifica nos cursos de ação, posicionados pelas letras “O” e “N” respectivamente (Figura 12).
Observa-se, ainda que alguns cursos de ação tendenciaram para o ponto mais extremo do curso Y, evidenciado ao proporem ações como: desativar leitos hospitalares, no caso da ocorrência de desligamento de pessoal (curso de ação D) e buscar amparo legal para manter o dimensionamento adequado junto aos órgãos de representação da enfermagem e da área da saúde (curso de ação E) (Figura 12).
Destaca-se também entre as ações que tendenciaram a aproximar-se em direção ao curso médio, a importância manifestada pelos enfermeiros, no que diz respeito à documentação em enfermagem em geral. Reforça-se a necessidade do enfermeiro-gerente estar respaldado, por meio dos registros da enfermagem, além de relatórios, comunicados, entre
outros, como forma de comprovação e argumentação para a Diretoria do Hospital, frente à conflituosa situação de redução de pessoal de enfermagem para o alcance de uma assistência de enfermagem adequada, conforme se verifica nos cursos de ação representados pelas letras “H”, “F”, “G” e “B” (Figura 12).
Ainda sob a perspectiva da documentação em enfermagem, porém se aproximando do ponto do curso extremo “Y”, tem-se a ação que se apresenta como: ressaltar para a equipe sobre a importância da documentação atualizada com o objetivo de defender o serviço de enfermagem, conforme descrito no curso de ação da letra “J” (Figura 12).
Nota-se ainda, nos cursos de ação, a necessidade dos enfermeiros-gerentes em mostrar à alta cúpula administrativa hospitalar a importância e o valor do Serviço de Enfermagem na organização de saúde, envolvendo o corpo diretivo do hospital através de reuniões, tendo em vista, obter aproximação e respeito da diretoria ao provar domínio do seu conhecimento, como se observa nos cursos de ação designados nas letras “I” e “P” (Figura 12).
Por outro lado, na escala linear do lado do curso extremo da letra “X”, referente a elaborar a lista com 10% do quadro de pessoal para ser desligado, verifica-se cinco cursos de ação distintos. Com uma pequena tendência para um dos pontos mais próximo ao extremo do curso de ação “X”, denota-se o curso de ação da letra “C”, que se refere: negociar com a diretoria do hospital ( Figura, 12)
Outro caminho que surgiu na mesma tendência (Curso de ação “X”) foi: identificar as causas dos problemas de pagamento ao hospital por parte das operadoras de saúde (Curso de ação “L”). Esse curso de ação denota a preocupação sobre a arrecadação financeira do hospital, em que emerge a necessidade de se verificar as causas da ausência de pagamento ser decorrente da falta de registro no gasto de material, por exemplo (Figura 12).
Todavia, neste mesmo lado da escala linear, mais próximo do curso médio, surgiram cursos de ação como: avaliar o rendimento e motivação da equipe de enfermagem quanto à produtividade, no caso de redução de pessoal (curso de ação “K”); investigar as falhas de enfermagem, pois os erros podem aumentar, com a diminuição do quadro de pessoal (curso de ação “M”); negociar, dialogar e explicar à Diretoria do Hospital os riscos relacionados ao corte de pessoal de enfermagem, conforme descrito no curso de ação da letra “A” (Figura 12).
Também surgiram relatos em que se observa curso de ação que não tendenciaram para nenhum dos dois cursos extremos “X” ou “Y”, assim, descrito como: solicitar desligamento do hospital e comunicar o COREN para futuras providências, no caso da saída do Responsável Técnico, como verificado no curso de ação representado pela letra “Q” (Figura 12).
Figura 12 - Tendência dos cursos de ação para tomada de decisão a partir dos discursos dos enfermeiros
NOTA: A altura das setas não têm nenhum significado na análise, foram dispostas somente para melhor visualização e organização estética da figura.
6.4.1.2.2 Discussão do segundo encontro – Tomada de decisão frente a conflitos éticos na