2.2. Allah İnancı
2.2.6. Allah’ın Azabı
ESTUDO
Os enfermeiros na sua atuação no gerenciamento do serviço de enfermagem hospitalar, ao exercer suas atividades, apresentam, por vezes, dificuldades oriundas da complexidade e amplitude das atribuições de seu cargo. Ao mesmo tempo em que a posição lhe confere a autoridade e o poder de tomar decisões sobre as mais diversificadas áreas de atuação na enfermagem lhe é atribuído uma responsabilidade sobre seus atos em sua função. Segundo Schermerhorn Jr. (2007), além disso, o trabalho gerencial é nitidamente ocupado, exigente e estressante em todos os níveis de responsabilidade e em qualquer ambiente de trabalho, pois em geral, trabalha-se por muitas horas, em um ritmo intenso, com tarefas variadas e fragmentadas, com a utilização de muitos meios de comunicação e através de diversificadas relações interpessoais.
Servindo como preceitos para guiar os atos gerenciais, as organizações fornecem, em geral, duas categorias de informações, sendo que, a primeira está escrita em manuais de políticas, de regras e de procedimentos e códigos de ética profissional e a segunda, denominada de cultura organizacional, refere-se aos valores adotados na instituição (Toffler, 1993). Apesar dos atos gerenciais estarem apoiados em normas institucionais ou códigos vigentes, ocorre que, muitas vezes, dependendo da problemática presente, esses instrumentos são insuficientes ou não conseguem respaldar e direcionar as ações gerenciais.
Várias são as ações de coordenação com o objetivo de conduzir a equipe e viabilizar o trabalho para a obtenção de uma assistência de enfermagem de qualidade. Dentre essas ações inclui-se a mediação de conflitos gerenciais. No gerenciamento de conflitos, na ciência administrativa, segundo Ciampone e Kurcgant (2010), quatro estratégias podem ser utilizadas: a acomodação, em que se busca harmonizar a situação por encobrimento do problema na tentativa de superficializá-los; a dominação, em que o exercício do poder é levado ao extremo, sendo que uma das partes (considerada a mais forte) se impõe sua solução sobre a outra; a barganha/compromisso, em que cada parte cede a fim de se resolver o conflito, entretanto gera dívidas em relação à outra parte; a solução integrativa dos problemas, em que se objetiva satisfazer as partes através de soluções alternativas.
Todavia, no bojo da responsabilidade do gerenciamento de enfermagem, surge a incorporação de valores como honestidade, compromisso, respeito, lealdade, liberdade, engajamento, entre outros, assim como, a realização de deveres também necessários para
subsidiar as ações, perante um agir e pensar ético no seu cotidiano. Na realização dessa função, o enfermeiro se depara com situações em que tais valores e deveres podem se apresentar em confronto gerando conflito ético.
A maioria dos problemas éticos surge quando algo a ser realizado ou alguma coisa agride a consciência pessoal. Para alguns se a ação ou o fato for considerado legal não há empecilhos, no entanto, para outros, isso vai além da legalidade vigente e a questão estende-se aos valores pessoais (as crenças e atitudes) que ajudam a determinar o comportamento. Como os valores são diferentes entre as pessoas, podem-se esperar também diferentes interpretações sobre fatos que inferem em conflitos éticos em uma dada situação (Schermerhorn Jr., 2007). Os valores, os deveres e o estilo operacional da organização (a cultura) exercem um potente efeito sobre o que os gerentes identificam como preocupações éticas em seu trabalho e como lidar com esses problemas. Muitas vezes, esses valores, deveres e o estilo operacional da organização são a causa, não intencional, dos conflitos éticos que surgem.
Assim, sentimentos de aflição, medo, culpa e arrependimento, em geral, acompanham as situações de conflitos éticos, portanto, os sentimentos que os agentes experimentam nessas situações parecem indicar que esses conflitos não somente são comuns, como frequentes (Nunes, 2010).
Na área gerencial as questões eticamente conflitantes podem aparecer sob diversas formas, como: conflitos entre dois ou mais valores pessoais, entre valores pessoais e de uma outra pessoa ou da organização, conflitos entre princípios e a necessidade de atingir um resultado almejado e o conflito de valores entre dois ou mais indivíduos ou grupos com os quais se tem alguma obrigação (Toffler, 1993).
Isso também ocorre porque nas organizações existem diferenças entre as responsabilidades das pessoas, dos colaboradores, dos consumidores e da instituição propriamente dita, configurando-se em um potencial para os administradores, em geral, vivenciarem conflitos. Os múltiplos papéis de responsabilidade na profissão de enfermagem aumentam ainda mais a probabilidade dos gerentes terem de enfrentar conflitos éticos em sua prática (Marquis, Huston, 2010).
O conflito moral (ético) surge quando o agente moral se encontra perante a uma “encruzilhada moral”, em uma situação de perplexidade subjetiva. O sujeito moral tem de escolher entre duas ou mais alternativas, entretanto, nenhuma delas está livre de problemas éticos. Também se admite conflitos morais em situações as quais é impossível honrar todos os valores (ou deveres) morais implícitos em uma situação concreta (Ferrer, Alvarez, 2005). São situações que fornecem ao gerente um curso de ação que, embora apresente um potencial
benefício pessoal e organizacional, ou até mesmo ambos, podem ser entendidos como potencialmente “não-ético”. Portanto, são situações em que as decisões devem ser tomadas, mas sobre a quais não há um consenso claro quanto ao que é “certo” ou “errado”. Assim, surge a responsabilidade (um peso) do gerente ao tentar realizar boas escolhas (Schermerhorn Jr., 2007).
Torna-se claro que os conflitos éticos não apresentam respostas certas definidas e que procurar uma resposta através de formulações simplistas como “isto ou aquilo”, pode resultar na pior consequência possível. Gerenciar situações eticamente conflitantes é um dos maiores desafios dos gerentes, pois requer, na realidade, a definição do problema e profunda análise da situação ética em conflito (Toffler, 1993).
Em uma época de recursos cada vez mais limitados na área da saúde e a presença de fatores como: mais tecnologia, pressões de regulação e competitividade entre os provedores de saúde, carências de enfermeiros no país, recursos financeiros reduzidos, espiral de custo de suprimentos e salários e aumento da desconfiança pública do sistema de saúde, aumenta mais a susceptibilidade de conflitos éticos, principalmente na área hospitalar (Marquis, Huston, 2010).
A partir da explanação apresentada denota-se, neste cenário, que emerge alguns dos propósitos deste estudo, que se detêm em identificar os conflitos éticos presentes no cotidiano dos enfermeiros com atuação gerencial e como esses conflitos são percebidos por eles. Pelas características burocrático-administrativas dessa ação gerencial, indaga-se sobre o modo com esses enfermeiros tomam decisões perante conflitos éticos, e o que levam em consideração, quais aspectos ou elementos são importantes para este tipo de decisão e quais seriam os caminhos ou alternativas utilizadas por eles.
Alinhavando essas questões e os assuntos discutidos, na tentativa de entrelaçar os temas: conflito ético, tomada de decisão e gestão em enfermagem, estimulou-se neste estudo buscar analisar reflexivamente, sobre o posicionamento dos enfermeiros no gerenciamento, enquanto agentes decisores, perante os conflitos éticos por eles vivenciados. Para isso, utilizou-se como base de análise, o procedimento da Teoria de Deliberação Moral, segundo o Bioeticista Diego Gracia, como referencial metodológico-conceitual deste estudo.
A discussão do presente estudo se propõe a contribuir para a melhoria da complexa e abrangente atividade gerencial em enfermagem. Avalia-se, neste sentido, que alguns enfermeiros podem apresentar sentimentos contraditórios e ansiedade na resolução de problemas que demandam tomadas de decisão mediante questões éticas. A abordagem desta temática é uma maneira de compartilhar as informações a respeito de um assunto pouco
explorado na literatura, e, ainda, ter a possibilidade de oferecer suporte oriundo dos resultados apresentados, através de mecanismos facilitadores e de posicionamentos críticos e reflexivos, no enfrentamento de situações éticas auxiliando, assim, a atuação dos enfermeiros em sua ação gerencial.