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2.2. Dünyada Finansal Okuryazarlık: Niceliksel Sonuçlar

2.2.1. Dünya Genelinde Finansal Okuryazarlık Projesi

De acordo com o catecismo (2000, p. 284), a morte se constitui como um fato natural por fazer parte do processo da vida, ela é imanente à condição humana, onde as mudanças acontecem, as pessoas envelhecem, e o fim último chega como término de uma jornada. O tempo é fundamentalmente importante, pois que recorda o cristão quanto à limitação de sua vida. A morte também é vista como consequência do pecado, muito embora o Criador tenha feito a criatura um ser mortal, este estava destinado a não morrer por desígnio de Deus. A morte corporal é tida como o “último inimigo” a ser vencido pelo homem.

Pela redenção de Cristo, a morte cristã passa a ter um sentido positivo. Dessa forma, a morte física passa a ser consumada pelo “morrer com Cristo”. Segue um trecho litúrgico da igreja que expressa com clareza a visão cristã acerca da morte. “Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível”. Deste modo, a morte é constituída pela separação da alma imortal e do corpo no plano terreno, posteriormente, serão reunidas na ressurreição dos mortos (cf. CNBB, 2000, p. 279, 283-285).

Segundo a tradição cristã, a pessoa humana é “Uno de alma e corpo” (Corpore et anima unus), ou seja, é um ser corporal e espiritual ao mesmo tempo. A alma é imortal, ela é o “princípio espiritual no homem”, ela anima o corpo, dá vida. Todavia, não se deve desprezar o corpo, ao contrário, deve honrá-lo, pois ele está destinado à ressurreição no fim dos tempos (cf. CNBB, 2000, p.104-105). Veremos abaixo um recorte do catecismo com relação à unidade destes dois princípios, o espiritual e o corporal.

A unidade da alma e do corpo é tão profunda que se deve considerar a alma como a “forma” do corpo; ou seja, é graças à alma espiritual que o corpo constituído de matéria é um corpo humano e vivo; o espírito e a matéria no homem não são duas naturezas unidas, mas a união deles forma uma única natureza (cf. CNBB, 2000, p.105).

O catecismo (2000, p.105-106) destaca também a questão da distinção entre alma e espírito. Contudo, a igreja afirma que “essa distinção não introduz uma dualidade na alma. “Espírito” significa que o homem está ordenado desde a sua criação para seu fim sobrenatural, e que sua alma é capaz de ser elevada gratuitamente à comunhão com Deus”. Sendo assim, a alma não perece como o corpo quando da separação dos dois. Na ressurreição, os dois princípios se unem novamente, só que agora num corpo transformado.

Uma questão muito discutida, tanto na teologia como na ciência, e que o catecismo traz à tona, é a respeito do que ocorre depois da morte.

Desde o início, a fé cristã na ressurreição deparou com incompreensões e oposições. Em nenhum ponto a fé cristã depara com mais contradição do que em torno da ressurreição da carne. Aceita-se muito comumente que depois da morte a vida da pessoa humana prossiga de um modo espiritual. Mas como crer que esse corpo tão manifestamente mortal possa ressuscitar para a vida eterna? (cf. CNBB, 2000, p. 281).

Para isso, a igreja elaborou respostas embasadas em sua teologia para comportar estas questões que desafiam a crença na ressurreição dos mortos. Para o catecismo (2000, p. 282), as questões do tipo: Como ressuscitam os mortos? “ultrapassa nossa imaginação e nosso entendimento, sendo acessível só na fé”. Todavia, ele oferece respostas quanto à questão da morte e da ressurreição dos mortos.

Com relação à ressurreição dos mortos, o catecismo (2000, p. 281), diz que na morte, o corpo cai na corrupção, enquanto que a alma vai ao encontro de Deus, esperando ser unida novamente a um corpo, só que este será um corpo de glória, um corpo incorruptível. A ressurreição está intimamente associada à parusia21 de Cristo, portanto, ocorrerá definitivamente no “último dia”, no fim dos tempos e na vida eterna, por obra da Santíssima Trindade. Todos devem ressuscitar, todavia, os que praticaram o bem em vida, “sairão para uma ressurreição de vida”, os que praticaram o mal, sairão para uma “ressurreição de julgamento”.

A doutrina católica crê firmemente na ressurreição dos mortos, para ela não existe outra concepção de um pós-morte. A ressurreição se configura como um elemento essencial da fé cristã, pois, conforme o catecismo, “Fiducia christianorum ressurectio mortuorum; illam credentes, sumus – A confiança dos cristãos é a ressurreição dos mortos; crendo nela, somos cristãos” (cf. CNBB, 2000, p. 279).

A igreja cristã também se manifesta quanto à doutrina da reencarnação22, ela é muito enfática quanto a esta outra concepção de pós-morte. Segue abaixo seu posicionamento, de acordo com o catecismo.

A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último. Quando tiver terminado “o único curso de nossa vida terrestre”, não voltaremos mais a outras vidas terrestres. “Os homens devem morrer uma só vez” (Hb 9,27). Não existe “reencarnação” depois da morte (cf. CNBB, 2000, p. 285- 286).

Crendo firmemente na ressurreição, a fé cristã crê firmemente na vida eterna. A partir do momento da morte, o homem possuidor de uma alma imortal, recebe uma retribuição eterna num juízo particular. Neste juízo, a vida do homem é posta em relação à vida de Cristo. Dependendo de sua conduta em vida, ele poderá passar por uma “purificação”; poderá “entrar de imediato na felicidade do céu”; ou poderá ser “condenado de imediato para sempre”(cf. CNBB, 2000, p. 288).

21 A Parusia de Cristo se refere ao seu retorno a terra para o julgamento final, ou seja, a sua segunda

vinda.

22 A reencarnação é a volta do espírito ao corpo físico, que poderá ser o mesmo corpo ou adquirir

A purificação a qual o catecismo (2000, p. 290) se refere, é o que a igreja chama de Purgatório. Esta doutrina de fé cristã foi formulada pela igreja, sobretudo no Concílio de Florença e de Trento realizados, respectivamente em, 1438 e 1546. O purgatório é a purificação final daqueles que, embora já tenham assegurado em vida sua salvação eterna, ainda precisam se purificar para obter a santidade necessária para entrar na felicidade do céu. A Escritura não fala abertamente do termo purgatório, mas o referencia como um fogo purificador. Exemplificaremos tudo isto com a seguinte passagem bíblica (1 Pd 1,7 – primeira carta de São Pedro, capítulo um, versículo sete):

Desse modo, a fé que vocês têm será provada como o ouro que passa pelo fogo. O ouro vai desaparecer, mas a fé que vocês têm, e que vale muito mais, não se perderá, até o dia da revelação de Jesus Cristo. Então, por essa fé, vocês receberão louvor, glória e honra (cf. CNBB, 1990, p. 1568).

“O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva”. Esta é a denominação para o termo Céu formulada pela fé cristã. A condição essencial para entrar nesse estado supremo é estar totalmente purificado dos pecados, que de acordo com a Escritura Sagrada, se poderá ver a Deus “tal como ele é”, “face a face”. Os termos utilizados na Escritura para remeter ao céu, geralmente são: luz, paz, casa do Pai, Paraíso, Jerusalém celeste, vida, festim de casamento (cf. CNBB, 2000, p. 288-289).

Já ao estado de Inferno, estão destinados todos aqueles que cometeram pecados gravíssimos contra Deus, contra o próximo e contra si próprio. Estes pecados graves são chamados de pecados mortais, a exemplo dos homicidas, suicidas, dentre outros. O arrependimento dos pecados, até mesmo dos pecados mortais, é condição indispensável para a comunhão com Deus. Portanto, nestes termos, o inferno é o “estado de auto exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados” (cf. CNBB, 2000, p. 291).

O homem peca por livre escolha, como já vimos anteriormente. Por isso, os ensinamentos da igreja chamam a atenção para o uso da liberdade com responsabilidade, vislumbrando o destino eterno. A igreja não só afirma a existência do inferno como também sua eternidade. Uma vez que o pecador morre, sua alma imediatamente desce ao inferno, onde sofrerão suas penas. O catecismo diz que a

principal pena imposta no inferno é a separação eterna de Deus, e Deus não predestina ninguém ao inferno, as ações do próprio homem é que o levam a experimentar o estado de inferno (cf. CNBB, 2000, p. 291-292).

O catecismo classifica a questão do pecado quanto à matéria grave e leve. O pecado de matéria grave tem como princípio a não observância dos “Dez Mandamentos”23 da lei divina, neste se enquadra o pecado mortal. Já o de matéria

leve está relacionado quando não se observa a medida prescrita pela lei moral24, esse é que constitui o pecado venial. O pecado para ser mortal precisa reunir três condições: ter como objeto a matéria grave; ter a plena consciência do pecado; e por fim, praticá-lo deliberadamente. O pecado venial não quebra a aliança com Deus porque é de natureza leve, sendo imputadas somente penas temporais (cf. CNBB, 2000, p. 497-498).

Conforme o catecismo (2000, p. 293-295), todos os pecados serão levados em conta no juízo final, que acontecerá no fim dos tempos. A ressurreição de todos os mortos antecederá esse juízo, que revelará o “sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação25”. O Reino de Deus atingirá a sua

plenitude com a renovação do universo e com os justos reinando com Cristo, agora com seus corpos glorificados. Neste novo universo, agora transformado, o projeto de Deus se realizará definitivamente. Esta nova condição é chamada pela Escritura Sagrada de “novo céu e nova terra” (Ap 21,1 – Livro do Apocalipse, capítulo vinte e um, versículo um).

Aqui vimos toda a concepção cristã acerca da morte e pós-morte segundo o Catecismo da Igreja Católica, pois que estas concepções aqui apresentadas estão referendadas na Sagrada Escritura desta doutrina. Obviamente que é correto pensar que a história da morte cristã exista desde o advento do Cristianismo, porém, nesse período da antiguidade, não houve mudanças significativas quanto ao tratamento da morte pelos cristãos, como também quanto à própria doutrina cristã acerca da morte,

23 Os Dez Mandamentos são assim classificados: 1° amar a Deus sobre todas as coisas; 2° não

tomar seu santo nome em vão; 3° lembrar-se do dia de sábado para santificá-lo; 4° honrar pai e mãe; 5° não matar; 6° não pecar contra a castidade; 7° não roubar; 8° não levantar falso testemunho; 9° não desejar a mulher do próximo; l0° não cobiçar as coisas alheias (cf. CNBB, 1990, p. 92-93).

24

A lei moral, segundo o catecismo (2000,p. 516), “supõe a ordem racional estabelecida entre as criaturas, para seu bem e em vista de seu fim, pelo poder, pela sabedoria e pela bondade do Criador”.

pois que seu pensamento evidenciado através de suas concepções de morte permanece até hoje. Por isso, optamos por nos concentrar no período da idade média passando pela moderna até os dias de hoje, porque esse período se destacou (quanto à postura diante da morte), tanto sobre a antiguidade como sobre os nossos dias.

Este período da história foi fundamentalmente importante para uma compreensão mais aprofundada sobre os comportamentos contemporâneos relativos à morte. Isto fica evidenciado nos escritos de autores renomados como Ariès, Vovelle, Morin, dentre outros. Estes autores optaram por estudar a morte no medievo por esse período representar um cenário fértil para o enriquecimento de suas pesquisas. Diante do acima exposto, achamos importante nos referirmos à morte só a partir da idade média, tanto para nos situarmos melhor na história como porque em decorrência disto, poderemos ter uma boa compreensão das posturas adotadas pelo cristão contemporâneo.

Visando dar pleno sentido à morte, os ritos católicos procuram cumprir uma função social através de seus funerais. Veremos logo a seguir, os ritos fúnebres desenvolvidos atualmente pela igreja católica, ritos estes que exprimem toda a crença e fé numa eternidade.

1.3. Ritos fúnebres: uma celebração da esperança

Segundo o catecismo (2000, p. 459), o funeral cristão se caracteriza por ser uma celebração litúrgica da igreja. Este ritual visa exprimir a comunhão eficaz com o defunto, ao mesmo tempo em que, através da presença da comunidade eclesial26, se anuncia a vida eterna, ressaltando a provisoriedade da vida humana. As exéquias demonstram a dimensão pascal da morte cristã, baseadas na crença e na fé quanto à ressurreição de Cristo.

Com a morte, o corpo corruptível se transforma em corpo incorruptível, assim como a mortalidade se converte em imortalidade pela ressurreição dos mortos. Apesar da crença na ressurreição, o cristão percebe a tragicidade da morte, isso faz