6. ULUSLARARASI MUHASEBE UYUMUNUN ÖLÇÜLMESİNE YÖNELİK BİR
6.1. Kavramsal Çerçeve
6.1.5. Dünya’da Uluslar Arası Muhasebe Standartlarına Uyum Süreci
Talvez a caracterização mais abrangente das fases daoistas segundo Miller (2008) seja o período denominado Daoismo moderno. Corroborando com o autor citado, Bokenkamp (2005, p. 2185) usa a mesma classificação para designar o Daoismo após era Táng, afirmando ser a partir daqui que os aspectos mais marcantes dessa religião tomam a forma que persistem até o presente. Em termos de datação, essa terceira fase se estende desde a fragmentação dos Táng em 907 até os anos finais da dinastia Qīng (1644-1911). Já nos aspectos mais estruturais, observa-se o sincretismo entre os três ensinamentos (sānjiào) – Confucionismo, Daoismo e Budismo. Soma-se ainda o que Poceski (2013, p. 209) chamou de quarta tradição principal do campo religioso chinês: a religião popular. Tal sincretismo, que já ocorria há alguns séculos, ficou cada vez mais profundo, dificultando a diferenciação das quatro tradições no que concerne à pratica cotidiana.
Após um grande crescimento do Daoismo em sua era clássica, durante o período Sòng (960-1279) suas comunidades buscaram preservar o legado construído até então. Isso quer dizer que, apesar de continuar havendo criações e novidades, a marca deste tempo são as sistematizações, a moralização e as variadas formas de difusão da religião. Por exemplo, houve a publicação de um Canôn daoista (Dàozàng) comum em 1019 com ordem imperial. Este evento se repetiu cerca de cem anos depois, sob o governo do imperador pró Daoismo Huī zōng (1100-1125), como afirma Robinet (1997, p. 215).
Durante os Sòng o Daoismo buscou demarcar suas fronteiras frente a outras tradições, como no caso do estabelecimento de um canôn comum. Mas, por outro lado, o sincretismo da época tinha forte reflexo dentro do Daoismo, como na ênfase dada ao moralismo, uma clara influência confuciana. Além disso, Miller (2008) nos diz que nas práticas cotidianas populares pouco se diferenciava o que era daoista, budista ou de outras tradições. Além do crescente sincretismo e a nova ênfase à moralidade, observa-se nessa fase também maior valorização e difusão das práticas internas nas comunidades daoistas.
Como fruto de todos esses aspectos histórico-culturais, surge uma linhagem que marca a história do Daoismo e parece ser a culminação de tudo que foi dito acima: o Caminho da Completa Perfeição (Quánzhēn dào) fundada por Wáng chóngyáng (1113-1170). Wáng afirmava ter encontrado dois imortais, Lǚ dòngbīn, e seu professor Zhōnglí Quán, dois famosos mestres de alquimia interior que teriam ascendido à terra dos imortais. Esse suposto encontro já informa a principal característica dessa linhagem: a forte ênfase e cultivo de
práticas interiores, como visualizações, qìgōng, meditação ou mediunidade. Por outro lado, eles dão muito valor à posturas ascéticas e forte disciplina monástica em comunidade.
Com esses dois aspectos o Caminho da Completa Perfeição buscou converter seguidores e criar associações, além de ter presença significativa feminina (Bokenkamp, 2005, p. 2186). Sob o governo Yuán (1279-1367) dos invasores mongóis, que desde 1206 estavam no norte, essa escola daoista teve um crescimento vertiginoso. Chegaram a ter cerca de quatro mil templos e vinte mil sacerdotes em 1300 (idem). Eles inovaram a forma de proselitismo daoista, viajando para difundir a doutrina e usando de elementos literários também para atrair atenção pública (ibdem). Contudo, também sofreram perseguições pelo governo mongol na China após perderem os debates públicos que mantinham com budistas visando patrocínio imperial, chegando a ter queima de obras daoistas nesse período (Robinet, 1997, p. 213).
Segundo Miller (2008, p. 15) durante a dinastia seguinte, a Míng (1368-1644), o Daoismo recebeu patrocínio regular na corte imperial. Destarte, essa religião se tornou cada vez mais integrada na vida civil da sociedade chinesa. Um fato marcante desse período foi quando o imperador Yǒnglè promoveu a montanha Wǔdāng como um centro daoista, local que até hoje é uma referência para várias tradições. Por outro lado, essa estabilidade ocorreu simultaneamente ao forte controle estatal das instituições daoistas. As ordens da Ortodoxia Unitária e da Completa Perfeição foram as mais, quando não foram as únicas, a serem aceitas formalmente pelos imperadores Míng, e seus sacerdotes e monges eram escolhidos com interferência do governo.
Tais atitudes de controle favoreceram mais ainda os sincretismos pelas interpretações pessoais e populares, bem como a formação de associações leigas de Daoismo ou artes daoistas – fēngshuǐ (técnica de harmonização de ambientes), Yìjīng, qìgōng. Outro exemplo de resultado da pressão imperial foi a popularização de histórias daoistas, tanto impressas como oralmente. Um bom exemplo dessa época é a criação do mito do imortal Zhāng Sānfēng (Bokenkamp, 2005, p. 2187), mais tarde visto como inventor do tàijí quán (Despeux, 1995).
Sob a dinastia Qīng (1644-1911), governada pela etnia minoritária Mǎn (Manchu, WG), esse movimento de popularização do Daoismo continuou, estando essa religião imersa na cultura das populações da China. Para Miller (2008, p. 15) existem evidências históricas de como aconteciam essas tendências, já que muitos textos históricos populares que apresentavam a moralidade daoista foram publicados. Não só textos de moralidade, mas também haviam livros que traziam elementos mitológicos daoistas, como o Jornada ao Oeste (Xīyóu Jì), que apesar de ter sido escrito na dinastia anterior, é um ótimo exemplo desse tipo
de literatura, e foi traduzido no Brasil. Em adição a isso, práticas de artes de inspiração daoista, como tàijí quán, qìgōng e alquimia interna se tornavam cada vez mais comuns na China e países vizinhos.
O período Qīng continuou a política anterior de forte controle religioso, podendo inclusive ser o motivo pelos fatos citados acima e da explosão de cultos populares religiosos leigos. Paralelamente, houve um declínio relativo do Daoismo institucional, sendo que as ordens da Ortodoxia Unitária e da Completa Perfeição continuaram a ser as toleradas oficialmente. Um dos braços do Caminho da Completa Perfeição, chamada Porta do Dragão (Lóngmén) obteve grande prestígio nos últimos séculos, sendo hoje a tradição monástica daoista dominante (idem, p. 16). O 7º patriarca dessa ordem daoista inovou nesse época: criou um sistema aberto de iniciações, ganhado apoio imperial e tendo centenas de iniciados de uma só vez em alguns dos rituais de iniciação (Silva, 2014, p. 48). Outros concorrentes, ao contrário, ganhavam força: houve fortalecimento do neoconfucionismo nos círculos intelectuais, e quanto aos patrocínios imperiais religiosos, a preferência do governo era pelo Budismo tibetano (Bokenkamp, 2005, p. 2188).