4. BULGULAR
4.4. Dördüncü Alt Probleme Yönelik Bulgular
Este trabalho precisa balizar-se por uma datação dos diversos períodos da história romana, sob pena do esforço dialético perder-se nos meandros da história. O esforço conceitual, que busca apreender a racionalidade imanente à processualidade histórica do desenvolvimento do Direito romano, certamente não fica adstrito à cronologia. O princípio do progresso, a presidir a evolução da ordem normativa ocidental, não pode ser compreendido com as amarras da cronologia, muito mais simpática à ordem causal dos fenômenos. Há que se buscar a compreensão dialética dos fenômenos históricos. Dialeticidade tão esgarçada pelo discurso, até mesmo vulgarizada, mas que, aqui, assume seu conteúdo próprio: a compreensão do princípio da necessidade. A perspectiva analítica, pois, não se pode coarctar pelas amarras do tempo, reclamando para si as asas da razão astuciosa.
Não se pode, contudo, desprezar o ferramental básico da historiografia. Os recortes temporais são necessários para um esforço inicial de compreensão analítica, que traça o quadro geral de desenvolvimento das fontes.
Tradicionalmente, utilizam-se duas perspectivas para a periodização do desenvolvimento histórico da Roma antiga. Fala-se, pois, em uma história interna e em uma história externa do Direito Romano. O recorte interno dá relevo à construção conceitual do Direito, na medida em que a ratio romana impõe ao fenômeno normativo a universalidade. Nesse sentido temosum período quiritário, ou genuinamente romano, que se estende desde a fundação da cidade ao fim da Guerra contra Aníbal em 218-220 a. C., um período do Direito das gentes (ius gentium), que se inaugura com o fim das Guerras
54 Púnicas contra Cartago, no qual se inscreve o período Clássico do Direito Romano universal, e um período Pós-Clássico, que marca da decadência política da Roma antiga, cuja principal marca é a edição do Corpus justinianeu, período também conhecido como Direito heleno-romano. O recorte interno, se prima por lançar luzes mais claras sobre o fenômeno jurídico, impõe maiores dificuldades de datação precisa. O recorte externo enfoca o desenvolvimento das estruturas políticas romanas que, em última medida, interferem na própria evolução do fenômeno jurídico. Sob essa perspectiva, temos o período da Realeza ² que se estende desde a fundação da cidade, em 754 a. C., até o ultraje de Lucrécia;; a República, cuja data de instalação tomamos em 509 a. C., estendendo-se até o segundo triunvirato e a inauguração do principado de Otaviano Augusto;; e o Império que estende do ano 27 a. C a 565 d. C, subdividido em dois períodos: o Principado e o Dominato.
As datas acima referenciadas são aproximações que permitem uma lida mais clara com as informações históricas. Para os objetivos desse trabalho, impõe-se como escolha metodológica a adoção, como critério norteador dos recortes temporais, de uma das perspectivas da história romana.
A perspectiva interna da história romana, se está baseada nas marcas de evolução do Direito Romano, é, a um só tempo, marcada por certa ausência de linearidade, na medida em que o trabalho do negativo exerce seu papel histórico de confrontamento e superação. Neste passo, adotar-se-á como demarcação histórica desse trabalho o recorte externo da história romana, pois, assim, o objetivo de explicitar as relações entre o desenvolvimento político da Roma antiga e o desenvolvimento das fontes poderá transparecer com maior claridade. Quiséssemos, apenas, explicitar as fases de
55 desenvolvimento do Direito Romano, então o recorte interno ser-nos-ia mais adequado. Ocorre, contudo, que aqui se busca explicitar o caminhar do Direito na História, à medida que acompanha o caminhar do Estado. Nesse sentido, os recortes externos ser-nos-ão ainda mais úteis, eis que dão relevo ao desenvolvimento e progresso do Estado Romano.
O analisar do desenvolvimento das fontes do direito romano é consequência da aplicação do princípio do progresso à ciência do Direito. Princípio que granjeou espaço nas ciências do Espírito, sobretudo, após os trabalhos de Spencer109, ainda no
século XIX. No campo do Direito, foram os trabalhos de G. B. Vico110 os responsáveis
pela internalização desse conceito filosófico, cujos frutos vicejaram na Escola Histórica, capitaneada por Savigny. O Direito Romano, pois, é o único sistema jurídico que nos permite compreender a profundidade do princípio do desenvolvimento, na medida em que nos permite acompanhar, através dos registros das fontes, toda sua existência, é dizer, seu surgimento, plenitude e ocaso. Ainda que se possa admitir a permanência do Direito Romano como matriz dos sistemas jurídicos europeus continentais e dos demais sistemas que destes derivaram, a crise do império romano significou o crepúsculo de um sistema vigente. Neste desiderato, a análise da história das fontes serve, ademais de evidenciar a íntima relação entre o desenvolvimento do Estado, ou melhor, da ideia de Estado, ao propósito de compreender o princípio do desenvolvimento.
Ainda uma questão acerca da datação. É comum em obras de romanistas de escol a opção pela datação que toma como referência do ano zero a fundação da cidade de Roma, o também conhecido calendário de Rômulo. Optar-se-á, todavia, no contexto
109Cf. em especial SPENCER, Herbert. Illustrations of Universal Progress: a series of discussions. New York:
D. Appleton and Company, 1867. p. 386 et seq.
56 deste trabalho, pela contagem de tempo segundo o calendário Gregoriano, fazendo, sempre que necessário, menção às demais notações.
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