4. TÜRK BANKACILIK SİSTEMİ VE TÜRK BANKACILIK SİSTEMİNİN İÇ
4.1 Türk Bankacılık Sisteminin Tarihi Gelişimi
4.1.2 Cumhuriyetin Sonrası Dönemde Bankacılık Gelişimi (1923-1932 Dön.)
A partir da teoria dos arquétipos, Jung desenvolveu o conceito de anima e
animus e os considerou como mediadores entre a consciência e o inconsciente, uma
ponte que liga o mundo interno e externo. Em O Segredo da Flor de Ouro, Jung escreve:
Defini a anima como uma personificação do inconsciente, e também como uma ponte que leva ao inconsciente, isto é, como uma função de relação com o inconsciente. (JUNG; WILHELM, 1986, §. 55).
Segundo Jung (1991b) e, posteriormente, outros teóricos (SANFORD, 1986; HOLLIS, 1997), os arquétipos, anima e animus possuem uma característica dinâmica e criativa que possibilita o encontro com o outro. No caso da relação íntima entre homem e mulher, esse encontro pode ser caracterizado por uma experiência luminosa, na medida em que se constela uma situação arquetípica.
A anima é a imagem feminina que o homem carrega dentro dele e o
animus a imagem masculina que a mulher carrega dentro dela. No encontro entre os
dois, essas imagens, carregadas de significados, são projetadas no respectivo parceiro, as quais, no decorrer da relação, precisam ser discriminadas. Esse dinamismo é complexo e ao mesmo tempo, muito enriquecedor tanto para a individualidade de cada parceiro quanto para a relação que os dois estabelecem. É justamente por isso que Jung escreve que é quase impossível um casamento se desenvolver sem crises, pois “Não há nascimento de consciência sem sofrimento.” (JUNG, 1991c, p.192).
No encontro amoroso, uma situação arquetípica é constelada por meio dos arquétipos da anima e do animus, ocorrendo, em nível intrapsíquico, uma possessão do ego pelo Self e no interpsíquico, uma fusão entre o indivíduo e o objeto da paixão (VARGAS, 2004). Configura-se uma situação como se tivéssemos quatro figuras atuando. Por exemplo, homem, mulher e a imagem interna correspondente de cada um, a anima do homem e o animus da mulher. Portanto, é desta forma que explicamos que a escolha do parceiro se reveste de idealizações referentes ao que esperamos que o outro possa nos proporcionar.
Na fase da paixão, na qual o desejo de um pelo outro é preponderante em relação a outros sentimentos e percepções, os aspectos indesejáveis do parceiro como as diferenças individuais e as atitudes que desagradam não são relevantes ou sequer percebidos. Como escreve Vargas (2004, p.110): “O objeto da paixão é muito mais o que se quer ou se precisa que ele seja do que aquilo que de fato é".
Para Benedito (1996), Hollis (1997) e Vargas (2004), a paixão contém uma força que possibilita o encontro entre duas pessoas. Ela expressa um desejo e uma busca, possibilitando que cada parceiro se coloque disponível para vivenciar diferentes e profundas experiências no campo do relacionamento íntimo. Esse fenômeno é denominado identificação projetiva e ocorre quando um fica fascinado pelo outro e envolvido pela ideia afetiva.
A projeção é um fenômeno natural da psique que envolve uma busca inconsciente dos aspectos de nós mesmos e nos guia em direção ao outro. Quando uma pessoa projeta suas qualidades desejáveis e/ou indesejáveis na outra pessoa, ela mantém contato com essas partes que lhe pertencem. É como se estivéssemos nos vendo no outro. Esse fenômeno é expresso na fala dos enamorados quando dizem: “Acabamos de nos conhecer, mas sentimos como se já nos conhecêssemos há muito tempo”. Para Hollis (1997), é a forma mágica de nos transportarmos ao paraíso e vivermos, por tempo delimitado, uma sensação de completude.
Benedito (1996) descreve dois movimentos distintos que envolvem o mecanismo de projeção: o criativo e o defensivo. Um pode preponderar sobre o outro em determinados momentos da relação. Na projeção defensiva, o indivíduo é impelido pela fantasia a buscar alguém que represente uma promessa reparatória para suas demandas inconscientes, sua visão do outro se apresenta difusa e indiscriminada. Já na projeção criativa, há mais discriminação e o outro pode ser visto com mais objetividade. Nessa condição, a escolha do cônjuge pode representar um caminho criativo para o desenvolvimento mútuo das personalidades.
Um relacionamento baseado em projeções recíprocas, mecanismo característico da projeção defensiva, não pode ter uma vida saudável e duradoura, pois em algum momento a vida conjugal pedirá que cada parceiro retire do outro aquilo que é seu, e então será preciso criar um espaço no casamento para que cada um possa ser ele mesmo, ser visto como pessoa única, com qualidades e defeitos e que não está à mercê do outro.
Como escreve Benedito (1996, p.21): “O indivíduo que não consegue tomar para si aquilo que constitui parte do seu mundo interno fica perdido de si mesmo buscando achar-se no outro”.
Aqui nos remetemos ao conceito de sombra, uma instância psíquica do inconsciente que mantém proximidade com o inconsciente pessoal. Ela representa o lado obscuro da personalidade, do qual tendemos a manter distância. Por diversas razões julgamos que esses aspectos não contribuem para a imagem que desejamos apresentar ao outro e então, procuramos escondê-los. Porém, o confronto com a sombra é necessário, pois nos libera para aceitarmos nossa própria natureza, a querer o bem do outro e a entrar em contato com o melhor e o pior que há em nós mesmos.
Como a escolha do parceiro envolve motivações conscientes e inconscientes ligadas às nossas histórias pessoais, quanto mais estivermos inconscientes de nossa sombra, ou seja, de aspectos que não reconhecemos em nós por julgá-los inadequados ou mesmo por não se encontrarem desenvolvidos em nossa personalidade, mais eles interferirão nas escolhas que fazemos. A sombra conjugal, quando não integrada, torna-se potencializada e age, via complexos, de forma perturbadora e de difícil controle. Um entra no espaço do outro sem pedir licença e, em momentos de crise, o ciúme, a inveja e a violência ultrapassam a medida e a convivência pode se tornar insuportável.
Num relacionamento de paixão, os parceiros têm como desafio tornar as projeções o mais conscientes possível e lutar contra a tentação de se identificar com elas, para que o casal possa prosseguir no processo de amadurecimento da relação. Esse momento de transição, Benedito (1996, p. 89) chama de “sacrifício da condição psicológica infantil”, o qual pode desencadear um abalo tanto na estrutura pessoal, quanto na dinâmica conjugal quando vivenciado pelo casal como ameaçador. Assim é preciso que cada parceiro discrimine aquilo que é seu daquilo que é do outro para que ambos possam atualizar a configuração do relacionamento por meio de um diálogo aberto, renovador e contínuo.
A idealização do parceiro presente na fase da paixão pode perdurar na relação conjugal, porém, ela precisa perder força para ceder espaço para um relacionamento mais maduro e realístico. Quando o caminho da projeção dos conteúdos inconscientes se fecha na fase da paixão é por já ter cumprido sua função criativa. Então, a alma daquele que projeta pode pedir a integração destes
aspectos psíquicos em sua personalidade e o outro, por sua vez, pode já não se encontrar mais disponível para aceitar o que lhe foi projetado.
Nessa fase, cada parceiro precisa abrir mão dos ganhos secundários da dependência emocional do outro e dar lugar a sentimentos de autonomia, de modo que o casal possa mobilizar forças para estruturar a relação e atender suas demandas atuais. De acordo com Vargas:
A grande tarefa da relação iniciada pela paixão é a integração pelo homem de sua anima e pela mulher, de seu animus, sem destruir a relação, transformando-a em amor, num relacionamento com base na inter-relação entre dois indivíduos. Aqui deve existir o respeito às individualidades. A relação de amor traz a vivência de alteridade, ou seja, do respeito ao outro, com suas peculiaridades e características próprias, incluindo o convívio com as diferenças; enfim, a relação real entre duas pessoas como elas são e não como deveriam ser. (VARGAS, 2004, p. 116).
Benedito (1996) salienta que o amadurecimento de um vínculo amoroso está diretamente ligado à competência do casal para lidar com as frustrações que a retirada da projeção impõe. É justamente nesse período que os conflitos surgem e a experiência clínica mostra que quanto maior a idealização no casamento e na escolha do parceiro, maior é a frustração e mais difícil se torna a convivência entre eles. O conflito se instala na dinâmica conjugal quando há resistência por parte dos parceiros em reconhecer os aspectos que um projetou no outro e que cada um precisa desenvolver à sua própria maneira.
O conflito é o resultado de uma colisão entre dois elementos que apresentam oposição entre si. Ele expressa, via símbolo, um desequilíbrio na dinâmica psíquica, uma unilateralidade, e aponta para a necessidade de mudanças a fim de que o equilíbrio seja alcançado. Dentro dessa visão, o conflito tem um valor teleológico, não devendo ser eliminado como um precedente inoportuno (PIERI, 2002).
Como escreve Benedito (1996, p.45):
Na fase da decepção do relacionamento amoroso, em que a idealização do outro cai por terra, mas os parceiros ainda têm esperança de restaurar os sonhos do casamento perfeito, encontramos nos casais, de forma explícita, a projeção de conteúdos de complexos dirigidos ao parceiro. Uma vez que os conflitos intrapsíquicos inconscientes são substituídos por conflitos interpessoais, o caminho do confronto com o material sombrio projetado torna- se mais acessível.
Como sabemos, os complexos têm suas raízes nos arquétipos e atuam de forma dinâmica e autônoma (JUNG, 1984). Assim, no casamento, muitas vezes os complexos se revelam na maneira pela qual um cônjuge se aproxima e se distancia de seu parceiro, de acordo com as vivências pessoais de temas arquetípicos que são evocados em determinadas situações conjugais.
Enquanto na paixão, num estado contaminado e indiferenciado, o parceiro espera ter suas necessidades atendidas de maneira mágica pelo outro, sem dizer claramente o que necessita; na fase da convivência amorosa, cada um deve diferenciar o ego do complexo ameaçador e abrir-se ao diálogo. Porém, o que muitas vezes acontece é que o parceiro para não decepcionar o outro, esforça-se para corresponder à sua expectativa até então muito idealizada.
Um exemplo típico é do casal que é tomado pelo complexo materno e atua os papéis de filho e mãe. Neste caso, além da vida sexual ficar empobrecida, tanto os cuidados exagerados na dinâmica conjugal quanto o repúdio por parte do casal ou de um dos parceiros a qualquer ideia ligada aos cuidados de um com o outro indicam que ambos permanecem contaminados pelo complexo, cada um a si próprio e um em relação ao outro (ULANOV, 1996).
O confronto com as feridas da história pessoal de cada um é inevitável, mas não há crescimento sem destacar o complexo do outro, ao invés de identificar- se com ele. Quando isso é feito, o complexo fica apenas como uma parte do ego, sem dirigir à pessoa como um todo ou ao próprio relacionamento conjugal. Tal intercessão de consciência abre possibilidade para cada um lidar melhor com seus próprios complexos e transcendê-los. Então a convivência torna-se mais saudável, promotora da saúde física e emocional (RAMOS, 1994).
Assim, o desafio do casamento está em redirecionar a libido para o centro da relação, em direção a tudo que os parceiros podem vivenciar juntos, de forma que o relacionamento afetivo não o limite, mas expanda o relacionamento, o qual deve ser visto como um caminho a ser construído e reinventado continuamente.
2.2 A terapia de casal na visão junguiana
O encontro de duas personalidades é semelhante à mistura de duas diferentes substâncias químicas: uma ligação pode a ambas transformar. (JUNG, 1999b).