As variáveis utilizadas na matriz URCA CHIVAS foram selecionadas de acordo com seu valor agregado para o estudo em questão. As mesmas foram obtidas através de:
Pesquisa bibliográfica e documental acerca do tema em questão; Participação do pesquisador no Fórum Nacional de Direito Autoral; Entrevistas realizadas com profissionais atuantes nesse mercado.
A Pesquisa bibliográfica foi importante para auferir dados documentais e registros históricos que sustentam muito do que é vivido hoje no âmbito do Direito Autoral, ajudando também a compreender a participação de cada um dos atores que participam dos cenários futuros a serem vislumbrados.
Compositores, escritores e, principalmente os profissionais que atuam na área como Aline Leivas, Maria Isabel Ceperuelo, João Carlos Camargo Éboli11, Henrique Gandelman12, Gilberto Gil, Eliane Abraão13, Ronaldo Lemos14, Sérgio Branco15, Plínio Cabral16, José Antônio Perdomo, Marisa Gandelman e Carlos Alberto Bittar17, apontam forças e fraquezas do Direito Autoral no Brasil, vangloriando, reconhecendo ou criticando o sistema de arrecadação e a própria legislação. São levantados também alguns aspectos, paralelamente ao avanço tecnológico, assumindo muitas vezes que a Lei do Direito Autoral é indiferente, senão obsoleta, no que tange a defesa da propriedade intelectual em novas mídias, surgidas ou desenvolvidas nos últimos dez anos.
A participação do pesquisador no fórum supracitado foi enriquecedora para obter informações críticas à conjuntura atual e vislumbrar variáveis importantes no segmento da cultura e da política que regem possíveis mudanças no Direito Autoral.
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As entrevistas com profissionais contribuíram no sentido de ratificar muitas vertentes já traçadas com ajuda do evento e das próprias citações bibliográficas e, também, apresentaram detalhes que não eram considerados pelo pesquisador e, sistematicamente, permitiram uma compreensão melhor sobre a Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais de Execução Pública no Brasil.
A seguir, estão descritas as origens e as respectivas variáveis que foram obtidas para a aplicação nesse estudo prospectivo:
Variáveis obtidas através da Pesquisa Bibliográfica
Conforme observado no capítulo 2, esse trabalho tem como referência bibliográfica primordial a obra . ")" ) 3 " & & " $& 4&+ "
& . !"18, na qual o Doutor Eduardo Marques apresenta o Método Prospex de Elaboração de Cenários, utilizando a ferramenta estratégica URCA CHIVAS. Em sua metodologia, o autor sugere a identificação de variáveis com auxílio do Diamante da Prospectiva (ilustração 7), que sugere a reflexão sobre aspectos do ambiente externo (obra citada, p.10).
Ilustração 7 O Diamante da prospectiva (variáveis inter relacionadas)
. ")" ) 3 " & & " $& 4&+ " & . !"5 MARQUES, Eduardo Rio de Janeiro: FGV Março, 2007. pág 10
Para uma consideração prévia sobre as possíveis forças, foram auferidas as seguintes variáveis:
: Crescimento Econômico do Brasil
Essa variável, assim como as três subseqüentes, é um fator econômico oriundo do diamante da perspectiva. A participação do crescimento econômico do Brasil é analisada através do comportamento do PIB, índice que reflete sua estabilidade econômica (vide tabelas 6 e 7), e através do relatório de arrecadação da receita administrada pela RFB (vide tabela 8).
PRODUTO INTERNO BRUTO H PIB
Taxa Acumulada nos últimos quatro trimestres
Agropecuária Indústria Serviços
2º trimestre H 2007 6,6 4,2 4,2 3º trimestre H 2007 5,9 5,00 4,6 4º trimestre H 2007 5,3 4,9 4,7 1º trimestre H 2008 5,1 5,4 5,8 2º trimestre H 2008 7,1 5,7 5,5
Fonte: IBGE, Departamento de Contas Nacionais DECNA
Tabela 7 O Crescimento Econômico do Brasil em 2007
: Variação da taxa de câmbio (R$/ ¤ )
Essa variável analisa a influência que a taxa de câmbio exerce no mercado, influenciando na atratividade que o país tem para artistas internacionais ou, ainda, serve como um convite para o artista brasileiro expandir seus horizontes mundo afora.
: Crise na economia dos Estados Unidos
Dentro de uma concepção global e dinâmica, a economia de um país influencia a de outros países, e, no caso de um país como os Estados Unidos, cuja economia é de uma força única, essa influência é muito maior. Dessa forma integrada, será levada em consideração a força exercida sobre o mercado brasileiro.
: Crescimento da Classe Média
Essa variável leva em consideração o potencial e o avanço sócio econômicos, tendo sua atuação avaliada de acordo com a influência nos hábitos de consumo, que se estendem aos proventos dos usuários do Direito Autoral, acarretando, assim, o possível aumento na sua arrecadação.
Recentemente, um estudo da Fundação Getúlio Vargas(Vide anexo I), constatou que, em seis regiões metropolitanas diminui o número de pobres, cresce a proporção das famílias de classe média e aumenta também a porcentagem de famílias de renda alta. Segundo a pesquisa, que é baseada em dados do IBGE e do Ministério do Trabalho, há solidez no processo de ascensão social nas metrópoles, o que deve assegurar a continuidade.
Esse estudo revela que a classe média da região sudeste do Brasil cresceu de 11,59% para 15,52%, de 2003 à 2008. Ressalta se que essa região é a
de maior expressão na economia brasileira e, holisticamente, o mesmo acontece para a arrecadação de direitos autorais.
: Conhecimento da população sobre o Direito Autoral
Por ser um assunto pouco divulgado ao público, o Direito Autoral sofre com a falta de conhecimento por parte da sociedade. Segundo Glória Braga (2006, p.6):
Não há conflito entre novas tecnologias e direito autoral, (...)esse desconhecimento gerou forte impacto ante a revolução trazida pelas novas tecnologias e pela internet, as quais expuseram à discussão com maior veemência os direitos dos criadores e as necessidades de acesso às criações pela sociedade.
Nesse contexto, essa variável é considerada relevante ao estudo porque apresenta influência na suscetibilidade do Direito Autoral.
: Expansão do número de acordos bilaterais
Os chamados acordos bilaterais ou acordos de bi tributação são tratados entre países que, no intuito de promover o aquecimento de suas economias de forma mútua, tributam apenas uma vez o imposto de renda. Há casos de países que não possuem acordo bilateral entre si e, as remessas de valores alcançam a carga tributária de aproximadamente 40% ou até mesmo 50% do valor total da remessa. Baseado no diamante da prospectiva e, nos dados da tabela 9 (a seguir), verificou se que a relação comercial do Brasil com outros países é estável e convidativa para gravadoras e produtoras estrangeiras divulgarem seus artistas no Brasil e vice versa, dando melhores perspectivas para a arrecadação dos direitos autorais de execução pública com a criação de novas divisas para esse nicho.
Tabela 9 – Evolução do Comércio Exterior Brasileiro – 1950 a 2008 Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
: Crescimento do Cinema Brasileiro
Conforme demonstrado nas tabelas 10 e 11 a seguir, os valores arrecadados com o cinema brasileiro expressam a prosperidade que esse setor teve com o advento das leis de incentivo. Como se sabe, grande parte dos filmes possui trilhas sonoras e, são exatamente essas trilhas sonoras que justificam a arrecadação do Direito Autoral de salas de cinema e de emissoras de televisão.
Tabela 10 – Valores Recolhidos – Distribuidoras
Com o objetivo de buscar informações críticas ao modelo de gestão coletiva de direitos autorais adotado no Brasil, identificou se o Creative Commons como sendo uma força expressiva e adversa aos interesses dos arrecadadores de direitos de execução pública. Por isso, contamos com a entrevista e a consistente bibliografia19 de Sérgio Vieira Branco Júnior, Professor da Escola de Direito da FGV e membro representante do Creative Commons no Brasil, que nos apontou as seguintes variáveis:
A busca da Internet como veículo para divulgação e a abstenção do Direito Autoral em massa (Creative Commons)
Ambas as variáveis acima refletem a importância que a Internet tem como meio de comunicação. Sua relevância é fruto do argumento de que o avanço tecnológico impulsiona a disseminação da informação e, conseqüentemente, da cultura. Sua origem também vem da necessidade de divulgação do artista, conforme proferido pelo Sr Sergio Branco em entrevista:
O artista, muitas vezes, não faz questão de receber direitos autorais de venda de cd, nem tampouco de execução pública, mas sim de divulgar seu trabalho para ganhar dinheiro com shows.
Transcrito da entrevista com Sergio Branco.
No intuito de validar a premissa proposta pelo Creative Commons, curiosamente, apresentamos a seguinte situação ao Sr Sergio 6 & !"7 - " )" 8- -+& ) " & 9+&4" 91 +-$ &! " &$1 ) & ) " &:&$ & -+& "* & ) -& &- " & " - -+ &) & &+ " & %& ; " "!< $ ! ! & & & "* & "* -+& $ ! =& & : "++" >
Não, pois já teria percebido que essa obra me trará proventos, o que de praxe não é esperado.
Transcrito da entrevista com Sergio Branco.
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Esse último parecer do professor Sérgio Branco não condiz com os objetivos do Creative Commons, que se resumem na abstenção dos royalties arrecadados em prol do acesso à cultura e difusão do conhecimento, reconhecendo também a existência de uma relação comercial, enfatizada por Marisa Gandelman:
A obra lítero musical, como uma manifestação artística é espontânea. Ela não tem uma função utilitária. Sua criação não tem um objetivo específico, sua criação é espontânea.
A grande verdade é que há um grande interesse nos valores que regidos por esse mercado.
Transcrito da entrevista com Marisa Gandelman.
Considerando todos os fatores influenciados pela ONG, que em sua maioria contrariam a arrecadação dos direitos autorais, o Creative Commons é tido nesse estudo como um ator relevante apontando a relevância dessas variáveis.
H Variáveis obtidas através do Fórum Nacional do Direito Autoral
Concomitante ao desenvolvimento do presente estudo, o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, também compositor, programou para o ano de 2008 o ; -+
&! " &$ ) " - " &$. Esse evento foi realizado nos meses de Julho e Agosto de 2008, com intuito de debater as leis, normas e procedimentos que moldam o Direito Autoral no Brasil, visando a possibilidade de alterar a Lei do Direito Autoral (Lei.9610 / 1998), que nessa ocasião completara 10 anos de sanção.
Nas palavras proferidas pelo Ministro da Cultura, Gilberto Gil, ao abrir o Fórum do Direito Autoral, realizado em São Paulo em 30 de Junho de 2004, percebe se o interesse do governo em debater e estudar possíveis mudanças na legislação do Direito Autoral, que contemplou seus 10 anos em 2008:
A idéia de um desenvolvimento em co responsabilidade, que incorpore a cultura como base e multiplicador, faz com que o Ministério da Cultura do Brasil, neste Fórum, proponha os seguintes compromissos às demais autoridades aqui presentes:
1) Superar os desequilíbrios sociais, econômicos e culturais entre Norte e Sul do planeta, através da pactuação de medidas que apontem para a redução da exclusão e a promoção da igualdade.
2) Realizar políticas públicas para ampliar o acesso dos cidadãos aos direitos culturais, incluindo o fomento à produção cultural, o estímulo à difusão de bens e serviços culturais e a proteção do patrimônio cultural, material e simbólico, de nossas sociedades;
3) Promover espaços culturais diversos, de inclusão cultural e social, em que circulem idéias inovadoras e se compartilhem as inquietudes artísticas e intelectuais, e contribuir para a regulação, estruturação e dinamização das indústrias criativas em nossos países;
4) Priorizar o desenvolvimento de acordos bilaterais e multilaterais, políticas e fundos que estimulem a produção e as trocas culturais, de modo equilbrado, entre nossos países e os demais países do planeta, com vistas a um intercâmbio saudável de bens e serviços culturais;
5) Defender a exclusão dos bens e serviços culturais dos acordos de liberalização comercial em curso na Organização Mundial de Comércio (OMC), para que as trocas culturais aconteçam segundo o princípio da proteção à identidade e à diversidade cultural dos países;
6) Apoiar a UNESCO em sua iniciativa fundamental de estabelecer, de comum acordo entre os países que fazem parte da ONU, uma Convenção Internacional para a Proteção da Diversidade Cultural, prevista para a Conferência Geral de 2005;
7) Contribuir para a criação de um sistema internacional de trocas econômicas e culturais baseado na democracia, na igualdade de oportunidades, na correção dos desequilíbrios, no respeito às diferenças, nos direitos humanos e no diálogo pleno entre as culturas;
8) Divulgar esses princípios nos órgãos multilaterais e eventos internacionais de cultura dos quais venhamos a participar, com o objetivo de estimular um debate global sobre o papel da cultura no desenvolvimento sustentável das sociedades contemporâneas.
Todas as mesas de discussão possuíam representantes de diversos interesses na esfera do Direito Autoral, equalizando, assim, o nível dos debates, sem privilegiar nem tampouco prejudicar nenhuma das partes interessadas nos temas abordados.
Contudo, em todas as edições do Fórum do Direito Autoral foram induzidas palestras de teor crítico à atual conjuntura e ao tratamento do Direito Autoral no Brasil e o Ministério da Cultura não deu parecer final algum à respeito de possíveis mudanças na legislação.
Assim, os debates nesse fórum ascenderam o apontamento das seguintes variáveis:
Essa variável foi percebida em três momentos: quando da explanação sobre os aspectos legais envolvidos nesse estudo, tendo em consideração os argumentos do Creative Commons e a própria propalação realizada pelo ministério da Cultura.
A Lei 9610 / 98 não abre nenhuma exceção para ONGs, asilos, abrigos, nem tampouco para utilização com fins educacionais, ou, ainda para obras fora do mercado, impossibilitando a divulgação da nossa cultura, assim como a melhoria ao seu acesso.
Transcrito da entrevista com Sergio Branco
Em contrapartida, por se tratar de uma lei que defende a propriedade intelectual, a Lei do Direito Autoral tem como princípio a defesa dos interesses do autor, direcionando ao mesmo todos os direitos sobre a reprodução, distribuição ou transmissão de sua obra.
Um aspecto histórico fundamental e de propriedade ímpar, é a própria Declaração Universal dos Direitos do Homem, proclamada em 10 de dezembro de 1948:
artigo 27: 1. Todo o homem tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir das artes e de participar do progresso científico de seus benefícios.
2. Todo homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.
Tendo em vista a consideração dada a este tópico pelo Ministério da Cultura durante o Fórum nacional de Direito Autoral, a variável foi validada como sendo importante porque manifesta especial valor agregado no que tange as possíveis exceções aludidas pelo Sérgio Branco.
H Conhecimento do Poder Judiciário para lidar com o Direito Autoral.
Há duas grandes barreiras para fomento de uma arrecadação e uma distribuição melhores desenvolvidas: a primeira é a própria extensão territorial do Brasil: 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território, ocupando quase a metade (47%) da área da América do Sul20, outro fator é a elevada inadimplência dos grandes usuários, que, conforme será descrita mais à frente, mesmo com inúmeros acordos propostos pelo ECAD, acabam apelando para demanda judicial (vide anexo II). Unindo se os dois problemas, o departamento jurídico do ECAD acaba possuindo uma demanda muito grande de processos, que ficam à mercê da compreensão dos juízes sobre a aplicação das punições para os que infringem a Lei do Direito Autoral.
Há também uma forte lentidão no poder judiciário que demora para julgar os processos. Contudo, o STF vem sendo complacente com o direito do autor
Transcrito da entrevista com José Antonio Perdomo.
Dessa forma, o trabalho presente considera a compreensão e aptidão do Poder Judiciário como uma variável que agrega importância para o setor, uma vez que ela acarreta a diminuição da inadimplência.
H Pleito dos autores de audiovisuais na arrecadação dos seus direitos
Abordando os direitos audiovisuais, Alexandre Negreiros definiu no Fórum, com muita congruência, que:
[...] sempre que há uma combinação estruturada entre as contribuições criativas de um roteirista, de um compositor e, eventualmente, de um desenhista de animação, sob a batuta de um diretor de um sistema de captação e edição de imagens, no ímpeto da criação de uma nova obra, podemos dizer que está se criando uma obra audiovisual [...]
Marcilio Moraes, Presidente da AR (Associação dos Roteiristas de Televisão, Cinema e Outras Mídias), aproveitou o ensejo do Fórum para narrar um pouco da trajetória sem êxito dessa associação:
Há anos a AR vem se empenhando em criar uma arrecadadora de direitos autorais no audiovisual, visto que a entidade que poderia e deveria realizar este trabalho, a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, encontra se sem condições de operar neste campo.
Nos últimos anos, participamos de inúmeros seminários com objetivo de criar uma arrecadadora e chegamos mesmo a pensar em nos tornarmos nós próprios uma arrecadadora. Modificamos nossos estatutos com este objetivo. Hoje, juridicamente, podemos funcionar como uma sociedade de gestão coletiva, mas na prática logo verificamos que este era um sonho quase impossível. Não temos estrutura funcional para tanto.
Depois disso, participamos, junto com algumas entidades do audiovisual, como a Associação Paulista de Cineastas, a Associação Brasileira de Cineastas e outras, da tentativa de criar a tão sonhada sociedade gestora de direitos coletivos. Chegamos a cumprir as exigências burocráticas para pedir filiação à CISAC, órgão internacional que congrega todas as arrecadadoras, mas por razões diversas, a iniciativa acabou não vingando.
Finalizando, nós da Associação dos Roteiristas consideramos que, estabelecido legalmente o direito de remuneração ao autor roteirista pela exibição de suas obras, é da máxima importância criarmos uma sociedade de gestão coletiva dos direitos autorais, em caráter privado, unindo dramaturgos e diretores. Não descartamos a função fiscalizadora que eventualmente o Estado possa exercer, mas julgamos que a arrecadação e distribuição dos direitos é tarefa particular e privada
Um grande impasse é a ponderação do artigo 99, da Lei dos Direitos Autorais, que define a atuação do escritório central de arrecadação (ECAD) como sendo válida somente para obras musicais e lítero musicais e de fonogramas, impossibilitando que esse mesmo escritório também arrecade direitos audiovisuais. Conforme o artigo 99 da Lei n.° 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998:
Art. 99°. As associações manterão um único escritório central para a arrecadação e distribuição, em comum, dos direitos relativos à execução pública das obras musicais e lítero musicais e de fonogramas, inclusive por meio da radiodifusão e transmissão por qualquer modalidade, e da exibição de obras audiovisuais.
(...) falta organização ao setor de audiovisual, que já deveria estar arrecadando direitos há muito tempo. Que se organizem, mas que não busquem, para isso, a ajuda paternalista do Estado.
Transcrito da entrevista com Fernando Brant
Dra Glória Braga, superintendente do ECAD, releva mas não ignora a limitação legal do artigo 99°, mostrando que há caminhos mais práticos para essa classe:
O ECAD trabalha para as associações.[...]2/3 dos votos da Assembléia Geral modificam o estatuto do ECAD.
Transcrito da entrevista com Glória Braga
Dando a entender que os titulares de direitos audiovisuais devem buscar um entendimento com a classe autoral musical para alterar estatutos e pleitear mudanças nas leis que definem e limitam a atuação do escritório central.
No Brasil, o discurso em prol dos direitos audiovisuais vem ascendendo com os 10 anos de Lei do Direito Autoral e, principalmente com o crescimento das Associações Internacionais de Direitos Audiovisuais que estão de olho na crescente melhoria das produções brasileiras mundo afora.
Enfim, o pleito dos autores de audiovisuais na arrecadação dos seus direitos é considerado uma variável de forças exponenciais, uma vez que já existe no exterior e ainda não existe no Brasil, ou seja, mercadologicamente, é como se fosse um nicho ainda não explorado no território brasileiro.
H Especialização de advogados em Direito Autoral
De acordo com o que foi informado pelo Ministro da Cultura, Gilberto GIl, na abertura do Fórum nacional de Direito Autoral em 30 de Julho de 2008, a sala do seminário era constituída por mais de 80% de advogados, o que ressalta a importância e o interesse desses profissionais na conjectura do Direito Autoral no Brasil.
H Criação de uma Agência Reguladora que fiscalize o ECAD.
Conforme mencionada no capítulo 2.3 anteriormente, a história do Direito Autoral no Brasil já teve uma agência reguladora, o Conselho Nacional de Direitos Autorais (CNDA). Contudo, em meio a superficial insatisfação de titulares e discordância dos usuários, foi discutida nesse fórum a possibilidade de se criar uma agência reguladora, no intuito de trazer a participação do Estado para fiscalizar e regulamentar esse setor.
o Ministério deve atuar para publicar planilhas na internet, o que não pode mais ser admitido como complicado, difícil ou mesmo trabalhoso.[...] Em salas de cinema, o recibo ao ECAD e o cueHsheet dos filmes em