• Sonuç bulunamadı

1.5. Vakıf Çeşitleri

1.5.2. Cumhuriyet Döneminde Vakıf Çeşitleri

O modo de organização descritivo nos faz descobrir um mundo que parece existir como uma entidade autônoma, por si só de maneira imutável. Esse mundo já aparece estruturado, ou seja, o sujeito que descreve atua ou como observador (quando realça detalhes) ou como conhecedor (quando identifica, nomeia e classifica os objetos e suas propriedades — por exemplo, uma tese de doutorado) ou, simplesmente, como um ser do mundo que está fazendo uma descrição (quando mostra um objeto ou a ele se refere).

3.1.1. A organização da construção descritiva

3.1.1.1. Os componentes da construção descritiva

O modo descritivo do discurso, como o diz Charaudeau (1992: 653-707), é composto de três tipos de componentes, autônomos e indissociáveis: nomear, localizar- situar e qualificar. Não por acaso, são esses três componentes que descrevem a identidade civil de uma pessoa, em sua carteira de identidade: nome e sobrenome, data e local de nascimento, sinais particulares e fotografia. Sempre segundo o supracitado pesquisador (op.cit.), descrever consiste em identificar os seres do mundo onde se pode verificar sua existência por consenso (isto é, segundo ordens sociais). Dessa maneira, essa identificação é limitada, e é condicionada pela situação de comunicação na qual se inscreve. É também relativa e subjetiva, pois a descrição se dá pela decisão do sujeito que a assume.

Assim, nomear é dar existência a um ser (qualquer que seja sua classe semântica) por meio de uma operação dupla: perceber uma diferença dentro de um continuum do universo e, simultaneamente, encaixar essa diferença a outras análogas, o que constitui o princípio mesmo da classificação. Como essa percepção e classificação dependem do sujeito que observa, podemos considerar que o mundo é, assim, pré-recortado por um sujeito que o constrói e estrutura sua visão. Nomear não diz respeito simplesmente a um processo de etiquetagem de um referencial preexistente. Nomear é o resultado de uma operação que consiste em fazer nascer no mundo seres significados, classificá-los, em suma.

Nas pistas das cruzadas, ou seja, as perguntas que o sujeito narrador faz e para as quais espera as respostas, por parte do leitor/jogador, freqüentemente encontramos termos, como nomes de artistas, celebridades, políticos, cientistas, esportistas ou designações de animais, plantas, localidades etc., que devem ser completadas, de um modo ou de outro. Esse tipo de pista é bastante comum neste caso e, certamente, depende de uma competência midiática por parte do leitor/jogador. Assim, temos pistas

como “Vila que é bairro paulistano”, “Mamífero sul americano”, “Medida antiga” (FSP, 11/11/1964), “A

mulher de Nixon”, “Um técnico de futebol”, (FSP,

15/11/1972), “Pierre..., pintor impressionista francês”, “...Trindade, poeta brasileiro”, “Jogador do Guarani”

(FSP, 17/03/1976.

Outro componente da construção descritiva, como foi dito acima, pode ser vistano ato de “localizar-situar”, isto é, determinar o local que um ser ocupa no tempo e no

espaço. Dessa maneira, “localizar-situar” significa: dar

aos seres descritos características das quais eles dependem, para sua existência e funcionamento, em

resumo, sua própria razão de ser, sua posição espaço- temporal. Essa localização-situação dá testemunho de um recorte objetivo do mundo que, todavia, depende da visão

que determinado grupo cultural projeta sobre ele: “País da Ásia Menor” (FSP, 17/07/1968), “Estado do norte do Brasil”, “Ferida na dianteira das curvas e nas traseiras dos braços da cavalgadura”, “lugar onde, na Grécia Antiga, se reunia o povo para ouvir os músicos e poetas”

(FSP, 14/11/1984.

É interessante perceber que, nas cenografias “cruzadas”,

o componente “nomear” aparece em todas as pistas, sejam elas quais forem, posto que o leitor/jogador precisa

“dar o nome” do objeto, ser, processo, o que quer que

seja, que o cruzadeiro propõe a fim de testar a destreza do vocabulário de seu eventual interlocutor.

Um terceiro componente da construção descritiva é a

“qualificação”, isto é, o fato de atribuir a um ser, de

maneira explícita, uma qualidade que o caracteriza como tal e o especifica, ao classificá-lo como componente de um subconjunto de objetos. Qualificar um ser, assim como nomeá-lo, implica a redução da infinitude do mundo ao construir classes e subclasses de seres. Enquanto a denominação estrutura o mundo de maneira não-orientada, a qualificação dá um sentido particular aos seres, de maneira mais ou menos objetiva. De fato, toda qualificação é testemunha do olhar que o sujeito comunicante coloca sobre os seres e sobre o mundo sendo, assim, uma testemunha da subjetividade do

“sujeito-qualificante”.

Qualificar é, então, uma atividade que permite ao sujeito comunicante revelar seu imaginário, seja este individual ou coletivo. Imaginário de uma construção e apropriação do mundo, por meio de um jogo de tensões entre visões normativas impostas pelo consenso social e visões

específicas do indivíduo: “Coisa desprezível”, Fio de metal flexível”, “relativo aos bons costumes” (FSP, 16/11/1960, “Henri..., pintor francês, líder do fauvismo”, “Mamífero cujo corpo é coberto de espinhos”, “...Descartes, filósofo francês” (FSP, 15/11/2000).

Podemos então afirmar, com Charaudeau (op.cit.), que o modo de organização descritivo serve, essencialmente, para construir uma imagem atemporal do mundo. De fato, ao nomear, localizar-situar, qualificar os seres do mundo, estamos fixando-os numa espécie de quadro, para a eternidade. Enquanto o modo narrativo posiciona suas ações de maneira sucessiva no tempo, o modo descritivo esparrama-se ao longo do tempo (o que explica a presença do presente e do imperfeito como os tempos privilegiados pela e na descrição). Descrever fixa imutavelmente os locais e as épocas, as maneiras de ser e de fazer das pessoas, as características dos objetos.

FIGURA 04