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2.4. BİLİŞİM SUÇLARININ TASNİFİ

2.4.2. Bilişim Yoluyla İşlenen Suçlar

2.4.2.3. Cinsel İstismar ve Müstehcenlik Suçu

O voluntariado é uma prática em constante evidência para os idosos ativos. Uma forma de escapar da inatividade pós-aposentadoria, ou para quem, com filhos criados, pode dedicar-se a uma causa, algo que os envolva ou que, do ponto de vista religioso, possa aproximá-los de Deus ajudando o próximo. Segundo Liana Lautert e Luccas Melo de Souza, o trabalho voluntário é uma alternativa para a promoção da saúde dos idosos brasileiros, devolvendo-lhes a autoestima, visto que aqueles que o praticam "assessoram outras pessoas ao mesmo tempo em que se sentem úteis e inseridos na sociedade, refletindo, essa troca, também na saúde e na qualidade de vida dos voluntários" (LAUTERT; SOUZA, 2008, p.373-374), além do exercício da cidadania.

Entrevistando a presidente da Associação dos Voluntários do Hospital Hélio Angotti (2011-2013) - Sandra Abadia Gomes de Andrade36, foi possível constatar a afirmação de Lautert e Souza:

A UFTM37 está fazendo um trabalho, eu não sei se você sabe.. eles estão fazendo um trabalho para poder oferecer oportunidades para o seu funcionário que está aposentando prosseguir com uma vida útil, revertendo isso para o voluntariado. E foi muito bom! Parece que a ideia é fazer anualmente. (ANDRADE, 2013)

O Plano de Ação Internacional para o Envelhecimento, desenvolvido pela ONU em 2002, quando a Segunda Assembleia Mundial das Nações Unidas sobre o Envelhecimento foi realizada em Madrid, pedia mudanças de atitudes, políticas e práticas em todos os níveis para satisfazer as enormes potencialidades do envelhecimento no século XXI. Estimulou-se a participação dos idosos em trabalhos na sociedade, por intermédio inclusive da realização do trabalho voluntário, como uma das metas a serem objetivadas por países que se preocupam em ter uma

36 Entrevistada em 19 de março de 2013 na sede da Associação dos Voluntários do Hospital Hélio

Angotti - Vencer!

sociedade que seja boa para todas as idades. A Organização Mundial da Saúde preconiza o voluntariado como boa medida para o envelhecimento ativo.

No entanto, não é tão fácil conseguir a participação dos idosos, conforme nos informa Andrade (2013):

Agora vamos fazer as entrevistas individuais e com grupos porque nós estamos tendo muito problema com os voluntários. Os médicos mandam pra cá: “está deprimido? Então vai fazer voluntário”. E não necessariamente é assim. Primeiro que a pessoa que está aposentando, ela tem que primeiro verificar: “eu quero isso?”, “isso faz parte da minha vida?”, “eu tenho o interesse de viver esta experiência?”, “o que é este trabalho?”, e aí sim. Ele vem, geralmente ele está com um outro problema e a gente pode colocá-lo dentro do hospital. E aí ele tem trabalho com o médico, enfermagem, com a família. E teve casos que a gente teve até que suspender mesmo.

A presidente da Associação dos Voluntários (2013) informa que a necessidade de preencher o vazio que a aposentadoria traz não pode ser motivo para o voluntariado:

Nós temos um curso sobre o trabalho voluntário como o critério de profissão; o trabalho profissional, que tem dia, hora, assina ponto, se ele falta sem avisar a gente considera como falta, algumas faltas consecutivas levam à suspensão. A gente tenta não fazer assim tão radical, mas tem que ter porque o voluntário está muito aproximado com a caridade. Assim: eu faço um cheque e dou. Então me sobra um dia e eu vou lá. Se não sobra eu não vou. E essa é a ideia que a gente quer tirar. Aliar a caridade, mas também, com responsabilidade social. Porque é uma tentativa da gente poder ajudar o paciente a se recuperar por meio da solidariedade, da cidadania, ter condições de se tratar. Então nós esperamos do voluntário, é que ele tenha esse compromisso.

Pergunto se todos os voluntários do Hospital Hélio Angotti são aposentados: Não. Nós não temos este viés de falar “Ah, eu aposentei e aí eu venho”. Eu acho que o voluntário que mais participa normalmente não é o aposentado. Os aposentados querem passear também, eles querem liberdade. A gente até tem gente de 80, mas eles sempre dizem: “agora eu vou pro rio, agora eu vou pescar”. E isso tudo é ter um trabalho e aqui ele não gosta. Mas é claro que tem gente que sai com muita frequência: “Eu vou pra casa do meu filho, cuidar do meu neto”. (ANDRADE, 2013).

O voluntariado não seria então um passatempo, uma forma de não ficar à toa em casa sem ter o que fazer, ele exige dedicação e comprometimento. A Associação conta com 180 voluntários; desses, 118 estão com mais de 50 anos e o voluntário com mais idade é uma senhora de 80 anos. Entrevistamos dois voluntários que se encontravam em atividade na Associação quando da entrevista com a presidente. Ambos com mais de sessenta anos. Para Celeste Helena Carvalho38, (2013) com 68 anos na data da entrevista, o voluntariado vem de um exercício de vida iniciado em casa, ainda na infância:

Eu não posso afirmar para você que eu me aposentei e fui procurar alguma coisa para fazer. Desde a minha infância, eu convivi com esse tipo de serviço de doação dentro de casa mesmo. Naquela época, havia muita troca entre os vizinhos, as pessoas conhecidas. [...] Aí no ginásio, algum movimento. No curso normal, havia também um diretor que fazia questão deste tipo de solidariedade. E nós visitávamos muito a Casa do Menino, abrigo, enfim, isso sempre fez parte da minha vida. [...] Então servir o outro sempre foi normal.

A religião sensibiliza para o trabalho com o outro:

Depois, já adulta, eu me tornei espírita e faço parte de um movimento espírita. Enquanto eu trabalhava, eu tinha essa atividade no centro. E fui me preparando para quando eu me aposentar eu quero me dedicar realmente a todas estas atividades. [...] (CARVALHO, 2013)

A saída do mundo do trabalho libera tempo para outras atividades:

E como que eu vim chegar aqui na Associação dos Voluntários? Eu já estava aposentada, intensificando o meu trabalho na casa espírita, também muito amiga de uma senhora que dirige um asilo, um lar de idosos, aí eu também ia lá dar a minha colaboração, e eu assisti a Sandra, pela televisão, chamando as pessoas que quisessem fazer parte do voluntariado. Tem um bom tempo que eu estou aposentada. Aí eu vi e “taí uma coisa boa!”. Aí eu vim participar desta primeira assembleia, e depois na assembleia de fundação, e estou até hoje! Agora, não teve um motivo assim “eu vou por isso, ou por aquilo”. Eu cresci neste ambiente. [...] Então, para mim não foi perda de familiar, não foi doença em família, não foi depressão, vontade de preencher o tempo. Não foi nada disso. (CARVALHO, 2013).

38 Entrevistada em 19 de março de 2013 na sede da Associação dos Voluntários do Hospital Hélio

Ainda de acordo com estudos realizados por Lautert e Souza (2008 p.374), há menor índice de depressão, menor déficit cognitivo e melhor saúde física entre os idosos voluntários.

Em Israel, um estudo longitudinal contemplando idosos a partir dos 75 anos, verificou que os que realizavam trabalho voluntário não se diferenciaram significativamente dos não-voluntários quanto ao número de patologias. Entretanto, os voluntários apresentaram menor déficit cognitivo, menos sintomas depressivos, maior número de relacionamentos interpessoais e avaliação mais positiva da vida. Outras pesquisas realizadas recentemente demonstram que o trabalho voluntário está associado com melhor satisfação pela vida, autoestima positiva, melhor saúde física, autoavaliação positiva da saúde, menor risco para mortalidade e tratamento positivo para depressão.

Confirmando o que nos informou a voluntária Celeste (CARVALHO, 2013), quando a entrevistamos:

Temos as dificuldades que as outras pessoas têm, tenho. Mas eu não misturo. Venho pra cá com alegria, venho pra cá com prazer. Consegui novas amizades, muitos laços foram apertados, gente muito boa. A cabeça, hoje, o meu raciocínio, é melhor e mais rápido do que antigamente. Então eu lido muito com leitura, interpretação. A gente tem que ler bastante. O meu raciocínio está melhor do que antes. Claro, a memória vai falhando. Mas, eu achei que este voluntariado veio a coroar a minha vida. No seguinte sentido: tive uma infância normal, alegre, da época da mocidade, maturidade. Um serviço que me deu também muito prazer, que preencheu minha vida. E agora, é como se fosse um coroamento. Eu vejo a vida dessa maneira. Tudo o que eu vou fazer, eu faço porque eu quero. Porque eu gosto. Então eu tenho prazer em fazer.

O voluntariado atrai principalmente as mulheres e, embora em minoria, encontramos homens atuando em várias atividades que vão desde o barbear os internos, até o fazer café, distribuir e conduzir bingos beneficentes. O Sr Jacob39(2013) é um deles, trabalha na Associação com sua esposa, Emília (2013):

Jacob: Eu aposentei em 2004. Eu comecei aqui em 2002. Eu estava desempregado e vim para cá. Nessa época, eu fiquei um ano antes de aposentar pelo INPS porque eu fiquei afastado. Aí depois o INPS disse que eu tinha condições de trabalhar. Eu achei que não tinha e entrei na Justiça. Aí eu aposentei. Aí eu trabalho aqui. Faço alguma coisa, ajuda e suporte.(...) Eu venho mais no dia que ela vem, que é na terça-feira aí no dia que ela não pode vir, eu venho fazer o café.

39 Entrevistados na sede da Associação dos Voluntários do Hospital Hélio Angotti, no dia 19 de março

Terça-feira passada ela estava viajando aí eu vim. E o dia que eles precisam de mim, liga lá e a gente vem. Por exemplo, a gente vai mexer agora com evento, um bingo. Então antes da senhora chegar, eu já estava acertando os detalhes. Agora vou mexer com este bingo. Aí agora eu venho quase todo dia. Mas eu já vim aqui a semana inteira. De segunda a segunda.

Jacob: Por exemplo, nós montamos a fralda40. Quem começou a fralda aqui foi eu e o José Ricardo. Nós trabalhamos juntos 4 anos. Aí nós vínhamos aqui segunda, tinha dia que nós vínhamos aqui sábado, domingo fazer fralda. A gente ficava o tempo todo. Só pra dar uma ajuda.

Emília: Os filhos moram tudo fora. Aí para a gente preencher um pouco a gente sai.

Jacob: Nós trabalhamos. Eu trabalho, ela também trabalha. Na Associação de Voluntários do Hospital Escola. Lá no hospital, eu sirvo lanche na quinta de manhã, quinta à tarde e sexta de manhã. Emília: E na Igreja também, né?

Jacob: A gente tá na atividade. Não pode parar.

Repete-se a questão de melhor saúde física, menor índice de depressão, menor déficit cognitivo entre os idosos voluntários (2013).

Jacob: É. Eu graças a Deus não tenho nada. Estes dias vou fazer uma cirurgia. Não tem remédio pra ela, só cirurgia mesmo. É de hérnia. De um peso que peguei. Mas não é nada... eu faço meu check up todo ano. Há pouco tempo eu fui consultar, lá no Hospital Escola e quando o médico me chamou e eu entrei ele disse: “ué, eu pensei que ia entrar um velho de 65 anos, achei que ia entrar um velhinho aqui”. Ele já me conhece de lá, do voluntariado. Eu trabalho no mesmo setor que ele. E eu gosto. Faço um trabalho na Pastoral da Saúde também, lá da Igreja.

As pessoas que têm um modo de vida como os voluntários entrevistados não se enquadram nas considerações da velhice como um fardo social, ao contrário, participantes ativos, são contribuintes para uma sociedade melhor do ponto de vista da atenção para aquele que precisa.

40 A Associação dos Voluntários do Hélio Angotti ganhou uma máquina para fazer fraldas