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Geral reconhecida

O efeito da Repercussão Geral, na pauta do Supremo Tribunal Federal, foi praticamente imediato.

As estatísticas do Tribunal mostram que o filtro de recursos conseguiu reduzir em 40% o número de processos distribuídos. Em 2007, foram distribuídos 91.087 processos de janeiro a setembro. Este ano, no mesmo período, foram distribuídos 54.088.

Durante o ano passado, foram distribuídos 49,7 mil Recursos Extraordinários e 56,9 mil Agravos de Instrumento. Até o final de setembro de 2008, foram 18,9 mil Recursos Extraordinários. Os agravos distribuídos contam 29,7 mil.

O Supremo já reconheceu a relevância política, jurídica, social ou econômica em aproximadamente 106 temas constitucionais, dentre os 132 assuntos submetidos ao Plenário Virtual. Pelo menos dezessete dessas questões

53 já foram julgadas e seis resultaram na edição de Súmula Vinculante. Entre as súmulas, estão as que proíbem a cobrança de taxa de matrícula nas universidades públicas e o uso do salário mínimo como indexador de vantagem para servidor público ou empregado.

Uma vez reconhecida a Repercussão Geral, todos os recursos sobre o mesmo tema ficam nos tribunais de origem.

A decisão do Supremo no julgamento do recurso vale para todas as instâncias. No entanto, juízes e desembargadores podem apresentar entendimentos diversos. A única garantia é de que esses casos não poderão mais chegar à pauta do Supremo.

Nos nove primeiros meses de 2008, 12.999 processos foram devolvidos aos tribunais de origem e aguardam o julgamento definitivo da matéria pelo Supremo Tribunal Federal.

Citando decisões recentes sobre o tema, mais três assuntos tiveram Repercussão Geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em Recursos Extraordinários no dia 6 de novembro, quinta-feira.

Eles serão julgados pela Corte porque, segundo os ministros, seus conteúdos ultrapassam o interesse das partes e ganham relevância social, econômica, política ou jurídica para a população em geral.

O mais polêmico foi o RE 589.998, interposto contra um acórdão do Tribunal Superior do Trabalho que exige motivação (justa causa) para demitir funcionário de empresa pública. No caso, trata-se dos Correios. Os ministros Cezar Peluso, Eros Grau, Gilmar Mendes, Celso de Mello, Menezes Direito, Ellen Gracie e Ricardo Lewandowski não viram razões para o caso ser julgado pelo Supremo, mas como é preciso um quorum de oito ministros para recusar a Repercussão Geral, o tema será avaliado pela Corte.

Já no RE 590.751, a resistência a esse juízo de admissibilidade foi bem menor. Apenas dois ministros, Menezes Direito e Celso de Mello, foram contra o julgamento sobre aplicação de juros moratórios e compensatórios em créditos de pequeno valor, alimentícios, de precatórios decorrentes de ações iniciadas antes do ano 2000, e os demais previstos no artigo 78 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Assim, o assunto entrará na pauta do tribunal para análise de mérito.

54 O ministro relator do RE, Ricardo Lewandowski, defendeu a Repercussão Geral porque, na opinião dele, os credores submetidos a parcelamento desses créditos obteriam uma diferença significativa quanto ao valor recebido. Para Lewandowski, a matéria pode acarretar um impacto relevante no orçamento das diversas unidades da federação.

Também foi aceito o RE 594.116, que sustenta como ilegal a cobrança de porte de remessa e retorno de autos de autarquia federal (no caso concreto, o INSS) no âmbito de Justiça estadual. O Instituto alega que, assim como está isento da taxa judiciária do preparo recursal, também deveria estar livre de pagar porte de remessa e retorno. Neste caso, apenas três ministros — Celso de Mello, Carlos Ayres Britto e Eros Grau — entenderam que não há Repercussão Geral.

No mesmo dia foram barrados dois Recursos Extraordinários: um deles sobre a incidência de Imposto de Renda sobre benefícios pagos de forma equivocada pelo INSS (RE 592.211) e o outro sobre a possibilidade de a parte perdedora de um processo judicial ser obrigada a pagar honorários advocatícios à Defensoria Pública quando esta tiver defendido a parte vencedora (RE 582.730). Nos dois casos, o ministro Marco Aurélio viu a hipótese de o interesse ultrapassar as partes, mas não foi acompanhado pela maioria. Apenas no primeiro RE o ministro Carlos Ayres Britto manifestou o mesmo entendimento.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

É inegável que o processo passa por relevantes alterações valorativas, que sempre demandam uma adaptação cultural.

A aplicação do instituto da Repercussão Geral, certamente, exigirá da jurisprudência e da doutrina redobradas parcimônia e meditação.

Pode-se afirmar, inclusive, que a efetividade do mecanismo e a concretização dos ideais que nortearam a sua criação em nosso ordenamento vinculam-se, de forma inarredável, aos contornos práticos que lhe serão conferidos por nossos tribunais.

Longe de qualquer pretensão de esgotar o tema, o singelo objetivo deste breve ensaio limita-se à tentativa de estimular o debate sobre esse assunto tão atual e interessante.

As idéias ora apresentadas são primeiras impressões. Suas conclusões, parciais, ficam, desde já, sujeitas ao exame da doutrina e, especialmente, à confirmação pela jurisprudência.

Entretanto, por fim, ressaltamos o nosso entendimento a cerca da importância e da relevância jurídica do instituto estudado no presente trabalho, considerando a sua função precípua de garantir o pleno exercício do papel de Corte Constitucional do Supremo Tribunal Federal.

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Benzer Belgeler