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RUM CEMAATİNİN SOSYO KÜLTÜREL DEĞİŞİMİ

Ao analisar os tipos de brinquedos usados pelas crianças na área do brinquedo dramático, notamos que não houve diferença significativa nos brinquedos utilizados por meninos e meninas. Entretanto, quando analisamos os tipos de jogos, observamos que as meninas brincaram mais com bonecas, e o tempo que elas permaneceram na área do brinquedo dramático desenvolvendo atividades foi maior em relação aos meninos. O fato de os meninos terem desenvolvido atividades na área do brinquedo dramático, que é considerado, muitas vezes, como um espaço feminino, demonstra que eles não incorporaram totalmente as discriminações de gênero que são feitas em nossa sociedade por diversos artefatos culturais. Como afirma Siqueira:

Dizemos que a matriz de identidade é oferecida diferentemente aos meninos e meninas, no sentido ideológico de manter as polaridades de gênero. Isso é bastante evidente em diversas situações, tais como nos tratamentos dados aos recém-nascidos, ou nas ofertas de brinquedos diferenciados por sexo (SIQUEIRA, 1999, p. 34).

Estudo realizado por Felipe (1999) mostrou que existe uma clara distinção entre as próprias embalagens dos brinquedos destinados aos meninos e os destinados às meninas. Brinquedos considerados de meninos estão relacionados a temas como esporte, força física, competitividade e uma forte carga de agressão, havendo ainda uma linha enorme de bonecos ou super-heróis com armaduras, capacetes, espadas etc. Já os brinquedos direcionados às meninas caracterizam-se pelo apelo à domesticidade, à maternagem e ao cultivo à beleza.

Mesmo que seja visível a atração que as bonecas e casinhas causam também em bebês masculinos, há uma rápida interdição da cultura, para que estes não façam uso de tais brinquedos. Quantos pais/mães ousariam presentear seus filhos com bonecas ou aparelhos de chá? Em especial os homens ficam muito aflitos quando percebem que seu filho apresenta um comportamento que entendem como uma possível “tendência” homossexual (FELIPE, 1999, p.3).

Nessa mesma perspectiva, Finco (2003) ressalta que o fato de as pessoas reforçarem a existência de brinquedos certos para meninos e brinquedos certos para meninas pode estar relacionado à preocupação que se tem com a futura opção sexual da criança. Essa pesquisadora destaca, porém, que o fato de o menino brincar com boneca ou de a menina brincar com carrinho não significa que terão uma orientação homossexual. Para Louro apud Finco (2003), essa preocupação é fruto da dificuldade que as pessoas têm em diferenciar identidade de gênero da identidade sexual, pois, apesar de estarem relacionadas, não significam a mesma coisa, tornando-se fundamental discutir mais esses conceitos para que se possam evitar essas distorções. Nesse sentido, Louro (2003b) enfatiza que:

Sujeitos masculinos ou femininos podem ser heterossexuais, homossexuais, bissexuais (...) O que importa aqui considerar é que – tanto na dinâmica do gênero como na dinâmica da sexualidade – as identidades são sempre construídas, elas não são dadas ou acabadas num determinado momento. Não é possível fixar um momento – seja esse o nascimento, a adolescência, ou a maturidade – que possa ser tomado como aquele em que a identidade sexual e/ou a identidade de gênero seja “assentada” ou estabelecida. As identidades estão sempre se constituindo, elas são instáveis e, portanto, passíveis de transformação (LOURO, 2003b, p. 27).

Ao analisar os tipos de brinquedos utilizados pelas meninas e pelos meninos nos jogos desenvolvidos na área do brinquedo dramático no LDH e no LDI, verificamos que as crianças não seguiram, totalmente, as classificações de brinquedos que são feitas pelas mídias e pela sociedade como um todo. A área do brinquedo dramático, por ser um espaço livre para as crianças representarem os papéis psicodramáticos e por não sofrer interferência direta dos adultos, permitiu aos meninos e às meninas optarem por diversos brinquedos, sem ter que se sujeitarem às classificações que delimitam brinquedos “certos” para meninas e brinquedos “certos” para meninos.

Quando a área do brinquedo dramático estava livre, os brinquedos utilizados pelos meninos foram: utensílios de cozinha (pratos, copos, talheres, panelas, garrafas de café, tigelas, batedeira de bolo, forno microondas, liquidificador etc.), brinquedos

imitando alimentos (verduras, frutas, ovos, carnes, sorvete e outros), carrinho de compras, acessórios pessoais (óculos escuros, roupas, caneta, mochila do ursinho Pooh, escova de cabelo), telefone, controle de videogame e bonecas. Os brinquedos utilizados pelas meninas foram: utensílios de cozinha (pratos, copos, talheres, panelas, garrafas de café, tigelas etc.), batedeira de bolo, liquidificador, forno microondas, rodo com pano, brinquedos que imitavam alimentos (verduras, frutas, ovos, carnes, sorvete e outros), carinho de compras, acessórios pessoais (carteira, cinto, calendário, caneta, escova de cabelo, óculos escuros, roupas, anel, bolsas), telefone, controle de videogame, animais em miniaturas, mamadeira e bonecas, como mostrado no Quadro 3.

Quadro 3 –Tipos de brinquedos usados por meninas e meninos nos jogos desenvolvidos na área do brinquedo dramático livre

Brinquedos utilizados pelas meninas Brinquedos utilizados pelos meninos Utensílios de cozinha

Brinquedos que imitavam alimentos Carrinho de compras Acessórios pessoais Telefone Controle de videogame Animais em miniatura Mamadeira Bonecas Utensílios de cozinha Brinquedos que imitavam alimentos

Carrinho de compras Acessórios pessoais

Telefone Controle de videogame

Bonecas

Fonte: Dados da pesquisa.

Estudos têm apontado que essa prática de não limitar os brinquedos em função dos sexos tem sido, constantemente, criticada por pais, professores e outros adultos que têm as ideologias de gênero muito arragaidas. Essa imposição dos adultos acaba ocasionando prejuízos ao desenvolvimento das crianças, pois limita as possibilidades para exercitarem o fator tele e fator espontaneidade. Estudos realizados por Finco (2004) e Guizzo (2005) indicaram que vários professores das instituições de educação infantil, quando encontram menino brincando com boneca, ficam preocupados e consideram que a criança apresenta comportamento considerado desviante e a encaminham para tratamento psicológico. Esperam que com o tratamento psicológico esse comportamento passe a se encaixar, perfeitamente, nos valores presentes na conserva cultural, dando continuidade à reprodução das ideologias de gênero.