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5. İSLÂM AHLAK DÜŞÜNCESİNDE TIBB-I RÛHÂNÎ

5.8. CELÂLEDDİN DEVVÂNÎ VE AHLÂK-I CELÂLÎ’Sİ

A discussão em torno do trabalho feminino na educação dá-se em virtude do número de trabalhadoras docentes que atuam ser em maior proporção do que dos trabalhadores. De acordo com dados disponibilizados do ano de 2011, 70,26% dos trabalhadores docentes eram do sexo feminino em comparação a 29,74% do sexo masculino (BELÉM 2011). Portanto, ganha destaque a questão da saúde da mulher em virtude da própria feminização do magistério.

Sobre a problemática do adoecimento entre os servidores, verifica-se um dado interessante que requer uma análise cuidadosa, que são os referentes à faixa etária, tempo de serviço e sexo, uma vez que são as mulheres que mais aparecem com problemas de saúde. A tabela 7 apresenta essas informações.

Tabela 7 – Distribuição do Nº absoluto de servidores com afastamento médico em função da “Faixa Etária”, “Tempo de serviço” e “Sexo”. SEMEC GERAL/2011

Faixa Etária (anos)

Tempo de Serviço (anos) Total Geral

01 a 05 06 a 10 11 a 15 16 a 20 21 a 25 26 a 30 > 30 F M F M F M F M F M F M F M N % 30 a 39 01 -- 36 15 50 05 03 -- -- -- -- -- -- -- 110 14% 40 a 49 01 01 28 07 154 27 41 03 32 04 22 -- 03 -- 323 40% 50 a 59 02 -- 14 03 80 20 46 10 40 07 40 02 12 02 278 34% ≥ 60 -- 01 03 01 13 03 17 05 22 02 13 04 07 06 97 12% Total Geral 06 107 352 125 107 81 30 808 100% Fonte: Quadro de Levantamento NAST/2011

Na distribuição dos servidores em processo de adoecimento, o sexo feminino é predominante nos grupos examinados por tempo de serviço e faixa etária. Este dado não é surpresa, no entanto, precisa ser mais debatido dentro e fora da academia, pois não tem mais como não se aprofundar nas questões relacionadas à saúde da mulher, principalmente das que

além do mercado de trabalho, administram a casa e atividades domésticas. A faixa etária de 40 a 49 anos e o tempo de 11 a 15 anos são predominantes entre as mulheres que adoecem, o que requer maiores investigações sobre, idade e tempo de serviço e sexo.

A intensificação e precarização do trabalho feminino estão incorporadas em uma lógica de reprodução do capital. Mesmo que no campo da educação o trabalho docente não caminhe para essa lógica diretamente, mas indiretamente isto vem ocorrendo e se pode afirmar que ela já está intricada no cotidiano de trabalho desde que a profissão docente passou a se consolidar no seio da sociedade capitalista. Então não é uma realidade nova. Apenas uma realidade invisível para a sociedade. Entretanto, autores como Hirata (2002) passam a analisar a questão de gênero e os agravos à saúde.

Hirata (2001), ao tratar da questão da divisão sexual do trabalho, frente à globalização dos anos de 1990, indica três situações como ponto de discussão do período em questão: o primeiro sobre o emprego e a divisão sexual do trabalho; o segundo as características do trabalho feminino na crise e o terceiro a crise do desemprego e o desenvolvimento do trabalho flexível e precário.

A autora pondera que o emprego e a divisão social do trabalho com a globalização favoreceu a diminuição de postos de trabalho masculino, e aumentou consideravelmente a participação da mulher no mercado de trabalho, “contudo, essa participação se traduz principalmente em empregos precários e vulneráveis, como tem sido o caso na Ásia, Europa e América Latina” (HIRATA 2001 p. 143). De acordo com a autora as desigualdades sociais, de condições de trabalho e de saúde permaneceram ao mesmo tempo, em que a divisão do trabalho doméstico não mudou com o maior envolvimento das mulheres no mercado de trabalho (HIRATA 2001).

As características do trabalho diante da crise do capital se colocam como um desafio, uma vez que a precarização, a bipolarização entre grupos de mulheres, de um lado as que são qualificadas e conseguem ascender às boas condições de salários dentro do conjunto de mão- de-obra feminina, principalmente engenheiras, médicas, professoras, gerentes, advogadas, magistradas, juízas, e outras; e de outro lado, estão às trabalhadoras com baixa qualificação, sem reconhecimento nem valorização social. Entretanto, mesmo com as transformações e com maior mão-de-obra feminina no mercado de trabalho, ainda não ocorreram mudanças significativas no trabalho doméstico. O incremento tecnológico no campo doméstico que tendeu a facilitar as tarefas de casa, não mudou a relação da divisão social do trabalho

doméstico, ou seja, as mulheres continuaram a realizar o trabalho doméstico. Esta realidade permaneceu intacta (HIRATA 2001).

Sabe-se que foi a partir da inserção da mulher no mercado de trabalho, com mais ênfase a partir da Revolução Industrial, em que a demanda por mão-de-obra abriu espaços não apenas para o trabalho feminino, como para o trabalho infantil. Entretanto, este papel assumido pela mulher não a retirou do trabalho doméstico, além do cuidado com a família, principalmente na educação dos filhos. Este acúmulo de atividades tem levado à sobrecarga de trabalho, devido às longas jornadas causando, como consequências, maiores índices de adoecimento entre essas trabalhadoras.

Uma frase interessante sobre o processo de precarização do trabalho visto sob o prisma do mercado de trabalho é de Nogueira (2011, p. 160) e expressa a questão sobre o seguinte prisma “a precarização apesar de atingir enorme contingente da classe trabalhadora, tem sexo”. O autor afirma que a exploração do trabalho feminino se dá pela sociedade ainda acreditar que o trabalho que a mulher realiza serve como complementar à exigência de subsistência da família, ao mesmo tempo em que, e alguns tipos de trabalho, como exemplo no setor de telemarketing ou de sapatos, podem ser conciliáveis ao trabalho doméstico.

Com relação à saúde, Aquino et al., (1995) enfatizam duas problemáticas relacionadas à invisibilidade de doenças de mulheres relacionadas ao trabalho: a primeira se refere ao não reconhecimento das atividades laborais como causadoras de adoecimentos, pois o conceito de trabalho estava/é restrito à atividade produtiva fabril, o que levou a se investigar o fenômeno do adoecimento entre as mulheres a partir do estudo da população masculina. E a segunda problemática ocorre pelo fato de a mulher ser vista na medicina moderna apenas como mãe, levando assim as pesquisas a se concentrarem nos aspectos reprodutivos da saúde da mulher. Este último aspecto ainda é relevante, pode-se dizer.

A Portaria de n° 1.823, de 23 de agosto de 2012, institui a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora e integra as ações alinhando essa política com a Política de Saúde do Trabalhador (Lei 8080/90) e a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (PNSST Decreto N.º 7.602/11). A Portaria chama atenção pela inserção da palavra trabalhadora no texto, já que na lei 8080/90 o termo é desconsiderado. Aqui, não se trata apenas de uma questão de gênero, mas de afirmação de uma condição.

A visão reducionista da figura da mulher relacionada a questões biológicas e reprodutoras restringiam o cuidado à saúde. Esta visão acabou por não favorecer um entendimento da saúde da mulher em uma abordagem ampla e integral (BRASIL 2004). Foi

pensando em uma política que valorizasse as peculiaridades femininas que, em 2004,35 se lançou a Política Nacional de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PNAISM). O princípio do PNAISM é a “implementação de ações de saúde que contribuam para a garantia dos direitos humanos das mulheres e reduzam a morbimortalidade por causas preveníveis e evitáveis” (BRASIL, 2004). Mesmo com a PNAISM, ainda está longe de se imprimir realmente uma ação efetiva no campo da saúde da mulher trabalhadora, pois a legislação ainda se ocupa do corpo, da reprodução, e pouca atenção vem sendo dada à saúde integral da mulher trabalhadora.

Apreende-se que as análises sobre a saúde da mulher trabalhadora envolvem múltiplos aspectos que não podem deixar de ser considerados, à medida que o campo da saúde é minado e incorpora discursos de uma visão pragmática de que o trabalho é indiferente à questão do gênero e assim naturalizam as diferenças entre homens e mulheres e os discursos do corpo como aspecto biológico. É imprescindível situar a mulher trabalhadora, não apenas em seu local de trabalho, mas que agrega outras ocupações que de certa forma acabam por impactar sobre sua saúde.

No caso da educação, em que majoritariamente a mulher se faz presente, será preciso analisar o conteúdo do trabalho docente que tem forte carga emocional no cuidado com outras pessoas, que envolve qualidades como paciência, dedicação, destrezas que são predicados característicos do magistério. Muitas vezes essas características influenciam em uma visão idealizada da profissão, que por sua vez, escamoteiam as condições de trabalho que envolve a atividade docente, como locais insalubres, falta de materiais, baixos salários, além da extensiva jornada de trabalho, que pode quadruplicar se for levado em consideração o espaço doméstico.

Com a certeza de que este debate não pode se esgotar aqui, é necessário buscar na questão de gênero e da feminização do Magistério novas analises para a questão do adoecimento das mulheres trabalhadoras no campo da educação, e em especial das docentes, no sentido de se evidenciar os fatores que estão por detrás deste trabalho e da condição da mulher na sociedade contemporânea do trabalho.

No decorrer deste capítulo foi realizada uma tomada de informações acerca das condições de saúde e trabalho na rede pública de ensino de Belém, tendo como aporte os relatórios do Núcleo de Atenção aos Trabalhadores (NAST). Foi descrito como se efetivam as

35 Na realidade, desde a década de 1930, a saúde da mulher começa a ser incorporada ás políticas nacionais,

políticas de assistência à saúde do trabalhador de maneira geral, para em seguida, se demonstrar como que isso passou a determinar as políticas de saúde dos trabalhadores em educação, focalizada no município de Belém e com os trabalhadores docentes. Em seguida, passou-se a analisarem os dados dos Relatórios sobre o adoecimento dos trabalhadores docentes nas escolas. A partir daí se adentrou nas condições de trabalho nas escolas, porém já se fazendo um recorte com os sujeitos da pesquisa em questão. Preferiu-se neste momento, não se analisar os dados específicos das condições de saúde dos trabalhadores docentes, o que será feita no capítulo que segue.

CAPÍTULO 4 - O ADOECIMENTO NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE