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3. NEFSÂNÎ HASTALIKLARIN TEDAVİSİ

3.3. ARZU GÜCÜNE AİT HASTALIKLARIN TEDAVİSİ

Compreende-se que a escola é uma instituição complexa, cujos objetivos e finalidades nem sempre são evidentes. Ao contrário, em sua grande maioria são velados, mas, no entanto, são impregnados de normativas de acordo com o que apregoam as políticas educacionais. Em virtude das transformações que a sociedade vem sofrendo, a educação e as escolas passam a ter papel fundamental na efetivação das políticas educacionais, impactando no trabalho docente, uma vez que as responsabilidades assumidas por estes, estão além da sala de aula.

No caso dos trabalhadores docentes da Rede Municipal de Ensino de Belém (RME), no que tange às políticas educacionais, o foco foi a formação continuada, cujo objetivo foi a de instrumentalizá-los para que os mesmos pudessem pôr em prática a política de avaliação do governo para a educação básica, através da Prova Brasil, visando aumentar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e, mais recentemente, a Provinha Brasil, para detectar o nível de evolução do processo de leitura e escrita das crianças do Ciclo Básico I.

Ao serem questionados sobre as políticas educacionais do município de Belém e os impactos que elas provocaram no trabalho docente, 75% deles se referiram às políticas de formação continuada como as que estavam mais impactando no trabalho docente, devido as maiores exigências feitas para que pudessem contribuir com resultados positivos nas avaliações dos alunos. A seguir as falas sobre a temática:

Penso que essas políticas que eles fazem, essas demandas de formação causa um tipo de revanche uma competitividade e vem a cobrança para cima de nós e nós cobramos do aluno, da mãe, dos pais, da família e aí fica essa sequência de cobranças para poder avançar (TRABALHADORA DOCENTE 12).

Vejo a formação que a SEMEC faz e essa cobrança [que tem como resultado] professor 100% com classe de alfabetização com plaquinha e tudo. Eu penso que isso não é bom porque a gente se sente cobrado de uma forma quase que obrigatória e o que a gente pensa de fazer com prazer às vezes se torna uma obrigação e daí que vem esta angústia e eu tenho certeza que não é só minha (TRABALHADORA DOCENTE 8).

Primeiro acredito assim, que está se tentando fazer mais formações para se fazer o profissional dar conta daquilo que eles estão cobrando. No caso, nós tivemos o ALFAMAT que é uma formação na área da alfabetização e Matemática que prepara o profissional do ciclo II que é o meu caso para preparar os alunos para fazerem a tão esperada Prova Brasil (TRABALHADORA DOCENTE 5).

Formar e cobrar. Este é o foco das políticas de educação do munícipio de Belém. Percebe-se, a partir das análises das falas acima, a existência de uma alteração sobre as finalidades do trabalho docente, impactando imediatamente nesses sujeitos. O trabalho por resultados acaba por favorecer o espírito de competitividade, seguindo a lógica da sociedade capitalista, criando angústias, abalos psicológicos e principalmente transformando o prazer em sofrimento. Tudo isso em nome do aumento do IDEB.

As mudanças que incidem nas atividades dos trabalhadores docentes da RME, nos últimos oito anos, a partir das reformas educacionais efetivadas no Estado, aumentaram o nível de exigência não apenas do sistema, mas do próprio trabalhador para consigo mesmo. Contudo, existe uma avaliação crítica dessa realidade:

Eu acredito que eu me exijo a partir da cobrança que se tem de mim. Eu me cobro a partir do que me cobram. Também eu acredito que o sistema educacional ele tá muito exigente, neste sentido de resultados, de notas e provas e não é por ai. Eu acredito que o sistema como todo precisa ser avaliado e reorganizado de novo, porque está caindo de novo na história da prova e nota (TRABALHADORA DOCENTE 3).

Tantas exigências em nível de coordenação, de direção, de pressão de prefeitura dependendo da esfera que nós estamos. Acredito que isso nos leve a adoecer, seja fisicamente, psicologicamente, e não é por ai... Poderia ser melhor pensada a educação (TRABALHADORA DOCENTE 1).

A consciência de que os níveis de cobranças estão trazendo consequências para a saúde dos trabalhadores docentes, é um fato que precisa ser considerado, uma vez que, na atual conjuntura, será necessária a construção de alternativas que deem conta dos problemas

que afligem os trabalhadores docentes (DUARTE, 2006), pois de certa maneira a forma como são conduzidas as políticas de formação na RME de Belém, pode colocar em risco a saúde deste trabalhador.

Cada vez mais, a lógica que orienta o trabalho docente, acompanhado do discurso de responsabilidade, eficiência e eficácia acaba por tornar o trabalhador docente mais sensível a essas exigências, havendo um efeito sobre sua subjetividade, tornando o trabalho mais uma obrigação no sentido negativo, uma vez que resta pouco espaço à satisfação profissional, resumida em uma frase de uma das entrevistadas sobre as políticas educacionais no município: “É uma questão que você tem que passar por adaptação e aí entra em conflito, no que você acredita, enquanto educação e aquilo que o sistema exige de ti” (TRABALHADORA DOCENTE 9).

O depoimento acima se torna relevante, à medida que expõe a realidade vivenciada pelos docentes que traduz o descompasso entre os objetivos da escola e da sociedade, confirmando a tese de Esteves (1999) que relaciona o conflito e as contradições dos sistemas de ensino como um dos fatores que delineia o perfil do mal-estar docente e pode determinar como esse trabalhador se sente com o seu trabalho cotidiano. Nestes conflitos, também estão inseridos as transformações do papel e a imagem do trabalhador docente na sociedade, a falta de apoio da familiar, a violência nas escolas e os níveis de exigências a este trabalhador, aliado à falta de recursos e condições de trabalho.

Para Esteves (1999), há uma contradição que perpassa o papel assumido pelos docentes. Há um conflito entre o modelo societal, no qual os objetivos da sociedade estão voltados para os valores materiais, como é o caso das políticas educacionais que focam em metas e resultados e as perspectivas dos docentes, fazendo com que eles próprios, busquem um equilíbrio entre os objetivos educacionais e os seus objetivos. No entanto, essa busca é marcada por conflitos, por mal-estar.

O mal-estar docente pode provocar o absenteísmo, que se traduz em muitos casos, em baixa motivação para o trabalho em que podem estar relacionados ao um número muito alto de licenças médicas, ou vários atestados médicos de poucos dias, mas com frequências, ou ausências curtas da escola com pequenas justificativas. Durante o processo de pesquisa, uma diretora da escola, narrou de forma informal, que o número de atestados médicos naquela escola era tão alto que sobressaía no acúmulo de papel, no final do mês.

Para Esteves (1999), o mal-estar docente acaba tendo uma repercussão negativa à prática docente, em virtude das ausências, e ao mesmo tempo em que traz problemas de saúde

física e mental. Na constatação da existência e as causas do mal-estar docente entre estes trabalhadores, Esteves (1999) aponta a necessidade de se buscar soluções que evitem o aumento destes casos. Para o autor, duas abordagens são necessárias: a preventiva, que se faria na formação inicial dos trabalhadores docentes, a qual seria a adequação da formação às novas exigências e problemas de ensino, pois ele entende que o trabalhador docente, mais preparado terá melhores condições de enfrentar os desafios do cotidiano escolar; e a segunda seria a articulação de estrutura que possibilitasse ajudar a estes profissionais em exercício. Aqui, o autor indica uma formação permanente, que propicie ao trabalhador a assimilação “das transformações na educação, na sala de aula e no contexto social que o rodeia” (ESTEVES, 1999, p. 118).

O autor citado faz referências às condições de trabalho em que aponta a falta de materiais, que limita o trabalho docente e tem relevância à situação de mal-estar que atinge o trabalhador docente. Veremos adiante como isso colabora com o adoecimento docente.

4.3 AS CONDIÇÕES DE TRABALHO E O ADOECIMENTO DOS TRABALHADORES