1.1. Meşru Bir Değişken Olarak Zihinsel Canlandırma
1.1.3. Canlandırma ve Psikoterap
A inclusão social do inferior da pirâmide através de uma ação conjunta entre governo, sociedade civil, empresas e academia são parte da agenda imperativa do mundo globalizado. Nesta pesquisa propôs-se um modelo chamado de Reengenharia Social no qual estes quatro atores trabalham em conjunto para empurrar o inferior da pirâmide para o topo, através da análise de programas de políticas sociais e dos conceitos de responsabilidade social corporativa, sustentabilidade, estratégia e moda em mercados. Não foram analisadas questões importantes como segurança que impedem empresas de se instalarem nestes locais bem como a influência de regimes políticos autoritários, coercitivos e corruptos.
O critério renda utilizado nesta pesquisa para analisar e definir a pobreza limita o entendimento da dimensão da pobreza (OTTONELLI et al., 2011) no sentido de não abordar outras privações propostas por Sen (2000) como educação, saúde, longevidade, segurança e IDH. Questiona-se também que a renda per se não propicia autonomia das famílias, podendo criar uma situação de dependência. Programas e ações sociais emancipatórios mostram-se mais indicados do que os programas exclusivamente compensatórios (SARTORI e GARCIA, 2011).
Esta pesquisa não pretendeu ter uma resposta para todos os desafios encontrados na construção de um modelo teórico para empurrar o BOP para o topo da pirâmide até porque deixam de lado questões tão importantes como regimes de governo, corrupção, segurança, vontade política em transformar, inovar com ações públicas eficientes e eficazes; a superação do olhar exclusivamente econômico das empresas, bem como a capacidade da sociedade olhar para o coletivo no lugar do individual. Este modelo pode ser considerado uma proposta de negócios utópica, intangível, de risco e de custo elevado por alguns atores (OLSEN e
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BOXENBAUM , 2009). O quanto este modelo teórico pode explicar o fenômeno de empurrar o BOP para o topo da pirâmide dependerá de testes empíricos.
Uma agenda para futuras pesquisas nos mercados do BOP, pode incluir quais são as restrições para o desenvolvimento do mercado do BOP. Uma segunda possibilidade é analisar o quão efetiva será a moda em gestão da pobreza, quanto tempo levará até que os benefícios desta moda sejam alcançados, e quanto tempo depois que o interesse na moda em gestão da pobreza diminuir, os benefícios ainda aparecerão (CARSON et al., 2000). Testar o modelo aqui proposto nos países em desenvolvimento, nas áreas do BOP. O modelo poderá ser testado, num primeiro momento, em cidades ou municípios pequenos, com a participação da Prefeitura, do Estado e do Governo Federal que convidariam empresas para participar do projeto, acadêmicos locais ou de cidades próximas como também a sociedade local.
Futuras pesquisas poderão medir as taxas de pobreza nos locais onde foram implantadas empresas que utilizam o BOP como mão de obra, entrevistar o BOP e avaliar a sua condição de vida antes e depois do modelo. Outros estudos voltados para a definição sobre quais ações podem e devem ser consideradas de RSC fora da ótica legalmente responsável, bem como qual é a diferença entre as ações de RSC das empresas nos países desenvolvidos e as ações de RSC das empresas nos países em desenvolvimento e qual impacto destas ações na redução da pobreza podem ser explorados.
6 CONCLUSÃO
A relação interconectada dos quatro atores no lugar de agirem isoladamente para empurrar o BOP para o topo da pirâmide foi o ponto de partida desta pesquisa. A literatura existente sobre BOP e sobre a pobreza não aborda a relação conjunta entre os quatro atores, ela se apresenta ora sobre estudo de casos de empresas que vendem para o BOP e como atuaram com o governo local para explorar este mercado; a academia, por sua vez, não explora o tema redução da pobreza ou em como empurrar o BOP para o topo da pirâmide, assim como também a sociedade civil não é citada nos artigos existentes.
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Ao explorar a literatura existente sobre o BOP e o Brasil como caso de sucesso na redução da pobreza, vi a necessidade de propor uma abordagem mais social e menos econômica do BOP, focando nele como mercado produtivo, ou seja como mão de obra ou produtor e menos como mercado consumidor. Do mesmo modo o pouco interesse da academia no tema, despertou o desafio de lançar o inferior da pirâmide no mundo da moda em gestão. Além disso, é evidente a necessidade de repensar o BOP além da sua exploração econômica; incorporar a sustentabilidade econômica, social e ambiental para a redução da pobreza e convocar os quatro atores a agirem em conjunto para empurrar o BOP para o topo da pirâmide. No momento em que os pobres ficarem menos pobres, mesmo que os ricos fiquem mais ricos, a renda média da população sobe, diminuindo a desigualdade social e resultando na redução da pobreza. A partir de então, o BOP, que não será mais BOP, se transforma num mercado potencialmente consumidor.
A partir dos conceitos de RSC, estratégia, sustentabilidade, moda em mercados e políticas públicas sociais pretendi potencializá-los através de uma abordagem crítica e da atuação dos 4 atores em conjunto. No modelo proposto espera-se ter esclarecido a importância das empresas na redução da pobreza, indiretamente na geração de impostos para o Governo, e, diretamente, quando desenvolvem projetos específicos para utilizar o inferior da pirâmide e assim termos contribuído para elaborar proposições que permitam futuras pesquisas.
Sugeriu-se a importância do desenvolvimento de um projeto, pelas empresas, específico para empurrar o BOP para o topo da pirâmide versus projetos sociais ou de sustentabilidade de caráter geral nas áreas do BOP. Considerou-se também os efeitos mútuos, do modelo de Reengenharia Social, para os quatro atores e para as pessoas que vivem em extrema pobreza.
A literatura científica existente sobre BOP, está voltada para este como mercado consumidor. Este trabalho, ao contrário propôs olhá-lo como mercado produtivo através de um modelo teórico que permita o BOP subir os degraus da pirâmide. O modelo de Reengenharia Social considera a relação interconectada entre governo, empresas, sociedade civil e academia como condição para transferência de conhecimento, desenvolvimento econômico e social de uma forma mais justa e um planeta sustentável com menos pobreza. Os
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quatro atores devem trabalhar em conjunto e não separadamente para empurrar o BOP para o topo da pirâmide, considerando o todo maior que a soma de suas partes. Elimina-se assim a disputa irracional coletiva pelas fatias do bolo de renda. Reengenharia Social é uma engrenagem voltada para empurrar o BOP para o topo da pirâmide através da qual os quatro atores se relacionam em conjunto através de ações de RSC, estratégia e moda em gestão nos países em desenvolvimento as quais são mediadas pela sustentabilidade e moderadas por políticas públicas específicas.
Os índices de redução da pobreza no Brasil em 13 anos, mostram ser fundamental políticas públicas específicas para erradicação da pobreza. Entretanto, recomenda-se não restringir políticas sociais à redução da pobreza. Empresas, por sua vez, não influenciam diretamente a diminuição da taxas de pobreza, mas contribuem para o desenvolvimento econômico e social, gerando mais empregos e impostos/arrecadação para o Governo, os quais se transformam em recursos que podem ser transferidos para a erradicação da pobreza. As organizações podem desempenhar papel fundamental no crescimento das nações subdesenvolvidas ou em desenvolvimento, não só pelo seu potencial produtivo, como também pelo fornecimento de subsídios para o desenvolvimento social. Fecha-se assim um ciclo virtuoso num processo ganha-ganha para todos os quatro atores.
Ao analisar os locais sede das empresas que aparecem nos estudos de caso sobre BOP, estes não apresentam indicadores de diminuição da pobreza. As empresas citadas pela literatura do BOP, perceberam alguma oportunidade de negócios, algumas realizaram projetos sociais na região, porém não foram instaladas com ambos objetivos: empurrar o BOP para o topo da pirâmide e gerar lucros. Estas empresas levaram benefícios para estes locais, mas não podemos relacionar isto à diminuição das taxas de pobreza nas áreas do BOP.
Ações sociais ou ações lucrativas? Nós dizemos, Reengenharia Social, para dirimir os conflitos do paradoxo de como fazer o social com fins lucrativos.
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