B- Hayır Vergileri
1. ZEKATLARIN ÖDENMESĠ VE HESAPLANMASI
3.1. Cami Ve Mescitlerde Hayır Kurumları, Yararına BağıĢ Toplanması(Ġstenmesi)
A análise teórica permitiu constatar que, sob certas condições, a criação de poder compensatório pode ser benéfica em termos de aumento de bem-estar. Ao mesmo tempo, verificou-se que a intervenção antitruste, em geral, desconsidera essa possibilidade e tende a barrar a criação de poder econômico, mesmo quando esta se cristaliza de forma compensatória a um poder de mercado pré- existente. Um exemplo disso é a coordenação entre os médicos na busca por equilíbrio nos termos da negociação com as operadoras de planos de saúde. Em geral, o entendimento do CADE é que este arranjo configura formação de cartel, o que é considerado um ilícito antitruste. Portanto, verifica-se uma incoerência entre a teoria econômica e a intervenção das autoridades de defesa da concorrência.
Diante dessa diferença entre a teoria econômica e a prática antitruste, os exercícios econométricos têm por objetivo avaliar se, ao menos no mercado de saúde suplementar, a criação de poder de mercado, traduzida pela formação de cooperativas médicas, pode ser entendida como criação de poder compensatório. Em caso afirmativo, espera-se que os efeitos da presença de cooperativas médicas sejam benéficos em termos de aumento de bem-estar.
Tendo como foco a dimensão preço, constatou-se a partir do exercício 1 que, a depender da variável dummy considerada, a conclusão pode ser distinta. Quando se avalia conjuntamente os dois grupos de cooperativas médicas – aquelas condenadas pelo CADE e as que não foram alvo de intervenção
antitruste – observa-se que a presença de coordenação entre médicos possui o condão de reduzir os preços aos beneficiários.
No entanto, quando os dois grupos de cooperativas são analisados de maneira segmentada, os efeitos sobre os preços são distintos. A dummy
cooperativa 2 – que inclui as cooperativas identificadas a partir dos processos do
CADE – mostra que o arranjo entre os médicos é responsável por reduzir o nível dos preços de planos de saúde ao consumidor final, resultado em linha com o obtido no caso da dummy cooperativa total.
Conforme apresentado, uma possível explicação para esse resultado é que somente as cooperativas condenadas pelo CADE estariam em condições de equilibrar a assimetria de poder na negociação com as operadoras de plano de saúde.
Logo, não é possível rejeitar a hipótese inicial – que estabelece que a ação concertada entre os médicos resulta em redução do preço de plano de saúde para o consumidor final. No entanto, quando analisada a dummy cooperativa 1, a conclusão é diferente: a existência de cooperativas médicas é responsável por aumentar o preço do plano de saúde ao consumidor final.
Em consonância com a análise empreendida no caso da dummy cooperativa
2, uma possível explicação para esse resultado seria que o poder de mercado
dessas cooperativas seria insuficiente para que estas estivessem em condições de equilibrar o poder nas relações comerciais com as operadoras. Diante disso, o poder econômico criado com a ação concertada entre os médicos até permite que os médicos aumentem os preços cobrados pelos procedimentos, no entanto, é insuficiente para que os agentes iniciem um processo de barganha bilateral e, por conta disso, o resultado é o de dupla-margem. Ou seja, o aumento do preço pago pelos procedimentos médicos seria simplesmente repassado para o preço dos planos de saúde.
Cabe destacar ainda que, quando consideradas as dummies cooperativa 1 e
2 separadas, a variável grandes empresas também apresenta o sinal esperado
pela teoria econômica e se mostra significativa nos modelos de efeito fixo – o mais apropriado para a análise. O parâmetro negativo indica que: quanto maior forem os demandantes por plano de saúde, maior o poder de compra e menor o
preço pago pelo plano de saúde. Ou seja, já estão presentes indícios de existência de poder compensatório a jusante na cadeia: poder de compra dos beneficiários retratado pela presença de grandes empresas. Ainda que este não seja o foco da análise empírica, já se verifica mais um indício de que a criação de poder compensatório pode gerar benefícios em termos de aumento de bem-estar social.
O exercício 2 – no qual se analisa os efeitos da criação do poder compensatório propriamente dito – mostra, novamente, que o resultado é diferente a depender da variável analisada. Quando as cooperativas são analisadas conjuntamente – retratadas pela dummy cooperativa total – o impacto da ação concertada entre os médicos é de redução de preços, sendo esta a mesma conclusão obtida no exercício anterior.
Conforme já indicado pelos resultados do primeiro exercício, essa conclusão se altera quando os dois grupos distintos de cooperativas são analisados separadamente. Os resultados verificados para a dummy cooperativa 2 são similares aos obtidos no caso da dummy cooperativa Total. A estimativa do parâmetro associado à dummy cooperativa 2, é negativa e significativa a 1%, indicando que a existência desse grupo de cooperativas médicas processadas e condenadas pelo CADE é responsável por diminuir o nível de preço dos planos de saúde. De forma similar ao argumentado no caso do exercício 1, o resultado indica que apenas as cooperativas condenadas pelo CADE estavam em condições de contrapor o poder econômico detido pelas operadoras de plano de saúde. Vale ressaltar, contudo, que a não significância do parâmetro associado à interação da dummy Cooperativa 2 com o HHI ilustra que esse efeito não se altera em função da magnitude do HHI.
No entanto, ao considerar a dummy cooperativa 1, a análise e a conclusão não se mostram consistentes. A depender do critério de presunção de poder de mercado (20% ou 50%) e do HHI utilizado (em valor ou em número de beneficiários), os resultados são bastante distintos. Portanto, as estimativas associadas à dummy cooperativa 1 não permitem que se extraia conclusões robustas acerca dos impactos da criação de poder compensatório associada à existência de cooperativas médicas que possuem poder de mercado, mas que não foram alvo de intervenção antitruste.
De toda forma, com base nos resultados da dummy cooperativa 2, ao menos na dimensão preço, a cooperação entre médicos foi capaz de ampliar o bem- estar social.
Para se obter maior consistência nas conclusões, avançou-se na análise simplificando as variáveis dummies que representam o poder compensatório, procurando, dessa forma, criar uma variável discreta, a fim de captar a qualidade de um mercado altamente concentrado e de mercados não-concentrados. A estimativa do parâmetro associado à variável binária dummy poder
compensatório permite concluir que a ação concertada entre os médicos
representa criação de poder compensatório e é responsável por reduzir o patamar de preços dos planos de saúde.
Em síntese, os resultados obtidos que se mostraram robustos estão em linha com as conclusões obtidas na análise teórica. Ainda que os testes não permitam que se descarte o resultado de dupla-margem, os exercícios 1 e 2 indicam que a existência de cooperativas médicas que buscam equilibrar a assimetria de poder na negociação com as operadoras de planos de saúde – criando poder compensatório – pode ser responsável por reduzir o patamar dos preços aos consumidores finais. Destaca-se, contudo, que esse resultado estaria associado às cooperativas condenadas pelo CADE, que devem representar o grupo de associações que efetivamente deteriam poder econômico para equilibrar a assimetria de poder na negociação com os planos de saúde.
Por conta dessas conclusões, é importante reavaliar as decisões do CADE acerca das cooperativas médicas enquanto política pública que visa aumentar o bem-estar social. Como a maioria dos denunciantes (representantes dos Processos Administrativos) são as contrapartes em um processo de barganha106 e o fazem invariavelmente quando há impasse nas negociações, o CADE recebeu os casos em que a representante acabou utilizando a política pública como instrumento da barganha privada. Ou seja, o SBDC pode ter sido usado
106
Apenas um Processo Administrativo – o que envolvia a Cooperativa dos Anestesiologistas de Brasília (COOPANEST-DF) – teve como representante a Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde. Como o mercado relevante dessa cooperativa era apenas o Distrito Federal, apenas 1 dos 420 municípios que detém alguma cooperativa condenada pelo CADE não tinha como denunciante a instituição demandante dos serviços médicos. Cabe destacar ainda que, mesmo sendo a Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde a representante oficial do Processo Administrativo, não se pode destacar a priori que a denúncia não tenha sido motivada inicialmente por uma contraparte na negociação com a cooperativa médica.
como um árbitro para solucionar conflitos privados entre as associações de médicos e as operadoras de planos de saúde.
Hovenkamp (2005) também concorda que podem ocorrer denúncias pelos envolvidos na transação (competidores, fornecedores ou clientes da parte acusada) motivadas apenas pelos interesses privados.
“The statutory right to bring demages action against na antitrust
violator is well established, although many applications are controversial. One common complaint is that lawsuits by competitors of the defendant are unjustified because competitors have the wrong incentives”. (Hovenkamp, 2005, p.57)
Esse resultado revela uma vulnerabilidade do sistema de defesa da concorrência baseado em denúncia, sobretudo se os instrumentos para separação do que é lide privada de casos que lesem os interesses difusos são precários, como é o caso de cooperativas médicas. É um desenho quase patológico que faz aumentar tanto o erro tipo I, quanto o tipo II107. E mais que isso: no caso do mercado de saúde suplementar, a intervenção antitruste teria sido responsável por piorar o bem-estar dos consumidores.
Além dessa questão envolvendo a eficiência das intervenções antitruste no mercado de saúde suplementar, há que se considerar ainda que, conforme argumentado por Maia et al. (2004), a redução do preço dos planos de saúde pode aprimorar, inclusive, a eficiência da política pública no que se refere à saúde da população:
“Desde que houvesse uma queda nos preços, a ampliação da população com plano de saúde privado reduziria a parcela da população que utiliza exclusivamente o sistema público de saúde, com implicações importantes de política pública: (i) fortalecimento do estado no papel de regulamentação do setor, (ii) possibilidade de alteração do foco dos gastos públicos em saúde, com a implementação de políticas específicas para indivíduos de baixa renda e/ou que desfrutem de piores condições de saúde.” (Maia et al., 2004, p. 19)
Cabe destacar, por fim, que todas as conclusões dos exercícios econométricos precisam se avaliadas com cautela. Conforme já argumentado, o
107
Em linhas gerais, o erro do tipo I pode ser entendido como aceitar como válida uma hipótese que na verdade é inválida e o erro do tipo II é aceitar como inválida uma hipótese que na verdade é válida.
mercado de saúde suplementar envolve um serviço diferenciado, no qual a qualidade do atendimento é uma dimensão crucial. Também foi apresentado que, em função das baixas remunerações dos serviços médicos, os profissionais tendem a alterar o padrão de conduta no atendimento, sendo que o resultado do exercício de poder de monopsônio por parte das operadoras é a ampliação da oferta de serviços médicos, ajuste que ocorre em detrimento da qualidade.
Diante disso, é possível que parte relevante dos efeitos da criação de cooperativas médicas seja verificada na qualidade dos serviços médicos. Por falta de informações acerca desse quesito, nenhum teste econométrico foi empreendido para comprovar essa hipótese. No entanto, não se pode descartar a possibilidade de outros efeitos – positivos ou negativos – decorrentes da ação concertada entre os médicos que vão além dos impactos sobre os preços.
Portanto, a análise empírica indica que, no que se refere aos preços de planos de saúde, podem existir impactos positivos associados à criação de poder compensatório cristalizada na ação coordenada entre os médicos.