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CRONOGRAMA DAS AULAS

A disciplina de Vertebrados, procura seguir uma ordem do ponto de vista evolutivo para facilitar a compreensão de cada estrutura, relacionando sempre com o momento em que determinado grupo surgiu, até os grupos atuais.

As aulas práticas são feitas com o material que temos, material este, na maioria das vezes, muito antigo. Em tese, colocamos de início, as lâminas de corte daqueles pequenos animais para se compreender as estruturas, a posição que as estruturas internas têm, para que se compreenda que existe um plano de organização estrutural que todo vertebrado tem. Então, de início, isso foi feito, e depois durante, tanto nas (aulas) práticas, como nas teóricas, fomos explorando os grupos, os peixes cartilaginosos, os peixes ósseos, comparando estruturas e morfologias de acordo com o ambiente que eles vivem e com as características que eles exibem, em função do parentesco entre si.

USO DE MODELO EXPERIMENTAL VIVO

O uso de modelos vivos foi muito raro; se aconteceram, foram algumas rãs ou peixes. Ambos são animais que não fazem parte da nossa fauna, são criados, muitas vezes estão por aí e não deveriam estar e por falta de conhecimento, falta de atenção, estão aqui, causando um desequilíbrio, e na maioria das vezes são animais que já estão sendo criados para essa finalidade: o abate.

A tilápia é um peixe africano, a rã (Rana Catesbiana), é norte-americana. Não pegamos nenhum animal da nossa fauna, retiramos do ambiente só para ver como é que é; são animais cuja finalidade da criação já é, normalmente, o abate.

A IMPORTÂNCIA DESSA PRÁTICA

Essa prática é importante para se ter uma idéia da estrutura existente, e começar a enxergar as diferenças e semelhanças que há entre diversos grupos. Na maioria das vezes, não usamos esse material, tanto por falta de tempo, quanto por existir a disciplina de fisiologia, que utiliza animais para experimentos fisiológicos,

então decidimos por uma questão prática não sacrificar muitos animais. Não existe uma questão de princípios, vê-se a necessidade ou não, não havendo a necessidade, obviamente não se vai fazer, havendo a necessidade, não existe nenhum princípio que nos impeça de fazer. Na maioria das vezes as pessoas misturam algum fundamento pessoal de fundo religioso, para defender alguma idéia, mas elas não têm essa argumentação de falar que não há necessidade de sacrificar animais para experimento, é uma argumentação sem sentido. Qualquer coisa que a gente tem hoje na vida tem a ver com essa história passada de algum tipo de atividade sem sentido.

SENSAÇÃO DOS ALUNOS

Na verdade, na maioria das vezes os alunos têm uma posição. Não há uma pressão explicita, percebemos que havia um interesse, pois muitos alunos queriam fazer. Não por nenhuma razão, digamos assim, de princípios, deixamos de fazer em alguns casos, simplesmente por que naquele momento, não iria acrescentar algo substancial, então não havia por que.

Mas a gente percebia que, na maioria das vezes, os alunos queriam participar, com exceção de alunos que simplesmente se afastavam do local e que, muitas vezes, a gente nem percebe que acontece.

PRÁTICA NO APRENDIZADO DO ALUNO

Eu creio que se fosse fisiologia animal, a prática é fundamental, zoologia, vertebrados, nem sempre é. Não há tanta necessidade de abrir animais para ver o estômago, o esôfago, o intestino, enfim órgãos internos. Essa prática tem muito mais relação com uma aula cujo princípio seja anatomia, não simplesmente zoologia ou fisiologia.

MÉTODOS ALTERNATIVOS

Eu não conheço outra forma de trabalhar. Principalmente pelo fato de que, além de tudo, não é apenas a questão de fundamentar mais a teoria do aluno ao fazer essa prática, mas para ele adquirir a habilidade de fazer.

Tem dois lados de formação. Uma é a questão de mais conhecimento, de um processo que esteja acontecendo, o outro é essa habilidade manual que se ficarmos somente na conversa durante o curso de graduação inteiro, o aluno chega no fim do

curso com apenas uma noção teórica das coisas, e quase nenhuma habilidade. Então, esse tipo de atividade não é inócuo, não é sem sentido.

Aqui houve, embora eu não tenha participado, algumas reuniões em que nos convidaram no anfiteatro para discutir essa questão da necessidade ou não, mas é claro, já vêm com o ponto de vista pré estabelecido da parte deles, e percebemos que tem um fundo religioso. Não tenho nada contra religião, aqui é um país livre, mas a instituição não é religiosa. Então acho, de certa forma, que é uma falta de respeito, embora não considere que deva ser proibido, acho uma falta de respeito virem aqui com alguma subjacente intenção de princípio religioso. Por exemplo, eu não iria a um templo, seja de que religião fosse, para criticar a religião, se eu não acredito naquilo, eu simplesmente não freqüento, considero que aquilo é um lugar livre, que as pessoas vão lá com essa finalidade. Mas chegar a uma instituição leiga, cujo princípio de atividade é o científico, e colocar seus fundamentos pessoais, acho ofensivo.

Mesmo que não tenha a conotação religiosa, existe alguma coisa que vem da formação da pessoa. Todos falam, pensam de acordo com algum princípio, de como viveu, de onde cresceu, tem seus valores. Em determinado momento as pessoas começam a ir para uma vertente que, às vezes, começam a ficar fanáticos em função da sua crença ou modo de pensar; elas não enxergam mais valor em argumentos alheios. Argumentos que diferem do que a pessoa tenha como princípio, não têm peso para elas. Não que temos que ter a mesma posição, ao contrário, tem que ter várias. Se a pessoa defende seu ponto de vista, ela tem que ter argumentos de mesmo peso contra os argumentos que a outra pessoa defende; ter o mesmo peso, no sentido de fundamentos. Porque muitas vezes as pessoas colocam uma frase no meio da história, mas essa frase se baseia no que?

EXPERIMENTOS ANIMAIS COM FINS HUMANOS

O roedor é de outra ordem, mas é da mesma classe. Evidentemente que, se as pessoas tiverem um pouco de discernimento, vão ver as limitações do observado. Agora, isso não significa que não possa ser feito, não deva ser feito, depende do objetivo. Não se devem usar animais para qualquer coisa, se aquilo não vai trazer

uma resposta importante, mas não vejo como fazer de outra forma, eu realmente não vejo.

Benzer Belgeler