2. BÖLÜM: II DÜNYA SAVAŞI SONRASI DÖNEM
2.8. BU DÖNEMDEKİ DİĞER KURUM VE KURULUŞLAR VE TÜRKİYE
É [...] necessário que a linguagem seja concebida ao
mesmo tempo como autônoma e dependente (MORIN,
2005, p. 199, grifo do autor)
Recorrermos às lentes dos princípios recursivo, dialógico e hologramático para um olhar vinculador sobre o objeto, ao qual relacionaremos alguns aspectos no decorrer deste tópico.
Ao analisarmos os discursos sobre memória institucional presentes nos portais corporativos, buscamos Morin (2013, p. 208), que, ao abordar as características do contexto favorecido pela internet, propõe:
O sistema planetário em que a Internet se transformou assemelha-se a um gigantesco sistema neurocerebral semiartificial que combina máquinas e seres humanos. Todo computador singular constitui uma estrutura hologramática que contém, potencialmente (virtualmente), toda a informação da internet. Não somente a parte se encontra no todo, como o todo se encontra (virtualmente) nas partes. O todo constitui uma rede em permanente expansão que cada novo elemento transforma e enriquece; constituído de inumeráveis circuitos recursivos, ao se enriquecer e se transformar, esse sistema se autorreproduz.
Desse modo, os princípios da complexidade fornecem as bases para a compreensão da sociedade, das organizações e dos sujeitos, em suas ações/interações/ações.
O olhar do princípio hologramático, onde cada célula é uma parte de um todo – o organismo global -, mas também o todo está na parte MORIN, 2008,
p.94), ao colocar em evidência o aparente paradoxo das organizações complexas, possibilitou compreender que as organizações enfocadas, mesmo possuindo características diferenciadas quanto à temporalidade de criação, segmento de negócios, atuação – no Brasil ou exterior -, participam da consolidação da identidade do Grupo. Ao disseminar os valores basilares nos quais o conglomerado pauta as ações, decisões e relacionamentos, resumidos pelo SEREU - solidez, ética, respeito, empreendedorismo e união – nos portais corporativos das empresas da Votorantim Industrial, a direção do Grupo reforça a identidade preconizada pela família de acionistas. Desse modo, cada companhia corrobora com a identidade do Grupo Votorantim como um todo, da mesma forma que tem suas identidades próprias de negócio fortalecidas pela robustez da identidade do Grupo.
A memória da organização também é fortalecida nesse processo, pois, cada empresa, ao incluir conteúdos sobre suas trajetórias individuais em seus portais corporativos, contribui para solidificar a memória institucional do todo, que se reverbera nas partes de igual modo.
A perspectiva do circuito recursivo, que implica uma ruptura com a idéia linear de causa e efeito, onde, segundo Morin (2008, p. 95), os produtos e os efeitos são, ao mesmo tempo produtores e causadores daquilo que os produz , possibilitou nossa compreensão da trajetória do Grupo Votorantim, onde, em um Brasil ainda incipiente de infraestrutura à época de criação das empresas que originaram o conglomerado, foi necessário que a direção adequasse sistemas de comunicação, transporte, tecnologias e recursos humanos para levar a produção adiante184. Tal necessidade impulsionou investimentos em outras áreas de
negócio para suprir suas demandas, de energia, de logística, entre outras, dando origem a empresas com atuação em segmentos bastante diversificados.
Essa necessidade de constante de (re) adaptação e (re) organização do Grupo ao longo de sua trajetória, percebida, também, pela descentralização e centralização da direção em determinados períodos, contribuiu para o crescimento do conglomerado, e impulsionou sua entrada em novos mercados.
Não obstante, as remodelações de gestão pelas quais a companhia passou ao longo da trajetória - antes centrada na pessoa do fundador e, posteriormente, em diversas gerações de diretores e acionistas - pode afetar a compreensão acerca dos valores do Grupo, pois, conforme propõe Morin , p. , a causa age sobre o efeito, e o efeito age sobre a causa . A Memória Institucional pode constituir, assim, a cola que une as partes ao todo, inscrevendo o presente na relação circular que segue a lógica recursiva proposta por Morin (2007b), conforme ilustração abaixo (Figura 34), e dando significado às ações organizacionais, inclusive em sua atuação em outros mercados:
Passado Presente Futuro
Figura 34 - Relação circular que (re) liga Fonte: Morin (2007b)
Apesar da perceptível valorização da memória institucional pela organização, materializada na criação de área específica – o Memória Votorantim - a comunicação descentralizada adotada pelo Grupo prejudica a unificação ou a padronização dos conteúdos sobre a temática em seus portais corporativos. Desse modo, como cada empresa possui autonomia para gerir suas próprias estratégias comunicacionais e não há uma diretriz única sobre memória, estas podem disponibilizar – ou não - conteúdos específicos sobre a temática, abordando apenas sua história, ou realizando vinculações com a trajetória do todo (o Grupo). Tal forma de atuação nos levou a compreender que o conhecimento a respeito da temática e de sua relevância para a organização é, ainda, fragmentado. Segundo Morin (2013, p. 183- , o pensamento mutilado conduz a ações mutilantes loc. cit. , onde se articulam as limitações impostas pelo reducionismo, que reduz o conhecimento das unidades complexas ao dos elementos supostamente simples que as constituem loc. cit. , o binarismo, que decompõe tudo em verdadeiro/falso, ou seja, o que existe parcialmente verdadeiro ou parcialmente falso ou simultaneamente verdadeiro e falso loc. cit. , a
causalidade linear, que ignora os circuitos retroativos MORIN, 2013, p. 183- 184), e o maniqueísmo, que não enxerga senão a oposição entre bem e mal (loc. cit.). Assim, reduzir os conteúdos sobre memória institucional nos portais corporativos apenas a uma descrição de acontecimentos em linhas do tempo é limitar e fragmentar o conhecimento, que poderia contribuir para a (re) ligação dos sujeitos à causa e à trajetória organizacional.
Por fim, a lente do princípio dialógico, que une princípios ou noções antagônicas, os quais deveriam excluir-se mutuamente, mas são, ao mesmo tempo, indissociáveis em uma mesma realidade, permitiu perceber que o conglomerado foco deste estudo, possui, dialogicamente, trajetória essencialmente nacional, arraigada na industrialização do país, sendo, entretanto e ao mesmo tempo, voltado para a expansão no mercado internacional. Contudo, apesar de os discursos da organização reforçarem sua presença em mais de países , apenas algumas empresas possuem conteúdo sobre memória institucional em outros idiomas (inglês ou espanhol) em seus portais corporativos, o que exclui outros públicos de relacionamento de uma possível convivência virtual neste lugar.
Segundo Morin , p. , a dialógica permite assumir racionalmente a inseparabilidade de noções contraditórias para conceber um mesmo fenômeno complexo . Na visão do teórico, a reforma do pensamento exige um pensamento que possa religar os conhecimentos entre si, religar as partes ao todo, o todo às partes, e que possa conceber a relação do global com o local, do local com o global (MORIN, 2013, p. 184). Desse modo, ao disponibilizar os conteúdos do portal Memória Votorantim apenas em língua portuguesa, a organização deixa de promover a religância com os públicos de interesse nativos de outras línguas, possuidores de outras culturas.
A organização possui longa trajetória no contexto brasileiro, mas atuação relativamente recente no exterior. Os portais corporativos de suas empresas detém, em nossa visão, potencial para vir a constituir Lugar de Memória Institucional, na medida em que podem viabilizar a atuação do Grupo junto a stakeholders que dificilmente seriam alcançados, em razão das distâncias geográficas e culturais. Num tempo de constantes mudanças, evidenciar a solidez
de uma longa trajetória no mercado, mesmo em face das constantes (re) organizações, mas sem perder valores basilares de identidade, pode representar um diferencial competitivo no exterior.
7 CONCLUSÕES POSSÍVEIS
Quanto mais somos autônomos, mais devemos assumir a incerteza e a inquietude e mais tempos necessidade de religação (MORIN, 2007b, p. 36).
Nossa trajetória nos trouxe a um destino, que não é o final, mas um ponto de parada, onde faremos os aportes para continuar a caminhada em direção ao porvir, com outras possibilidades.
Nesse ancoradouro, as lições aprendidas serão (re) visitadas ao evocar os conceitos que ampararam nosso passado, subsidiaram o presente e nos permitiram vislumbrar um futuro em que os portais corporativos podem constituir Lugar de Memória Institucional, por meio do quais as organizações, alicerçadas em uma comunicação organizacional dialógica, promovam a religância com seus públicos estratégicos.
Antes reservado aos museus, o lugar de memória foi ampliado devido às tecnologias de comunicação. Com a internet e suas potencialidades é possível facilitar conteúdos em audiências que antes não seria imaginável. Não obstante, essa profusão pode levar ao uso indiscriminado da memória tornando-a, segundo Camargo e Goulart , p. , ou como categoria capaz de substituir os mecanismos com que sempre separamos o antes do depois, o passado do futuro, o igual do diferente; ou como alternativa ao afastamento e à descontinuidade que a produção do conhecimento impõe .
As opções metodológicas realizadas no início desta pesquisa se mostraram adequadas à compreensão de nosso objeto. Ressaltamos, contudo, que cada escolha feita, questionamento formulado, resposta ou resultado obtido, são transitórios. Nisto podemos fazer relação com a significação dos acontecimentos, que na visão de Charaudeau , p. depende do olhar que se estende sobre ele, olhar de um sujeito que o integra num sistema de pensamento e, assim fazendo, o torna inteligível .
O método escolhido para ancorar nossa reflexão, o Paradigma da Complexidade, nos permitiu compreender que o diverso e o único, o antagônico e o complementar são permanentes numa realidade complexa. As lentes de seus princípios nos possibilitaram perceber que a diversidade existente entre as empresas que compõem as organizações foco de nosso estudo de caso – tipo de negócio, temporalidade de criação, entre outras - não são excludentes, mas fortalecedoras da cultura organizacional, individual ou do Grupo.
Ao recuperarmos as questões de pesquisa que se apresentaram como relevantes para o desenvolvimento desta tese, torna-se preponderante destacar que as respostas aqui apresentadas consistem em um aporte inicial, a partir do qual outros questionamentos poderão ser formulados, inclusive por pesquisadores que intencionarem ampliar os conhecimentos a respeito desta temática.
No tocante a desvelar se as organizações têm utilizado seus portais corporativos para compartilhar suas práticas de Memória Institucional, observamos que todas as empresas analisadas, exceto a Votorantim Siderurgia, possuem essa preocupação. Contudo, como não há uma diretriz específica do Grupo Votorantim nesse sentido, as linhas de abordagem seguidas pelas diversas empresas são diferentes em layout, conteúdo e apresentação do discurso.
Quanto à (inter) relação existente entre os elementos da identidade organizacional e o conteúdo sobre a temática da memória naqueles locais, percebemos que há nos portais referências sobre valores e memória, e os mesmos se coadunam e são reforçados, inclusive no Portal Memória Votorantim. Em três portais, contudo - Votorantim Cimentos, Votorantim Siderurgia e Citrosuco –, não há qualquer citação sobre os valores que a organização expressa como seus pressupostos básicos.
Observamos que o Grupo Votorantim, mesmo se (re) criando continuamente desde a sua origem, tem buscado difundir seus valores fundamentais de identidade organizacional – solidez, ética, respeito, empreendedorismo e união – e acontecimentos relevantes de sua trajetória aos seus públicos estratégicos por meio de seu portal corporativo. Da mesma forma,