BÖLÜM 2:TÜRKİYE’DE BANKA VE SİGORTA MUAMELELERİ VERGİSİ’NİN
2.1. BSMV’nin Türkiye’de tarihi gelişimi
O CDC apresenta três conceitos básicos de consumidor equiparado, a saber: (i) o conceito estabelecido no parágrafo único do art. 2º; (ii) aquele previsto no art. 17; e, finalmente (iii) o conceito do art. 29.
84A caracterização da hipossuficiência da pessoa jurídica, contudo, é mais restrita e excepcional que a da
pessoa física.
85ANTONIO CARLOS MORATO esclarece que a hipossuficiência passa a ser o principal critério em apenas
alguns dispositivos do CDC, em especial o que estabelece a inversão do ônus da prova – embora às pessoas jurídicas ainda fosse possível solicitar a referida inversão com base na verossimilhança da alegação (Cf. MORATO, Antonio Carlos. op. cit., p. 115-143).
86Cf. MORATO, Antonio Carlos. op. cit., p. 38; e TARTUCE, Flavio. Função social dos contratos: do
Código de Defesa do Consumidor ao Código Civil de 2002, cit., p. 110.
O art. 2º, parágrafo único, do CDC prescreve que “equipara-se a consumidor, a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo”. Tal norma tem caráter geral, de interpretação, sendo aplicável a todos os capítulos e seções do CDC; tem por objetivo estender as normas protetivas do CDC não apenas ao consumidor stricto sensu, destinatário final do bem, mas também à coletividade de pessoas prejudicadas que tenham, de alguma forma, participado da relação de consumo. O conceito jurídico de consumidor do CDC, portanto, mesmo para aqueles que defendem a Teoria Finalista, é mais abrangente do que o conceito econômico antes abordado, pois não protege apenas quem praticou o ato de consumo, mas todos aqueles que tenham intervindo na relação de consumo88.
O art. 17, por sua vez, determina que “para efeitos desta Seção [que trata da responsabilidade pelo fato do produto ou serviço], equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento”. Em tal hipótese, considera-se presumida a vulnerabilidade daquele que adquire um produto ou serviço defeituoso, desnecessária a comprovação de quaisquer requisitos para a aplicação das normas do CDC. Bastará, para tal fim, que o sujeito tenha sido vítima de um defeito, nos termos da Seção II do Capítulo IV do CDC.
O art. 17 e o parágrafo único do art. 2º se complementam (os conceitos estão relacionados, mas o art. 17 é mais específico, pois se aplica somente aos casos de responsabilidade pelo fato do produto ou serviço), e atribuem proteção ao terceiro (bystander) que, embora não tenha efetivamente adquirido o bem (retirado do mercado), acabe também se prejudicando por um defeito do produto ou serviço. Um bom exemplo é o caso de uma filha que adoece por fato do produto adquirido pelo pai89.
Interessa para o presente estudo, particularmente, a disposição do art. 29 desse código, a qual estabelece que, para os fins dos capítulos referentes às práticas comerciais e à proteção contratual, “equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas”.
Algumas pessoas entendem que se equiparam a consumidores todas as pessoas expostas às práticas comerciais abusivas ou contrárias às políticas de consumo delineadas no aludido código. Outras, porém, acreditam que se equiparam aos consumidores apenas aquelas pessoas expostas às práticas comerciais abusivas previstas no Capítulo V do CDC.
88Cf. DE LUCCA, Newton. op. cit., p. 124.
Independentemente de qual seja a interpretação, contudo, fato é que muitos empresários estão sujeitos às práticas comerciais abusivas previstas no CDC como um todo ou no próprio Capítulo V desse diploma legal.
Controverte-se a doutrina, no entanto, acerca do alcance de tal equiparação. Assim como para a definição do consumidor stricto sensu é possível notar a presença de autores maximalistas e de autores finalistas, também na hora da definição do consumidor equiparado essas mesmas correntes fazem valer seus conceitos mais ou menos abrangentes. Os autores maximalistas conferem maior extensão ao conceito do art. 29, afirmando que sua aplicação independe de quaisquer considerações subjetivas a respeito da pessoa a ser equiparada, bastando o fato objetivo da exposição a práticas abusivas. Assim entende, por exemplo, ALINE ARQUETTE NOVAIS, para quem qualquer pessoa exposta ao abuso de
uma prática comercial estabelecida no CDC, tais como oferta, publicidade, práticas abusivas, cobrança de dívidas e bancos de dados e cadastros de consumidores, bem como qualquer pessoa sujeita a um contrato que contemple cláusulas abusivas é considerada consumidor e, portanto, está apta a agir como tal, fazendo uso das normas desse código para defender seus direitos90.
Em casos de contrato de adesão, os defensores desta corrente propugnam a idéia de que o simples fato da contratação se efetivar por essa forma massificada já seria suficiente para a aplicação das normas do CDC, eis que se presumiria, nesses casos, a vulnerabilidade do aderente.
A mesma autora enfatiza esse entendimento ao afirmar que o Capítulo VI do CDC, ao qual se refere o citado art. 29, trata da proteção contratual, arrolando exemplificativamente as cláusulas abusivas e disciplinando os contratos de adesão. Entende a autora que, quanto aos contratos de adesão, deve-se ter em vista que o aderente sempre é consumidor, por equiparação legal, independentemente de ser destinatário final de um produto ou serviço, o que nem sequer é cogitado. Para ela, essa é a única e possível interpretação do art. 29 do código em questão, se se quiser atender aos princípios basilares que norteiam toda a disciplina consubstanciada na Lei 8.078/90, isto é, o princípio da boa- fé objetiva e o princípio da tutela do contratante hipossuficiente91.
90Cf. NOVAIS, Alinne Arquette Leite. A teoria contratual e o Código de Defesa do Consumidor. São Paulo:
Ed. Revista dos Tribunais, 2001. p. 142.
Para outra parte da doutrina, entretanto, a interpretação do referido art. 29 não pode ter alcance tão extenso. Aqui, parte-se da premissa de que a finalidade do CDC é, precipuamente, tutelar de forma especial um grupo de pessoas também especial, vulnerável. Isso, como forma de se prestigiar o princípio da igualdade, albergado pelo art. 5º da Constituição Federal e, de resto, ínsito à própria noção de democracia.
Na medida em que o CDC presumiria a vulnerabilidade apenas e tão-somente para o consumidor stricto sensu previsto no caput do art. 2º, beneficiar com suas normas especiais agentes econômicos em relação aos quais não se pode presumir essa fragilidade representaria, antes que uma homenagem, uma intolerável afronta ao princípio da igualdade. Assim, para tais autores, a equiparação de que trata o mencionado art. 29 não prescinde, em absoluto, da prova da vulnerabilidade a justificar a tutela especial.
Expoente desse pensamento é CLÁUDIA LIMA MARQUES, para quem, no caso de
extensão do campo de aplicação do CDC face ao art. 29, a vulnerabilidade continua sendo elemento essencial, tendo sido superado apenas o critério da destinação final. Obtempera a autora que, mesmo não sendo destinatário final (fático ou econômico) do produto ou serviço, o agente econômico ou profissional liberal pode vir a ser beneficiado pelas normas tutelares do referido código enquanto consumidor-equiparado. A interpretação finalista que a autora defende tem sua base na vulnerabilidade (presumida ou comprovada) do sujeito de direitos tutelado pela lei, e restringe conscientemente a figura do consumidor stricto sensu àquele que adquire (utiliza) um produto para uso próprio e de sua família, permitindo a equiparação dos arts. 17 e 29 do CDC somente com base em prova de tal equiparação92.
Esse também foi o entendimento consolidado no IV Congresso Brasileiro de Direito do Consumidor, realizado em Gramado, no estado do Rio Grande do Sul, no Painel sobre Serviços Bancários e Financeiros, onde foi aprovada, por maioria, a seguinte conclusão: "As regras dos Capítulos V (Das Práticas Comerciais) e VI (Da Proteção Contratual), do Título I, do Código de Defesa do Consumidor, por força do disposto no art. 29, aplicam-se, sem restrição, às relações jurídicas profissionais (pessoas físicas ou jurídicas), sempre que, em concreto, evidenciada a situação de desequilíbrio entre os figurantes (vulnerabilidade em concreto)”93.
92Cf. MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor. São Paulo: Ed. Revista dos
Tribunais, 2002. p. 291 e 313.
Tal pensamento é fruto da evolução da Teoria Finalista, como visto anteriormente, e tem por objetivo acomodar os diversos sujeitos vulneráveis presentes no mercado, sem, contudo, banalizar a aplicação das normas do CDC. Será, portanto, o posicionamento a balizar o presente estudo. Afinal, como aponta CLÁUDIA LIMA MARQUES:
“(...) Sempre há o perigo de considerarmos a todos e em todas as
situações como consumidores (dois iguais civis, dois iguais comerciantes entre eles), como queria a teoria maximalista. De outro lado, há perigo também quando menosprezamos as equiparações legais que o CDC expressamente impôs e deixamos sujeitos de direitos em situações análogas de vulnerabilidade, sem a proteção especial. Daí a importância do finalismo aprofundado (...)”94.
O art. 29 é, atualmente, a norma extensiva do campo de aplicação do CDC mais importante, e não tem por objetivo simplesmente apresentar uma definição adicional de consumidor. Mais do que isso, imprime uma política legislativa, deixando nas mãos do aplicador da lei a tarefa de harmonizar os interesses presentes no mercado, reprimir os abusos de poder econômico e proteger os interesses econômicos dos consumidores finais. Trata-se de um podereso instrumento nas mãos daquelas pessoas, inclusive agentes econômicos, expostas às práticas abusivas95.
Afinal, o consumidor nem sempre é a parte fraca da relação, daí a importância de se ter um conceito de consumidor que leve em conta a situação real da pessoa, seja física ou jurídica. Atribuir as normas protetivas do CDC somente ao destinatário final do produto ou serviço poderia desvirtuar toda a lógica do sistema, especialmente nas situações em que o consumidor é quem está em posição de superioridade.