3. BOKO HARAM’IN NİJERYA’YA VERDİĞİ ZARARLAR VE ABD, ÇİN, AB
3.3. ABD, ÇİN, AB VE TÜRKİYE'NİN AFRİKA, NİJERYA, BOKO HARAM
3.3.3. ABD’nin Boko Haram’a Yaklaşımı
Mundialmente, a soja representa o principal produto oleaginoso produzido e consumido, o que faz dessa uma das atividades agrícolas mais relevantes e que mais cresce no cenário global. Essa posição é explicada pelo fato de seu consumo ter-se firmado como uma fundamental fonte de proteína e, assim, ser destinado tanto para humanos, por meio de óleo e outros derivados, como para animais, em forma de farelo de soja (BRUM et al., 2005).
Silva, Lima e Batista (2010) define o complexo da soja como uma cadeia produtiva que abrange desde a produção interna direcionada para a exportação do produto bruto até a modificação do produto voltada para a indústria esmagadora, que transforma a soja em farelo ou óleo para a exportação ou para consumo interno.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, 2013), houve um crescimento médio de 4% na produção mundial da soja no período de 2007/08 a 2012/13, subindo de 219,5 milhões de toneladas para 268 milhões de toneladas. Entre os maiores produtores, Estados Unidos, Brasil e Argentina, o Brasil teve o crescimento mais expressivo. Saltou de 61 milhões de toneladas para 82 milhões de toneladas, um crescimento de 34% no período (Gráfico 1.4).
Gráfico 1.4. Produção mundial da soja (2007/08 a 2012/13). Fonte: USDA (2013).
Observa-se que o Brasil é responsável por 30% da produção mundial de soja, praticamente assumindo em 2012 a liderança mundial, junto com os Estados Unidos. A exportação de soja brasileira representou 46% do total produzido, ou seja, 38 milhões de toneladas, tornando-se o maior exportador mundial.
Para a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a América do Sul “será a maior responsável pelo crescimento da oferta mundial de soja até 2020: com aproximadamente 45 milhões de toneladas adicionais. O Brasil responderá por um acréscimo de cerca de 25 milhões de toneladas” (EMBRAPA, 2011).
A soja é a cultura agrícola brasileira que mais cresceu nas últimas três décadas e corresponde a 49% da área plantada em grãos do país. São transformados pela indústria brasileira em torno de 30,7 milhões de toneladas de soja por ano, produzindo 5,8 milhões de toneladas de óleo comestível e 23,5 milhões de toneladas de farelo proteico, contribuindo para a competitividade nacional na produção de carnes, ovos e leite (MAPA, 2012a).
Diversos autores, dentre eles Brum et al. (2005), Dall’Agnol (2000) e Roessing e Santos (1997), afirmam que a soja introduziu o conceito no agronegócio no Brasil, sendo responsável pela agricultura comercial. A inserção do País no cenário mundial da soja ocorreu a partir dos anos 1970, basicamente por dois motivos. Primeiro, pela estratégia de modernizar a agricultura nacional; segundo, pela instabilidade da economia mundial com reflexos sobre os mercados agrícolas mundiais, fazendo com que a soja se tornasse um produto cada vez mais procurado (BRUM, 1993).
A aproximação entre a agricultura e os negócios impôs a adoção de uma cultura empresarial de modernidade, de expansão e da otimização do uso das áreas exploradas, por meio da mecanização das lavouras, do uso de sofisticadas tecnologias aplicadas ao solo, de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P & D) (ROESSING; SANTOS, 1997), Esses fatores contribuíram para o crescimento do cultivo da soja, que foi fundamental para a ampliação das divisas comerciais brasileiras. No Gráfico 1.5 é possível observar o reflexo dessas ações no incremento da produtividade na última década.
Gráfico 1.5. Evolução da produtividade da soja no Brasil (2001/02 a 2011/12). Fonte: Conab (2013).
O estado do Mato Grosso, além de liderar a produção de grãos do País (IBGE, 2012a), também lidera a produção de soja desde 1996 (CONAB, 2013). Como mostra a Tabela 1.2, a participação do Mato Grosso em 1996/97 no total de produção de soja passou de 22% em 1996/97 para 33% em 2011/12, representando um aumento de 282% no total de toneladas produzidas.
Já o incremento da área produzida nesse mesmo período foi de 233%. Esses dados refletem o aumento de 27,2% da produtividade produzida por hectare, que, em 1996/97, era de 2.703 ton/ha passando para 3.100 ton/ha. Esses indicativos indicam a superioridade o estado em relação aos índices do Brasil, que, em 1996/97, foi de 2.299 ton/ha para 2.651 ton/ha em 2011/12 (CONAB, 2013).
Tabela 1.2 − Participação da produção e da área plantada de soja em Mato Grosso no total Brasil
Produção (milhões ton) 1996/97 2006/07 2011/12
Brasil 26,2 58,4 66,4
Mato Grosso 5,7 16,7 21,8
Participação do Mato Grosso 22,0% 29,0% 33,0%
Área plantada (milhões ha)
Brasil 11,4 20,7 25,0
Mato Grosso 2,1 5,1 6,9
Participação do Brasil 18,0% 25,0% 28,0%
Fonte: Conab (2013).
Duarte (2004) estudou os diversos fatores que estimularam o desenvolvimento da produção da soja em Mato Grosso. Segundo o autor, os fatores naturais, como o clima, a topografia e a disponibilidade de terras; os fatores econômicos, como programas governamentais, de investimento em modernização, em pesquisa e desenvolvimento, além do baixo valor das terras no período de 1960 a 1980; e os fatores estruturais, como o aprimoramento da infraestrutura e das hidrovias, influenciaram fortemente a cultura na região. Aliado a eles, o espírito empreendedor dos produtores que migraram do Sul. Essas condições continuam presentes no cenário do estado, o que o torna ainda mais competitivo.
Apesar das vantagens e das conquistas que o estado do Mato Grosso obteve no agronegócio, ainda há desafios a ser suplantados, que se estendem para todo o
País. Barros et al. (2006) alertam que é necessária a recuperação e ampliação da infraestrutura logística em todos os níveis, ou seja, rodovias, hidrovias e ferrovias, além da armazenagem. É vital o estabelecimento de um programa sanitário e de qualidade de produtos que certifique tanto o acesso ao mercado externo como a saúde e bem-estar da população brasileira. É importante a implantação de um programa amplo e eficaz para a área ambiental, não se esquecendo do produtor e do consumidor. Para isso, são necessários recursos para investimento, provenientes da iniciativa pública e privada. Ademais:
Será necessário atrair a parceria de investidores do setor não agrícola e do exterior. Esses recursos virão se os riscos desses investimentos – inclusive a segurança jurídica – não forem exagerados e se ficar claro que o País possui uma estratégia que garanta a sustentabilidade de seu agronegócio (BARROS et al., 2006, p. 2).