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Blokaj Yapma Araçları

Belgede Mimaride Beton özellikleri (sayfa 9-0)

1. BLOKAJ YAPMA

1.1. Blokaj Yapma Araçları

Quadro 10: Tema 2: A utilidade do inglês.

07) O inglês fluente é essencial para o mercado de trabalho, e para o enriquecimento do currículo

08) Aprender inglês é uma obrigação

09) O inglês vai muito além do mercado de trabalho; pode ser utilizado para assistir um filme, pode ouvir uma música e entender a letra, entender as partes do computador. 10) Inglês pode ser usado em um diálogo na escola com o professor,

11) Inglês é útil para viajar para o exterior,

Ao observarmo o conteúdo temático 7, percebemos a existência de sentidos de que o inglês é condição necessária para enriquecimento do currículo, que é útil apenas para o mercado de trabalho como podemos notar a partir das escolhas lexicais grifadas a seguir.

Quadro 11: Realização linguística e conteúdo temático 7 e 8 Entrevista 1

1(PP): Além do mercado de trabalho você... é você vê outras situações em que possa utilizar o inglês?

2 (R): Eu acho que não, né (...) acho que é muito

importante só pro mercado de trabalho.

21(R): Porque mais ou menos? Porque causa que, é

tipo uma necessidade, como eu falei pra senhora, é pro mercado de trabalho, é mais uma necessidade entendeu?

23 (R): É tipo uma obrigação, entendeu?

*

20) (A): Isso é essencial pro mercado de trabalho, ter o inglês

fluente. O inglês fluente pro mercado de trabalho, no currículo é muito bom. Tem boas chances, dois ou mais

idiomas para serem aceitos em uma empresa. Eles estão perdendo emprego, né? Também.”

(7)O Inglês fluente é essencial para o mercado de trabalho

(8)Aprender inglês é uma obrigação

Ao utilizarem os adjetivos “essencial”, “boas”, “bom”, “importante”, intensificado pelo advérbio “muito”, percebemos que os sentidos dos alunos parecem terem sido construídos a luz dos valores sociais, revelando, dessa forma, um significado socialmente partilhado, no qual o aprendizado de inglês raramente aparece veiculado a outros fins o que faz parecer que o ensino de inglês seja visto como imposição, como podemos notar no turno 23 no quadro acima, onde o aluno utiliza-se dos substantivos

“necessidade” e “obrigação” para se referir a utilidade do inglês na sua vida.

Dessa forma, parece que a própria escola, como reprodutora das relações sociais, reproduz o discurso da sociedade contemporânea que posteriormente é reproduzido pelos alunos, neste caso, o de que o inglês é útil apenas para o mercado do trabalho, como destaca o aluno Ricardo: o inglês é “muito importante só pro mercado de

trabalho.”.

Percebemos, desse modo, que os sentidos dos alunos vão ao encontro das concepções adotadas pela escola, já que os documentos oficiais, como a Proposta Curricular do Estado de São Paulo, apesar de aparentemente discordarem de uma proposta educacional que vise apenas a preparação do aluno apenas para o mercado de trabalho, acabam por confirmar essa visão, à medida que estabelece que as escolhas metodológicas e conteúdos a serem abordados no ensino médio devem, necessariamente, dialogar com a preparação do aluno para o mercado de trabalho.

Nos conteúdos temáticos 09 e 10, no entanto, temos sentidos que indicam outras justificativas para o aprendizado da disciplina, entre elas, as atividades de lazer como ouvir música, assistir filmes, dialogar com o professor, e viajar, como podemos observar a seguir:

Quadro 12: Realização linguística e conteúdos temáticos 9 e 10 Entrevista 1

Realização Linguística Conteúdo Temático

(2) A: Vai muito mais além disso, você pode assistir um filme

em inglês, pode ouvir uma música e entender a letra,

pode...as partes do computador, tudo...os softwares. Primeiro

as coisas vai nos Estados Unidos, depois que vem no Brasil, Brasil é o último, né, então.

*

(2) T: AH, tipo, vamos supor você precisa ir para outros lugares, ou sair é preferível inglês ou outra língua, acho que isso é bem

necessário.

(3) PP: Mas aqui, por ex, sem viajar no seu bairro ou na sua cidade, você vê... Um...

(4) Tatiana: Ah, acho que tipo você vê uma música em inglês, né, então eu acho que tenho vontade de aprender.

*

(4) K: Ah! tipo assim, deixa eu ver, tipo numa revista em

inglês, uma palavra em inglês, tipo em uma música, ah, várias coisas, livros músicas, filmes, que é inglês, você fica lendo aqueles negocinhos, é um saco, fica passando muito rápido, é legal você entender, né? Seria muito bom.

(9)O inglês vai muito além do mercado de

trabalho; pode ser utilizado para assistir um filme, pode ouvir uma música e entender

a letra, entender as partes do computador

(03) C: Em uma viagem, em diálogo na escola com o

professor, sei lá... em vários momentos da minha vida.

(04) PP: Então você acha que não é só para o mercado de trabalho?

(05)C: Não!

(06) PP: Apesar de ter colocado e ter dito essa resposta no “needs analyses”...

(07)C: Isso!

(10)O inglês serve para conversar com o professor na escola

As alunas Carla e Karina, apesar de terem respondido ao “needs analyses”7 (anexo 1) aplicado no início da pesquisa que o inglês era útil apenas no mercado de trabalho, posteriormente, revelam novos sentidos em relação à utilidade da disciplina. As escolhas lexicais das alunas, no entanto, podem indicar significados partilhados que ainda não se converteram em sentidos pessoais, não foram conscientizados pelas mesmas, pois ao utilizarem as expressões “sei lá.”, “Ah! Tipo assim, deixa eu ver.” e

“seria bom”, parecem não estarem muito certas quanto à possibilidade de utilizar o inglês nas situações por elas descrias

Na entrevista 2a, no entanto, novos sentidos foram revelados, sendo que parecem trazer significações sociais construídas nas interações com a comunidade local

onde os alunos se encontram inseridos, como podemos ver a partir do posicionamento enunciativo dos mesmos.

Quadro 13: Realização linguística e conteúdo temático 11 Entrevista 2a

Realização Linguística Conteúdo Temático

(106) Karen: é também que alguns devem pensar assim, “porque

eu vou aprender inglês se eu não vou sair daqui “((inaudível))

(107) Danilo: eu acho que todo mundo deve ser assim... deve ter uma ambição, (...)

(198) Karina: mas a maioria não tem

(109) Danilo: (...) mas não uma ambição mal, uma ambição boa. Porque é a ambição que leva a pessoa para um orgulho e querer subir acima de todo mundo. Isso que leva as pessoas ((inaudível)) (110) PP: Então essas pessoas que não têm essa ambição, elas

falam assim: “eu não vou aprender inglês...”

(111) Danilo:: porque elas querem um trabalho e pronto.

(112) Karen: “eu estou no Brasil aqui eles falam português, eles

não falam inglês, eu não vou sair pra fora, então porque que eu vou aprender”.

(123) Cybele: Tem aquelas pessoas, professora, no caso hoje em dia tem isso, “meu pai, ele conseguiu, ele tá aqui, ele só

conseguiu essa casa, e se meu pai consegui essa casa, eu também só vou conseguir isso, daqui eu não vou sair.” “Então porque que eu vou aprende o inglês.”

(11)Inglês é útil para quem vai viajar para

o exterior

É possível que dá forma como se posicionam, os alunos trazem forma à voz de interlocutores implicados na enunciação, como vimos em Bronckart (1999), para validar o sentido dado à utilidade do inglês pelas pessoas da sua comunidade. Isso pode ser notado pelo uso dos sujeitos: “alguns”, ‘”todo mundo”, “a maioria”, “elas”, ”tem

aquelas pessoas” grifados no quadro acima. No entanto, apesar de procurar estabelecer uma certa distância em relação ao que está sendo dito, a utilização do discurso indireto livre, em itálico destacados acima, faz com que a voz do autor empírico do texto, neste caso os alunos, misture-se com as vozes sociais que enunciam, fazendo com que os sentidos revelados pareçam ser assumidos não só pelos personagens sociais a quem se referem, mas por eles mesmos.

Essa oscilação entre os sentidos dos alunos sobre a utilidade do inglês, ao invés de ser percebida como algo negativo, pode ser encarada como algo positivo, pode indicar o início de um processo de reconstrução de significados a partir das interações com a professora-pesquisadora e os próprios alunos envolvidos na pesquisa, ou seja, as

interações ocorridas podem gerar outras possibilidades de significações para a utilização do inglês.

Podemos notar, desse modo, no discurso dos alunos, combinação de vozes de estatutos diferentes, o que nos remete à noção de texto polifônico (Bronckart/Bakhtin, 1999), pois os sentidos dos alunos parecem ter sido construídos a partir dessas vozes: sociedade globalizada, professores, comunidade, escola, entre outras.

É importante notar que a predominância do sentido de que inglês é útil apenas para o mercado trabalho revelado pelos alunos, parece apontar diretamente para as significações que circulam na própria escola. Partindo desse pressuposto, podemos argumentar que o problema do ensino de inglês encontrar-se na forma como os objetivos têm sido traçados e “divulgados” na escola, pois sabemos que a aprendizagem de uma segunda língua não tem por finalidade apenas integrar o aluno no mercado de trabalho. Pelo contrário, existem inúmeras possibilidades, como, por exemplo, o desenvolvimento cognitivo, cultural, entre outras, enfim, precisamos traçar novos objetivos para o ensino-aprendizagem de língua inglesa e, é de extrema importância também, que os alunos sejam conscientizados desses objetivos, pois dessa forma verão mais sentidos nas atividades desenvolvidas pela escola, e poderão de forma colaborativa participar da construção do seu próprio conhecimento.

A discussão a seguir se refere às aulas de inglês.

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