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2.2. Bilinç Sorununa Yaklaşımlar

2.2.2. Bilincin İndirgenemezliği

2.2.2.3. Biyolojik Doğalcılık

Tendo em vista que as relações entre a educação e a promoção da saúde configuram uma necessidade evidente na EJA, uma vez que a abordagem de temas com esse enfoque é passível de contribuir para melhorias na qualidade de vida dos alunos, das suas famílias e da comunidade de maneira geral, a Saúde será o tema central deste estudo.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, em seu Caderno de Orientações Didáticas para EJA, a Saúde é um dos assuntos que despertam maior interesse nos estudantes da EJA. Logo, o tema serve também para encantá-los pedagogicamente e, assim, colaborar com a diminuição dos índices de evasão (SÃO PAULO, 2010).

Além disso, de acordo com Vasconcelos (2004), o debate sobre temas de Saúde constitui parte da história da educação popular no Brasil. Muitas propostas compartilham das ideias de Paulo Freire e defendem abordagens integradoras e emancipadoras que vão além das questões de higiene e atendimento médico. Seus objetivos são políticos e relacionam-se com a participação popular na mudança social e com a promoção de um intercâmbio de saberes entre professores, profissionais de saúde e a população (BRANDÃO, 2001).

Nesse sentido, a V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos (V CONFINTEA) dedicou o 16° compromisso da Declaração de Hamburgo à Educação para a Saúde, por representar um direito humano básico e contribuir significativamente para a promoção da saúde e a prevenção de doenças, acreditando que a educação de adultos democratiza a oportunidade de acesso à saúde (CONFITEA, 1997).

Em Encontro Preparatório à VI Conferência Internacional da Educação de Jovens e Adultos, que contou com a participação de diversos segmentos da sociedade civil e dos Estados da região Nordeste, a intersetorialidade da relação EJA/Saúde foi apontada como um dos desafios do trabalho com esse segmento no Brasil.

Há necessidade de desconstrução de uma lógica que se materializou nas últimas décadas por meio do binômio saúde/doença, que reduziu a saúde ao “combate a doenças”. Condições precárias de sobrevivência de grande parte de jovens e adultos brasileiros os afastam da possibilidade de vida saudável, com alimentação adequada, condições sanitárias e de moradia, segurança e transporte apropriados, acesso a terra e água de qualidade, com direito a lazer e a manifestações culturais. A falta desses componentes mínimos para a existência contribui para a reprodução de uma população adoecida. Distorções causadas pela má distribuição de renda no Brasil têm conduzido à busca de “cura de doenças”, muito mais do que à promoção da saúde. Organizar-se para enfrentar essa condição desumana de sobrevivência é fundamental. A EJA, com base na rica e diversa formação étnico-cultural de seus sujeitos, deve contribuir para reconstruir hábitos saudáveis de alimentação, de utilização e manejo de recursos naturais, de lazer e descanso, fundamentais para a produção de uma vida com saúde (ENCONTRO DA REGIÃO NORDESTE PREPARATÓRIO À VI CONFITEA, 2008, p.15)

O relatório final desse Encontro menciona, ainda, que a saúde na vida de jovens e adultos está intimamente relacionada à forma como esses sujeitos interagem com o ambiente - entendendo-o como espaço de vivência entre seres humanos e natureza como um todo - e aponta como uma das atribuições da EJA gerar reflexões a respeito, além de um comportamento responsável.

Conforme Flores e Drehmer (2003), uma das contribuições da promoção de saúde é a ampliação do seu entendimento, favorecendo o processo em que a comunidade aumenta a sua habilidade de resolver seus problemas de saúde com competência e intensifica sua própria participação. Essa atividade pode e deve ser desenvolvida em espaços diversos, como escolas, por exemplo, permitindo a expansão e o fortalecimento da saúde da população através de um trabalho coletivo e participativo.

Mesmo porque, segundo Comis et al (2005), o aumento da incidência de doenças ocorre, geralmente, sob condições adversas de vida, que se atrelam a processos de degradação ambiental. Dessa forma, a relação entre o homem e o meio em que vive pode tornar-se um

fator de risco à saúde, pois os elementos ambientais e antrópicos são constantemente a base para a proliferação e desenvolvimento de agentes patogênicos.

Nesse sentido, um aspecto relevante, relacionado à saúde, está na relação entre o homem e os animais, que vem se tornando cada vez mais próxima, constituindo um papel importante na estrutura familiar e social(ANTUNES, 2001).

Tendo em vista os aspectos apontados e, após levantamento feito junto à Equipe de Vigilância em Saúde do município onde esta pesquisa realizou-se, optou-se por trabalhar a prevenção de uma zoonose com alta incidência na cidade.

Entende-se que as zoonoses são infecções comuns ao homem e a outros animais (BRASIL, 2010a). Em decorrência de sua importância, tanto do ponto de vista social quanto do ponto de vista econômico, é necessária a adoção de medidas capazes de minimizar transtornos por meio da aplicação de métodos adequados para a prevenção e controle dessas doenças(MIGUEL,1996).

Considerando que jovens e adultos, mesmo que às vezes dotados de noções parciais sobre saúde, dispõem de um conhecimento objetivo, de experiência e percepção sobre o tema, pretendemos partir dessa realidade para que novas incorporações promovam compreensões mais amplas.

Dessa forma, parece-nos importante envolver aspectos relacionados à prevenção, à promoção da saúde individual e coletiva, aos bons hábitos pessoais no ambiente doméstico e de trabalho e à melhoria da qualidade de vida.

Nesta pesquisa, optou-se pelo enfoque na leishmaniose visceral por tratar-se de uma zoonose emergente na região deste estudo.