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Birleşmeye Katılma Yolu ile Sermaye Kaybının Telafisi

Ao iniciar o capítulo XVII – “Das causas, geração e definição de um Estado” – Hobbes (1979, p. 77) assevera que “O fim último, causa final e desígnio dos homens [...], é o cuidado com sua própria conservação e com uma vida mais satisfeita”. Isso significa dizer que os homens desejam sair de uma condição infeliz provocada por suas paixões naturais, e o que os fazem querer sair desta condição é o medo de serem castigados, por não respeitarem o cumprimento de seus pactos. Do ponto de vista de Hobbes (1979, p, 79) isso ocorreria:

Porque as leis de natureza (como a justiça, a equidade, a modéstia, a piedade, ou, em resumo, fazer aos outros o que queremos que nos façam) por si mesmas, na ausência do temor de algum poder capaz de levá-las a ser respeitadas, são contrárias a nossas paixões naturais, as quais nos fazem tender para a parcialidade, o orgulho, a vingança e coisas semelhantes. E os pactos sem a espada não passam de palavras, sem força para dar qualquer segurança a ninguém. Portanto, [...], se não for instituído um poder suficientemente grande pra nossa segurança, cada um confiará, e poderá legitimamente confiar, apenas em sua própria força e capacidade, como proteção contra todos os outros. ()

Como a vida do homem, no estado de natureza, está sempre ameaçada por desavenças ou guerras de todos contra todos, os homens, obedecendo à razão utilitária, resolvem renunciar a todos os seus direitos naturais e submeter-se a um terceiro, e conferir toda sua força e poder a um homem, ou a uma assembleia de homens, que possa reduzir suas diversas vontades por pluralidade de votos, a uma só vontade.

Nisto consiste o pacto que, segundo Hobbes, dissolve o estado de natureza e cria o estado de cultura, ou como se diz, o Estado Civil. Pelo contrato assim firmado, o homem natural, reconhecendo a impossibilidade de viver em paz em seu estado primitivo de vida, constitui, para toda a multidão de indivíduos iguais e dispersos, um grande Leviatã, que é chamado de República ou Estado.

Disto decorre uma profunda transformação. O que era uma multidão torna-se um corpo político, formado com os corpos de todos os indivíduos da multidão, possuidor de um poder absoluto e perpétuo, cuja vontade é tida e considerada como vontade de cada um em particular. Hobbes (1979, p. 107) infere:

Um Estado foi instituído quando umas multidões de homens concordam e pactuam, cada um com os outros, que a qualquer homem ou assembleia de homens a quem seja atribuído pela maioria o direito de representar a essa pessoa de todos eles (ou seja, de ser seu representante), todos sem exceção, tanto os que votaram a favor dele como os que votaram contra ele, deverão autorizar os atos e decisões desse homem ou a assembleia de homens, tal como se fossem seus próprios atos e decisões, a fim de viverem em paz uns com os outros.

Isto segundo Hobbes (1979, p. 107) acontece porque:

Em primeiro lugar, na medida em que pactuam, deve-se entender que não se encontram obrigados por um pacto anterior a qualquer coisa que contradiga o atual [...] Em segundo lugar, dado que o direito de representar as pessoas é conferido ao que é tornado soberano mediante um paco celebrado apenas entre cada um, e não pode haver quebra de pacto de parte do soberano, portanto nenhum dos súditos pode libertar-se da sujeição, sob qualquer pretexto de infração [...] Em terceiro lugar, se a maioria, por voto de consentimento, escolher um soberano, os que tiverem discordando devem passar a consentir juntamente com os restantes. Ou seja, devem aceitar e reconhecer todos os atos que ele venha a praticar, ou então serem justamente destruídos pelos restantes [...] Em quarto lugar, dado que todo súdito é, por instituição, autor de todos os seus atos e decisões do soberano instituído, segue- se que nada do que este faça pode ser considerado injúria para com qualquer de seus súditos, e que nenhum deles pode acusá-lo de injustiça [...] Em quinto lugar, e em consequência do que foi dito por último, aquele que detém o poder soberano não pode justamente ser morto, nem de qualquer outra maneira pode ser punido por seus súditos. Dado que cada súdito é autor dos atos do seu soberano, cada um estaria castigando outrem pelos atos cometidos por si mesmo [...].

É óbvio que o soberano deve proporcionar aos súditos aquilo para o qual se institui o Estado, isto é, a segurança. Porém, não é somente a conservação da vida dos homens contra os perigos, mas principalmente, o gozo de satisfações dessa vida, uma vez que os homens se uniram espontaneamente para nela viverem felizes, tanto quanto a condição humana permita.

Conquanto, nesse Estado, em que o poder é absoluto, a quem caberá a liberdade e a igualdade enquanto valores que aprendemos a aceitar? A igualdade é que leva à guerra de todos contra todos, isto porque os homens no estado natural desejam possuir a mesma coisa: a eterna competição.

Liberdade segundo Hobbes (1979, p. 108) é

[...] a ausência de oposição (entendendo por oposição os impedimentos externos do movimento); e não se aplica menos às criaturas irracionais e inanimadas do que às racionais. Porque de tudo o que estiver amarrado ou envolvido de modo a não poder mover-se senão dentro de um certo espaço, sendo esse espaço determinado pela oposição de algum corpo esterno, dizemos que não tem liberdade de ir mais além [...] um homem livre é aquele que, naquelas coisas que graças a sua força e engenho é capaz de fazer, não é impedido de fazer o que tem vontade de fazer [...].

Hobbes (1979, p. 109) chama atenção para os diversos usos que se faz com relação às palavras livre e liberdade, parecendo ser uma e a mesma coisa, aplicadas num só corpo, segundo ele, havendo abusos por parte da linguagem: “[...] a liberdade e a necessidade são compatíveis [...] assim também as ações que os homens voluntariamente praticam, derivam da liberdade”.

Por isso, quando os homens, com vistas a conseguir a paz para si, para os outros e a sua conservação, criam um homem artificial, que é chamado de Estado, criam, também, cadeias artificiais denominadas leis civis, mediante pactos mútuos e doam seus direitos a quem compete o poder soberano, que não poderá romper com o pacto estabelecido.

Deve-se considerar que, os infortúnios gerados pela igualdade no estado natural deverão ser melhor considerados se, os homens de livre vontade não buscarem a segurança e a paz, correram o risco de voltarem ao estado primeiro. Disso trataremos com amior acuidade nos capítulos que se seguem.