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Embora o Programa Mineiro de Cooperação Universidade/Empresa esteja apenas no seu início, podemos esperar que tenha impacto importante nas relações U/E para o desenvolvimento tecnológico, pautados na experiência de um programa similar francês, o CIFRE - Conventions Industrielle de

Formation par la Recherche. A título de ilustração e para se ter uma idéia das

possibilidades futuras do Programa Mineiro, serão apresentadas a seguir, algumas informações sobre o Programa CIFRE.

O Programa CIFRE, desenvolvido pelo Ministério da Educação, da Pesquisa e da Tecnologia francês, foi iniciado em 1982 com o objetivo de apoiar as empresas a desenvolverem atividades de P&D através da absorção de estudantes de doutorado em tecnologia. O Programa visa o fortalecimento e multiplicação das cooperações entre universidade e indústria e oferece aos alunos a oportunidade de trabalharem com as culturas universitária e empresarial. Desta forma têm sido desenvolvidos, em três anos, os verdadeiros doutorados tecnológicos da França.

O Programa envolve a associação de três atores que são:

uma empresa interessada na pesquisa, registrada oficialmente segundo a legislação francesa,

um aluno de pós-graduação interessado no desenvolvimento de pesquisa de doutorado,

um laboratório, independente da empresa, interessado em inovação tecnológica, que assegure o desenvolvimento e a orientação da tese.

O Programa é direcionado a candidatos, de nacionalidade francesa ou proveniente da comunidade européia. O Programa foi inicialmente dedicado à área de engenharia, mas tem se enriquecido nos últimos anos com a adesão de novas disciplinas incluindo hoje a área de ciências humanas e sociais. Os alunos são originários de universidades e grandes escolas francesas. O programa está presente em toda a França distribuído de acordo com as vocações e competências regionais e está disponível para todas as empresas industriais e de serviço, para todos os setores de atividades e para todas as áreas do conhecimento.

Características do programa CIFRE

No Programa CIFRE, o trabalho de pesquisa, a ser desenvolvido durante o doutorado, precisa ser realizado em colaboração direta com uma equipe de pesquisa externa à empresa e o chefe da equipe tem a missão de assegurar a abordagem científica da pesquisa orientando o aluno e garantindo a formação de um verdadeiro pesquisador. A qualidade do trabalho realizado e a adequada formação do pesquisador são verificadas através da tese de doutorado.

O governo subsidia o programa através de um repasse financeiro transferido à empresa pela Associação Nacional da Pesquisa Técnica –

Association Nationale de la Recherche Technique - ANRT.8

A empresa assina dois contratos de trabalho: o primeiro com o laboratório de pesquisa e o segundo com o aluno.

O contrato entre a empresa e o laboratório deve conter todas as características da colaboração. A proteção industrial pode ser garantida através de cláusulas de sigilo enquanto tramitam os pedidos de propriedade industrial.

Já as cláusulas do contrato de trabalho entre o aluno e a empresa não são de competência da ANRT. O contrato pode ser de tempo indeterminado ou

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de apenas 3 anos, período de duração do doutorado. Caso o aluno saia da empresa no meio do período, a bolsa CIFRE é automaticamente interrompida.

O recrutamento do aluno pode ser feito internamente à empresa, quando esta decide que algum engenheiro ou profissional do seu quadro de funcionários deve ter uma boa formação para a pesquisa. No caso de seleção externa, é comum que a seleção do profissional aconteça entre estagiários que se encontram no fim dos estudos universitários. O aluno precisa estar oficialmente matriculado num curso de pós-graduação, reconhecido pelo Ministério da Educação.

A ajuda da ANRT independe do valor real efetivamente pago pela empresa ao aluno, valor este que não pode ser inferior ao salário mínimo vigente na França (132.000 francos franceses anuais, cerca de 22.000 dólares americanos em 1999). No mesmo ano, o valor da subvenção da ANRT foi de 96.000 francos franceses anuais, cerca de 16.000 dólares americanos por aluno. Com base nestes dados conclui-se que o apoio da ANRT à empresa pode representar até 73% do valor pago ao aluno, nos casos em que este é igual ao salário mínimo.

A inscrição para o programa pode acontecer em qualquer período do ano. A empresa deve preencher um conjunto de formulários, disponíveis diretamente na ANRT ou nas suas delegacias regionais. A decisão sai, no máximo, dois meses após a entrega da documentação completa. A análise da solicitação se baseia em critérios do tipo:

a) avaliação técnico-econômica da empresa, para verificar sua saúde financeira e sua capacidade de prover uma formação industrial ao candidato (avaliação realizada por especialista na área);

b) avaliação da qualidade da equipe de pesquisa e da adequação do tema proposto à formação doutoral (avaliação realizada por dois cientistas).

Caso sejam identificadas irregularidades no decorrer do doutorado, a ANRT se reserva o direito de exigir da empresa a devolução de parte ou todo o investimento realizado.

A avaliação do Programa feita pela ANRT e Ministério da Educação Nacional, da Pesquisa e da Tecnologia, gestores do Programa, mostra resultados bastante expressivos que evidenciam o esforço do governo na inserção de pesquisadores nas empresas, como uma prioridade para favorecer a inovação. A partir de 1998, foi autorizada pelo governo francês a aprovação de 800 novos projetos anuais. Os dados disponíveis mostram que 1/3 dos alunos são mulheres e 2/3 homens. O valor médio pago pelas empresas nos últimos anos tem sido de 148.000 francos franceses, cerca de 25.000 dólares americanos.

Alguns indicadores do Programa, até final de 1998, são:

a) cerca de 90% dos alunos terminam seus trabalhos de doutorado, taxa superior à atingida por outros programas de doutorado na França;

b) em 20% dos casos, ao término da defesa da tese, a empresa e o laboratório universitário dão continuidade a projetos em parceria, na forma de contratos de pesquisa, estágios ou outras bolsas CIFRE;

c) de forma global, 77% dos alunos são absorvidos pela indústria no fim do projeto: 37% na própria indústria parceira e 40% em outras indústrias; d) 13% dos alunos optam por uma carreira acadêmica e passam a fazer

parte de uma equipe de pesquisa de laboratório público;

e) 4% decidem fazer um pós-doutorado, a maioria no estrangeiro;

f) 80% das indústrias se declaram beneficiadas imediatamente pelas inovações decorrentes dos resultados das pesquisas desenvolvidas pelos estudantes de doutorado;

g) mais de 7.000 teses foram desenvolvidas até hoje, beneficiando grandes, médias e pequenas empresas;

h) 65% das teses deram origem a publicações francesas ou estrangeiras. Alem dos indicadores acima, os depoimentos bastante positivos dos participantes do CIFRE (1999) confirmam a eficiência do Programa como instrumento de fortalecimento da cooperação entre o setor empresarial e a academia:

• O Programa tem permitido aos alunos adquirir experiência acadêmica e maturidade na área da pesquisa, aliadas à experiência empresarial

suficientemente longa e interessante para que consigam rapidamente colocar- se no mercado de trabalho assim que se formam.

• As pesquisas desenvolvidas apresentam alto nível científico e conduzem a resultados aplicáveis nas empresas.

• As equipes dos laboratórios universitários aprendem a trabalhar afinados com a cultura industrial e dão continuidade às parcerias após o fim dos projetos.

• Os alunos se declaram mais bem inseridos no mundo das empresas. • Os participantes do Programa aprendem a trabalhar em parceria e sua satisfação é muito alta.

• As cerca de 7.000 teses defendidas até 1998 foram classificadas nas seguintes modalidades: Desenvolvimento de Protótipos – 11%, Patentes – 14%, Procedimentos – 19%, Desenvolvimento de Produtos – 18%, know how – 38% (é importante salientar que no mínimo 14% das teses geraram pelo menos o depósito de uma patente).

São resultados que espelham o sucesso de um programa que já conta dezoito anos de existência ininterrupta, que deve estar contribuindo significativamente para a inovação e o desenvolvimento da indústria francesa.

Benzer Belgeler