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III. BÖLÜM

5.1.1. Birinci Alt Probleme İlişkin Sonuçlar

Conforme analisado anteriormente, o perfil da contributividade possibilita caracterizar como as diversas frações de classe participaram do financiamento do padrão de materialidade do estado, denotando como a participação a partir do Estado na reprodutibilidade do capital foi legitimada, considerando-se tanto o perfil de incidência dos tributos assim como analisando, em linhas gerais, a evolução do endividamento. Contudo, só há dados consolidados disponíveis para os EUA. No início do século 20, a renda era apropriada pelo Estado Norte-

Americano (Tabela 3.10 e 3.11) fundamentalmente a partir da cobrança de imposto sobre

importação por parte do governo federal (tariffs), licenças para o exercício de negócios e profissões e sobre o consumo de produtos especiais (excise tax). O somatório destes tributos respondeu por 89,22% da receita total na década de 10, declinando sucessivamente sua participação até chegarem a 71,10% nos anos 30. Neste conjunto, as Licenças predominaram como fonte de receita até a década de 30, responsáveis por entre 34% e 43% do seu total. Os

Outros Impostos Ad Valorem, onde se encontra a arrecadação sobre importações,

representaram a segunda fonte, respondendo, em média, ao longo do decênio iniciado em 1910, por 29,70% do total e reduzindo também sua participação para 18,32% nos anos 30. Particularmente, o imposto sobre importações foi a principal origem dos recursos oriundos da esfera federal até a Segunda Guerra Mundial. Segundo dados do United Census Bureau, eles

chegaram a representar 94,9% do total das receitas federais em 1860, antes da Guerra Civil

Americana, e caíram gradativamente, passando a 41,1% em 1900, 13,2% em 1930 e somente

0,9% em 1942. Os 'excise taxes', incidentes sobretudo sobre whisky, açúcar e tabaco no período, desempenharam papel importante na formação das disponibilidades estatais. Respondiam por 14,35% inicialmente, mas caíram fortemente com a Lei Seca (National

Prohibition Act/Volstead Act - 1920-33), durante a década de 20, para 5,50% do total,

recuperando-se para 8,13% no período seguinte.

De fato, a mudança da composição das disponibilidades do Estado Norte-Americano começou a se alterar com a edição da 16ª Emenda Constitucional114 em 1913 que possibilitou a cobrança de imposto de renda (IR). Nos anos 10, ele já respondeu por 10,38% da arrecadação tributária, que dobrou na década seguinte (23,18%), tendo passado de um montante equivalente a 0,83% do PIB para 2,80% de um período para o outro (Tabela 3.10). Durante os anos 30, mudança nas alíquotas115 conseguiu minimizar a sua diminuição para 2,32% do produto nacional, embora, com o maior crescimento dos impostos ad valorem (de 7,80% para 10,09% do PIB), sua participação relativa na receita total tenha declinado. Na década de 40, porém, o imposto de renda se consolidou como principal fonte para financiamento das ações a partir do Estado, com a edição do Revenue Act de 1942, que elevou alíquotas, ampliou base de contribuintes, criou deduções e passou a obrigar os empregadores a recolherem quadrimestralmente o imposto. Deste modo, sua receita elevou-se para 9,70% do PIB.

A partir dos anos 50, o montante da receita originária do imposto de renda viria se manter estável até a atualidade no patamar entre 12,05% e 12,46% do produto nacional, participações que se sucederam, respectivamente, nas décadas de 80 e 90. Entretanto, apesar desta estabilidade, o montante oriundo da incidência sobre pessoa física cresceu continuamente, enquanto, pari passu, o de natureza corporativa decresceu. Na década de 50, a arrecadação de imposto de renda correspondeu, conforme pessoas física e jurídica, em média, a 7,50% e 4,82% do PIB, o que representou uma repartição dessa receita pela incidência, pela ordem, de 60,9% e 39,1%. Desde então até a década em curso, o IR-pessoa física (10,11% do produto) cresceu 34,8% e o IR-pessoa jurídica (2,14%) decresceu -55,6%. Com isto, a contribuição do primeiro para o total passou a 82,5% e a do segundo para 17,5%.

A evolução da arrecadação de taxas e contribuições sociais desempenhou também papel significativo nos EUA na mudança do perfil da renda apropriada a partir do Estado, desde o início do século passado. As taxas apresentaram um crescimento modesto ao longo das décadas, passando de 0,44% do PIB, em média, nos anos 10 para 1,06% na década de 50 e,

depois, crescendo mais firmemente até os anos 80, quando atingiram 3,23% do PIB. No período seguinte, recuaram sua participação, caindo para 2,68% na presente década. As

contribuições sociais, por sua vez, surgiram efetivamente como receita representativa durante

o decênio da Grande Depressão, em que totalizaram 0,63% do produto nacional. Movidas pela necessidade de financiamento do seguro desemprego, nos anos 50, elas já representavam 2,28%, chegando ao patamar de 8,0% a partir de 1980, com o auge na década de 90, de 9,09% do PIB.

Diante destes cenários, podemos, então, considerar que a materialidade do Estado Norte-

Americano no que se refere à contributividade apresentou igualmente, pelo menos, três

estágios. Do início do século XX até a Segunda Guerra, a renda apropriada baseou-se visivelmente na tributação indireta, ainda que de modo declinante ao longo deste período. Mais de 60,0% da receita originaram-se de tributos ad valorem nos quarenta anos iniciais dessa fase, sendo que, no decênio derradeiro- aliás, a década de 40 certamente foi fase de transição, eles ainda prevaleceram (43,85% do total) ao lado da emergente receita de imposto de renda (42,15%). O segundo estágio engloba as décadas de 50, 60 e 70, quando a arrecadação de imposto se estabilizou com o notório decréscimo de sua incidência sobre as empresas e as demais fontes de receita com tendência à afetação (taxas e contribuições sociais) passaram a representar não mais do que 20,0% das disponibilidades estatais totais. Neste período, a renda oriunda do IR permaneceu no patamar de 40,0%, enquanto os tributos

ad valorem decaíram para abaixo de 30,0%. No caso do IR, a década de 70 constituiu a fase

de transição em que a participação do IR-pessoa jurídica passou a ficar abaixo de 25,0% da receita total do imposto de renda. O último estágio, no qual nos encontramos, se caracteriza pelo aumento das fontes de natureza vinculada, que representam uma tendência contraditória na lógica do Estado Capitalista, na medida em que tendem a reconectar o financiamento com as respectivas capacidades estatais, como problematizado no Capítulo 2.

Desde os anos 80, o resultado do somatório das receitas referentes a taxas e contribuições sociais vem se incrementando a ponto de se equiparar ao obtido por meio do imposto de renda, ainda a principal fonte de financiamento das movimentações do Estado Norte-

Americano. Elas totalizaram 35,02% da receita total na década de 80 e oscilaram para o

patamar levemente inferior, encontrando-se na atualidade em 32,0% contra 35,95% representados pela receita de IR. Se computamos 1/3 da receita oriunda da tributação de negócios, que se refere, em média, a pagamentos por serviços públicos (água, gás, energia elétrica e trânsito) estimados para 2014 - o que, atualmente, corresponde a cerca de 2,8%, a

receita com características vinculatórias sobe para 36,55%, superando aquela outra fonte. Embora se destinem majoritariamente a finalidades de proteção social e serviços públicos determinados ao contrário dos demais tributos- que, pelo princípio do caixa único, podem ter destinações diversas, este estágio indica clara tendência à vinculação de receitas a fins específicos, que, por sua vez, vem sem manifestando de outros modos116 em resposta aos mecanismos de seletividade do Estado Capitalista.

Ora, a análise da contributividade se complementa com a análise da evolução do endividamento, levando em conta a capacidade da tributação vinculada para financiar estritamente as capacidades estatais correspondentes, a evolução do serviço da dívida e o perfil do endividamento no período. Certamente, a problemática do endividamento, do ponto de vista econômico, envolve diversas dimensões conjunturais e aspectos do sistema financeiro e monetário, que, diante do propósito analítico em curso de exclusivamente caracterizar seu impacto sobre as disponibilidades estatais, não carecem de serem consideradas. Nosso objetivo aqui é delimitar a proporção geral em que ele eventualmente possa ter afetado negativamente, em termos históricos, as condensações materiais do Estado. Nesta perspectiva, em relação às contribuições sociais, que são tributo com vinculação formal, comparando os dados de receitas (Tabela 3.11) e os de despesas com proteção social (Tabela 3.1), vemos que, até a década de 50, prevaleceu o estrito equilíbrio financeiro. A partir dos anos 60, com o crescimento continuado dos benefícios, registraram-se déficits sucessivos, à exceção da década de 90, quando, em média, a arrecadação de contribuições sociais superou os dispêndios. Atualmente, as despesas com proteção social representam 10,09% do PIB e as contribuições correspondem a 8,83%, o que representa um déficit de 12,5% do total movimentado, posição pior do que da década anterior quando foi de 6,8%.

Em relação ao serviço da dívida, os pagamentos evoluíram estavelmente até a década de 70, variando entre 1,5% e 1,9% do PIB norte-americano. Nas duas décadas seguintes ele duplicou, passando a representar 3,45% e 3,77% dos respectivos produtos dos períodos. Apesar do aumento expressivo, nos anos 80, seu impacto foi compensado, justamente, pelo aumento do resultado receita tributária total de mais 2,2% do PIB e, na década seguinte, pela redução das despesas com defesa igualmente análogo a 2,0% do PIB. O pagamento recuou na atualidade para 2,25% do PIB.

Do mesmo modo, a dívida pública norte-americana manteve-se estável ao longo das décadas (Tabela 3.12 a 3.14). Da Segunda Guerra Mundial (94,27%) aos anos 70, seu total decresceu

para 47,56% do produto interno. Desde então, cresceu continuadamente e, com a crise de 2008, conforme analisado acima, passou, na década atual, a representar 120,81% do PIB.