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2.2. Örgütsel Bağlılık

2.2.4. Örgütsel Bağlılık Sınıflandırmaları

Ora, a periodização da evolução do capitalismo descrita por Jessop oferece um rico panorama sobre as características de desenvolvimento verificadas nos períodos analisados, mostrando a dinâmica institucional e a atuação das forças políticas que ali supostamente teriam se desenrolado, o que oferece insumos para uma reconstrução histórica do processo social sob o qual se processou a acumulação de riquezas no período. De fato, o incremento da taxa de lucro foi fortemente influenciado pelas mudanças no processo de trabalho, proporcionados pelos métodos de controle de extensão e intensificação do trabalho, que se convencionou chamar 'fordismo'. Do mesmo modo, a ampliação do consumo de massa e, portanto, da

demanda dos trabalhadores, com a devida contribuição do Estado seja por meio das políticas trabalhistas ou das de bem estar implementadas, constitui corolário explicativo importante da dinâmica capitalista no pós-guerra. Além disto, a identificação de uma nova fase de desenvolvimento a partir, principalmente dos anos 90, mostra-se igualmente pertinente, diante das profundas transformações que a globalização e o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e informação representaram para acumulação de capital, assim como as contradições reconhecidas desde o período anterior, sobretudo, aquelas referentes à natureza do sistema de bem estar instituído, são relevantes para compreendermos as mudanças mais recentes que vêm se processando.

Entretanto, apesar da análise instigadora e do raciocínio dedutivo quanto à necessidade de se explorar o conceito de 'reprodução'80, a periodização empreendida a partir dos fundamentos regulacionistas de que Jessop é um dos expoentes apresenta limitações importantes, que demandam a redefinição de critérios para uma adequada fundamentação da delimitação de períodos do desenvolvimento do capitalismo, particularmente do Estado Capitalista. Sem pretendermos aqui empreender uma análise crítica da 'Teoria da Regulação', podemos dizer que os problemas de sua periodização se confundem com os próprios problemas epistemológicos apontados por Brenner e Glick (1991) na abordagem analítica que, de modo geral, o 'regulacionismo' empreende. Do ponto de vista dos critérios para periodização do Estado Capitalista, consideramos que a fundamentação dos estágios distintos de acumulação realizada com base nos processos disseminados pelo fordismo não se mostra adequada para caracterizar a extensão e a profundidade das mudanças verificadas nos períodos analisados. Em segundo lugar, ao privilegiar a demarcação das fases de desenvolvimento pelas características do 'modo de regulação', que toma como referência as características das formas institucionais, os regulacionistas deslocam a fundamentação da periodização de variáveis endógenas ao processo de acumulação para variáveis 'extraeconômicas' nas palavras de Jessop.

Para a Teoria da Regulação, a evolução do capitalismo desde o final do século XIX se explica a partir do fato de que o processo de trabalho disseminado como 'fordismo' promoveu a mudança da acumulação extensiva que vigorava até então para a acumulação intensiva, em razão da intensificação do trabalho e da disseminação da produção de massa, pelo lado da oferta, e pelo consumo de massa, do ponto de vista da demanda, que implicou. Contudo, os regulacionistas não explicam como a intensificação do trabalho, característica apontada como fundante do 'fordismo', foi capaz de se impor socialmente e gerar as instituições que traduzem

o sentido de eficiência suposto nos seus objetivos no âmbito do 'chão de fábrica'. De fato, "o regime de acumulação intensiva foi uma função da ampliação da Administração Científica", que levou os "chamados métodos tayloristas de racionalização: a aceleração dos processos mecânicos de conclusão de tarefa (...) facilitada por estudos de tempo e movimento próprios" a serem substituídos "pela integração fordista do processo de trabalho, envolvendo a introdução de transportadores e dispositivos de manuseamento que asseguraram o movimento de materiais e sua chegada às máquinas-ferramentas apropriadas", cujo "golpe de misericórdia foi a linha de montagem automática, que rigorosamente fixou os trabalhadores em postos de trabalho determinados pela configuração do sistema da máquina e privou-os de todo o controle sobre o seu ritmo de trabalho e autonomia no trabalho" (Brenner e Glick, 1991:76). No primeiro momento, de acordo com os regulacionistas, este cenário de produtividade proporcionado pela ascensão do fordismo teria possibilitado "uma ruptura para além do regime de acumulação extensiva do primeiro modo de desenvolvimento dos regulacionistas para acumulação intensiva", mas sucumbido ao "tão grande poder do capital sobre o trabalho" na determinação de salários competitivos, o que teria impedido "a acumulação intensiva enraizada no processo de trabalho taylorista-fordista e [levado] à crise estrutural do subconsumo e aos conflitos políticos do período entre guerras". Na sequência, o "modo

fordista de consumo", enquanto "um compromisso de classe que emergiu dos conflitos sócio-

políticos dos anos trinta e quarenta”, teria sido capaz de gerar as condições para “o pleno florescimento do processo de trabalho taylorista-fordista e a acumulação intensiva durante o boom do pós-guerra". Apesar disto, como expressão da força dos trabalhadores no período, o processo de trabalho taylorista-fordista acabou por representar limites para "o crescimento das forças produtivas e instalou uma nova crise estrutural de crescimento da produtividade a partir do final dos anos sessenta", que desembocou, a partir dos anos 90, na construção de "um novo compromisso de classe que tornará possível uma saída do impasse econômico atual, presumivelmente um novo quarto modo, pós-fordista de desenvolvimento" (Brenner e Glick, 1991:113), apresentado por Jessop como 'regime schumpeteriano'.

Ademais, embora haja concordância geral para além do papel regulatório desempenhado pelo ‘fordismo’ quanto a sua importância para o desenvolvimento do capitalismo, prestando-se à intensificação da exploração do trabalho, "se o fordismo não é nada mais do que mecanização mais taylorismo mais linha de montagem, para os fins previstos pelos regulacionistas,” é necessário esclarecer “por que ele deve ser visto como mais do que uma extensão dos processos de transformação de tecnologia e processo de trabalho que caracterizam a produção

capitalista por, pelo menos, um século (ou talvez dois)" (Brenner e Glick, 1991:99). Afinal, por definição, o modo-de-produção capitalista se caracteriza historicamente pelo crescente grau de desenvolvimento das forças produtivas. Não se pode ignorar que, "desde a Revolução Industrial, se não antes, o processo de trabalho capitalista foi transformado e retransformado por meio de novas técnicas que trouxeram maior rentabilidade para as empresas individuais, proporcionando uma maior eficiência para dados insumos, e não apenas por - e, muitas vezes, independentemente da evocação de inputs de trabalho mais intensivos ou mais extensivos". Portanto, a apropriação do excedente por meio da mais-valia relativa sempre foi uma alternativa perseguida pelos empresários capitalistas, que, a fim de permanecerem nos negócios, "foram levados a adotar essas técnicas, porque elas cortavam custos unitários (sem a necessidade de uma maior exploração, embora, é claro, muitas vezes facilitassem isso)" (Brenner e Glick, 1991:58).

Correlatamente, tais estágios de desenvolvimento corresponderam a formas institucionais específicas, que surgiram no contexto histórico dos processos de produção então vigentes e tiveram sua natureza definida por embates de interesses de classe e lutas políticas dos respectivos períodos. Assim, não se pode pressupor que determinada inovação no processo de trabalho tenha resultado diretamente em (re)definições de processos sociais quaisquer que sejam, sem apontar eventualmente como isto ocorreu, especialmente no que se refere ao suposto modo de consumo fordista ou ao esgotamento da capacidade de intensificação da produtividade por parte do fordismo. No caso da periodizacão, isto significa que o fordismo não pode ser tomado como referência adequada para demarcar os estágios, porque embora tenha constituído elemento importante para o incremento da taxa de lucro, ele não se basta em si mesmo para explicar toda a extensão das mudanças no processo de acumulação, assim como ele mesmo, ao longo do período caracterizado, sofreu mudanças sucessivas devido à evolução tecnológica concomitante que se processou, tornando-se 'fordismos' sucessivamente distintos e, sob o argumento regulacionista, suficientes para caracterizar possíveis outras fases.

Por outro lado, embora seja pertinente a contribuição da Teoria da Regulação quanto ao fato das instituições serem "extremamente importantes para influenciar os caminhos regionais ou nacionais de crescimento das forças produtivas, especialmente através de seu impacto sobre a competitividade industrial [uma vez que] variações de formas institucionais81 entre nações e regiões, em outras palavras, têm um papel importante na determinação das hierarquias de produtividade e competitividade entre as regiões e nações" (Brenner e Glick, 1991:112), sua

análise mostra-se insuficiente por não levar em conta "adequadamente o sistema mais amplo de relações capitalistas de propriedade-social que se forma como pano de fundo para a sua sucessão de fases institucionalmente definidas" (Brenner e Glick, 1991:105). Ora, segundo os regulacionistas, todo modo de desenvolvimento se define por um modo de regulação que constrange o regime de acumulação, estabilizando continuamente novas racionalidades nos processos de produção e de consumo social para incremento dos lucros, de modo que o "surgimento dessas novas regularidades econômicas [torna-se] possível devido às mudanças institucionais significativas" (Brenner e Glick, 1991:76). Sendo assim, uma vez que cada modo de desenvolvimento representa uma fase evolutiva do modo de produção capitalista, "seria necessário compreender o aparecimento, a reprodução, e os efeitos dos modos de regulação que guiam cada regime de acumulação, pelo menos parcialmente, em termos dos constrangimentos gerais constituídos pelas relações sociais capitalistas de propriedade". Seria necessário considerar, a princípio, que "as relações sociais capitalistas de propriedade, uma vez estabelecidas, impõem às unidades econômicas individuais ou atores certas formas necessárias de comportamento econômico - maximização da relação preço/custo para a venda de seus produtos por meio da apropriada especialização, por meio da acumulação de excedentes, e trazendo/buscando a mais recente técnica, sob pena de sair do negócio sob a pressão da concorrência". Seria também fundamental considerar que "as relações capitalistas de propriedade-social, uma vez estabelecidas, formam uma espécie de campo de seleção natural para o aparecimento e reprodução de instituições econômicas historicamente específicas" (Brenner e Glick, 1991:77) e "determinam fortemente o efeito das dadas instituições, uma vez adotadas, sobre a acumulação de capital" (Brenner e Glick, 1991:110). Como isto não se sucede, a periodização do capitalismo realizada a partir exclusivamente da evolução das instituições que estruturam e regulam a formação social capitalista acaba por se apoiar em manifestações exteriores à evolução do processo propriamente de acumulação. Como analisamos acima, a periodização realizada por Jessop (e, de modo geral, a Teoria da

Regulação) da evolução do capitalismo é baseada na diferenciação de possíveis modos de

regulação. O que diferencia um período de outro é dado pelo conjunto distinto de estruturas institucionais que se prestaram a dinamizar o desenvolvimento do capitalismo. Neste contexto, a análise jessopiana se distancia da problematização da evolução do estado a partir dos conceitos poulanzianos que originalmente foram explorados para caracterizar a dinâmica do Estado Capitalista. Na verdade, ao se orientar exclusivamente pelos conceitos regulacionistas, Jessop pôs de lado o conceito de seletividade estratégica em benefício da

noção de 'regulação', perdendo a apreensão histórica de como o 'desenvolvimento desigual e combinado' proporcionado pela concomitante fragmentação e unidade do aparelho de estado anteriormente identificadas se impôs, evoluiu e afetou diferenciadamente, conforme as características que assumiu historicamente, a acumulação de capital, resvalando, assim, para o significado vazio- discutido no capítulo anterior - de que todas instituições da formação social representam restrições estruturais. Além disto, não postulou aspectos da alteração histórica da materialidade do Estado, que, enquanto condensação material do sentido das relações sociais envolvendo a construção em comum de condições para a implementação da acumulação de capital, certamente, representam a manifestação concreta das distintas características incorporadas pelo capitalismo durante seu desenvolvimento.

3.5. PADRÕES DE MATERIALIDADE PARA PERIODIZAÇÃO DO ESTADO CAPITALISTA

A periodização do Estado Capitalista a partir de sua materialidade institucional consiste na identificação de estágios evolutivos de padrões de apropriação, redirecionamento e

redistribuição da parcela do excedente que o Estado movimenta. A condensação material

resultante da gestão de receitas e despesas públicas traduz historicamente os embates de interesses de frações de classe pela reapropriação social desta renda e, ao mesmo tempo, as necessidades materiais socialmente legitimadas para reprodução tanto do trabalho quanto do capital. Assim, é possível se delimitar padrões históricos de materialidade a partir da distribuição desta renda entre a (i) Economia e o estamento governamental, (ii) entre o estamento governamental e as frações de classe segundo os respectivos departamentos econômicos de produção e (iii) no âmbito do próprio estamento governamental. A primeira distribuição registra a importância relativa das movimentações a partir do estado para reprodução da força de trabalho e do capital, denotando a intensidade da materialidade institucional do estado para a reprodutibilidade da acumulação de capital. A segunda expressa o resultado histórico da (re) apropriação do excedente por trabalhadores e capitalistas a partir do estado, mostrando o quanto cada fração de classe e departamento econômico é dependente de ações governamentais para sua manutenção e reprodução. A última descortina os domínios e capacidades estatais que foram condensados a partir do estado, evidenciando as necessidades sociais viabilizadas historicamente para a acumulação de capital.

Os estágios de desenvolvimento do Estado Capitalista irão, então, se diferenciar uns dos outros, em última instância, de acordo com sua potência de apropriação do excedente e conforme a forma final que assumirão o redirecionamento e a redistribuição da renda

conforme o resultado das ações governamentais empreendidas. Deste modo, não é relevante a consideração de outras regularidades para periodização, uma vez que outras mudanças no regime de acumulação82 como no ‘padrão de organização produtiva das empresas’, no ‘horizonte temporal para a formação de capital’ e nas ‘relações produtivas entre o capitalismo e os modos não-capitalistas de produção’ convergem seus resultados justamente para incremento do excedente e, portanto, para o aumento do potencial da materialidade do Estado. A extensão e a natureza da movimentação de parcela do excedente no âmbito do circuito

capital-dinheiro que o Estado Capitalista realiza, promovendo seu redirecionamento e

redistribuição, e, assim, recompondo a renda disponível para a força de trabalho e estritamente para o capital, podem ser descritos tomando-se como ponto de partida o esquema de reprodução ampliada do capital proposto por Kalecki83. De acordo com seu “modelo fechado, no qual tanto os gastos do setor público como a tributação sejam desprezíveis”, a acumulação de capital se processa a partir de três departamentos: "o Departamento I, que produz bens de capital; o Departamento II, que produz bens de consumo para os capitalistas; e o Departamento III, que produz bens de consumo para os trabalhadores" (Kalecki, 1977:65- 67), cujos bens são identificados, na devida ordem, por ‘I’, 'Cc' e 'Cw’. A renda apropriada

pelo capital, os lucros, é designada, em cada departamento, por ‘P1’, ‘P2’ e ‘P3’,

correspondendo a uma renda total dos capitalistas igual a 'P', e a renda na forma de salários, respectivamente, por ‘W1’, ‘W2’, e ‘W3’, totalizando uma renda para os trabalhadores

equivalente a 'W'. A renda nacional bruta, ‘Y’, é, então, resultante, de um lado, da renda de trabalhadores e capitalistas e, do outro, do somatório do produto de cada departamento [W+P = Y = I+Cc+Cw].

Quando “a economia não é um sistema fechado e os gastos públicos e a distribuição não são desprezíveis”, o produto nacional passa a ser igual à soma do investimento bruto, consumo, mais os gastos do Governo com bens e serviços (G) e o resultado da balança comercial [(10) Se = X–M] referente ao saldo entre exportações (X) e importações (M), de modo que o valor

do produto nacional bruto do lado da renda será dado por [(11) W+P+T = Y = I+Cc+Cw+G+Se] (Kalecki, 1977:67).

Ora, conforme destaca Kalecki, "uma parte dos impostos é empregada em transferências tais como gastos sociais, enquanto a parte restante serve para financiar os gastos do setor público em bens e serviços", sendo que os investimentos públicos se enquadram nestes gastos (Kalecki, 1977:68). Assim, podemos diferenciar, a partir do modelo kaleckiano, as despesas governamentais (G) em transferências estatais de renda (TR) e bens de consumo coletivos

(BCc). As primeiras referem-se à renda diretamente reapropriada pelas frações de classe e as segundas a ativos públicos que atuam como 'capital constante público' prestadores de serviços diversos que, enquanto tal, suplementam necessidades de reprodução da força de trabalho ou do capital no âmbito da produção e da circulação, que, em tese, poderiam ser adquiridos no mercado por trabalhadores e capitalistas com o dispêndio do excedente disponível individualmente, mas que, por razões diversas, não o são. Aqui também podemos distinguir

transferências de renda estatais específicas para capitalistas (TRp) e transferências de renda

estatais para trabalhadores (TRw), que representam renda suplementar com consequências

distintas pela posição que ocupam no processo de valorização, e que devem igualmente serem diferenciadas por departamento dadas as especificidades (TRp1, TRp2, TRp3 e TRw1, TRw2,

TRw3). Do mesmo modo, podemos distinguir entre a renda apropriada direta ou indiretamente

a partir do estado em tributação sobre lucros (Tp) e tributação de salários (Tw), levando,

igualmente, em conta suas peculiaridades em cada departamento (Tp1, Tp2, Tp3 e Tw1, Tw2,

Tw3).

Nesta perspectiva, podemos tomar os agregados 'T' e 'G' como expressões quantitativas da materialidade do estado, equivalendo, de modo geral, respectivamente, às contribuições e alocações públicas, enquanto 'Y' como uma proxy do excedente gerado. Por sua vez, as respectivas qualificações departamentais e de fonte de renda de 'T' e 'G' apresentam-se enquanto aproximações para caracterização dos sentidos de redistribuição e redirecionamento. A partir da análise quantitativa desses agregados, podemos delimitar as distribuições para estabelecer os padrões históricos da materialidade do estado.

A primeira distribuição a considerar refere-se à magnitude do montante de excedente movimentado a partir do estado em relação ao total gerado. Esta distribuição denota a capacidade de reprodutibilidade da acumulação de capital a partir de movimentações do excedente gerado desde a esfera mesma do mercado em relação a movimentações originadas do estado. Para tanto, partindo de [Y = P+W+G]84, demarcamos, inicialmente, dois cenários- limites de reprodutibilidade social do processo de valorização do capital, tomando, como variável de referência para sua delimitação, a renda alocada a partir do Estado (G), que, por definição, constitui elemento extraordinário na acumulação de capital (g = G/Y). No primeiro cenário extremo idealizado, o capital se apropria, inicialmente, de toda a renda e não existe

Transferências Estatais de Renda e/ou Bens de Consumo Coletivos (Y = P+W+G, sendo G =

0). A reprodução do trabalho provém exclusivamente da parcela da renda repassada pelo capitalista na forma de salário. Do mesmo modo, a reprodução ampliada do capital dependerá

totalmente das alocações decididas pelo capitalista. No segundo cenário, o governo se apropria compulsoriamente de toda a renda do circuito capital-dinheiro e o redireciona e o redistribui a fim de proporcionar a reprodução da acumulação segundo seus próprios critérios, conforme já vimos, por meio de transferências e bens de consumo coletivo (Y = P+W+G, sendo P = TRp, + BCcp e W = TRw, + BCcw). Tal cenário implica que a reprodutibilidade da

acumulação de capital não dependerá dos processos alocativos envolvendo empreendimentos privados, mas fundamentalmente de empreendimentos estatais. Ou seja, podemos dizer que, neste caso, as relações que o Estado expressa implicam que a reprodução do capital envolve primariamente movimentações sociais de renda, a fim de lograr sucesso no atendimento a suas necessidades. Aqui, independente de qualquer consideração ideológica a priori sobre a natureza do capitalismo neste estágio, o montante destinado à reprodução ampliada do capital ficará unicamente sujeito à discricionariedade do Estado.

Naturalmente, cenários intermediários permitem a composição de várias combinações proporcionais da distribuição da renda, cujos significados dos padrões verificados para a reprodução do capital poderão ser qualificados de forma variada. Todavia, para encontrarmos uma referência objetiva para demarcação da evolução histórica do Estado a partir desta distribuição, consideramos um ponto de referência médio, onde a renda total é distribuída, inicialmente, de forma igualitária entre o conjunto das frações de classe e o estamento estatal, sendo que P+W = G em Y = P+W+G. Isto significa que, para cada unidade de renda gerada, metade permanece com trabalhadores e capitalistas e a outra metade é apropriada pelo governo, de modo que a reprodução ampliada do capital dependerá igualmente do esforço a partir da ‘sociedade civil’, assim como a partir da ‘sociedade política’. Deste ponto em direção aos extremos, delimitamos discricionariamente 4(quatro) quadrantes de distribuição da renda como referências evolutivas objetivas para o Estado Capitalista, sendo dois abaixo e dois acima do ponto médio. No quadrante inicial (G<25,0%), os capitalistas se apropriam da maior parte absoluta do excedente, resultando em um cenário de ‘autoreprodutibilidade do

capital’, dependente exclusivamente dos esforços diretos no mercado. Na outra extremidade