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I. BÖLÜM

2.2. Örgütsel Bağlılık

2.2.5. Örgütsel Bağlılığı Etkileyen Faktörler

2.2.5.1. Bireysel Faktörler

O palácio sofreu certo esvaziamento de sua função precípua, quando da abdicação do imperador ao trono, em 1918. Durante a República de Weimar – entre os anos de 1919-33 – não se verificou alguma iniciativa mais significativa no sentido de se transformar a identidade do palácio. A ele não foi dado nenhum fim institucional de grande importância para o governo, sendo que chegou a ser usado para diferentes atividades, principalmente como museu. Na década de 1920 havia até unidades residenciais alugadas no interior do castelo.78 Hennet (2005) aponta que, em 1932, o crítico Adolf Behne – que auxiliou um dos arquitetos do Conselho de Obras da Grande Berlim, Martin Wagner – chegou inclusive a publicar um texto em que afirmava ser o castelo uma obra já sem significado para a cidade, de modo que parte dele poderia ser demolida para possibilitar a construção de um ramal ferroviário ligando o leste e o oeste da cidade. Da mesma forma, o 3º Reich não fez uso mais significativo do castelo nem de seu grande simbolismo para a história de Berlim, não havendo no período entreguerras registro de eventos importantes no Stadtschloss. Contudo, no período seguinte houve a necessidade de intervenções, uma vez que o palácio foi atingido por bombas durante a guerra em 1945, tendo sido parcialmente destruído pelos bombardeios dos Aliados em 3 de fevereiro daquele ano (FIG. 4.9). O castelo permaneceu em chamas durante alguns dias com focos em praticamente todos os seus lados, desde o portal Eosander, passando pelo Salão Branco e vários outros ambientes no 1º pavimento.79 Parte das fachadas e pátios permaneceu inatingida após os bombardeios e por isso foi possível manter algumas exibições para o público entre os anos 1946-48, nos quais Berlim era dividida em quatro zonas de ocupação. Dentre as exibições, uma das mais significativas foi uma em comemoração ao centenário da revolução de 1848.

78

PESCHKEN, G. 1991. p. 113. 79

FIGURA 4.9: Foto aérea do Berliner Stadtschloss tirada em 1946

Castelo, Catedral de Berlim (2º plano) e entorno destruídos após bombardeios americanos. Fonte: HOLFELDER, 2008, p.20.

Em 1948 Berlim deixou de ser dividida entre as quatro diferentes zonas, subsistindo as regiões ocidental e oriental. Nesta última, sob domínio soviético, iniciou-se um plano para reconstruir Berlim como uma cidade socialista. Nesse mesmo ano, o órgão responsável pela inspeção do Stadtschloss ordenou a evacuação e fechamento do edifício. O plano se concretizou definitivamente em 1950, quando do 3º Congresso do Partido Socialista. O secretário-geral e líder do partido, Walter Ulbrich, declarou em seu discurso no congresso: “O centro de nossa capital, o Lustgarten e a área das ruínas do palácio devem se tornar uma grande praça para manifestações, na qual a vontade de nosso povo por luta e por progresso possa encontrar expressão” 80. Naquele ano o governo decretou a demolição do castelo. Tal tomada de decisão desencadeou uma onda de protestos e indignação tanto no lado ocidental quanto oriental da capital.

80

Retirado da obra de Bodo Rolka e Klaus-Dieter Wille, Das Berliner Stadtschloss. Berlim: Haude und Spener, 1987, p.95. (tradução do autor)

Diversos historiadores de arte condenaram a decisão, com destaque para Richard Hamman, à época uma autoridade em arte barroca que foi para a universidade Humboldt da Berlim oriental. Ele argumentava que um monumento arquitetônico tão importante deveria ser preservado, e que a revolução e o socialismo não deveriam ser inimigos de monumentos históricos81, citando como exemplos os casos do Louvre em Paris e do Kremlin em Moscou, importantes monumentos que atravessaram fases de revolução e nem por isso tiveram que ser demolidos. Apesar das inúmeras argumentações contra a demolição, o poder público corroborou a decisão de demolir, declarando que o palácio estava muito danificado para ser reconstruído. O prefeito de Berlim à época, Friedrich Ebert, assegurou que a demolição seria a melhor alternativa, pois não era conveniente deixar as ruínas intocadas, uma vez que boa parte do palácio havia sido destruída pelos bombardeios.

Além disso, antes da demolição do Stadtschloss pelo governo socialista, não foi pensado um outro uso para as partes remanescentes, nem mesmo que se transportassem as ruínas para outro lugar da cidade. Aquele local no centro berlinense assumiu grande importância para os líderes da República Democrática Alemã e a ruína do antigo castelo deveria dar lugar à sede do governo emergente. A retirada dessas ruínas durou alguns meses e durante a década de 1950 vários projetos para edifícios monumentais foram concebidos e apresentados (FIG. 4.10). Ocorre que o local não recebeu a nova sede do governo durante anos e acabou por se tornar um enorme estacionamento, sempre repleto pelos Trabants, típicos veículos dos proletários alemães da época. Próximo ao rio Spree, a oeste, um edifício de Schinkel permaneceu inutilizado até início da década de 1960, quando foi substituído pelo novo Ministério do Exterior. Outro novo edifício construído naquela década na parte sul foi o Conselho de Estado, sendo que este recebeu em sua fachada o portal barroco de Eosander, única parte do castelo demolido que subsistiu para ser reutilizada. Este exemplar possuía grande significação histórica, pois foi onde Liebknecht proclamou a República Socialista da Alemanha, em novembro de 1918. O estadista também ajudou a fundar o Partido Comunista Alemão (LADD, 1998).

81

FIGURA 4.10: Projeto para o Palácio da República de 1951

Projeto elaborado pelo construtor Gerhard Kosel. Fonte: HOLFELDER, 2008, p.23.