1. GİRİŞ
1.3 Bilgisayar Destekli Öğretim
1.3.3 Bilgisayar destekli öğretimin yararları
Discorremos na seção anterior sobre o estatuto da atividade social mediada pelo agir comunicativo, ou seja, nos ocupamos das dimensões sociológicas e históricas das condutas humanas, pois elas devem ser sempre as primeiras a serem analisadas. Partiremos, nesse momento, para o estatuto psicológico da linguagem a fim de compreendermos como o indivíduo torna-se realmente ator de suas ações e acede ao pensamento consciente.
Para essa abordagem, partimos da questão colocada por Bronckart (2007: 49) “Por meio de quais processos esse funcionamento psíquico prático se transforma, no homem, em pensamento consciente?”.
Como forma de propor uma resposta a essa questão, em todos os seus trabalhos, Bronckart parte do pressuposto de que a criança não acede aos signos por si mesma, ela é exposta ao meio social. Ou seja, o meio social intervém no desenvolvimento propondo relações de correspondência entre os objetos e/ou comportamentos e os segmentos de produção sonora. As práticas designativas pela criança acontecem com e no convívio social.
Nessa perspectiva de desenvolvimento pela linguagem, a criança entra na prática dos signos (entra, pois ela nasce em mundo de pré-construídos) e se apropria do valor comunicativo da ação sobre os outros e, também, do valor
representado de designação de objetos. Ao apropriar-se dos signos, a função acional das representações dos outros passa a ser seus próprios comportamentos e suas próprias representações. Sabendo, portanto, que pela linguagem ela é capaz de agir sobre o outro, a criança compreende que através dela, ela pode agir sobre si mesma, sobre seus comportamentos e, então, começa a pensar. Portanto, o pensamento é de ordem social e semiótica. (BRONCKART, 2007: 55)
Perguntamos então: Já que a apropriação do valor comunicativo dos signos constitui a condição decisiva para o pensamento consciente, como se dá o pensamento psíquico antes desse processo? Como resposta, Bronckart (2007) retoma a concepção saussureana de que o pensamento é apenas uma massa amorfa e indistinta antes da apropriação da substância fônica, que se caracteriza como uma matéria plástica que se divide em partes distintas para fornecer os significados de que o pensamento necessita. Desse ponto de vista, a língua não é um meio fônico para expressão das ideias, mas é intermediária entre o som e o pensamento. Nesse sentido, podemos dizer que a linguagem é um instrumento psicológicoque organiza esse sistema amorfo e indistinto.
Apesar das terminologias utilizadas por Saussure, Bronckart (2007) reformula seu pensamento e propõe a seguinte compreensão: antes da emergência da linguagem, existe um funcionamento psíquico prático que se baseia em representações idiossincráticas e se constitui em uma massa contínua e não organizada. Com a apropriação dos significantes, as porções de formas representativas são reorganizadas em significados e são erigidas em reais unidades representativas, delimitadas e relativamente estáveis. Acontece, portanto, a discretização do funcionamento psíquico, sendo essa a condição última para a emergência do pensamento consciente. É, portanto, quando as formas representativas são organizadas em unidades discretas, com a apropriação dos signos, que se desenvolve o movimento auto-reflexivo característico do pensamento consciente. (BRONCKART, 2007: 57)
Uma vez apropriado, o signo continua a depender do social na medida em que sua significação será permanentemente realizada pelas negociações
e/ou pela aprendizagem nas práticas de linguagem. Dessa forma, o ISD acredita que o acesso ao pensamento consciente se dá pela intervenção social e não naturalmente, por isso seu grande interesse em compreender os processos em que se dá a aprendizagem, em especial, na escola.
Como as práticas de linguagem, por sua vez, são as que levam às permanentes negociações e significações e ao contínuo desenvolvimento humano, o ISD propõe o estudo dos mecanismos de interação que continuam a se desenvolver durante toda a vida entre atividade de linguagem e organização psíquica. Os gêneros textuais são esses mecanismos. A prática de linguagem de crianças e adultos consiste na prática de diferentes gêneros de texto em uso nas diferentes formações sociais nas quais os indivíduos se inserem.
De acordo com Dolz & Schneuwly (2010), os gêneros podem ser considerados como instrumentos que fundam e possibilitam a comunicação e a aprendizagem e que permitem a realização da ação em uma determinada situação particular. Ainda de acordo com os autores a ação de falar realiza-se com a ajuda de um gênero, “que é um instrumento para agir linguisticamente”.
Ao se apropriar de determinado gênero textual e fazer uso em determinada situação, o indivíduo progride em seu conhecimento, os adapta em uma situação de interação de acordo com as restrições linguísticas que lhes são próprias e, também, gerencia as indexações sociais de que cada gênero é portador. Dessa forma, o indivíduo se inscreve na rede de relações cristalizadas nos modelos preexistentes e aprende a se situar em relação a eles. No processo de apropriação dos gêneros, além do indivíduo construir, para uma determinada situação, variantes derivadas de sua estilística pessoal ou social, ele restitui o arquitexto sendo capaz de provocar modificações mais ou menos importantes nas características anteriores dos gêneros (BRONCKART, 2009: 154). Em outras palavras a apropriação dos gêneros textuais não provoca no indivíduo uma transformação definitiva, mas contínua, dependendo da situação em que o uso é feito, dos objetivos, dos sujeitos envolvidos, dos conteúdos veiculados, etc. E, em cada situação de uso, o gênero é modificado e “devolvido” para a sociedade constituído pelas
propriedades do indivíduo. A apropriação desse instrumento acontece, portanto, de forma dialética em que o sujeito é transformado pela e na linguagem e transforma o social do mesmo modo.
Compreendendo, portanto, a preocupação dos estudos ISD em conhecer os mecanismos que levam a um desenvolvimento humano contínuo pelas práticas de linguagem, a seguir, apresentaremos seu programa de trabalho.