3. YENĐ BĐLGĐYĐ ĐNŞA EDEMEMEK: DARÜLFÜNUN
3.1 Bilgi Alanının Yeniden Kuruluşu ve Eğitimde “Islahat”
Embora não tão novas no ordenamento jurídico pátrio, muitos operadores do direito ainda ignoram a existência das ações coletivas, cuja importância vem crescendo na prática, dada a litigiosidade excessiva, sobretudo, destaque-se, nas relações de consumo. O que é uma ação coletiva? O que é um processo coletivo? Essas indagações são feitas com alguma frequência.
O legislador percebeu que há ações em que os interesses discutidos em juízo vão além da simples pessoa que bate às portas do Judiciário clamando por justiça. Há ações em que o interesse a tutelar vai além da pessoa do autor e diz respeito à generalidade dos indivíduos ou mesmo de um determinado grupo de pessoas.
O processo coletivo se insere numa nova fase instrumentalista do Direito Processual, uma vez que se utiliza do processo como finalidade de satisfazer o direito material de cunho coletivo, pois que a finalidade do Direito Processual consiste em tornar acessível a justiça para as situações em que ocorra lesão ou ameaça de direito (art. 5º, XXXV, CR/88).
A visão contemporânea do Direito Processual se utiliza de todos os instrumentos da ciência processual adequando-os às novas exigências da sociedade, notadamente na existência dos conflitos de massa. Essa adaptação, para alguns, não tem por finalidade a criação de uma nova ciência processual, mas tão somente adequar as técnicas processuais atuais para a satisfação das necessidades identificadas no plano do direito substancial:
[...] em uma sociedade por essência conflitiva, os embates se multiplicam. O processo judicial contencioso clássico não é o bastante para abastecer as controvérsias carregadas de matizes sociais que afetam a grupos, categorias ou classes, bem como a situações patrimoniais singulares. É então quando entram em crise as explicações e as técnicas imaginadas para outros fenômenos e impotentes para regular, sem adequações incisivas, uma realidade complexa e distinta. As ações de classe ou coletivas, a legitimação de agir, os efeitos subjetivos da coisa julgada, a perda da neutralidade do
juiz com a consequente ‘responsabilidade social’ do resultado eficaz
do serviço, quando é já mais que o mediador que se contenta com a verdade formal dos atos que os propõem as partes, porque deve integralmente fazer mais de si para alcançar o profundo e real conhecimento, sem o qual não poderá derivar na justa solução, são as
retas que desafiam o jurista e o instiga a imaginar o razoavelmente possível em caminhos e adequações que trazem, com perentoriedade,
os cada vez mais intensos reclamos das novas tutelas”.106 107
O surgimento dessas novas demandas sociais, de massa ou coletivas, fazem retomar a
questão do acesso à justiça, descrito pela sucessão de “ondas renovatórias” a garantir o acesso
à tutela jurisdicional, em que se incluem as demandas metaindividuais, exigindo-se uma crescente garantia jurisdicional por parte do Poder Judiciário.108
O mundo civilizado é regido por normas maiores, que organizam o estado de direito, repartindo, de regra, entre os Poderes constituídos, as três funções estatais: legislativa, executiva (ou administrativa) e jurisdicional. O Legislativo cria as normas que, observadas, permitem, na medida do possível, a convivência harmônica dos indivíduos em sociedade; o Executivo administra a máquina estatal de acordo com essas normas; e, quando não respeitadas, o Judiciário pode ser acionado, para fazer impor aos jurisdicionados, essa vontade concreta da lei, aplicando as normas aos casos concretos, na solução dos conflitos existentes entre as pessoas, na satisfação de direitos reconhecidos num título executivo e na determinação de medidas acauteladoras e conservativas.
Pode-se dizer, com Marcos Destefenni109, que o mundo jurídico é composto de duas grandes espécies de normas: as materiais e as processuais, formando-se, pois, duas espécies de relações jurídicas– a relação jurídica material e a relação jurídica processual.
106Morello, 1983, p. 217, apud Leonel, 2002, p. 26, nota de página nº 15.
107Tradução livre: “[...] en una sociedad por esencia conflictiva, las fricciones se multiplican. El proceso judicial
contencioso clásico no es bastante para abastecer controversias cargadas de matices sociales que afectan a grupos, categorías o clases, más que a situaciones patrimoniales singulares. Es entonces cuando hacen crisis explicaciones y técnicas imaginadas para otros fenómenos e impotentes para regular, sin incisivas adecuaciones, una realidad compleja y distinta. Las acciones de clase o colectivas, la legitimación de obrar, los efectos
subjetivos de la cosa juzgada, la pérdida de neutralidad del juez con la consecuente ‘responsabilidad social’ del
resultado eficaz del Servicio, cuando es yá más que el mediador que se contenta con la verdad formal de los hechos que se proponen las partes, porque debe integrativamente hacer mucho de sí para arribar al profundo y real convencimiento, sin lo cual no podrá derivarse en la justa solución, son retos que desafian al jurista y lo espolean a imaginar lo razonablemente posible en cambios y adequaciones que traen, con perentoriedad, los cada
vez más intensos reclamos de nuevas tutelas.” (MORELLO, Augusto Mario. Las nuevas exigencias de tutela
(experiencias y alternativas para repensar la política procesal y asegurar la eficacia del servicio). RePro 31/210- 220, jul.-set../1983, ano VIII, p. 217, apud LEONEL, 2002, p. 26, nota de página nº. 15).
108 As deficiências na prestação jurisdicional podem ser verificadas, por exemplo, pela quantificação de processos: “O Supremo Tribunal Federal recebeu, no ano de 1970, 6.367 processos; em 1980, foram 9.555; dez
anos depois, 18.564; no ano de 1998 o número atingiu o montante de 52.636 processos recebidos; e até o dia 30.06.1999 já haviam entrado 26.187 feitos. Cabe lembrar que o STF, na essência, é a Corte Constitucional brasileira composta de apenas 11 Ministros. Órgãos semelhantes no cenário internacional, apresentam realidade completamente diversa. A Suprema Corte Americana, 1994, julgou 300 processos. Em Portugal, foram julgados
900.” (MENDES, 2002, p. 27, nota de página nº. 1).
Ao lado da relação jurídica de direito material, a respeito dos bens da vida postos à disposição das pessoas, coloca-se, em relevante grau de importância, a relação jurídica processual, sem a qual aquela, de direito material, não terá proteção, restando impossível fazer valer os direitos dela decorrentes.
Com o aumento da complexidade das relações sociais, com o incremento e a proteção das relações de consumo e, também, com a economia globalizada, surgiram novos direitos, chamados da terceira geração, direitos ditos da solidariedade, caracterizados por sua transindividualidade, pertencendo não mais apenas ao indivíduo como tal considerado, mas a toda uma coletividade.
Por se destinar o processo civil à solução dos conflitos surgidos no convívio social, “é
extremamente importante que o operador do direito tome consciência de que o direito atual se divide em individual e coletivo, sendo correto dizer que está superada a dicotomia tradicional,
que dividia o direito material em ‘direito público’ e ‘direito privado’”, alerta Destefenni.
Lembra ele que o próprio Direito Civil, considerado o grande ramo do direito privado, passou pela constitucionalização de suas normas fundamentais, adquirindo aspectos cogentes, imperativos. E, mais, indaga Destefenni a qual ramo do direito, à luz da classificação clássica (público ou privado), pertenceriam os direitos difusos? A lesão a um bem jurídico difuso, como o meio ambiente ecologicamente equilibrado, produz repercussões não só ao meio ambiente propriamente dito, mas também em relação aos particulares que sofrem danos decorrentes de uma poluição, por exemplo.110
Lembra Fernando Gajardoni, o processo coletivo nasceu na terceira fase metodológica do direito processual civil, na segunda onda renovatória de Cappelletti e Garth. O autor divide os direitos fundamentais em gerações:
(a) 1ª geração: direitos civis e políticos (séculos XVII a XX): direito a voto, herança, propriedade, etc. São as chamadas liberdades
negativas, pois impõem ao Estado uma abstenção. Coincide com o
pensamento liberal e o Estado de Direito.
(b) 2ª geração: direitos sociais, econômicos e culturais (final do século XIX e XX). São as chamadas liberdades positivas, pois impõem ao Estado uma intervenção.
(c) 3ª geração: direitos difusos e coletivos: o homem passa a ser visto em grupo e surgem direitos ao meio ambiente, saneamento básico,
direitos de categorias profissionais. Surgem os sindicatos de classe”111
Portanto, como conclui Gajardoni, “o processo coletivo surge na terceira geração de
direitos fundamentais”.112