11. Çürüklük gelişimi
4.6. MAP içi gaz bileşimi
Antes de ingressarmos na concepção de Dworkin do direito como integridade convém escrever um item rápido para fins da delimitação terminológica do modo como Dworkin diferencia um conceito e uma concepção. Isso com a finalidade não confundirmos esses dois termos usados por Dworkin com sentido diverso em sua visão interpretativista.
Passemos a distinção efetuada por ele entre conceito e concepção.
Em termos gerais as pessoas concordam com as proposições mais gerais e abstratas sobre a prática que analisam. Graças a isso, os indivíduos detêm a compreensão em um diálogo de que abordam o mesmo objeto.
É comum, todavia, que divirjam quanto a aspectos mais concretos da compreensão da prática ou quanto a subinterpretações dessas proposições abstratas que em nível mais abstrato concordam74.
As proposições mais gerais e abstratas sobre a prática, compartilhadas em um quase
consenso, configurariam o conceito. Já os refinamentos e subinterpretações das proposições abstratas configurariam as diversas concepções existentes em torno de um conceito.
O autor exemplifica esta distinção através da forma de uma árvore75. As proposições mais gerais e abstratas sobre a prática formariam o tronco da árvore e as posições e subinterpretações das proposições mais abstratas seriam as ramificações e galhos da árvore.
Na explicação de Stephen Guest a ideia é simples: em uma discussão em torno de um conceito interpretativo as pessoas divergem sobre interpretações de uma mesma “coisa”, todas discutindo por interpretações rivais qual concepção desta “coisa” é melhor. Analisando o raciocínio das pessoas, veremos que a coisa está no conceito, o qual é constituído por um nível de abstração no qual há uma concordância relativa a um conjunto de ideias, as quais são empregadas normalmente em todas as interpretações76.
Um conceito de uma prática social apesar ser visto como incontestável em uma época será, na verdade, uma afirmação interpretativa e não semântica. Ele decorre de uma interpretação e não de um significado inerente por si ao signo linguístico. Por isso as análises conceituais e de concepções não são atemporais. Wittgenstein cria uma imagem interessante para compreendermos os conceitos. Ele usa a imagem de uma corda constituída de inúmeros fios dos quais nenhum corre ao longo de todo o seu comprimento nem a abarca em toda a sua largura. A instituição do presente descende de adaptações interpretativas do passado77. Em cada fase histórica do desenvolvimento de uma prática há certas exigências que se mostram como paradigmas.
A partir de um conceito, realizarmos concepções distintas de um conceito interpretativo.
O Direito é um conceito interpretativo passível de concepções distintas.
Como visto, Dworkin, propondo uma interpretação do raciocínio de análise do direito, ataca fortemente os pressupostos epistemológicos do positivismo jurídico, os quais resultavam em uma teoria do direito descritiva e semântica. A compreensão do direito não deve se dar através de teorias semânticas, mas através de teorias interpretativas, as quais devem ter objeto formular uma concepção do empreendimento jurídico que o coloque em sua
75 Ver DWORKIN, Ronald. O Império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 86.
76 Ver GUEST, Stephen : “A ideia é esta. As pessoas podem ter concepções diferentes de alguma coisa e podem
discutir umas com as outras, e muitas vezes discutem, sobre qual a concepção é a melhor. Você observará a evidente analogia com as interpretações rivais de uma ‘coisa’. No contexto das concepções, esta ‘coisa’ é o ‘conceito’ e é constituída por um nível de abstração a respeito do qual há uma concordância quanto a um conjunto distinto de ideias, e que é empregada em todas as interpretações. Uma concepção, por outro lado, incorporará certa controvérsia que, segundo Dworkin, encontra-se ‘latente’ no conceito” (Ver GUEST, Stephen.
Ronald Dworkin. Rio de Janeiro: Campus Elsevier, 2010, p.39).
melhor luz para o fim que o intérprete quer atingir. Trata-se, na realidade, de interpretar uma prática social identificada pelo signo linguístico “direito”, mas que não resulta em uma aferição semântica criterial.
E neste empreendimento de interpretar uma prática social identificada pelo signo linguístico “direito”, Dwokin proporá o seu conceito e defenderá a sua concepção, a qual denominará “direito como integridade”.
Tal concepção terá para ele a força de colocar o direito em sua melhor luz, propiciando a melhor forma de justificação da coerção estatal.
Como ressalta Dworkin78, os juízes realizam ao interpretar e aplicar o direito teorias operacionais sobre a melhor maneira de interpretarem as suas responsabilidades, resultando estas teorias interpretativas de suas próprias convicções sobre o sentido- o propósito, objetivo ou princípio justificativo- da prática do direito. Não obstante as diversas teorias interpretativas de cada julgador, há sem dúvida em cada época paradigmas de direito, os quais remetem a proposições que na prática não podem ser contestadas sem sugerir corrupção ou ignorância e possibilitam a convergência. Ademais essas teorias possuem uma dimensão de integridade e coerência, a qual está adstrita ao estágio histórico da prática recebido pelo intérprete e exercem limitação à sua concepção de direito79.
Mas uma argumentação de aferição de uma proposição jurídica concreta feita um julgador resulta, quer ele tenha consciência ou não, de uma opção teórica prévia de visualização do direito e sobre os seus fundamentos. Como diz Dworkin, toda sentença é um exemplo de filosofia do direito80
Um argumento jurídico concreto adota um tipo de fundamento abstrato que na concepção do intérprete lhe oferece uma teoria orientadora do raciocínio que exerce. Como já dito, toda interpretação jurídica é um exercício de interpretação construtiva.
Dworkin enxerga no direito também um conceito central que nos permite identificar quando estamos diante de argumentos de concepções rivais do direito.
78 DWORKIN, Ronald. O Império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 109.
79 Ver DWORKIN, Ronald. O Império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007. Conforme Dworkin: “as
teorias que cada juiz elabora sobre o que significa julgar vão incorporar aspectos de outras interpretações correntes na época (... seria as influências de ideias filosóficas sobre a linguagem.. sobre política...sobre a compreensão moral...) A dinâmica da interpretação resiste à convergência ao mesmo tempo em que a promove. (...)As forças centrífugas são particularmente fortes ali onde as comunidades profissional e leiga se dividem com relação à justiça (...)as interpretações de diferentes juízes será afiada por diferentes ideologias.(...) O direito naufragaria se as várias teorias interpretativas em jogo no tribunal e na sala de aula divergissem excessivamente em qualquer geração. (DWORKIN, Ronald. O Império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p.110 e 111).
80 DWORKIN, Ronald. O Império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p.113: “Desse modo, o voto de
qualquer juiz é, em si, uma peça de filosofia do direito, mesmo quando a filosofia está oculta e o argumento visível é denominado por citações e listas de fatos.”
Haveria, desta forma, uma descrição abstrata configurando um escopo do direito que a maioria dos teóricos reconhece. Esse conceito nos leva a um consenso geral sobre certa proposição abstrata.
Dworkin sugere um conceito, uma exposição abstrata que sugira um conceito pré- interpretativo de análise jurídica. Este conceito simbólico de uma proposição mais abstrata e fundamental do escopo do direito consistiria no seguinte: o direito é a justificativa do uso da coerção estatal. A finalidade do direito, aferida em uma esfera abstrata de quase consenso, consistiria na função de guiar e restringir o poder do Estado, de forma a conduzir o modo como a força coercitiva será usada.
Este aspecto visualizado por Dworkin nos remete a problemática acerca da legitimidade a que está afeto o direito.
Do conceito de direito (proposto por Dworkin como justificativa do uso da força pública contra o cidadão) realizam-se no ver do autor concepções que aprimoram a interpretação consensual inicial.
No Brasil a escola teórica mais difundida é, sem dúvida, o positivismo jurídico. Além dele outra linha teórica, dotada de destaque sobretudo nos Estados Unidos, é o realismo jurídico.
Dworkin chama estas duas escolas, quando vista como teorias interpretativas do conceito de direito e não mais como teorias semânticas e descritivas na forma como foi proposta pelos seus expoentes, de convencionalismo e pragmatismo jurídico81. Elas são, assim, a visualização de teorias jurídicas que, embora sejam defendidas por muitos sob o enfoque semântico, Dworkin as apresenta como concepções interpretativas do direito. Além do convencionalismo e do pragmatismo jurídico, Dworkin propõe uma concepção sua: o direito como integridade.
O Convencionalismo é o positivismo jurídico na ótica interpretativa. Nesta interpretação, Dworkin propõe que o convencionalismo argumentaria, como razão para justificar a coerção em sua melhor luz, através da seguinte afirmação: o convencionalismo seria mais adequado à justificação do uso da coerção estatal por exigir que a força pública seja utilizada apenas da maneira explicitada em decisões políticas anteriores, as quais são identificadas por meio do texto de regras derivadas de instituições políticas identificadas conforme critérios convencionais de uma regra de reconhecimento. Esta teoria proporcionará
81 Ver DWORKIN, Ronald. O Império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007, capítulo IV sobre a
previsibilidade e equidade processual82.
Para Dworkin esta teoria seria inapta à solução de diversos problemas práticos que aparecem na prática jurídica e levaria a uma irracionalidade prática imersa em uma amplitude discricionário resultante de sua proposta teórica de fundamentações de decisões judiciais. No seu ver, a sua concepção do direito como integridade seria apta a encontra a única decisão correta à controvérsia.
Como diz, na concepção convencionalista- positivista- não se exigiria respeito a moral política de tal modo que quando os juízes se defrontam com situações nas quais não encontram respostas nas convenções, eles devem tomar suas decisões criando direito de maneira discricionária83.
Outra concepção do conceito de direito proposta pelo autor é o pragmatismo84 jurídico, o qual seria o realismo jurídico visto como teoria interpretativa. Como diz, esta é uma concepção cética do direito, a qual nega a existência de fundamentos jurídicos prévios a uma decisão judicial. Não haveria assim um condicionante jurídico prévio que levasse a verdade de uma proposição jurídica. Todas as decisões judiciais seriam escolhas políticas que no ponto de vista do julgador seriam mais justas e adequadas.
Para Dworkin85: “o pragmatismo é uma concepção cética do direito porque rejeita o pressuposto de que as decisões do passado estabelecem os direitos das decisões ainda por vir”. Segundo entende o pragmatismo também não é a melhor concepção do direito.
Dworkin elabora uma teoria do direito que chama de “direito como integridade”, a qual considera a melhor concepção do que fazem (e devem fazer) os juízes e juristas.
O direito como integridade veria sob outra ótica o problema da exigência de coerência da decisão judicial com as decisões políticas do passado. Tendo por fim o direito a justificativa da coerção estatal, a coerência exigida com as decisões do passado não visam apenas oferecer previsibilidade ou equidade processual, mas tem por objetivo assegurarem aos cidadãos um tipo de igualdade, a igualdade de igual consideração e respeito.
Essa concepção do direito como integridade levaria a uma visão jurídica atrelaria proposições normativas acerca do que o direito exige não somente às decisões explicitadas em uma regra convencional resultante do direito institucional e das pretensões juridicamente asseguradas pelas decisões do passado, mas também fundamentadas em razões argumentativas oriundas da tessitura argumentativa advinda de justificativas de princípios, as
82 DWORKIN, Ronald. O Império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p.118. 83 DWORKIN, Ronald. O Império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 118. 84 DWORKIN, Ronald. O Império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p.119. 85 DWORKIN, Ronald. O Império do Direito. São Paulo: Martins Fontes, 2007, p. 126.
formariam uma integridade condutora de uma teoria prévia refletora da moralidade política da comunidade de princípios que o intérprete vê como justificando a história institucional e assegurando ao indivíduo igual respeito e consideração.
Assim, o conceito de direito para Dworkin refere-se a justificação da força física pelo Estado.
Uma concepção do direito, vista agora neste viés interpretativo de colocação de sentido a prática, deve voltar-se a finalidade de ser a melhor teoria capaz de solucionar a problemática da legitimidade estatal
Dizer o que o direito é para fins de solução de casos jurídicos volta-se a melhor forma de enxerga-lo para o fim de solucionar questões jurídicas de modo a zelar pela legitimidade estatal.
Um Estado legítimo será para o autor aquele que trata os indivíduos com igual consideração e respeito. Por isso, todos os atos estatais, emanados do legislativo, executivo, judiciário, devem zelar por serem decisões legítimas que assegurem aos indivíduos a igual consideração e o igual respeito.